Ao longo do ano passado, 7.667 pessoas morreram em rotas migratórias, uma média de 21 casos notificados por dia. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), por meio do programa Missing Migrants Project, que monitora mortes e desaparecimentos durante deslocamentos internacionais em todo o mundo.
O número representa uma queda de 16,6% em relação a 2024, quando foram registradas 9.197 mortes em travessias – o maior desde que o levantamento teve início, em 2014. Ainda assim, 2025 atingiu o quarto maior patamar da série, atrás de 2024, 2023 e 2016.
As rotas marítimas continuaram entre as viagens mais letais, com pelo menos 2.108 pessoas mortas ou desaparecidas no Mediterrâneo no ano passado e 1.047 na rota atlântica para as Ilhas Canárias, na Espanha. Também chama a atenção o crescimento das mortes em outra rota, entre o Chifre da África e a Península Arábica, muito usada por migrantes que tentam chegar aos países do Golfo Pérsico – como Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Segundo a OIM, foram 922 casos nessa região.
“Essas mortes não são inevitáveis. Quando as vias seguras estão fora de alcance, as pessoas são forçadas a empreender viagens perigosas e a cair nas mãos de contrabandistas e traficantes. Devemos agir agora para expandir as rotas seguras e regulares e garantir que as pessoas necessitadas possam ser protegidas, independentemente de seu status”, disse a diretora-geral da OIM, Amy Pope, em comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira.
Subnotificação e barreiras financeiras
Vale ressaltar que os dados coletados e divulgados pela OIM se referem ao que foi possível documentar. A própria agência da ONU alerta para o fato de que muitos casos sequer foram notificados pelas autoridades – os chamados “naufrágios invisíveis”.
Embora haja poucas evidências sobre esses casos, a OIM recorda que ao menos 270 restos mortais humanos foram encontrados nas costas do Mediterrâneo em 2025 sem ligação com naufrágios conhecidos. Outras três embarcações com os restos de 42 pessoas foram posteriormente encontradas à deriva rumo ao Brasil e ao Caribe após tentarem a travessia para as Ilhas Canárias.
Além disso, os cortes recentes no financiamento de entidades das Nações Unidas também foram citados como barreiras para um melhor monitoramento das rotas migratórias. A OIM, por exemplo, atuou em 2025 com um orçamento 30% do que havia estimado para o ano, o que levou a reduções no quadro de funcionários e revisão de projetos em todo o mundo.
Para este ano, a OIM solicitou US$ 4,7 bilhões para prestar apoio a cerca de 41 milhões de pessoas em situação de deslocamento e reforçar sistemas que promovam uma migração ordenada, regular e segura.
A redução global de recursos para ajuda humanitária, que já vinha se acentuando ao longo dos últimos anos, foi agravada em 2025 pela decisão do governo dos Estados Unidos ainda em janeiro de desmantelar a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Além disso, a invasão russa na Ucrânia e o medo de que outros países sejam afetados levaram governantes europeus a redirecionar o dinheiro que antes ia para assistências humanitárias para reforçar o orçamento destinado às políticas de defesa nacional.
Quer receber notícias publicadas pelo MigraMundo diretamente no seu WhatsApp? Basta seguir nosso canal, acessível por este link
O MigraMundo depende do apoio de pessoas como você para manter seu trabalho. Acredita na nossa atuação? Considere a possibilidade de ser um de nossos doadores e faça parte da nossa campanha de financiamento recorrente

