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quinta-feira, maio 7, 2026
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O preço da passagem – rotas de migração para a Europa

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Países europeus falam em aumentar controle das fronteiras, construir muros, montar patrulhas marítimas e até sugerem que os imigrantes “voltem para casa”. Parece tudo “tão simples” na teoria, mas nada mais “non-sense” na prática – ainda mais considerando a Era da Globalização vivida pelo planeta.

Um exemplo disso está no infográfico The Price of Passage (O Preço da Passagem, em tradução livre), que  faz um levantamento das rotas de migração que partem do Oriente Médio e África em direção à Europa, seja por terra, mar ou pelo ar. O material foi elaborado pela rede de TV Al Jazeera, sediada no Qatar, com dados da Human Rights Watch, Anistia Internacional e Acnur, a agência da ONU para refugiados.

http://www.aljazeera.com/indepth/interactive/2013/10/interactive-price-passage-201310248556288870.html

Além de mostrar as rotas de migração para a Europa, o infográfico da Al Jazeera tem o apoio de uma série de outros dados sobre como o esquema de tráfico opera e organiza o sistema de tráfico humano no continente. Por exemplo, os barcos que chegam pelo mar têm migrantes instruídos previamente a colocar fogo na embarcação ou mesmo apenas danificá-la com o intuito de forçar o resgate dos ocupantes no mar.

O valor pago pelos imigrantes interessados em ingressar na Europa varia de acordo com a rota. De acordo com o material compilado pela Al Jazeera, um local no barco que vai de Túnis (Tunísia) ou Benghazi (Líbia) à costa da Itália pode custar de US$ 1.500 a US$ 2.000. Sim, o migrante que deseja um mínimo de segurança de que chegará em terra firme ainda é obrigado a desembolsar de US$ 4.000 a US$ 6.000 adicionais.

Já uma viagem por terra entre Cabul (Afeganistão) e Atenas (Grécia) não sai por menos de US$ 7.000 – incluindo boa parte do trecho a pé, semelhante à  jornada descrita no livro “Existem Crocodilos no Mar”. E assim como na obra narrada por Enaiat, o percurso dentro do Irã é feito a pé, local onde alguns dos migrantes acabam sucumbindo ao calor, frio, fome e outros obstáculos.

Muitos, no entanto, pagam um preço ainda mais alto pela travessia clandestina – a própria vida. Nos últimos 20 anos, o mar Mediterrâneo serviu de “vala comum” para quase 25 mil pessoas – a elas se juntaram as cerca de 500 vítimas dos grandes naufrágios ocorridos entre os meses de setembro e outubro passado, a caminho da ilha de Lampedusa.

O infográfico é mais uma prova da ineficiência das políticas criadas justamente com o intuito de coibir a entrada de migrantes sem documentação. Ou seja, de nada adiantará a Europa fechar-se como uma Fortaleza enquanto o sangue escorre pelos muros ou mancha os mares – e os traficantes de pessoas continuam a encher seus bolsos em função do sonho alheio de uma nova vida longe da terra natal.

“Intercâmbio é muito maior do que um curso de inglês”

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Existe idade para imigrar ou buscar uma nova experiência de vida em outro país, independente do motivo? A jornalista, amiga e colega de faculdade Eligia Aquino Cesar, 32, é um exemplo de que não, nunca é tarde para esse tipo de experiência.

Em abril deste ano, Eligia decidiu deixar o emprego de jornalista em um portal de internet para realizar um sonho de adolescente – mesmo que com algumas diferenças em relação ao plano original. Ela pretendia fazer intercâmbio em Londres, mas acabou traçando Dublin, capital da Irlanda, como destino da sua nova experiência – e como ela própria expressou bem, “é muito maior do que um curso de inglês”.

O retorno de Eligia deve ocorrer entre fevereiro e abril de 2014, quando pretende voltar ao mercado de trabalho e restabelecer-se como repórter, outro grande sonho de vida. Na entrevista abaixo, ela conta um pouco do que aprendeu e viveu em terras celtas e dos objetivos traçados para os próximos meses e anos.

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De onde e como surgiu a ideia de ir para a Irlanda? E por que exatamente este país?

Desde a adolescência quis fazer intercâmbio e o destino dos meus sonhos sempre foi Londres. Como há alguns anos para fazer este tipo de viagem era necessário ter uma quantia razoável disponível – o que nem de longe eu tinha – segui com outros objetivos, um deles, me formar em jornalismo em uma Universidade conceituada. De lá para cá, muitas coisas aconteceram, foram me absorvendo, fazendo com que este desejo ficasse adormecido, como se fosse ‘algo que não era para mim’.

Cerca de um ano após perder um tio muito querido meu de uma hora para outra, trabalhava em um website e um dia refleti sobre os rumos que minha carreira estava tomando. Tinha 31 anos e queria muito (ainda quero) ser repórter.  Sabendo da importância de dominar o inglês e fazer um intercâmbio para quem quer ter oportunidade de mostrar que é capaz, resolvi pesquisar e notei que era viável realizar isto.

A escolha da Irlanda se deu por questões financeiras, práticas e geográficas.  Para morar em Dublin, por exemplo, não é necessário tirar o visto no Brasil. O fato de se localizar na Europa é um fator que também contribuiu com a escolha de Dublin como destino do intercâmbio, pois tenho vontade de conhecer alguns países do Velho Continente. E estando próximo a eles facilita bastante a ida até lá. Além do mais, os preços praticados por uma companhia aérea bem conhecida aqui, chamada Ryanair, são bem atraentes, interessantes mesmo.

Que tipo de dificuldade você encontrou ao chegar no país? Você chegou a sofrer algum tipo de preconceito?

A principal dificuldade que encontrei ao chegar aqui foi a questão da língua mesmo. No Brasil, na maioria das escolas aprendemos o inglês dos EUA e o inglês ‘irish’ é diferente, britânico, mas com um sotaque muito forte, meio fechado.

Nas minhas primeiras semanas aqui sofria horrores, pois entendia o que queriam me dizer, mentalizava a resposta em português e não conseguia traduzi-la para o inglês de maneira adequada. 

A meu ver, uma das coisas que brasileiros devem aprender com os ‘gringos’ é a arriscar mais na questão do idioma. Muitos deles quando visitam o Brasil, por exemplo, aprendem a se comunicar em português rapidamente e relativamente bem, porque não têm medo de tentar, de falar tudo errado mesmo (o que é absolutamente normal no princípio) e assim vão aprendendo. Meu inglês passou a melhorar quando me conscientizei disso e me libertei das amarras do perfeccionismo linguístico.

Em seis meses em Dublin posso dizer que nunca me senti discriminada aqui. Todas as vezes em que precisei de auxílio de algum irlandês fui tratada de maneira muito agradável e paciente.

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Fale um pouquinho sobre as pessoas com as quais você convive em Dublin. De onde eles são? Quais as diferenças e semelhanças que você pode notar entre eles e em relação a você?

É surpreendente como Dublin apesar de pequena (cerca de 1,5 milhão de habitantes) é uma cidade multicultural. É possível, ao andar pelas ruas, encontrar gente de diversas nacionalidades: indianos, paquistaneses, italianos, espanhóis, franceses, romenos, coreanos, poloneses, (muitos) brasileiros, pessoas dos mais diversos países.

Divido apartamento no momento com uma brasileira, duas francesas e uma coreana. E posso te dizer que não dá para determinar um padrão de comportamento que me permita fazer comparações. Em muitos casos me identifico mais com estrangeiros do que com muitos brasileiros que conheci aqui. Antes de embarcar não pensei que isto pudesse acontecer.

Em relação às diferenças culturais, para mim, uma das principais, é a questão de sermos um povo mais afetuoso. Temos o hábito de rir, tocar, abraçar e beijar o tempo inteiro, naturalmente. Não apenas pessoas nas quais temos interesse homem-mulher, mas também nossos amigos. Aqui, percebo que este comportamento pode ser mal interpretado, o que me faz prestar atenção na forma como me porto, o que em muitos casos tira um pouco a espontaneidade das coisas.

Muitos europeus têm ainda a ideia de que brasileiros são sexies e tal. Até aí tudo bem, não vejo como algo ruim sermos considerados um povo sexy. Afinal, quando comparados com muitos deles, pela minha observação, somos mais quentes, sim. Aqui entendi que até o jeito de andarmos e dançarmos é totalmente diferente. O grande problema (com p maiúsculo) é quando nos veem APENAS desta maneira, como se além disso não pudéssemos ter outras qualidades tão ou mais importantes do que estas, como sermos inteligentes, esforçados ou trabalhadores, entre outras coisas. E o que me deixa chateada é que eles estão certos em ter essa ideia pré-concebida. Já vi em pubs aqui – diversas vezes, infelizmente – brasileiras indo até o chão, no melhor estilo funkeira, ao som de músicas dos Beatles, U2 ou Bon Jovi, com a intenção de sensualizar diante de gringos em troca de bebida. Logo que cheguei a Dublin uma garota me chamou para sair e eu disse que não podia porque não tinha grana e tal. Ela respondeu o seguinte “quem disse que precisa ter dinheiro para sair? Os gringos pagam, boba”! Fiquei tão perplexa que nem disse nada.

Conheci também em Dublin muitos brasileiros legais, mas de uma forma geral me decepcionei. Muitos dos que estão aqui, antes de pensar em aprender inglês deveriam dominar o idioma materno e entender mais sobre o país em que nasceram. Boa parte deles não frequentam a escola, estão aqui pensando em juntar dinheiro, viajar e farrear, só! Voltam para o Brasil com o inglês pior do que quando vieram (sim, isso é possível). Mas, para mim, o pior tipo são aqueles que têm a cabeça tão fechada que chega a dar aflição pensar que vieram do mesmo lugar que eu!

Uma vez estava voltando do intervalo para minha sala e vi uma brasileira pedindo para tirar uma foto junto com uma colega muçulmana. Até aí, nada demais. A garota pegou uma echarpe enrolou na cabeça, como se aquilo fosse uma fantasia, abraçou a menina e fez sinal de paz e amor para a foto. A garota muçulmana me olhava totalmente desconcertada e eu, embora não fosse amiga da garota, fiquei totalmente sem graça e só consegui dizer “Sorry”! 

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Certa vez você disse que não entende por que certas pessoas largam tudo para tentar a vida em outro país. Poderia explicar melhor o porquê? E em que sentido a experiência que você está vivendo difere daqueles que largam tudo para tentar a vida em outro país em definitivo?

Antes de tudo, é totalmente diferente ser intercambista e imigrante. E eu me encaixo no primeiro grupo. Há pessoas que estão aqui e querem permanecer por realmente odiarem o Brasil. Na maioria dos casos, noto que elas não detestam o Brasil, mas o que ele representa: família desestruturada, amigos falsos, subempregos que exercidos aqui compensam mais financeiramente, enfim, existem diversas possibilidades. Respeito e compreendo as pessoas que tem histórias complicadas e que querem tentar a vida aqui, embora acredite que não possamos fugir dos problemas eternamente. Por outro lado, evito manter contato com pessoas que sentem desprezo pelo Brasil ou por brasileiros, embora sejam um de nós. O engraçado é que sempre que conheço um destes questiono o que fariam se houvesse uma guerra na Irlanda ou se se vissem com alguma grave doença. Todos com os quais falei, sem exceção, dizem que voltariam ao Brasil. Aí pergunto: mas lá não é uma merda? E a resposta é sempre algo como: mas tenho que pensar em meu bem-estar em primeiro lugar! Invariavelmente (já que não tenho sangue de barata), digo que eles são bem parecidos com os políticos que tanto criticam e culpam pelas mazelas do Brasil, afinal agem de maneira oportunista, pensando sempre em si mesmos. Muitos ficam visivelmente contrariados, mas não têm argumento diante disso!

Sabemos que a Europa em geral atravessa uma forte crise econômica. É possível notar isso nas ruas de Dublin? Você acha que de alguma forma você e outros estrangeiros são afetados? Se sim, como?

Que a crise existe é inegável. Até o final de setembro se via um número maior de espanhóis e italianos em Dublin.  Existem hoje irlandeses a procura de subempregos, sim, mas pelo que vejo não são tantos, já que dependendo do trabalho compensa mais viver com o auxílio do Governo, que é maior, até achar alguma coisa que realmente se queira fazer.

Dentre os europeus, aqueles que realmente lutam por subempregos, assim como os brasileiros, são os poloneses e os romenos. Obviamente, quanto maior a concorrência, maior a dificuldade. Mas acho que o mais difícil para a maioria dos brasileiros aqui, talvez seja a forma de procurar trabalho. Em muitos casos se consegue uma vaga, assim como no Brasil, por meio de indicação, em outros, é necessário bater perna, ver placas de “precisa-se” no estabelecimento e tentar a sorte falando com o gerente, se oferecendo inclusive para trabalhar um dia meio período, a título de teste, o que é permitido aqui. É bem arcaico mesmo. Muitos lugares só usam o método boca a boca para recrutar, nada online.

Certa vez você me disse: “Aprender inglês se torna secundário diante da grande vivência que tenho aqui”. Que tipo de mudança você já consegue notar em si própria no tempo que já passou por aí?

Precisaria de horas para explicar o tsunami de emoções que é essa experiência. Os sentimentos são muito intensos. Há dias em que acordo e penso ‘nossa, adoro Dublin, vivo aqui um ano tranquilamente!’. Já em outros sinto vontade de correr até o aeroporto e pegar o primeiro avião rumo ao Brasil. Tenho de destacar que o fato de ter uma relação excelente com minha família pesa bastante.

Logo que cheguei à Irlanda acreditava que a parte mais difícil de suportar seria a saudade que sentia. E nas primeiras semanas, ao mesmo tempo que a falta que as pessoas me faziam doía, eu tinha tanta coisa para resolver – como por exemplo, encontrar um lugar para morar, já que ficaria apenas por duas semanas no alojamento estudantil – que fui me adaptando e entendendo que tinha que viver a vida aqui. Não devia ficar pensando no Brasil, pois corria o risco de estar em outro país, tendo a oportunidade de conhecer outra cultura, sem aproveitar tudo que esta experiência teria a me oferecer. Parei de fazer drama e a partir daí mudei meu comportamento. 

A pior coisa para mim aqui, sem sombra de dúvida, é ter de dividir o apartamento com estranhos. Numa analogia simples, é como se fôssemos vizinhos dividindo a mesma casa, onde tudo que está dentro pertence a todos e a ninguém ao mesmo tempo. Hoje sou tão mais paciente, flexível e resiliente que às vezes não me reconheço. 

Diante dos exemplos citados acima e de muitos outros fatos digo que “aprender inglês se torna secundário diante da grande vivência que tenho aqui”. O intercâmbio – ao contrário do que imaginava antes – é muito maior do que um ‘curso de inglês’. É mais sobre autoconhecimento mesmo, sobre aprender a voltar ao próprio eixo e se equilibrar sozinho… É tudo muito louco e lindo, ao mesmo tempo e na mesma medida. Situações que me irritavam profundamente, hoje nem noto e coisas que considerava impossível viver sem, não me fazem falta. Talvez esteja amadurecendo…

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Como você se imagina quando estiver de volta ao Brasil?

É muito contraditório, porque ao mesmo tempo que não tenho uma resposta para sua pergunta, consigo me imaginar saindo da sala de desembarque do aeroporto em São Paulo, reencontrando minha família, entrando no nosso carro e indo para casa, meu lar. Fico feliz só de pensar neste dia. Ao mesmo tempo sei que estarei com o coração apertado por, inevitavelmente, ter deixado os amigos que fiz do outro lado do mundo e principalmente por ter a certeza que ali um ciclo incrível da minha vida se encerra. Prefiro não pensar nisso agora, somente quando for a hora. Melhor fazer como Scarlett O’Hara, a heroína do meu filme favorito … e o Vento Levou: After all, tomorrow is another day. (Afinal, amanhã é outro dia)… hahaha

Após essa temporada fora do Brasil, qual sua principal esperança e seu maior receio na volta?

Profissionalmente meu grande objetivo é me tornar uma grande repórter, nunca escondi isso de ninguém. Espero que esta vivência no exterior, aliada a outros fatores, colabore para que eu consiga alcançar esta meta.

Quando era novinha imaginava que terminaria a Universidade aos 24 anos e que bem antes dos 30 já teria feito intercâmbio. As coisas não saíram como imaginei. E só posso dizer que foram perfeitas do jeito que ocorreram. Graças a estas mudanças forçadas nos planos conheci pessoas incríveis a quem tenho o prazer de chamar de amigos. Desde então, procuro não esperar muito do futuro e nem ter medo da vida. Tento deixar as coisas acontecerem e aproveitar as oportunidades que a vida me oferece da melhor maneira possível.

Crédito das imagens: Reprodução Facebook/Eligia Aquino Cesar

CUT discute situação de trabalhadores imigrantes no Brasil

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No último dia 6, ocorreu o seminário “A questão migratória e o papel da sociedade civil na conquista e ampliação de direitos”, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Instituto Nacional Confederal de Assistência – INCA/CGIL e o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante – CDHIC e a Confederação Sindical das Américas – CSA.

Abaixo segue reportagem em vídeo sobre o seminário, que  faz parte das prévias para a I Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, que acontecerá entre os dias 29/11 e 01/12 no bairro da Liberdade, em São Paulo. Maiores informações serão divulgadas em breve.

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PEC que dá direito ao voto para imigrantes chega à Câmara

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Reivindicação histórica dos imigrantes que vivem no Brasil e dos movimentos sociais que os defendem, o direito ao voto ganhou um importante reforço na esfera federal. O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) apresentou na última terça-feira (5) Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 347/2013, que altera o § 2º do artigo 14 da Carta Magna, visando conceder direitos políticos a imigrantes residentes no Brasil há mais de quatro anos e que estejam em situação migratória regular.

O texto completo da PEC pode ser lido neste link. A situação atual do projeto pode ainda ser visualizada e acompanhada no portal da Câmara dos Deputados – um serviço permite que qualquer um possa seguir o trâmite da proposta, bastando fazer um cadastro simples no portal.

A PEC prevê inscrições de imigrantes como eleitores em eleições a nível federal, estadual ou municipal. A tramitação coincide com um momento especial, no qual estão em pauta as discussões sobre a reforma política e com a proximidade da I Conferência Municipal de Políticas Públicas para Imigrantes, que será realizada entre os dias 30/11 e 01/12 em São Paulo. Organizado pela Coordenação de Políticas para Imigrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, o evento levará propostas para a Conferência Nacional de Migração e Refúgio, a ser preparada pelo Ministério da Justiça em 2014.

Durante o encontro ocorrido no último dia 31/10, que fez parte dos programas #existedialogoemSP e #dialogosSPDH/migrantes, o secretário Rogério Sottili (Direitos Humanos) ressaltou que a questão do direito ao votos dos imigrantes precisa ser tocada em conjunto com as comunidades e a secretaria. No mesmo evento, o secretário de Cultura, Juca Ferreira, afirmou ainda que a questão precisa ser levada ao governo federal e que é necessário buscar apoio também de outras entidades da sociedade civil.

Com a PEC, a demanda do voto chega à esfera federal. Se o fato é motivo de comemoração para as comunidades imigrantes, também reforça a necessidade delas unirem forças em busca de apoio da sociedade. Uma batalha que promete ser árdua em um país no qual o desapontamento com as politicagens acaba justamente banalizando essa ferramenta tão vital para o exercício da cidadania.

No contexto global existe ainda a campanha “Aqui Vivo, Aqui Voto”, que defende a plena participação política dos imigrantes tanto nas eleições como em outros processos democráticos participativos.

Com informações do CDHIC e do Portal da Câmara dos Deputados

Vídeo: Você é intolerante até precisar de um imigrante

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O vídeo foi publicado em 2007, mas infelizmente continua atual – manifestações xenófobas e políticas que colocam o migrante no papel de criminoso ganham destaque fácil nas manchetes de jornais, revistas e sites do redor do mundo.

Mas a mensagem da Anistia Internacional portuguesa com o vídeo é clara e dispensa maiores comentários: Você é intolerante até precisar de um imigrante – ou até poderia ser complementada com um exame simples da árvore genealógica de cada um…

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Festa do Señor de los Milagros é marco da cultura peruana e latino-americana

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Colaboração de Alexandre Pereira Alves e Víctor Gonzales Linares

Penso que depois dos meses em que se celebram a Páscoa e o Natal, o mês de outubro é o mais fortemente marcado pela religiosidade católica. No Brasil, milhares de fiéis se dirigem às cidades de Aparecida, no interior de São Paulo e Belém, capital do Pará, para as festas devocionais marianas mais populares no país, Nossa Senhora da Conceição Aparecida e Nossa Senhora de Nazaré, respectivamente.

Embora haja um grupo pouco numeroso em face de outros contingentes populacionais, a comunidade peruana residente em São Paulo celebrou no último domingo de outubro a festa do Señor de los Milagros, uma das maiores festas religiosas de toda América Latina. Mesmo pequena, a festa na cidade já ressalta seu caráter devocional e agregador.

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Em meados do século XVII, um negro angolano pintou em uma rústica parede de adobe uma imagem de Jesus Cristo crucificado, para veneração de seus confrades da região de Pachacamilla em Lima, capital do Peru. Por duas vezes a região foi parcialmente destruída por intensos e violentos terremotos e maremotos. Mas, para admiração dos moradores, a humilde parede que sustentava a pintura do Cristo Moreno permanecia de pé. Reproduziram essa imagem em uma grande tela e saíram às ruas locais propagando assim a devoção ao Señor de los Milagros.

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Os festejos do Señor de los Milagros desfazem qualquer distinção de classes sociais, levando às ruas homens e mulheres simplesmente devotos, independendo de classe social, profissão e há quem diga até mesmo independente de religião. A festa traz à pátria peruanos que residem no exterior, e aqueles que não podem voltar à sua terra natal a celebram onde vivem – como fizeram os peruanos residentes na cosmopolita São Paulo.

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A festa compõe-se basicamente de uma missa acompanhada por uma procissão que em Lima chega a ser participada por milhões de peregrinos. Realizada na paróquia Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, região central de São Paulo, local com numeroso contingente de imigrantes latino-americanos, os festejos contaram com a presença do bispo Salvador Piñeiro García-Calderón vindo de Ayacucho. Com a visita religiosa vinda do Peru o evento começou com uma procissão seguida da missa, também se realizou uma animada tarde cultural com a participação de grupos culturais que dançaram as belezas da Bolívia, Paraguai, Chile e Peru, todos os presentes puderam saborear a gastronomia peruana bastante badalada na atualidade. Muitos brasileiros se hermanaran da cultura peruana, concretizando uma das mais notórias notas da festa, a unidade, tanto que um deles escreveu um poema ao Señor de los Milagros e a todo povo peruano.

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Milagros

Passos marcados.
Hábitos morados.
Olhos marejados,
seguem o Cristo crucificado!

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção, lembrança.

Todos param.
Uns oram.
Outros choram.
E ao cristo imploram 

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção e lembrança.

Incenso, velas e flores
são oferecidas
ao Senhor das dores!
E segue a andança.

Homens mulheres, crianças.
Fé, devoção lembrança.

Da Selva vem,
da Serra também
e, com os da Costa
entoam o amém

Homens mulheres, crianças.
Fé, devoção lembrança.
Mesmo distante do lar
enfeitam todos o altar

com Cristo a guiar
Saem todos a rezar

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção, lembrança.

Alexandre Pereira Alves
Víctor Gonzales Linares

“O mundo da migração é um laboratório” – colaboração de Sergio Ricciuto Conte

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Nos dias 5, 19 e 26 de outubro, tive o prazer de participar do curso Migrações Transnacionais e Diversidade Cultural para Comunicadores e Mediadores Sociais, promovido pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Sem dúvida foi uma das melhores experiência que tive recentemente, seja pelas novas amizades, ideias e motivações para manter e aprimorar este blog.

Abaixo reproduzo comentário e ilustração do amigo italiano Sergio Ricciuto Conte, que integrou a turma do curso e resumiu suas impressões sobre os três sábados de atividade. Por texto e imagem, ele mesclou o conteúdo com a experiência própria dele junto à Casa do Migrante, em São Paulo, onde trabalha. E, gentilmente, aceitou que a reflexão fosse partilhada e publicada neste espaço.

Mais uma vez muito obrigado, Sergio. Fique à vontade para manifestar-se por meio deste blog sempre que quiser!

Nossos três encontros proporcionaram estímulos e inspirações.
Enquanto assistia ao vídeo do ‘risco de contar uma história única’ pensei nas inúmeras situações onde esse infelizmente não é meramente um risco, mas uma dramática factualidade. 

Na minha visão o mundo da migração é um laboratório, um centro de experimentação, até uma cozinha, onde elemento humano encontra-se quente, fértil e as relações humanas são mais densas.

A casa do Migrante onde trabalho é um lugar bizarro. Quase não passa um dia em que não se releva um rosto aflito pela dor, denunciando às vezes uma inteira existência. Mas também não passa dia em que não se tem uma alegria, extemporânea, imprevisível mas de toda forma profunda, como profundos são os encontros de quem cruza oceanos ou desertos para se achar.

Aqui embaixo um registro da minha presencia no curso, fiz enquanto tentava de prestar atenção.

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Crédito da imagem: Sergio Ricciuto Conte

Seminários em SP e RS debatem e mantêm migração em pauta

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O começo de novembro será uma bela oportunidade para acompanhar e participar de dois eventos sobre migrações, seja para iniciantes ou já iniciados e especialistas no tema.

Entre os dias 7 e 8 de novembro, Porto Alegre receberá o II Seminário do Fórum Permanente da Mobilidade Humana do Rio Grande do Sul. O evento, que acontecerá na Faculdade de Direito da UFRGS, terá como tema principal “Direitos Humanos , Políticas Públicas e Migrações Transnacionais no Brasil”.  Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site do fórum, na página especial no Facebook  e no serviço no final deste post.

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Já na capital paulista, também em 8 de novembro, acontecerá o Seminário Vozes e Olhares Cruzados 2 – Imigrantes e Refugiados: processos de integração. O evento será realizado no auditório do ITESP (Rua Dr. Mário Vicente, 1108, bairro do Ipiranga). Além de debates e mesas temáticas, também estão previstas atividades em grupo e manifestações culturais.

Inscrições para o evento em SP devem ser feitas até o dia 6 de novembro por meio do site da Missão Paz, organizadora do seminário.

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Tais eventos, além de darem uma amostra da importância que a questão migratória vem ganhando no país, também são uma bela oportunidade para conhecer o tema de um ângulo diferente do que aparece em geral na mídia. Ajudam a desfazer preconceitos, esclarecem dúvidas e dão a oportunidade de conhecer melhor que realmente são e o que desejam os migrantes e refugiados que aqui vivem.

Serviços:

II Seminário do Fórum Permanente da Mobilidade Humana do RS

Data: 8 e 9 de novembro de 2013

Local: Faculdade de Direito da UFRGS

Av. João Pessoa, 80 – Bairro Centro Histórico – Porto Alegre (RS)

Maiores informações: e-mail forummobilidaders@gmail.com

Blog do Fórum: http://forummobilidaders.wordpress.com/

Pagina no Facebook: https://www.facebook.com/Forummobilidaders


Seminário Vozes e Olhares Cruzados 2 – Imigrantes e Refugiados: processos de integração

Data: 8 de novembro de 2013

Local: Auditório do ITESP

Rua Dr. Mário Vicente, 1108 – Ipiranga – São Paulo (SP)

Inscrições até 06/11 pelo site: http://www.missaonspaz.org/

Maiores informações: (11) 3340-6952 ou seminario2013@missaonspaz.org

Caso dos haitianos no Acre chega à OEA

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Da Conectas

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos), realizará em Washington, às 16h30 (hora local) da próxima quinta-feira (31/05), uma audiência temática regional sobre “A Situação dos Direitos Humanos dos Migrantes Haitianos nas Américas”, cujo foco será a rota irregular até o Brasil que passa por países como República Dominicana, Equador e Peru e as condições precárias de acolhida no Brasil.

A audiência foi solicitada pela Conectas e a Missão Paz, em agosto deste ano, logo após a visita realizada ao abrigo construído pelo governo em Brasiléia (AC), pequena cidade que tem servido de entrada para os haitianos que chegam pelas vias irregulares ao País. Paralelamente, Conectas também enviou “Apelos Urgentes” à ONU, por meio do relator para migrantes e suas famílias e especialista independente para o Haiti.

Leia a matéria completa no site da Conectas.