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sexta-feira, junho 26, 2026
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Qual o legado do presidente Obama para a imigração nos EUA?

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Muito se fala sobre as medidas polêmicas e absurdas que Donald Trump têm tomado na Casa Branca para restringir a imigração para os Estados Unidos. Mas o que de fato a administração Obama fez em relação à temática enquanto governou o país?

Por American Immigration Council – link original aqui
Traduzido e adaptado para o português por Márcia Passoni

Há oito anos, o presidente Barack Obama entrou na Casa Branca com a promessa de reformar o sistema de imigração dos Estados Unidos. Sua urgência finalmente dissipada e a reforma do sistema de imigração do país não será contada entre seus feitos. Outros assuntos tornaram-se prioritários, interesses partidários surgiram e um Congresso intransigente recusou a mudança na legislação na linha de chegada. Assim, o presidente Obama deixou o escritório com um legado misto em imigração.

Ao mesmo tempo em que ele falhou na busca da aprovação de uma lei mais compreensiva para a reforma da imigração, ele deu passos importantes na proteção de DREAMERs (jovens que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças, e permanecem indocumentados até hoje) e focou nas causas prioritárias. De qualquer forma, deportações alcançaram recordes e a maior parte das populações migrantes mais vulneráveis continuam sofrendo.

1. A DACA

Em junho de 2012, o presidente Obama usou sua autoridade para mudar a vida de certos jovens migrantes. Estes jovens foram trazidos para cá quando ainda eram crianças; eles cresceram e estudaram nos Estados Unidos e apesar de tudo são crianças americanas. Mas, uma vez que não nasceram no país, eles vem enfrentando grandes obstáculos e vivem sob o risco constante de deportação. A iniciativa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals – Ação deferida para a chegada na infância, em tradução livre) mudou isso.

A DACA trouxe proteção contra deportação e autorização para trabalhar para certos imigrantes indocumentados, levados aos Estados Unidos quando crianças. Nos últimos anos, a DACA obteve sucesso comprovado para os 740.000 indivíduos que foram beneficiados pela iniciativa. Enquanto não há uma solução permanente para a imigração, a DACA melhorou tremendamente a vida de seus beneficiários. A iniciativa expandiu o acesso à educação pós-secundária e reduziu as taxas de matrícula, o que renovou a motivação dos estudantes para buscar graus mais elevados de estudos e alcançar o trabalho dos sonhos. Os beneficiários da DACA também têm se tornado capazes de trabalhar e aumentar seus ganhos, e assim contribuir financeiramente com suas famílias e os cofres fiscais dos Estados Unidos. Além disso, podem tirar habilitação para dirigir e de alguma forma se integrar às comunidades americanas.

Apesar do sucesso esmagador, a continuação da DACA está ameaçada. Uma legislação bipartidária foi apresentada no Congresso para proteger os beneficiários da DACA, mas infelizmente essa peça chave do legado de Obama para a imigração continua no limbo.

2. Aplicações Prioritárias

O presidente Obama avançou em ações criminais envolvendo imigrantes. Ele reconheceu que o governo limitou recursos para remover pessoas e teve que definir prioridades dentre os milhões de potenciais deportados. Um dos primeiros passos que a administração de Obama deu à frente, mudando essas prioridades, veio com a eliminação das grandes incursões em locais de trabalho. Obama enfatizou a investigação e penalização para empregadores. As primeiras mudanças também atingiram o Programa de Operações Pós-Fuga, que tem apreendido os “alvos mais fáceis, e não os fugitivos mais perigosos”.

Isso foi seguido de uma série de memorandos sobre prioridades de aplicação para imigração civil, estabelecendo novas prioridades de aplicação que focaram naqueles que representam ameaças à segurança nacional ou à comunidade, ou àqueles suspeitos ou acusados de crimes graves. O memorando mais recente, lançado em novembro de 2014, finalizou o programa Secure Communities (Comunidades Seguras, em tradução livre). Programa este que resultou na deportação de milhares de imigrantes acusados de pequenos crimes ou até mesmo sem histórico de crimes. A substituição do PEP (Priority Enforcement Program) pretendia focar em acusados de crimes mais graves. Apesar das importantes mudanças nestas prioridades, a evidência do quanto a ICE (Sigla em inglês para Agência de Imigração e Alfândegas) tem sido fiel às suas prioridades é decididamente contraditória.

3. As deportações

Uma das características definitivas dos oito anos de Obama no poder será o grande número de deportações. O ano fiscal 2009-2016 viu mais de 2,7 milhões de deportações – mais pessoas do que na história de qualquer outro presidente dos Estados Unidos. De qualquer forma, por trás destes números, existem importantes lições sobre a mudança nas dinâmicas que estão aparecendo nas fronteiras dos Estados Unidos. Apreensões pela Patrulha da Fronteira estão historicamente com níveis mais baixos, que não eram vistos desde o início da década de 70, o que significa que o número de pessoas que tentam cruzar a fronteira sem documentação caiu significativamente. Hoje, a maior parte das deportações referem-se a indivíduos que vivem no interior do país. Ainda assim, estes números caíram desde 2014, quando a nova aplicação de prioridades entrou em vigor.

4. Refugiados da América Central

Os últimos anos tem testemunhado a chegada de milhares de pessoas vindas da América Central, que fogem da violência em seus países de origem e buscam asilo nos Estados Unidos. Muitas mães, famílias e menores desacompanhados vem chegando através da fronteira do Sul, procurando por si mesmos a Patrulha das Fronteiras para pedir proteção. De qualquer forma, para a maioria, a administração de Obama não tratou este influxo de pessoas da América Central como uma questão humanitária, mas como um assunto burocrático. Ao invés de assegurar um processo justo para refugiados e asilados para apresentar suas reivindicações, muitos foram deportados imediatamente, até mesmo sem acesso a advogados ou ao menor apoio para levar este complicado processo legal adiante. Como resultado, a administração Obama deportou muitos dos quais deveria ter protegido, de volta aos países mais instáveis e inseguros do mundo. Em janeiro, pouco antes da posse de Donald Trump, surgiram relatórios de que a Patrulha da Fronteira estava definitivamente negando asilo nos Estados Unidos através da fronteira do México, uma prática que foge totalmente às obrigações dos Estados Unidos e à lei internacional.

5. Detenção familiar

Em resposta às chegadas da América Central através da fronteira do sul, a administração lançou uma expansão agressiva de detenções familiares, numa tentativa de impedir a chegada de novos refugiados. As condições documentais para detenção familiar são notavelmente pobres, com reclamações arquivadas contra o governo numa base consistente de desafio às condições. Famílias e crianças tem passado longos períodos encarceradas, mesmo quando a detenção da imigração não tem a intenção de puni-las.  Famílias tem sofrido separações prolongadas e indefinidas, recebendo cuidados médicos precários e indivíduos estão sofrendo distúrbios psicológicos, que incluem depressão, ansiedade e dificuldades para dormir. A prática da detenção familiar reinstituída durante a Administração de Obama é uma marca sombria em seu legado.

Imigração sempre foi uma questão desafiadora e um tema dos que mais frequentemente são explorados por políticos, para dividir o público dos Estados Unidos. Trump têm tomado atitudes polêmicas em relação à imigração, conforme havia prometido durante a campanha. O novo presidente deve manter o mesmo sistema obsoleto de imigração e sofrerá os mesmos questionamentos sobre os DREAMERs e suas famílias, o controle do fluxo de refugiados, detenção, processos pendentes de imigração, imigração de negócios e tantos outros temas. Muitos republicanos declararam que querem a reforma imigratória tanto quanto seus opositores. Agora eles têm a chance de colocar essa afirmação em prática.

Migrantes sonham com a primavera, mas ainda sofrem com o inverno

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Porta Di Lampedusa, monumento erguido em homenagem aos migrantes que perdem a vida tentando entrar na Europa. Crédito: Reprodução/Global Project

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

Começa a “primavera boreal”, como é chamada essa estação luminosa no hemisfério norte. Para os migrantes, refugiados e prófugos, porém, o céu continua nublado, o horizonte sombrio e o caminho bloqueado por muros, leis e intolerância. Embora sonhem com a primavera, tropeçam a cada esquina com o inverno.

De acordo com as autoridades italianas, de 1º de janeiro de 2017 até os dias de hoje, nada menos do que 18.232 imigrantes cruzaram a “rota mediterrânea”, desembarcando nos portos da Itália. Desse total, quase 2.500 são menores desacompanhados. Grande parte provém da Líbia, Eritreia, Etiópia, Sudão, Nigéria, entre outros países.

Semelhante dados superam em 31% o volume de migrantes desembarcados nas costas italianas no mesmo período de 2016, e em 80% o volume de imigrantes desembarcados em igual período de 2015. Os números crescem a olhos vistos, juntamente com pessoas, grupos e partidos xenófobos e intransigentes, que defendem o fechamento das fronteiras.

Porta Di Lampedusa, monumento erguido em homenagem aos migrantes que perdem a vida tentando entrar na Europa.
Crédito: Reprodução/Global Project

Boa parte deles, na iminência de naufrágio, foram salvos pela Guarda Costeira e conduzidos a um dos campos de acolhida. Estes abrigos, relativamente provisórios, encontram-se superlotados e em situações precárias, no limite de suas possibilidades. O que, nos últimos meses, deu origem a uma série de tensões e distúrbios.

No último dia 20 de março, realizou-se em Roma uma reunião de cúpula entre representantes de alguns países da Europa e outros da África, com um duplo objetivo: de um lado, combater a rede do tráfico de seres humanos, desde o continente africano para o continente europeu; de outro, distinguir aqueles que possuem direito a asilo político, perseguidos pela violência e pela guerra (refugiados reconhecidos) daqueles que não o possuem (migrantes socioeconômicos em geral).

Para além desse objetivo duplo, esconde-se um outro, mais ou menos dissimulado. Tentar frear o fluxo na “rota mediterrânea”, num acordo entre o polo de origem (países africanos) e o pólo de destino (Itália/Europa). “Mutatis mutandis”, repete-se o acordo entre a Turquia e a Europa, concluído meses atrás, também para deter os imigrantes que tentam entrar pela “rota balcânica”.

Pergunta-se: como fazer a distinção precisa entre refugiados, de uma parte, e migrantes sociais e econômicos, de outra? Quais os critérios utilizados? A fome e a carestia, a pobreza e a miséria também matam, e o fazem aos milhares e milhões. Do ponto de vista da dignidade humana, como distinguir as vítimas da perseguição, da prisão ou da morte violenta – por motivos políticos, ideológicos ou religiosos – das vítimas da subnutrição e de uma morte lenta mas inexorável, a morte cotidiana e a conta-gotas?

Do outro lado do Atlântico, o presidente Trump continua trombeteando duramente contra a imigração. Também ali, a primavera parece converter-se em inverno para quem arrisca o futuro nos Estados Unidos. Além do braço de ferro com o Poder Judiciário, o presidente prossegue a política de militarização das fronteiras, de rígido controle sobre as entradas de imigrantes e de uma deportação mais massiva. Tudo isso em um país cuja história foi estruturalmente marcado pela presença enriquecedora de imigrantes.

Roma, 21 de março de 2017

ONG e shopping em São Paulo promovem feira em prol de refugiados

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Feira dentro de shopping em São Paulo reuniu refugiados que puderam mostrar um pouco do trabalho de cada um. Crédito: Debora Rodrigues

Por Alethea Rodrigues
De São Paulo (SP)
Fotos de Debora Rodrigues

Refugiados de diversos países que vivem em São Paulo tiveram a oportunidade de expor e vender seus produtos na feira que foi realizada dentro do Shopping Center 3, localizado na Avenida Paulista. A feira étnica teve início na sexta-feira (17) e fechou os trabalhos no domingo (19).

A iniciativa, que é uma parceria do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil – com o estabelecimento comercial, contou com a participação de expositores do Haiti, Síria, Senegal, Guiana Inglesa, entre outros.

“Sempre participo de feiras e bazares como este. Ajuda na renda da família, consigo fazer novas amizades e pratico o meu português”, contou a síria Rasha Almobayed, que está no Brasil com o marido e as duas filhas há três anos. Grávida de nove meses, espera ansiosamente a terceira menina. “Estamos reconstruindo a nossa vida aqui. Gostamos muito do Brasil e queremos ficar. Pretendemos ir a Síria somente para visitar nossos familiares”.

Maria Cristina Leite é professora de artes marciais e teve seu primeiro contato com refugiados durante a feirinha. Com lágrimas nos olhos ressaltou a importância de um evento como esse. “Achei a ideia maravilhosa. Essas pessoas precisam de ajuda e é nossa obrigação como seres humanos acolher e integrar cada um deles”.

Além dos artesanatos e produtos típicos, o evento contou com um espaço onde foram vendidos livros e camisetas da pequena Sophia Maia. A pernambucana de apenas dez anos dedica seu tempo para ajudar na causa do refúgio. Toda renda obtida com a venda dos livros e camisetas será revertida para o Adus, com o objetivo de melhorar o atendimento aos refugiados assistidos pela instituição.

Plataforma Conectados divulga serviços de migrantes e promove trocas culturais

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Reprodução da homepage do portal Conectados. Crédito: Reprodução

Projeto estreia com 161 produtos e serviços, oferecidos por 112 migrantes de 19 países

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

O empreendedorismo tem sido uma das opções diante da crise econômica que tem afetado o mercado de trabalho no Brasil. O mesmo vale para os migrantes que vivem no país. E a plataforma Conectados, lançada no último dia 9 de março em São Paulo, busca dar uma força para aqueles que apostam na própria cultura como elemento de inserção laboral.

Clique aqui para acessar a plataforma

O projeto é uma iniciativa conjunta da ONG Bela Rua, que atua na democratização do espaço público, e do Conexão Cultural, que promove acesso e conteúdo na área cultural por meio da integração entre diversas formas de arte a ativação de espaços públicos e culturais. O Conectados funciona como um catálogo no qual qualquer pessoa pode conhecer os produtos e serviços que cada migrante pode oferecer a partir da sua própria cultura  – aulas de idiomas, culinária, dança, música, artesanato, entre outras habilidades. Além da conexão cultural, a valorização do produto ou serviço oferecido pelo migrante também serve como meio para facilitar sua inserção na sociedade brasileira.

“Esse projeto conecta muito mais do que um produto ou serviço, mas permite esse encontro entre culturas”, lembra a arquiteta Juliana Barsi, integrante do Bela Rua e uma das idealizadoras do Conectados.

A plataforma estreia com recursos da segunda edição do programa Vai Tec, da Prefeitura de São Paulo, do qual foi um dos vencedores. Atualmente a equipe busca outras fontes de recursos para ajudar a manter o projeto.

Os conectados

A plataforma estreou com 161 serviços oferecidos por 112 migrantes de 19 países diferentes – Bolívia, Chile, Marrocos, Togo, Palestina, Egito, Costa do Marfim, Síria, Angola, Guiné, Mali, Venezuela, Nigéria, Iêmen, Burundi, Congo, Camarões, Cuba e Senegal. Há “conectados” – como são chamados os migrantes cadastrados na plataforma – que oferecem mais de um produto ou serviço. Por enquanto a abrangência do Conectados está restrita à capital paulista.

Para se cadastrar no Conectados, o migrante deve fazer contato por meio do site ou do Facebook do projeto, informando um meio de contato ativo (WhatsApp, Facebook ou e-mail), uma foto e a descrição sobre o produto ou serviço a ser oferecido. À medida que os novos cadastros são validados pela equipe, eles passam a figurar entre os disponíveis no Conectados. Todo o processo é gratuito.

Juliana conta que a reação ao projeto tem sido bastante positiva, tanto dos migrantes como dos potenciais consumidores. Desde o lançamento, uma média de 3 a 4 migrantes entram em contato com o Conectados, interessados em se cadastrar na plataforma.

“Se olhar a fundo, são pessoas oferecendo culturas e serviços dos seus países de origem e isso não pode ser substituído. Nós temos muito a ganhar com essa troca de culturas. É importante promover a diversidade no espaço público, somos um país de migrantes e quanto mais rica for nossa cultura, mais temos a ganhar”, lembra Juliana, aproveitando para rebater possíveis manifestações xenófobas contra a plataforma e os migrantes cadastrados.

Próximos passos

O lançamento do Conectados reforça o rol de iniciativas que surgiram nos últimos anos com o objetivo de promover a inserção dos migrantes no Brasil a partir do conhecimento cultural de cada um, como o Abraço Cultural e o Migraflix – ambas, aliás, figuram como apoiadoras do projeto.

Embora o Conectados ainda dê os primeiros passos, a equipe já pensa na segunda etapa do projeto, que prevê capacitação aos migrantes interessados em divulgar produtos e serviços na plataforma. “Desenvolver esse lado mais empreendedor do imigrante pode ajudá-lo a se inserir no mercado”, completa Juliana.

Plataforma Conectados divulga serviços de migrantes e promove trocas culturais

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Reprodução da homepage do portal Conectados. Crédito: Reprodução

Projeto estreia com 161 produtos e serviços, oferecidos por 112 migrantes de 19 países

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

O empreendedorismo tem sido uma das opções diante da crise econômica que tem afetado o mercado de trabalho no Brasil. O mesmo vale para os migrantes que vivem no país. E a plataforma Conectados, lançada no último dia 9 de março em São Paulo, busca dar uma força para aqueles que apostam na própria cultura como elemento de inserção laboral.

Clique aqui para acessar a plataforma

O projeto é uma iniciativa conjunta da ONG Bela Rua, que atua na democratização do espaço público, e do Conexão Cultural, que promove acesso e conteúdo na área cultural por meio da integração entre diversas formas de arte a ativação de espaços públicos e culturais. O Conectados funciona como um catálogo no qual qualquer pessoa pode conhecer os produtos e serviços que cada migrante pode oferecer a partir da sua própria cultura  – aulas de idiomas, culinária, dança, música, artesanato, entre outras habilidades. Além da conexão cultural, a valorização do produto ou serviço oferecido pelo migrante também serve como meio para facilitar sua inserção na sociedade brasileira.

“Esse projeto conecta muito mais do que um produto ou serviço, mas permite esse encontro entre culturas”, lembra a arquiteta Juliana Barsi, integrante do Bela Rua e uma das idealizadoras do Conectados.

A plataforma estreia com recursos da segunda edição do programa Vai Tec, da Prefeitura de São Paulo, do qual foi um dos vencedores. Atualmente a equipe busca outras fontes de recursos para ajudar a manter o projeto.

Os conectados

A plataforma estreou com 161 serviços oferecidos por 112 migrantes de 19 países diferentes – Bolívia, Chile, Marrocos, Togo, Palestina, Egito, Costa do Marfim, Síria, Angola, Guiné, Mali, Venezuela, Nigéria, Iêmen, Burundi, Congo, Camarões, Cuba e Senegal. Há “conectados” – como são chamados os migrantes cadastrados na plataforma – que oferecem mais de um produto ou serviço. Por enquanto a abrangência do Conectados está restrita à capital paulista.

Para se cadastrar no Conectados, o migrante deve fazer contato por meio do site ou do Facebook do projeto, informando um meio de contato ativo (WhatsApp, Facebook ou e-mail), uma foto e a descrição sobre o produto ou serviço a ser oferecido. À medida que os novos cadastros são validados pela equipe, eles passam a figurar entre os disponíveis no Conectados. Todo o processo é gratuito.

Juliana conta que a reação ao projeto tem sido bastante positiva, tanto dos migrantes como dos potenciais consumidores. Desde o lançamento, uma média de 3 a 4 migrantes entram em contato com o Conectados, interessados em se cadastrar na plataforma.

“Se olhar a fundo, são pessoas oferecendo culturas e serviços dos seus países de origem e isso não pode ser substituído. Nós temos muito a ganhar com essa troca de culturas. É importante promover a diversidade no espaço público, somos um país de migrantes e quanto mais rica for nossa cultura, mais temos a ganhar”, lembra Juliana, aproveitando para rebater possíveis manifestações xenófobas contra a plataforma e os migrantes cadastrados.

Próximos passos

O lançamento do Conectados reforça o rol de iniciativas que surgiram nos últimos anos com o objetivo de promover a inserção dos migrantes no Brasil a partir do conhecimento cultural de cada um, como o Abraço Cultural e o Migraflix – ambas, aliás, figuram como apoiadoras do projeto.

Embora o Conectados ainda dê os primeiros passos, a equipe já pensa na segunda etapa do projeto, que prevê capacitação aos migrantes interessados em divulgar produtos e serviços na plataforma. “Desenvolver esse lado mais empreendedor do imigrante pode ajudá-lo a se inserir no mercado”, completa Juliana.

Plataforma Conectados divulga serviços de migrantes e promove trocas culturais

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Reprodução da homepage do portal Conectados. Crédito: Reprodução

Projeto estreia com 161 produtos e serviços, oferecidos por 112 migrantes de 19 países

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

O empreendedorismo tem sido uma das opções diante da crise econômica que tem afetado o mercado de trabalho no Brasil. O mesmo vale para os migrantes que vivem no país. E a plataforma Conectados, lançada no último dia 9 de março em São Paulo, busca dar uma força para aqueles que apostam na própria cultura como elemento de inserção laboral.

Clique aqui para acessar a plataforma

O projeto é uma iniciativa conjunta da ONG Bela Rua, que atua na democratização do espaço público, e do Conexão Cultural, que promove acesso e conteúdo na área cultural por meio da integração entre diversas formas de arte a ativação de espaços públicos e culturais. O Conectados funciona como um catálogo no qual qualquer pessoa pode conhecer os produtos e serviços que cada migrante pode oferecer a partir da sua própria cultura  – aulas de idiomas, culinária, dança, música, artesanato, entre outras habilidades. Além da conexão cultural, a valorização do produto ou serviço oferecido pelo migrante também serve como meio para facilitar sua inserção na sociedade brasileira.

“Esse projeto conecta muito mais do que um produto ou serviço, mas permite esse encontro entre culturas”, lembra a arquiteta Juliana Barsi, integrante do Bela Rua e uma das idealizadoras do Conectados.

A plataforma estreia com recursos da segunda edição do programa Vai Tec, da Prefeitura de São Paulo, do qual foi um dos vencedores. Atualmente a equipe busca outras fontes de recursos para ajudar a manter o projeto.

Os conectados

A plataforma estreou com 161 serviços oferecidos por 112 migrantes de 19 países diferentes – Bolívia, Chile, Marrocos, Togo, Palestina, Egito, Costa do Marfim, Síria, Angola, Guiné, Mali, Venezuela, Nigéria, Iêmen, Burundi, Congo, Camarões, Cuba e Senegal. Há “conectados” – como são chamados os migrantes cadastrados na plataforma – que oferecem mais de um produto ou serviço. Por enquanto a abrangência do Conectados está restrita à capital paulista.

Para se cadastrar no Conectados, o migrante deve fazer contato por meio do site ou do Facebook do projeto, informando um meio de contato ativo (WhatsApp, Facebook ou e-mail), uma foto e a descrição sobre o produto ou serviço a ser oferecido. À medida que os novos cadastros são validados pela equipe, eles passam a figurar entre os disponíveis no Conectados. Todo o processo é gratuito.

Juliana conta que a reação ao projeto tem sido bastante positiva, tanto dos migrantes como dos potenciais consumidores. Desde o lançamento, uma média de 3 a 4 migrantes entram em contato com o Conectados, interessados em se cadastrar na plataforma.

“Se olhar a fundo, são pessoas oferecendo culturas e serviços dos seus países de origem e isso não pode ser substituído. Nós temos muito a ganhar com essa troca de culturas. É importante promover a diversidade no espaço público, somos um país de migrantes e quanto mais rica for nossa cultura, mais temos a ganhar”, lembra Juliana, aproveitando para rebater possíveis manifestações xenófobas contra a plataforma e os migrantes cadastrados.

Próximos passos

O lançamento do Conectados reforça o rol de iniciativas que surgiram nos últimos anos com o objetivo de promover a inserção dos migrantes no Brasil a partir do conhecimento cultural de cada um, como o Abraço Cultural e o Migraflix – ambas, aliás, figuram como apoiadoras do projeto.

Embora o Conectados ainda dê os primeiros passos, a equipe já pensa na segunda etapa do projeto, que prevê capacitação aos migrantes interessados em divulgar produtos e serviços na plataforma. “Desenvolver esse lado mais empreendedor do imigrante pode ajudá-lo a se inserir no mercado”, completa Juliana.

Plataforma Conectados divulga serviços de migrantes e promove trocas culturais

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Reprodução da homepage do portal Conectados. Crédito: Reprodução

Projeto estreia com 161 produtos e serviços, oferecidos por 112 migrantes de 19 países

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

O empreendedorismo tem sido uma das opções diante da crise econômica que tem afetado o mercado de trabalho no Brasil. O mesmo vale para os migrantes que vivem no país. E a plataforma Conectados, lançada no último dia 9 de março em São Paulo, busca dar uma força para aqueles que apostam na própria cultura como elemento de inserção laboral.

Clique aqui para acessar a plataforma

O projeto é uma iniciativa conjunta da ONG Bela Rua, que atua na democratização do espaço público, e do Conexão Cultural, que promove acesso e conteúdo na área cultural por meio da integração entre diversas formas de arte a ativação de espaços públicos e culturais. O Conectados funciona como um catálogo no qual qualquer pessoa pode conhecer os produtos e serviços que cada migrante pode oferecer a partir da sua própria cultura  – aulas de idiomas, culinária, dança, música, artesanato, entre outras habilidades. Além da conexão cultural, a valorização do produto ou serviço oferecido pelo migrante também serve como meio para facilitar sua inserção na sociedade brasileira.

“Esse projeto conecta muito mais do que um produto ou serviço, mas permite esse encontro entre culturas”, lembra a arquiteta Juliana Barsi, integrante do Bela Rua e uma das idealizadoras do Conectados.

A plataforma estreia com recursos da segunda edição do programa Vai Tec, da Prefeitura de São Paulo, do qual foi um dos vencedores. Atualmente a equipe busca outras fontes de recursos para ajudar a manter o projeto.

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A plataforma estreou com 161 serviços oferecidos por 112 migrantes de 19 países diferentes – Bolívia, Chile, Marrocos, Togo, Palestina, Egito, Costa do Marfim, Síria, Angola, Guiné, Mali, Venezuela, Nigéria, Iêmen, Burundi, Congo, Camarões, Cuba e Senegal. Há “conectados” – como são chamados os migrantes cadastrados na plataforma – que oferecem mais de um produto ou serviço. Por enquanto a abrangência do Conectados está restrita à capital paulista.

Para se cadastrar no Conectados, o migrante deve fazer contato por meio do site ou do Facebook do projeto, informando um meio de contato ativo (WhatsApp, Facebook ou e-mail), uma foto e a descrição sobre o produto ou serviço a ser oferecido. À medida que os novos cadastros são validados pela equipe, eles passam a figurar entre os disponíveis no Conectados. Todo o processo é gratuito.

Juliana conta que a reação ao projeto tem sido bastante positiva, tanto dos migrantes como dos potenciais consumidores. Desde o lançamento, uma média de 3 a 4 migrantes entram em contato com o Conectados, interessados em se cadastrar na plataforma.

“Se olhar a fundo, são pessoas oferecendo culturas e serviços dos seus países de origem e isso não pode ser substituído. Nós temos muito a ganhar com essa troca de culturas. É importante promover a diversidade no espaço público, somos um país de migrantes e quanto mais rica for nossa cultura, mais temos a ganhar”, lembra Juliana, aproveitando para rebater possíveis manifestações xenófobas contra a plataforma e os migrantes cadastrados.

Próximos passos

O lançamento do Conectados reforça o rol de iniciativas que surgiram nos últimos anos com o objetivo de promover a inserção dos migrantes no Brasil a partir do conhecimento cultural de cada um, como o Abraço Cultural e o Migraflix – ambas, aliás, figuram como apoiadoras do projeto.

Embora o Conectados ainda dê os primeiros passos, a equipe já pensa na segunda etapa do projeto, que prevê capacitação aos migrantes interessados em divulgar produtos e serviços na plataforma. “Desenvolver esse lado mais empreendedor do imigrante pode ajudá-lo a se inserir no mercado”, completa Juliana.

Debate sobre direitos marca retorno da exposição Vidas Refugiadas a São Paulo

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Vidas Refugiadas é um projeto que pretende dar protagonismo para a mulher refugiada e sua história. Crédito: Vidas Refugiadas

Celebrando o primeiro ano do projeto “Vidas Refugiadas”, o Museu da Imigração recebe até 28 de maio a exposição fotográfica que apresenta um pouco do cotidiano de oito mulheres refugiadas no Brasil. A abertura da mostra, realizada sábado (18/3), contou com debate com as protagonistas do projeto

Por Géssica Brandino
Do Caminhos do Refúgio, em São Paulo – link completo aqui
Crédito da foto: Victor Moriyama/Vidas Refugiadas

Em um ano de trabalho, foram múltiplas as experiências e trocas que as participantes puderam ter com brasileiros de onze cidades. A nigeriana Nckechinyere Jonathan conta que se sentiu em casa em Salvador, pois lá viu seus irmãos africanos e sentiu o espírito acolhedor da cidade. Para Maria Illeana Faguaga Iglesias a experiência também tem sido gratificante, por permitir quebrar estereótipos em torno do refúgio. “Nós não somos coitadinhas”, faz questão de frisar no diálogo com o público, lembrando que o projeto tem contribuído para o empoderamento das refugiadas no país.

Leia mais: Vidas Refugiadas volta a São Paulo com o retrato de gênero no refúgio

Uma das questões levantadas pelo público durante o debate foi a documentação, um dos principais entraves que refugiados enfrentam no país para ter acesso a direitos. A partir da solicitação de refúgio, eles recebem da Polícia Federal o Protocolo de Permanência Provisória, documento que servirá para identificação até a resposta do Comitê Nacional para Refugiados sobre o reconhecimento da condição de refugiado no país, a partir da Lei 9474 de 1997, a lei de refúgio brasileira.

Veja a matéria completa no site Caminhos do Refúgio

 

Filme “Era o Hotel Cambridge” mostra luta de brasileiros e refugiados por moradia

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Eliane Caffé apresenta equipe e elenco de “Era o Hotel Cambridge no pré-lançamento do filme, no CineSesc Crédito: Géssica Brandino/Caminhos do Refúgio

Filme que mescla ficção e realidade entra em cartaz com o intuito de discriminalizar os movimentos sociais e pautar um problema que afeta milhares de pessoas no país e no mundo

Por Géssica Brandino – texto e fotos
Do Caminhos do Refúgio

Prédios abandonados na região central de São Paulo, com bandeiras de diversos movimentos penduradas nas janelas. Ainda que a cena já tenha sido capturada pelo olhar de milhares de pessoas que circulam diariamente pelas ruas da capital, há nesses espaços uma luta que chega às telas do cinema: o direito à moradia digna. “Era o Hotel Cambridge”, da diretora Eliane Caffé, entra em cartaz com a tarefa de mostrar pela ficção a luta que une brasileiros e refugiados num cotidiano real.

“Hoje a questão da moradia predomina no mundo inteiro como o problema que caracteriza talvez o maior conflito que vamos viver nesse século, com o êxodo das pessoas para as grandes cidades, primeiro porque esse crescimento de fluxo chega muito mais rápido que qualquer plano de organização e construção e, o mais grave de tudo, é que pelo fato do nosso sistema político ser muito calcado na especulação imobiliária, não existe a preocupação de se fazer políticas públicas para lidar com esse problema. A tendência é que isso fique cada vez pior e a importância do filme está em tornar visível e conscientizar as pessoas de que existe esse problema”, destaca a cineasta Eliane Caffé.

O cenário que dá nome ao filme era um antigo hotel, localizado na Avenida 9 de Julho e que se tornou ponto de despejo de lixo e focos de dengue, até ser ocupado em novembro de 2012 pela Frente de Luta por Moradia (FLM). Sob a coordenação do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), hoje vivem no edifício 170 famílias brasileiras, imigrantes e refugiadas, com histórias diversas, algumas vindas de áreas de risco, outras que moravam de favor ou foram despejadas pela impossibilidade de pagar alugueis cada vez mais altos. Por meio do movimento de ocupação, elas lutam por políticas públicas de moradia que lhes permitam realizar o sonho de ter o próprio lar. Ao mesmo tempo, essas pessoas se deparam com a agressividade da polícia nos atos de reintegração de posse, denúncia que aparece no filme por meio de imagens cedidas por jornalistas que documentaram uma das ações da tropa de choque no centro da capital paulista.

Leia a matéria completa no site parceiro Caminhos do Refúgio

Migrantes devem valorizar a própria cultura, diz artista peruano radicado no Brasil

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Adrián Ilave promove a mescla entre o contemporâneo e a cultura pré-colombiana em suas criações. Crédito: Eva Bella/MigraMundo

Artista contemporâneo que se inspira na era pré-colombiana, Adrián Ilave mostra que a cultura peruana vai muito além da gastronomia

Por Eva Bella (texto e fotos)

Inquieto, criativo, elegante e curioso. Um artista completo. Não é fácil definir Adrián Ilave.

Esse peruano de 32 anos, que vive em São Paulo há cerca de 3 anos, nasceu em Lima e passou boa parte de sua vida em Cusco. Ele vem de uma família onde existe a verdadeira essência da cultura peruana: afro, hispana e indígena – o que faz dele um artista único, com um repertório imenso.

Sua inspiração é a era pré-colombiana da América Latina, mesclando com arte contemporânea. Qualquer material é motivo para novas experiências – tecido, madeira, papel, papelão. Nem o corpo humano escapa às habilidades do artista e vira instrumento para suas criações.

Adrián Ilave promove a mescla entre o contemporâneo e a cultura pré-colombiana em suas criações.
Crédito: Eva Bella/MigraMundo

Em se tratando de literatura, Adrián cita Felipe Guamán Poma de Ayala (1550-1616) como cronista, o que ajuda a compreender melhor a sua obra artística. Em mais de mil páginas e quase quatrocentos desenhos, o autor (que é cronista indígena) mostra como assimilou a cultura européia, representando em letra e imagem o impacto da chegada dos espanhóis aos Andes.

“‘Primeira nova crônica y buen governo ( 1615) é considerada uma das obras mais excepcionais da literatura iberoamericana, que nos presenteiam o processo de destruição do mundo andino”, lembra o artista.

Ilave é capaz de formar uma grande unidade visual que prende o expectador. Ele conjuga texto e ilustração, produzindo unidades extremamente complexas, rica em detalhes, e retratava um pouco de tudo: vestimentas, personagens, costumes, governantes incas, religiosidade, guerra, enfim, a vida cotidiana.

Recado aos migrantes

Logo nos primeiros minutos de conversa é possível perceber como ele é apaixonado pela cultura andina.  Ilave me recebe vestido com uma roupa criada por ele, com sua interpretação.

Uma das peças usadas por Adrián para receber o MigraMundo foi a sua Maskaypacha (coroa usada pelos incas no período pré-colombiano), que foi criada com símbolo de sua identidade: o vermelho aparece como cor imperial; a meia lua é seu sobrenome; ao centro está o brasão do Peru; e na parte inferior, a representação das 7 artes (música, dança, pintura, escultura, literatura, teatro e cinema).

Adrián Ilave explica sobre coroa inca criada por ele próprio como forma de retratar sua identidade.
Crédito: Eva Bella/MigraMundo

Falando em identidade, o artista deixa um recado direto aos migrantes em relação à cultura. “Não esqueçam suas raízes. Tentar copiar outras coisas de outras culturas é uma falta de respeito por vocês mesmos, não tenham vergonha! As pessoas gostam de conhecer outras culturas, os artistas imigrantes. Sejam orgulhosos de vocês mesmos, a América Latina está aberta a todos vocês”.

De Lima a São Paulo

Na cidade natal, Lima, Ilave desenvolveu muitos trabalhos artísticos de grande porte, como decoração de hotéis e pinturas em murais. Desde que chegou ao Brasil, vem criando murais para restaurantes peruanos. Além disso, produz e cria capas para a Revista Paila, periódico online produzido no Brasil por peruanos e brasileiros que buscam dar destaque para a cultura peruana.

Ilave diz que São Paulo o cativou por ser a Meca da América Latina. “Há essa mistura de culturas, muita arte para curtir e experimentar, uma cidade incrível, que reúne as raças, costumes e é acolhedora”.

Em se tratando de literatura, Adrián cita Guamán Poma de Ayala como cronista, o que ajuda a compreender melhor a sua obra artística.
Crédito: Eva Bella/MigraMundo

Por esse apego à cidade que agora lhe serve de morada e inspiração, Ilave também se posicionou sobre um tema polêmico: os murais de graffiti que foram apagados recentemente pela Prefeitura de São Paulo. Ele demonstra tristeza ao lembrar que já aconteceu algo parecido em Lima e espera que isso seja reparado de alguma forma.

“Deletar o graffiti é apagar a história! O graffiti vem da Antiguidade, conta coisas interessantes do cotidiano. Só mudou o material”.