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sábado, junho 27, 2026
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Fotógrafo brasileiro mostra jornada de refugiados do Oriente Médio para a Europa

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Imagem de Mauricio Lima na exposição Farida, Um Conto Sírio, no MIS. Crédito: Alethea Rodrigues

Ensaio sobre refugiados em busca de asilo na Europa rendeu a Mauricio Lima o Prêmio Pulitzer em 2016; mostra fica até final de maio no MIS, em São Paulo

Por Alethea Rodrigues
De São Paulo (SP)

O Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo mais uma vez é palco de um evento sobre migrações e refúgio. Agora é o fotógrafo Mauricio Lima que apresenta no Espaço Redondo do Museu a exposição Farida, um Conto Sírio, composta por 33 imagens feitas em 2015, quando acompanhou por seis meses a longa jornada dos refugiados rumo à Europa.

A exposição, aberta na última quinta-feira (13), fica no Museu até 28 de maio (veja mais informações no Serviço ao final do texto).

No período em que registrava a saga dos refugiados, o fotógrafo percebeu que devia humanizar o acontecimento catastrófico e quis se aproximar de uma família e documentar suas provações árduas até o destino final. Ele se conectou com a família Majid, que dormia em uma barraca em uma praça de Belgrado, na Sérvia. Durante 29 dias, Maurício compartilhou da vida deles, os perigos e as dificuldades para chegarem na Suécia.

O ensaio sobre os refugiados em busca de asilo na Europa rendeu a Mauricio Lima o Prêmio Pulitzer em 2016, tornando-o o único cidadão brasileiro a receber esse prestigioso reconhecimento. Desde a invasão norte-americana do Iraque, em 2003, o fotógrafo vem registrando o êxodo e as consequências de povos afetados por conflitos. Em 2015, ele passou 38 dias entre o norte da Síria e o Iraque, depois visitou as principais fronteiras que os refugiados usam para fugir: Turquia, Grécia, Bulgária, Macedônia, Sérvia, Croácia e Hungria; e os destinos ou rotas: Áustria, Alemanha, Suécia e Noruega. Passou entre uma e duas semanas em cada lugar, no total de seis meses.

As fotos de Mauricio iluminam a montanha-russa emocional pela qual os refugiados passam em sua jornada pelo desconhecido, na esperança de encontrar um lugar para viver com dignidade, respeito e um pouco mais de paz.

“Farida, um Conto Sírio”
Quando: de 13 de abril a 28 de maio de 2017
Horários: terça a sábado, das 12h às 20h; aos domingos e feriados, das 11h às 19h
Local: MIS (Museu da Imagem e do Som – Avenida Europa, 158 – São Paulo (SP)
Entrada: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Little Seul? Proposta sobre o nome do Bom Retiro contraria história e realidade do bairro paulistano

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Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino. Crédito: Divulgação

Seria então Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Moradores e frequentadores da região questionam a proposta e seus efeitos

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo

O bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, virou destaque na mídia na última semana depois de o prefeito João Doria (PSDB) afirmar durante visita a Seul (Coreia do Sul) que o local seria chamado também de “Little Seul”. A ideia seria homenagear a comunidade coreana, presente na formação do bairro, e ao mesmo tempo fomentar a revitalização do bairro com base em parcerias com grandes empresas coreanas presentes no Brasil.

Mas seria então o Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Uma rápida caminhada pelo bairro ou uma breve pesquisa sobre a região mostram uma história bem diferente.

O Bom Retiro é um dos mais tradicionais bairros de São Paulo e tem sua história diretamente relacionadas com a presença migrante na cidade. Ao longo de sua formação, recebeu portugueses, italianos, judeus de diferentes países, gregos, árabes, coreanos, bolivianos, dentre outros povos, que deixaram marcas e continuam a se fazer presentes na região.

Tais contribuições fazem do Bom Retiro um dos bairros mais pluriculturais da cidade e referência para diferentes comunidades, mesmo que a população migrante hoje não seja tão grande. Dados do Censo de 2010 do IBGE apontam que a população geral do Bom Retiro, naquele ano, era de 33.892 pessoas, sendo 4.219 migrantes de outros países.

Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino.
Crédito: Divulgação

Reações

Por conta dessa diversidade cultural e social, a ideia de Doria gerou polêmica dentro e fora do bairro por ser considerada discriminatória com as demais comunidades.

Para o assessor de imprensa Dante Baptista, 31, que viveu até os 16 anos no bairro, a ideia de mexer no nome do Bom Retiro é “estapafúrdia”. “Primeiro porque ela desconsidera a língua oficial do país, que é o português, e segundo porque o projeto não respeita a formação étnica e cultural do Rom Retiro, que é um bairro formado por diferentes movimentos migratórios, sejam eles de coreanos, de gregos, italianos, judeus, bolivianos, entre outros. Eu senti conversando com outras pessoas que moram no bairro que aqueles mais conservadores, que simpatizam com o prefeito, acreditam que qualquer coisa que revitalize o bairro é boa. Mas outros veem a questão com muita cautela”.

A formação do bairro também foi destacada por Natália Pak, 30, brasileira e filha de sul-coreanos de Seul, que costuma frequentar o bairro com a família e amigos. Ela é responsável pelo SarangInGayo, importante portal de cultura e entretenimento sul-coreano no Brasil. “O nome é feio e desnecessário. Como citado, o bairro é multicultural. Seria o mesmo que ignorar o fato de que os judeus, árabes, italianos, bolivianos, chineses e outras raças ajudaram e contribuíram para que o bairro seja hoje como é”.

O agente comunitário boliviano Jorge Gutierrez, também comunicador na Associação de Comunicadores Bolívia Brasil, lembrou em entrevista ao Portal Aprendiz o fato de ter sido acolhido pelo bairro quando chegou ao Brasil. “O Bom Retiro é uma aglomeração de culturas e foi o bairro que me acolheu quando cheguei ao Brasil, assim como acolhe uma diversidade de comunidades. Não podemos nomeá-lo como bairro de um povo só”.

A assessora de imprensa Ida Feldman, 50, de família judia e que mora há 22 anos no Bom Retiro, também é crítica da proposta. “Não sou fã do Doria, mas se ele ‘melhorar meu bairro’ e valorizar arte, cultura, comércio, etc, não posso reclamar. Mas não acho necessário por Little Seul, isso é um lobby comercial dele. Acho q ele tem que cuidar de mais coisas que ele não está cuidando. Ele pode inventar moda, mas o bairro sempre foi e será Bom Retiro”.

Necessidade de melhorias

Os entrevistados ouvidos pelo MigraMundo foram praticamente unânimes em apontar os problemas existentes no Bom Retiro, que são semelhantes ao de outras regiões de São Paulo: segurança, falta de iluminação pública, limpeza urbana e escassez de espaços culturais são apontados como os principais.

“Se a vontade do prefeito e das empresas é de agradar, homenagear e oferecer um bairro bonito e saudável para os imigrantes e descendentes, acredito que a melhor forma é investir diretamente na comunidade e nas suas necessidades, e ela sozinha irá cuidar e continuar a contribuir para o crescimento positivo do bairro”, completa Natália.

Ida lembrou que, apesar da diversidade cultural do Bom Retiro, são poucas as opções culturais no bairro – entre elas a Casa do Povo, a Oficina Cultural Oswald de Andrade e o SESC Bom Retiro. Para ela, um aumento no número desses espaços e iniciativas ajudaria a movimentar o bairro não apenas no sentido econômico, mas também social. “Lembro que há um tempo atrás o Teatro da Vertigem fez uma peça nas ruas do Bom Retiro e isso atraiu muita gente para o bairro. Que o Bom Retiro não seja apenas um bairro no caminho do centro para a zona norte”.

Outro lado

Procurada pelo MigraMundo, a Prefeitura de São Paulo – por meio de nota da Secretaria de Comunicação – negou que a ideia signifique uma mudança no nome do bairro, mas que deve haver no futuro uma discussão junto à comunidade sobre o projeto.

“A proposta do prefeito João Doria, a ser discutida com população e comércios locais, é que a região também passe a ser conhecida como ‘Little Seul’, em homenagem à comunidade coreana que reside e trabalha no local, após a entrega de ações de revitalização apoiadas por empresas daquele país. Como afirmou o prefeito durante viagem a Seul, o bairro continuará sendo Bom Retiro, mas – caso a proposta seja aprovada – será também chamado pelo apelido que homenageará uma de suas principais colônias”, diz o comunicado, que não detalha como será feita essa consulta junto às comunidades.

Com informações do Portal Aprendiz

Little Seul? Proposta sobre o nome do Bom Retiro contraria história e realidade do bairro paulistano

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Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino. Crédito: Divulgação

Seria então Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Moradores e frequentadores da região questionam a proposta e seus efeitos

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo

O bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, virou destaque na mídia na última semana depois de o prefeito João Doria (PSDB) afirmar durante visita a Seul (Coreia do Sul) que o local seria chamado também de “Little Seul”. A ideia seria homenagear a comunidade coreana, presente na formação do bairro, e ao mesmo tempo fomentar a revitalização do bairro com base em parcerias com grandes empresas coreanas presentes no Brasil.

Mas seria então o Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Uma rápida caminhada pelo bairro ou uma breve pesquisa sobre a região mostram uma história bem diferente.

O Bom Retiro é um dos mais tradicionais bairros de São Paulo e tem sua história diretamente relacionadas com a presença migrante na cidade. Ao longo de sua formação, recebeu portugueses, italianos, judeus de diferentes países, gregos, árabes, coreanos, bolivianos, dentre outros povos, que deixaram marcas e continuam a se fazer presentes na região.

Tais contribuições fazem do Bom Retiro um dos bairros mais pluriculturais da cidade e referência para diferentes comunidades, mesmo que a população migrante hoje não seja tão grande. Dados do Censo de 2010 do IBGE apontam que a população geral do Bom Retiro, naquele ano, era de 33.892 pessoas, sendo 4.219 migrantes de outros países.

Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino.
Crédito: Divulgação

Reações

Por conta dessa diversidade cultural e social, a ideia de Doria gerou polêmica dentro e fora do bairro por ser considerada discriminatória com as demais comunidades.

Para o assessor de imprensa Dante Baptista, 31, que viveu até os 16 anos no bairro, a ideia de mexer no nome do Bom Retiro é “estapafúrdia”. “Primeiro porque ela desconsidera a língua oficial do país, que é o português, e segundo porque o projeto não respeita a formação étnica e cultural do Rom Retiro, que é um bairro formado por diferentes movimentos migratórios, sejam eles de coreanos, de gregos, italianos, judeus, bolivianos, entre outros. Eu senti conversando com outras pessoas que moram no bairro que aqueles mais conservadores, que simpatizam com o prefeito, acreditam que qualquer coisa que revitalize o bairro é boa. Mas outros veem a questão com muita cautela”.

A formação do bairro também foi destacada por Natália Pak, 30, brasileira e filha de sul-coreanos de Seul, que costuma frequentar o bairro com a família e amigos. Ela é responsável pelo SarangInGayo, importante portal de cultura e entretenimento sul-coreano no Brasil. “O nome é feio e desnecessário. Como citado, o bairro é multicultural. Seria o mesmo que ignorar o fato de que os judeus, árabes, italianos, bolivianos, chineses e outras raças ajudaram e contribuíram para que o bairro seja hoje como é”.

O agente comunitário boliviano Jorge Gutierrez, também comunicador na Associação de Comunicadores Bolívia Brasil, lembrou em entrevista ao Portal Aprendiz o fato de ter sido acolhido pelo bairro quando chegou ao Brasil. “O Bom Retiro é uma aglomeração de culturas e foi o bairro que me acolheu quando cheguei ao Brasil, assim como acolhe uma diversidade de comunidades. Não podemos nomeá-lo como bairro de um povo só”.

A assessora de imprensa Ida Feldman, 50, de família judia e que mora há 22 anos no Bom Retiro, também é crítica da proposta. “Não sou fã do Doria, mas se ele ‘melhorar meu bairro’ e valorizar arte, cultura, comércio, etc, não posso reclamar. Mas não acho necessário por Little Seul, isso é um lobby comercial dele. Acho q ele tem que cuidar de mais coisas que ele não está cuidando. Ele pode inventar moda, mas o bairro sempre foi e será Bom Retiro”.

Necessidade de melhorias

Os entrevistados ouvidos pelo MigraMundo foram praticamente unânimes em apontar os problemas existentes no Bom Retiro, que são semelhantes ao de outras regiões de São Paulo: segurança, falta de iluminação pública, limpeza urbana e escassez de espaços culturais são apontados como os principais.

“Se a vontade do prefeito e das empresas é de agradar, homenagear e oferecer um bairro bonito e saudável para os imigrantes e descendentes, acredito que a melhor forma é investir diretamente na comunidade e nas suas necessidades, e ela sozinha irá cuidar e continuar a contribuir para o crescimento positivo do bairro”, completa Natália.

Ida lembrou que, apesar da diversidade cultural do Bom Retiro, são poucas as opções culturais no bairro – entre elas a Casa do Povo, a Oficina Cultural Oswald de Andrade e o SESC Bom Retiro. Para ela, um aumento no número desses espaços e iniciativas ajudaria a movimentar o bairro não apenas no sentido econômico, mas também social. “Lembro que há um tempo atrás o Teatro da Vertigem fez uma peça nas ruas do Bom Retiro e isso atraiu muita gente para o bairro. Que o Bom Retiro não seja apenas um bairro no caminho do centro para a zona norte”.

Outro lado

Procurada pelo MigraMundo, a Prefeitura de São Paulo – por meio de nota da Secretaria de Comunicação – negou que a ideia signifique uma mudança no nome do bairro, mas que deve haver no futuro uma discussão junto à comunidade sobre o projeto.

“A proposta do prefeito João Doria, a ser discutida com população e comércios locais, é que a região também passe a ser conhecida como ‘Little Seul’, em homenagem à comunidade coreana que reside e trabalha no local, após a entrega de ações de revitalização apoiadas por empresas daquele país. Como afirmou o prefeito durante viagem a Seul, o bairro continuará sendo Bom Retiro, mas – caso a proposta seja aprovada – será também chamado pelo apelido que homenageará uma de suas principais colônias”, diz o comunicado, que não detalha como será feita essa consulta junto às comunidades.

Com informações do Portal Aprendiz

Little Seul? Proposta sobre o nome do Bom Retiro contraria história e realidade do bairro paulistano

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Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino. Crédito: Divulgação

Seria então Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Moradores e frequentadores da região questionam a proposta e seus efeitos

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo

O bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, virou destaque na mídia na última semana depois de o prefeito João Doria (PSDB) afirmar durante visita a Seul (Coreia do Sul) que o local seria chamado também de “Little Seul”. A ideia seria homenagear a comunidade coreana, presente na formação do bairro, e ao mesmo tempo fomentar a revitalização do bairro com base em parcerias com grandes empresas coreanas presentes no Brasil.

Mas seria então o Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Uma rápida caminhada pelo bairro ou uma breve pesquisa sobre a região mostram uma história bem diferente.

O Bom Retiro é um dos mais tradicionais bairros de São Paulo e tem sua história diretamente relacionadas com a presença migrante na cidade. Ao longo de sua formação, recebeu portugueses, italianos, judeus de diferentes países, gregos, árabes, coreanos, bolivianos, dentre outros povos, que deixaram marcas e continuam a se fazer presentes na região.

Tais contribuições fazem do Bom Retiro um dos bairros mais pluriculturais da cidade e referência para diferentes comunidades, mesmo que a população migrante hoje não seja tão grande. Dados do Censo de 2010 do IBGE apontam que a população geral do Bom Retiro, naquele ano, era de 33.892 pessoas, sendo 4.219 migrantes de outros países.

Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino.
Crédito: Divulgação

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Por conta dessa diversidade cultural e social, a ideia de Doria gerou polêmica dentro e fora do bairro por ser considerada discriminatória com as demais comunidades.

Para o assessor de imprensa Dante Baptista, 31, que viveu até os 16 anos no bairro, a ideia de mexer no nome do Bom Retiro é “estapafúrdia”. “Primeiro porque ela desconsidera a língua oficial do país, que é o português, e segundo porque o projeto não respeita a formação étnica e cultural do Rom Retiro, que é um bairro formado por diferentes movimentos migratórios, sejam eles de coreanos, de gregos, italianos, judeus, bolivianos, entre outros. Eu senti conversando com outras pessoas que moram no bairro que aqueles mais conservadores, que simpatizam com o prefeito, acreditam que qualquer coisa que revitalize o bairro é boa. Mas outros veem a questão com muita cautela”.

A formação do bairro também foi destacada por Natália Pak, 30, brasileira e filha de sul-coreanos de Seul, que costuma frequentar o bairro com a família e amigos. Ela é responsável pelo SarangInGayo, importante portal de cultura e entretenimento sul-coreano no Brasil. “O nome é feio e desnecessário. Como citado, o bairro é multicultural. Seria o mesmo que ignorar o fato de que os judeus, árabes, italianos, bolivianos, chineses e outras raças ajudaram e contribuíram para que o bairro seja hoje como é”.

O agente comunitário boliviano Jorge Gutierrez, também comunicador na Associação de Comunicadores Bolívia Brasil, lembrou em entrevista ao Portal Aprendiz o fato de ter sido acolhido pelo bairro quando chegou ao Brasil. “O Bom Retiro é uma aglomeração de culturas e foi o bairro que me acolheu quando cheguei ao Brasil, assim como acolhe uma diversidade de comunidades. Não podemos nomeá-lo como bairro de um povo só”.

A assessora de imprensa Ida Feldman, 50, de família judia e que mora há 22 anos no Bom Retiro, também é crítica da proposta. “Não sou fã do Doria, mas se ele ‘melhorar meu bairro’ e valorizar arte, cultura, comércio, etc, não posso reclamar. Mas não acho necessário por Little Seul, isso é um lobby comercial dele. Acho q ele tem que cuidar de mais coisas que ele não está cuidando. Ele pode inventar moda, mas o bairro sempre foi e será Bom Retiro”.

Necessidade de melhorias

Os entrevistados ouvidos pelo MigraMundo foram praticamente unânimes em apontar os problemas existentes no Bom Retiro, que são semelhantes ao de outras regiões de São Paulo: segurança, falta de iluminação pública, limpeza urbana e escassez de espaços culturais são apontados como os principais.

“Se a vontade do prefeito e das empresas é de agradar, homenagear e oferecer um bairro bonito e saudável para os imigrantes e descendentes, acredito que a melhor forma é investir diretamente na comunidade e nas suas necessidades, e ela sozinha irá cuidar e continuar a contribuir para o crescimento positivo do bairro”, completa Natália.

Ida lembrou que, apesar da diversidade cultural do Bom Retiro, são poucas as opções culturais no bairro – entre elas a Casa do Povo, a Oficina Cultural Oswald de Andrade e o SESC Bom Retiro. Para ela, um aumento no número desses espaços e iniciativas ajudaria a movimentar o bairro não apenas no sentido econômico, mas também social. “Lembro que há um tempo atrás o Teatro da Vertigem fez uma peça nas ruas do Bom Retiro e isso atraiu muita gente para o bairro. Que o Bom Retiro não seja apenas um bairro no caminho do centro para a zona norte”.

Outro lado

Procurada pelo MigraMundo, a Prefeitura de São Paulo – por meio de nota da Secretaria de Comunicação – negou que a ideia signifique uma mudança no nome do bairro, mas que deve haver no futuro uma discussão junto à comunidade sobre o projeto.

“A proposta do prefeito João Doria, a ser discutida com população e comércios locais, é que a região também passe a ser conhecida como ‘Little Seul’, em homenagem à comunidade coreana que reside e trabalha no local, após a entrega de ações de revitalização apoiadas por empresas daquele país. Como afirmou o prefeito durante viagem a Seul, o bairro continuará sendo Bom Retiro, mas – caso a proposta seja aprovada – será também chamado pelo apelido que homenageará uma de suas principais colônias”, diz o comunicado, que não detalha como será feita essa consulta junto às comunidades.

Com informações do Portal Aprendiz

Little Seul? Proposta sobre o nome do Bom Retiro contraria história e realidade do bairro paulistano

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Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino. Crédito: Divulgação

Seria então Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Moradores e frequentadores da região questionam a proposta e seus efeitos

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo

O bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, virou destaque na mídia na última semana depois de o prefeito João Doria (PSDB) afirmar durante visita a Seul (Coreia do Sul) que o local seria chamado também de “Little Seul”. A ideia seria homenagear a comunidade coreana, presente na formação do bairro, e ao mesmo tempo fomentar a revitalização do bairro com base em parcerias com grandes empresas coreanas presentes no Brasil.

Mas seria então o Bom Retiro “um bairro de coreanos”? Uma rápida caminhada pelo bairro ou uma breve pesquisa sobre a região mostram uma história bem diferente.

O Bom Retiro é um dos mais tradicionais bairros de São Paulo e tem sua história diretamente relacionadas com a presença migrante na cidade. Ao longo de sua formação, recebeu portugueses, italianos, judeus de diferentes países, gregos, árabes, coreanos, bolivianos, dentre outros povos, que deixaram marcas e continuam a se fazer presentes na região.

Tais contribuições fazem do Bom Retiro um dos bairros mais pluriculturais da cidade e referência para diferentes comunidades, mesmo que a população migrante hoje não seja tão grande. Dados do Censo de 2010 do IBGE apontam que a população geral do Bom Retiro, naquele ano, era de 33.892 pessoas, sendo 4.219 migrantes de outros países.

Letreiro de boas vindas do Bom Retiro, na rua José Paulino.
Crédito: Divulgação

Reações

Por conta dessa diversidade cultural e social, a ideia de Doria gerou polêmica dentro e fora do bairro por ser considerada discriminatória com as demais comunidades.

Para o assessor de imprensa Dante Baptista, 31, que viveu até os 16 anos no bairro, a ideia de mexer no nome do Bom Retiro é “estapafúrdia”. “Primeiro porque ela desconsidera a língua oficial do país, que é o português, e segundo porque o projeto não respeita a formação étnica e cultural do Rom Retiro, que é um bairro formado por diferentes movimentos migratórios, sejam eles de coreanos, de gregos, italianos, judeus, bolivianos, entre outros. Eu senti conversando com outras pessoas que moram no bairro que aqueles mais conservadores, que simpatizam com o prefeito, acreditam que qualquer coisa que revitalize o bairro é boa. Mas outros veem a questão com muita cautela”.

A formação do bairro também foi destacada por Natália Pak, 30, brasileira e filha de sul-coreanos de Seul, que costuma frequentar o bairro com a família e amigos. Ela é responsável pelo SarangInGayo, importante portal de cultura e entretenimento sul-coreano no Brasil. “O nome é feio e desnecessário. Como citado, o bairro é multicultural. Seria o mesmo que ignorar o fato de que os judeus, árabes, italianos, bolivianos, chineses e outras raças ajudaram e contribuíram para que o bairro seja hoje como é”.

O agente comunitário boliviano Jorge Gutierrez, também comunicador na Associação de Comunicadores Bolívia Brasil, lembrou em entrevista ao Portal Aprendiz o fato de ter sido acolhido pelo bairro quando chegou ao Brasil. “O Bom Retiro é uma aglomeração de culturas e foi o bairro que me acolheu quando cheguei ao Brasil, assim como acolhe uma diversidade de comunidades. Não podemos nomeá-lo como bairro de um povo só”.

A assessora de imprensa Ida Feldman, 50, de família judia e que mora há 22 anos no Bom Retiro, também é crítica da proposta. “Não sou fã do Doria, mas se ele ‘melhorar meu bairro’ e valorizar arte, cultura, comércio, etc, não posso reclamar. Mas não acho necessário por Little Seul, isso é um lobby comercial dele. Acho q ele tem que cuidar de mais coisas que ele não está cuidando. Ele pode inventar moda, mas o bairro sempre foi e será Bom Retiro”.

Necessidade de melhorias

Os entrevistados ouvidos pelo MigraMundo foram praticamente unânimes em apontar os problemas existentes no Bom Retiro, que são semelhantes ao de outras regiões de São Paulo: segurança, falta de iluminação pública, limpeza urbana e escassez de espaços culturais são apontados como os principais.

“Se a vontade do prefeito e das empresas é de agradar, homenagear e oferecer um bairro bonito e saudável para os imigrantes e descendentes, acredito que a melhor forma é investir diretamente na comunidade e nas suas necessidades, e ela sozinha irá cuidar e continuar a contribuir para o crescimento positivo do bairro”, completa Natália.

Ida lembrou que, apesar da diversidade cultural do Bom Retiro, são poucas as opções culturais no bairro – entre elas a Casa do Povo, a Oficina Cultural Oswald de Andrade e o SESC Bom Retiro. Para ela, um aumento no número desses espaços e iniciativas ajudaria a movimentar o bairro não apenas no sentido econômico, mas também social. “Lembro que há um tempo atrás o Teatro da Vertigem fez uma peça nas ruas do Bom Retiro e isso atraiu muita gente para o bairro. Que o Bom Retiro não seja apenas um bairro no caminho do centro para a zona norte”.

Outro lado

Procurada pelo MigraMundo, a Prefeitura de São Paulo – por meio de nota da Secretaria de Comunicação – negou que a ideia signifique uma mudança no nome do bairro, mas que deve haver no futuro uma discussão junto à comunidade sobre o projeto.

“A proposta do prefeito João Doria, a ser discutida com população e comércios locais, é que a região também passe a ser conhecida como ‘Little Seul’, em homenagem à comunidade coreana que reside e trabalha no local, após a entrega de ações de revitalização apoiadas por empresas daquele país. Como afirmou o prefeito durante viagem a Seul, o bairro continuará sendo Bom Retiro, mas – caso a proposta seja aprovada – será também chamado pelo apelido que homenageará uma de suas principais colônias”, diz o comunicado, que não detalha como será feita essa consulta junto às comunidades.

Com informações do Portal Aprendiz

Como ajudar na aprovação da nova Lei de Migração pelo Senado?

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Cartazes no FSMM 2016 pedem aprovação da nova Lei de Migração, e revogação do Estatuto do Estrangeiro. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo - 10.jul.2016

Envio de mensagens para os parlamentares e mobilização são formas de mostrar apoio ao projeto e pedir sua aprovação

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)
Atualizada em 17/04/17

O projeto que cria a nova Lei de Migração e revoga o Estatuto do Estrangeiro está no Senado à espera da votação em plenário. É uma das poucas pautas positivas de Direitos Humanos hoje no Congresso, tem contribuições de diversos grupos da sociedade civil organizada e recebeu apoio suprapartidário ao longo de sua tramitação no Legislativo.

Por falta de consenso entre os líderes dos partidos no Senado, proposta não entrou na pauta desta semana e ainda não há uma previsão exata de quando poderá ser incluída. Além disso, há um forte sentimento de oposição à nova Lei junto à sociedade, fomentado por pensamentos e conceitos xenófobos de que “migrantes roubam empregos”, “aumentam criminalidade”, “sobrecarregam serviços públicos”, entre outros. Vale lembrar que esses conceitos não encontram suporte em estudos sérios que existem aos montes no meio acadêmico e na sociedade civil, nacional e internacional.

E o que fazer para responder a essa situação e defender uma das poucas pautas progressistas em debate atualmente no Congresso? Além da articulação já feita por entidades da sociedade civil em torno da aprovação, o cidadão comum (tanto brasileiro como migrante) que reconhece a necessidade de mudar o marco jurídico das migrações no Brasil também pode  se informar da Lei (clique aqui) e dar sua contribuição de forma bem simples e rápida. Veja como:

Enquete no Senado Federal

A proposta que cria a nova Lei de Migração tem uma enquete aberta no portal do Senado. Até o momento, mais de 90% dos votos são contrários à proposta. Embora não tenha valor científico, parlamentares contrários à proposta lei, como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), tem usado a enquete para justificar sua oposição ao projeto.

Qualquer pessoa pode votar na enquete. Basta entrar no link abaixo, fazer o chamado cadastro social (quando você usa seu próprio usuário no Facebook ou Google) e votar SIM: http://bit.ly/2o6OTFr
Posts nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter)

Desde terça-feira (11) circula nas redes sociais a imagem abaixo, acompanhada da hashtag #MigrarÉDireito. Divulgar fatos concretos que desconstroem os estereótipos em geral associados às migrações também é uma forma de fazer contraponto aos comentários xenófobos e apoiar a Lei de Migração.

Falar com os senadores por e-mail

Embora pareça estranho nos tempos atuais, onde as redes sociais pareçam mais relevantes que a comunicação por e-mail, fontes consultadas pelo MigraMundo indicaram que os parlamentares são bastante atentos ao que chega à caixa de entrada de cada um deles. Ou seja, trata-se de uma ferramenta bastante importante como forma de manifestar apoio ao projeto, tentar sensibilizar e pedir voto a favor da nova Lei de Migração.

Quer mandar e-mail para todos os parlamentares ativos no Senado? Por meio do site Migrar É Direito, qualquer pessoa pode mandar uma mensagem padrão para todos os senadores em atividade. Basta informar nome e e-mail e enviar:

http://www.migraredireito.org.br/

Caso queria acionar individualmente o senador de sua preferência, você pode consultar os endereços de e-mail de cada um na lista abaixo. Os nomes estão organizados de acordo com o Estado que representam, mas qualquer cidadão pode enviar mensagens para qualquer um dos parlamentares (ou mesmo para todos eles):

Cartazes no FSMM 2016 pedem aprovação da nova Lei de Migração, e revogação do Estatuto do Estrangeiro.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Acre
Gladson Cameli (PP): gladson.cameli@senador.leg.br
Jorge Viana (PT): jorge.viana@senador.leg.br
Sérgio Petecão (PSD): sergio.petecao@senador.leg.br

Alagoas
Benedito de Lira (PP): benedito.lira@senador.leg.br
Fernando Collor (PTC): fernando.collor@senador.leg.br
Renan Calheiros (PMDB): renan.calheiros@senador.leg.br

Amazonas
Eduardo Braga (PMDB): eduardo.braga@senador.leg.br
Omar Aziz (PSD): omar.aziz@senador.leg.br
Vanessa Grazziotin (PC do B): vanessa.grazziotin@senadora.leg.br

Amapá
Davi Alcolumbre (DEM): davi.alcolumbre@senador.leg.br
João Capiberibe (PSB): joao.capiberibe@senador.leg.br
Randolfe Rodrigues (Rede): randolfe.rodrigues@senador.leg.br

Bahia
Lídice da Mata (PSB): lidice.mata@senadora.leg.br
Otto Alencar (PSD): otto.alencar@senador.leg.br
Roberto Muniz (PP): roberto.muniz@senador.leg.br

Ceará
Eunício Oliveira (PMDB): eunicio.oliveira@senador.leg.br
José Pimentel (PT): jose.pimentel@senador.leg.br
Tasso Jereissati (PSDB): tasso.jereissati@senador.leg.br

Distrito Federal
Cristovam Buarque (PPS): cristovam.buarque@senador.leg.br
Helio José (PMDB): heliojose@senador.leg.br
Reguffe (sem partido): reguffe@senador.leg.br

Espírito Santo
Magno Malta (PR): magno.malta@senador.leg.br
Ricardo Ferraço (PSDB): ricardo.ferraco@senador.leg.br
Rose de Freitas (PMDB): rose.freitas@senadora.leg.br

Goiás
Lucia Vania (PSB): lucia.vania@senadora.leg.br
Ronaldo Caiado (DEM): ronaldo.caiado@senador.leg.br
Wilder Morais (PP): wilder.morais@senador.leg.br

Maranhão
Edison Lobão (PMDB): edison.lobao@senador.leg.br
João Alberto Souza (PMDB): joao.alberto.souza@senador.leg.br
Roberto Rocha (PSB): robertorocha@senador.leg.br

Minas Gerais
Aécio Neves (PSDB): aecio.neves@senador.leg.br
Antonio Anastasia (PSDB): antonio.anastasia@senador.leg.br
Zezé Perrella (PMDB): zeze.perrella@senador.leg.br

Mato Grosso do Sul
Pedro Chaves (PSC): pedrochaves@senador.leg.br
Simone Tebet (PMDB): simone.tebet@senadora.leg.br
Waldemir Moka (PMDB): waldemir.moka@senador.leg.br

Mato Grosso
Cidinho Santos (PR): cidinho.santos@senador.leg.br
José Medeiros (PSD): josemedeiros@senador.leg.br
Wellington Fagundes (PR): wellington.fagundes@senador.leg.br

Pará
Flexa Ribeiro (PSDB): lexa.ribeiro@senador.leg.br
Jader Barbalho (PMDB) jader.barbalho@senador.leg.br
Paulo Rocha (PT): paulo.rocha@senador.leg.br

Paraíba
Cássio Cunha Lima (PSDB): cassio.cunha.lima@senador.leg.br
José Maranhão (PMDB): jose.maranhao@senador.leg.br
Raimundo Lira (PMDB): raimundo.lira@senador.leg.br

Pernambuco
Armando Monteiro (PTB): armando.monteiro@senador.leg.br
Fernando Bezerra Coelho (PSB): fernandobezerracoelho@senador.leg.br
Humberto Costa (PT): humberto.costa@senador.leg.br

Piauí
Ciro Nogueira (PP): ciro.nogueira@senador.leg.br
Elmano Férrer (PMDB): elmano.ferrer@senador.leg.br
Regina Sousa (PT): reginasousa@senadora.leg.br

Paraná
Alvaro Dias (PV): alvarodias@senador.leg.br
Gleisi Hoffmann (PT): gleisi@senadora.leg.br
Roberto Requião (PMDB): roberto.requiao@senador.leg.br

Rio de Janeiro
Eduardo Lopes (PRB): eduardo.lopes@senador.leg.br
Lindbergh Farias (PT): lindbergh.farias@senador.leg.br
Romário (PSB): romario@senador.leg.br

Rio Grande do Norte
Fátima Bezerra (PT): fatima.bezerra@senadora.leg.br
Garibaldi Alves Filho (PMDB): garibaldi.alves@senador.leg.br
José Agripino (DEM): jose.agripino@senador.leg.br

Rondônia
Acir Gurgacz (PDT): acir@senador.leg.br
Ivo Cassol (PP): ivo.cassol@senador.leg.br
Valdir Raupp (PMDB): valdir.raupp@senador.leg.br

Roraima
Angela Portela (PT): angela.portela@senadora.leg.br
Romero Jucá (PMDB): romero.juca@senador.leg.br
Thieres Pinto (PTB): sen.thierespinto@senado.leg.br

Rio Grande do Sul
Ana Amélia (PP): ana.amelia@senadora.leg.br
Lasier Martins (PSD): lasier.martins@senador.leg.br
Paulo Paim (PT): paulopaim@senador.leg.br

Santa Catarina
Dalirio Beber (PSDB): dalirio.beber@senador.leg.br
Dário Berger (PMDB): dario.berger@senador.leg.br
Paulo Bauer (PMDB): paulo.bauer@senador.leg.br

Sergipe
Antônio Carlos Valadares (PSB): antoniocarlosvaladares@senador.leg.br
Eduardo Amorim (PSDB): eduardo.amorim@senador.leg.br
Maria do Carmo Alves (DEM): maria.carmo.alves@senadora.leg.br

São Paulo
Airton Sandoval (PMDB): sen.airtonsandoval@senado.leg.br
José Serra (PSDB): jose.serra@senador.leg.br
Marta Suplicy (PMDB): marta.suplicy@senadora.leg.br

Tocantins
Ataídes Oliveira (PSDB): ataides.oliveira@senador.leg.br
Katia Abreu (PMDB): katia.abreu@senadora.leg.br
Vicentinho Alves (PR): vicentinho.alves@senador.leg.br

Outras formas de contato com os senadores podem ser consultadas no portal do Senado – clique aqui

Sugestão de mensagem

Assunto: PELA APROVAÇÃO DA LEI DE MIGRAÇÃO NO SENADO

Exmos e Exmas Senadores e Senadoras,

Diante da possibilidade de a matéria ser pautada nos próximos dias, manifesto meu apoio à aprovação no Plenário do Senado Federal do SDC 7/2016 (Substitutivo da Câmara dos Deputados nº 7, de 2016, ao Projeto de Lei do Senado nº 288, de 2013), que institui a Lei de Migração.

“Somos tratados como casos de segurança por sermos de fora”: desabafo de um migrante no Brasil

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Crédito da imagem: Sergio Ricciuto Conte

Depoimento pessoal do artista italiano Sergio Ricciuto Conte, cedido para publicação no MigraMundo; um relato que ajuda a mostrar o tratamento que o migrante recebe no Brasil

Por Sergio Ricciuto Conte (texto e ilustração)
De São Paulo (SP)

Sou estrangeiro.

É a Polícia Federal que julga minha “idoneidade de estar”.

Se ela não quer, não fico.

Já fiz fila com a papelada na mochila e o policial armado puxando meu braço para moldar o fluxo.

Várias vezes me senti um criminoso, e várias vezes percebi meu querer ficar como um erro grave.

Somos tratados como casos de segurança. Simplesmente por sermos de fora.

Veja bem, italiano até que sofre menos por causa de um tal de racismo inverso: policial dá um sorrisinho quando saca que nasci perto da cidade da avó dele.

Crédito da imagem: Sergio Ricciuto Conte

Recentemente, um monte de sacanas de tudo quanto é partido, de toda religião, time, banda, grupo sanguíneo, cor e tamanho saiu na lista dos corruptos. Milhões de reais roubados, milhões de oportunidades tiradas do povo.

Destes caras ninguém nunca foi puxado pelo braço por um policial armado, nunca foi tratado como criminoso.

Gente, se você sai e volta ao Brasil com uma quantia superior a R$ 10 mil tem que declarar, eles vão cobrar impostos e tudo num “climão” que faz você se sentir o pior traficante do mundo.

Momentos tensos, que se você não cuidar da sua autoestima, podem até te deixar culpabilizado pra sempre.

E os caras roubando milhões numa boa.

“Veio”, você e eu estamos de saco cheio, não é? Faça algo meu… Quem que seja, faça alguma coisa!

O depoimento de Conte se torna ainda mais importante em meio ao debate sobre a nova Lei de Migração no Brasil. A lei atual – o Estatuto do Estrangeiro – vê qualquer pessoa que não seja brasileira como uma ameaça à soberania nacional e é inconstitucional em sua maior parte. Já a proposta que está sendo debatida no Congresso enxerga o migrante como sujeito de direitos e recoloca a legislação brasileira em concordância com a Constituição.

Nova Lei de Migração e migrantes sob ataque: um relato dos protestos de 26 de março no Brasil

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(Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Apesar do Brasil não estar recebendo um número elevado de migrantes, a narrativa do “estrangeiro” como um perigo começa a ressurgir por aqui, justo quando o país está prestes a modificar sua legislação migratória

Por Natalia Lima Araújo
Colaboração de Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo

No dia 26 de março a direita saiu às ruas em todo o Brasil. Apesar de os protestos terem sido convocados com o intuito de defender a reforma da previdência, apareceu uma miríade de pautas, que iam desde questões econômicas até questões de cunho moral. Surgiram pontos como a defesa da reforma da previdência, do direito irrestrito de portar armas, da operação Lava Jato, da Polícia Federal, além da proibição do financiamento público de campanhas e contra a nova Lei de Migração.

Em tempos de crise (social, econômica e política, em nosso caso) é sempre conveniente encontrar um bode expiatório para os problemas do país. Nesses casos, a suposta culpa recai sobre os grupos mais vulneráveis da sociedade, como imigrantes, mulheres, negros e LGBTs. Apesar de o Brasil não estar recebendo um número elevado de imigrantes e refugiados, a narrativa do “estrangeiro” como um perigo começa a ressurgir por aqui, justo quando o país está prestes a modificar sua legislação migratória.

A nova Lei de Migração, alvo de reclamações conservadoras dos manifestantes da direita, é o marco regulatório que está em tramitação para substituir o famigerado Estatuto do Estrangeiro. A legislação atual é de 1980, da ditadura militar, e é baseada na obsessão securitária que vê no imigrante uma ameaça sobretudo ideológica, que representa a invasão do comunismo no país. Em tempos de intolerância política, esse tipo de discurso ganha força. Correspondendo à lógica da segurança nacional, o Estatuto do Estrangeiro é restritivo quanto aos direitos de imigrantes e mais que exigente quanto aos deveres.

Ávidos por encontrar um culpado para as nossas crises, esses grupos conservadores buscam despertar nas pessoas o sentimento de medo. No ato do dia 26 de março, uma liderança desses grupos, falando no carro de som em plena Avenida Paulista, afirmou que a nova Lei de Migração “escancara nossas fronteiras e coloca para dentro quem quiser entrar”. Acrescentou ainda que isso irá sobrecarregar os serviços públicos – como se fossem os migrantes os responsáveis pela má qualidade dos serviços públicos no Brasil, historicamente negligenciados pelo poder público.

Essa liderança disse também que, no período de um ano, irá entrar no país uma quantidade de “estrangeiros” equivalente à atual população brasileira e que isso poderá até modificar a língua materna – sem apresentar dados que de fato embasem essas afirmações. O elemento novo dessa narrativa – muito comum em discursos xenófobos – é que agora estão dizendo que “os fluxos migratórios ocorrem porque o Partido dos Trabalhadores (PT) teria perdido maioria e que estaria tentando importar pessoas para compor uma nova maioria”.

Discurso semelhante ocorreu às vésperas da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, em abril de 2016. Na época, correu o boato de que três ônibus com migrantes de países vizinhos ao Brasil estariam a caminho de Brasília em apoio ao governo Dilma. Na verdade os veículos, parados pela Polícia Rodoviária Federal no Estado de Goiás, eram alugados pelo Grupo Sion, que atua na Bolívia e estava a caminho de Goiânia para um evento corporativo, e seus ocupantes eram bolivianos funcionários da empresa.

O boato da invasão foi desmentido tanto pelo grupo imobiliário como pela Polícia Rodoviária, mas o estrago já havia sido feito… Nas matérias publicadas sobre o assunto, nenhuma menção ao fato de que o Estatuto do Estrangeiro é uma herança da ditadura militar e que, inclusive, vai contra a Constituição Federal que está em vigor, de 1988. Em seu Artigo 5º, a Carta Magna deixa bem claro que “os direitos são iguais para todas as pessoas que vivem no território nacional, tanto brasileiros como não-brasileiros.

Voltando à fala xenofóbica na Paulista, a liderança perguntou à plateia quem já tinha ouvido falar sobre a nova Lei de Migração. Quase ninguém levantou a mão. Não havia muitas pessoas no protesto, é verdade; ainda assim é assustadora a quantidade de pessoas que, por desconhecimento, toma esse discurso como verdade.

Em um período em que mentiras cabeludas conformam o conjunto de nossas narrativas políticas, o que menos precisamos é de mais uma inverdade.

Reivindicações de imigrantes aparecem em audiências para Plano de Metas em São Paulo

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Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo
Crédito da foto: Wikimedia Commons

A cidade de São Paulo começou a discutir neste mês de abril o Plano de Metas a ser seguido pela gestão atual, de João Doria (PSDB). Ao todo, foram apresentadas 50 metas (que podem ser consultadas aqui), divididas em cinco eixos temáticos – Desenvolvimento Humano, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Gestão, Desenvolvimento Institucional e Desenvolvimento Social.

O número é inferior às 88 promessas de campanha de Doria e também ficou abaixo das metas iniciais apresentadas pelos dois antecessores, Fernando Haddad (123), e Gilberto Kassab (223). Dentre elas não consta nenhuma que faça menção direta às comunidades migrantes de São Paulo, embora a cidade tenha desde o ano passado uma Política Municipal para a População Imigrante.

Durante as audiências temáticas e regionais, que aconteceram entre os dias 6 e 9 de abril, apareceram demandas isoladas ligadas às comunidades migrantes da cidade. Em Guaianases, o boliviano Mario San, 62, do Conselho Participativo local, pediu a instalação de uma casa de acolhida para imigrantes na região; em São Miguel Paulista, imigrantes haitianos também pediram a instalação de um centro de acolhimento.

Em outra audiência, no dia 6 de abril, o Instituto Planeta América Latina pediu a valorização dos meios de comunicação alternativos dos migrantes que vivem em São Paulo.

Cronograma e como ainda participar

Esse debate é lei no município desde 2008 e todas as gestões são obrigadas a apresentar metas, que em seguida são discutidas pela sociedade em audiências públicas. O cronograma para o Plano de Metas 2017-2020 conta com 38 audiências, sendo que 37 delas aconteceram entre os dias 6 e 9 de abril. Uma última audiência geral está marcada para o dia 24 de abril, na Câmara Municipal, às 15h – Viaduto Jacareí, 100.

Além da participação nas audiências, a população pode enviar sugestões para o Plano de Metas da seguinte forma:

Em maio, a Prefeitura deve estruturar e fazer as mudanças que julgar necessárias. A publicação do plano final está prevista para junho.

Com informações de G1, Planeta América Latina e 32xSP

É hora de rever os termos que usamos para falar de migrações e refugiados

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Cartaz na Marcha dos Imigrantes de 2016 pede dignidade para os migrantes no mundo todo. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

Já perdi as contas de quantas vezes eu vi meios de comunicação, governos e instituições públicas e privadas usarem termos como “crise de refugiados” e “crise migratória” para se referir à temática atualmente.

De tão usados, parecem até ser naturais… Mas será que realmente tais termos são adequados? Será que eles geram uma sensibilização sobre o tema ou justamente o contrário?

Nunca devemos perder de vista que as palavras possuem um poder enorme, difícil de mensurar.

De diferentes formas, as migrações moldam as sociedades e a presença humana no planeta desde os primórdios da raça humana – sem contar que, além do homem, outras espécies animais também se deslocam de um lugar para outro de tempos em tempos.

Então, sem delongas: você já parou para pensar que termos como “crise migratória”, “crise de refugiados” ou o famoso “imigrante ilegal” mais estigmatizam do que explicam as questões atuais sobre migrações?

Cartaz na Marcha dos Imigrantes de 2016 pede dignidade para os migrantes no mundo todo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Durante debate em São Paulo sobre os efeitos no Brasil e América Latina da eleição de Trump para presidente dos Estados Unidos, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, afirmou que termos como “crise de refugiados” e “crise migratória” são xenófobos, porque consolidam uma visão de que o migrante ou estrangeiro em geral é um problema a ser resolvido.

Como alternativa, a professora sugeriu se referir ao tema como “desafio” ou simplesmente “chegada”, evitando a conotação negativa trazida pela palavra “crise”.

Aproveitando o comentário da professora, quando usamos um termo cheio de carga negativa como “crise” para se referir às migrações atuais, estamos colocando um fenômeno que é exercido pela humanidade desde seus primórdios como algo negativo. Embora a maior parte das migrações atuais aconteçam por fuga de guerras, dificuldades sociais e políticas, perseguições e desastres climáticos, os motivos que levam as pessoas a migrarem são bem mais amplos e não se restringem aos negativos.

O mesmo raciocínio vale para a expressão “imigrante ilegal”, que tem aparecido em abundância na mídia brasileira na repercussão das medidas contra a imigração adotadas pelo governo Trump nos Estados Unidos. Ao usar o termo “ilegal” para se referir ao imigrante, você automaticamente cola nele a pecha de criminoso, fora da lei, indesejado, um problema a ser resolvido. E colocar como crime uma movimentação que é exercida pelo ser humano desde o início de sua estada na Terra é, no mínimo, condenável.

Também entram nesse rol termos como “caos” e “invasão”, que tem sido associados a determinados grupos ou nacionalidades, criando uma imagem negativa e fomentando uma visão preconceituosa sobre cada um.

Quanto ao “ilegal”, já existe um amplo movimento para abolir esse termo da abordagem sobre migrações. Campanhas na Europa oferecem alternativas como “imigrante irregular”, “sem documentos” ou “indocumentado”. A Associated Press, uma das mais conhecidas agências de notícias do mundo, desde 2013 recomenda a abolição do termo “ilegal” para se referir às migrações.

#WordsMatter: Campanha de 2014 da PICUM pede o fim do uso do termo “ilegal” em relação às migrações. Na imagem, é possível ver até o pedido em português da campanha.
Crédito: PICUM

Por serem mais novos, ainda não se nota a mesma movimentação em relação aos termos “crise de refugiados” e “crise migratória”. Mas também já é hora de buscar alternativas para ambos, para evitar ainda mais estigmatização e xenofobia contra aqueles que se deslocam pelo mundo, independente do motivo.

Para finalizar, o MigraMundo, que já não utiliza o termo “ilegal” para se referir a qualquer tipo de migração, também está começando a abolir os termos “crise migratória” e “crise de refugiados” de suas publicações, assim como outras expressões e palavras que tragam mais estigmatização do que informação.