A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
Migrantes e refugiados fazem fila para pegar comida e água na ilha grega de Kos.
Crédito: OIM
Por Eleonora Silanus
De Turim (Itália)
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) relatou que, apenas no inicio de 2016, cerca de 184 mil migrantes entraram na Europa. Outros 1.357 migrantes morreram no mar tentando chegar ao velho continente. Achar uma resposta para estes números, sem esquecer que há uma vida humana por trás de cada um deles, é o tema crucial da ação política e humanitária atual e futura.
Em 18 de março 2016 a União Europeia (UE) e a Turquia (Estado não-membro da UE e principal porta de entrada rumo à Europa) assinaram um acordo com o objetivo explícito de pôr regras à migração irregular, desmantelar o modelo de negócio dos traficantes de seres humanos e salvar vidas.
Imagem mostra dados atualizados da OIM sobre as chegadas (e mortes) de migrantes rumo à Europa. Crédito: Reprodução/OIM
O acordo
A Turquia e a União Europeia chegaram num consenso sobre como responder à crise migratória, continuando assim o plano conjunto já ativado em novembro de 2015. O acordo pode ser resumido em três pilares:
1) Todos os migrantes irregulares (não importa que sejam refugiados ou pessoas em busca de trabalho) provenientes da Turquia que cheguem na Grécia (país europeu mais próximo da fronteira turca) depois de 20 de março de 2016 serão rejeitados e devolvidos ao território turco em conformidade com o direito internacional. Se exclui qualquer expulsão coletiva e desrespeito do princípio da não-devolução. Esta medida é definida como “temporária e extraordinária”, com o objetivo de “pôr fim ao sofrimento das pessoas” e restabelecer a ordem pública.
2) Os migrantes requerentes a asilo que chegam às ilhas gregas são registrados e todos os pedidos de asilo são tratados individualmente pela autoridade grega conforme a lei. Os migrantes que não pedirem asilo ou que apresentaram pedidos infundados ou não admissíveis são expulsos e devolvidos à Turquia.
3) Por cada migrante sírio “devolvido” a partir das ilhas gregas, outro refugiado sírio proveniente da Turquia é reinstalado na UE, tendo em conta os critérios de vulnerabilidade das Nações Unidas. O processo de reinstalação em território europeu pode envolver até um máximo de 54 mil migrantes.
A Turquia se comprometeu em evitar a abertura de novas rotas marítimas ou terrestres de migração indocumentada para a UE. Em troca, assim que satisfeitos todos os critérios do acordo, a União Europeia se compromete em acelerar o suprimento dos requisitos em matéria de vistos de turismo para os cidadãos turcos e o procedimento para a adesão da Turquia como Estado Membro da UE. Além disso, é previsto o desembolso de 6 bilhões de euros à Turquia até o final de 2018 para o financiamento de projetos destinados aos refugiados.
A prática
Em 4 de abril, o primeiro ponto do acordo começou a ser colocado em prática e 202 refugiados foram transferidos da Grécia à Turquia. Por outro lado, o fechamento das rotas turcas de migração para UE causou uma diminuição da entrada diária dos migrantes nas ilhas gregas de 1.662 para 339 nos primeiros 13 dias da vigência do acordo. Estes dois dados mostram como o número de chegadas na Grécia continua ainda maior que o de expulsões. Além disso, lendo com atenção o relatório publicado recentemente pela Comissão Europeia, é evidente que a situação continua muito difícil: 50 mil refugiados ainda estão “presos” nas ilhas gregas e somente 103 sírios foram realocados da Turquia para o território europeu. Nos campos turcos vivem ainda 2,7 milhões de pessoas: os números até agora mostram apenas a incapacidade dos governos em acolher e garantir a proteção dos direitos humanos.
Charge mostra como o polêmico acordo Turquia-UE tem sido visto. Crédito: Driss Jabo, refugiado sírio.
As opiniões sobre o acordo são controversas e, ao longo do primeiro mês de atuação do acordo, as dúvidas sobre a legitimidade do conteúdo continuam aumentando. O comissário de Ajuda Humanitária da UE, Christos Stylianides, comentou que o acordo entre União Europeia e a Turquia é a única solução viável para a crise. “Não existe uma outra saída que não seja um acordo com a Turquia. Não é perfeito e é um grande desafio, mas nós precisamos deles e eles precisam de nós.”
Já o Alto-Comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, declarou que o acordo pode condenar definitivamente as populações em fuga da guerra, da perseguição e da pobreza. “Não posso deixar de expressar a minha profunda preocupação com qualquer acordo que implique transferências entre países sem as devidas garantias de proteção aos refugiados e o respeito pela legislação internacional”.
As organizações humanitárias contestaram claramente o acordo. A ONU o definiu uma “deportação em massa” e as ONGs Anistia Internacional, Médicos sem Fronteiras e Human Rights Watch falaram de “acordo da vergonha, uma não-solução que não resolve problema nenhum” e que torna claro “o desespero dos europeus que, para conter a crise, estão dispostos a ignorar completamente os direitos mais elementares”.
As principais questões contestadas pelas organizações humanitárias são três: a devolução em massa dos migrantes da Grécia para a Turquia; a modalidade de realocação dos imigrantes na Europa – chamada de “troca de refugiados”- considerada ineficaz e ilusória além de incompatível com qualquer noção de respeito a dignidade humana; e as precárias condições de respeito dos direitos dos imigrantes em território turco.
Estas declarações das ONGs e da ONU, os números do primeiro mês de atuação do acordo e as histórias de violação dos direitos humanos que enchem os jornais europeus mostram que mais uma vez a Europa está longe de encontrar uma solução à crise humanitária que, conforme as previsões da OIM, só irá aumentar nos próximos meses. A única certeza é que, enquanto os lideres europeus não colocarem em prática os valores de solidariedade e igualdade, as vítimas desta derrota continuarão sendo os migrantes.
Eleonora Silanus, italiana, é formada em direito com especialização em direito da imigração. Desde 2012 trabalha na cooperação internacional e promoção dos direitos dos migrantes, com passagens pela Itália, Tanzânia e Brasil. Colabora continuamente com o MigraMundo desde 2015.
A família Al-tinawi e parte dos voluntários que ajudaram na inauguração do restaurante.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Géssica Brandino
Colaboração de Rodrigo Borges Delfim
Também disponível no site Caminhos do Refúgio
Na zona sul de São Paulo, logo ao sair da Avenida Morumbi e entrar na Rua das Margaridas, é possível sentir o cheiro da culinária síria. No número 59, a música ao vivo e a decoração do ambiente completam a atmosfera árabe. Toalhas bordadas, porta-guardanapos de madeira trabalhada, louças espalhadas pelos balcões, uma mesa repleta de doces e outra de objetos artesanais sírios à venda no local.
Inaugurado sexta-feira (29/4), o Talal Culinária Síria não é um restaurante como os outros. Foi criado a partir do sonho da família Al-tinawi, com o apoio de inúmeros brasileiros. No Brasil desde dezembro de 2013, eles contaram com o apoio da comunidade síria para se estruturar nos primeiros meses. Talal trabalhou vendendo roupas na madrugada, depois numa empresa de engenharia e, por sugestão de voluntárias do Adus, passou a fazer comida síria sob encomenda. Engenheiro mecânico, ele segue na tentativa de revalidar o diploma para exercer a profissão no país.
O restaurante Talal Culinária Síria agora é uma realidade. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Foi por meio de uma página no Facebook que a venda de comida síria feita em casa passou a ganhar clientela consolidada. Com o grande número de pedidos de salgados e doces, além da participação em diversos eventos, receberam a sugestão de abrir um restaurante e com o apoio de voluntários, lançaram uma bem-sucedida campanha de arrecadação online por meio da plataforma Kickante, ultrapassando a meta de arrecadação em setembro do ano passado.
A partir de então, o trabalho foi buscar um imóvel para abrir o restaurante. O local escolhido fica no bairro do Brooklin, próximo à Avenida Santo Amaro, o que facilita o acesso, pois várias linhas de ônibus passam por ali. Para preparar o espaço e o cardápio que incluía refeições e também lanches, a família Al-tinawi se empenhou ao máximo. À noite, mesmo cansados, o sorriso por ver a satisfação dos clientes era contagiante.
Com cinco funcionários contratados, a família também contou com o apoio de voluntários no atendimento. Talal e Ghazal trabalhavam na cozinha, enquanto o filho do casal auxiliava na parte financeira. Amigos da Síria também participavam da inauguração. Em meio às mesas, o calígrafo sírio Anas Hafez (veja aqui a página no Facebook), também refugiado no Brasil, presenteava os primeiros clientes do Talal Culinária Síria com a escrita em árabe de seus nomes.
A inauguração atraiu não apenas amigos de Talal e veículos de imprensa, mas também pessoas da região. Umas delas foi a empresária Joanna Gonçalves, dona de uma clínica de estética na região. Ela conheceu a família síria três semanas antes e, aliada a uma vivência pessoal fora do Brasil, já pensa em ações conjuntas com os Al-tinawi em apoio a outras pessoas que precisam recomeçar as próprias vidas longe de casa.
“Dá para fazer muita coisa aqui em prol dos refugiados. Sei como é viver em um outro mundo”, lembrou Joana, que viveu entre 2008 e 2010 no Azerbaijão, ex-república soviética que tem o Islamismo como religião principal e que guarda semelhanças culturais e históricas com o Oriente Médio.
A inauguração avançou até o começo da madrugada de sábado. E já passava da meia-noite quando um jovem casal passou de bicicleta e ficou curioso com o local aberto. Curiosidade que virou clientela quando souberam que se tratava de um novo restaurante.
Apesar do cansaço, era nítida a satisfação pela realização de um sonho encampado pela família Al-tinawi e pelos demais voluntários engajados em torno do restaurante. Um local que tem tudo para ser referência gastronômica e cultural na região.
Géssica Brandino: Além da comida deliciosa, deixei o local contagiada pela felicidade da família que conheci no início de 2014 e cuja trajetória narrei no livro Caminhos do Refúgio, ainda não publicado. Naquela ocasião, lembro-me do otimismo de Talal, que buscava dar uma condição de vida melhor para a família no Brasil, sem deixar de denunciar o sofrimento do povo sírio. Dois anos depois, a inauguração do Talal Comida Síria mostra que é possível recomeçar e ter esperança num futuro digno.
Conheça o restaurante:
Talal Culinária Síria
Rua das Margaridas, 59 – Jardim das Acácias – São Paulo (SP)
Facebook: Talal Culinária Síria
A família Al-tinawi e parte dos voluntários que ajudaram na inauguração do restaurante.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Géssica Brandino
Colaboração de Rodrigo Borges Delfim
Também disponível no site Caminhos do Refúgio
Na zona sul de São Paulo, logo ao sair da Avenida Morumbi e entrar na Rua das Margaridas, é possível sentir o cheiro da culinária síria. No número 59, a música ao vivo e a decoração do ambiente completam a atmosfera árabe. Toalhas bordadas, porta-guardanapos de madeira trabalhada, louças espalhadas pelos balcões, uma mesa repleta de doces e outra de objetos artesanais sírios à venda no local.
Inaugurado sexta-feira (29/4), o Talal Culinária Síria não é um restaurante como os outros. Foi criado a partir do sonho da família Al-tinawi, com o apoio de inúmeros brasileiros. No Brasil desde dezembro de 2013, eles contaram com o apoio da comunidade síria para se estruturar nos primeiros meses. Talal trabalhou vendendo roupas na madrugada, depois numa empresa de engenharia e, por sugestão de voluntárias do Adus, passou a fazer comida síria sob encomenda. Engenheiro mecânico, ele segue na tentativa de revalidar o diploma para exercer a profissão no país.
O restaurante Talal Culinária Síria agora é uma realidade. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Foi por meio de uma página no Facebook que a venda de comida síria feita em casa passou a ganhar clientela consolidada. Com o grande número de pedidos de salgados e doces, além da participação em diversos eventos, receberam a sugestão de abrir um restaurante e com o apoio de voluntários, lançaram uma bem-sucedida campanha de arrecadação online por meio da plataforma Kickante, ultrapassando a meta de arrecadação em setembro do ano passado.
A partir de então, o trabalho foi buscar um imóvel para abrir o restaurante. O local escolhido fica no bairro do Brooklin, próximo à Avenida Santo Amaro, o que facilita o acesso, pois várias linhas de ônibus passam por ali. Para preparar o espaço e o cardápio que incluía refeições e também lanches, a família Al-tinawi se empenhou ao máximo. À noite, mesmo cansados, o sorriso por ver a satisfação dos clientes era contagiante.
Com cinco funcionários contratados, a família também contou com o apoio de voluntários no atendimento. Talal e Ghazal trabalhavam na cozinha, enquanto o filho do casal auxiliava na parte financeira. Amigos da Síria também participavam da inauguração. Em meio às mesas, o calígrafo sírio Anas Hafez (veja aqui a página no Facebook), também refugiado no Brasil, presenteava os primeiros clientes do Talal Culinária Síria com a escrita em árabe de seus nomes.
A inauguração atraiu não apenas amigos de Talal e veículos de imprensa, mas também pessoas da região. Umas delas foi a empresária Joanna Gonçalves, dona de uma clínica de estética na região. Ela conheceu a família síria três semanas antes e, aliada a uma vivência pessoal fora do Brasil, já pensa em ações conjuntas com os Al-tinawi em apoio a outras pessoas que precisam recomeçar as próprias vidas longe de casa.
“Dá para fazer muita coisa aqui em prol dos refugiados. Sei como é viver em um outro mundo”, lembrou Joana, que viveu entre 2008 e 2010 no Azerbaijão, ex-república soviética que tem o Islamismo como religião principal e que guarda semelhanças culturais e históricas com o Oriente Médio.
A inauguração avançou até o começo da madrugada de sábado. E já passava da meia-noite quando um jovem casal passou de bicicleta e ficou curioso com o local aberto. Curiosidade que virou clientela quando souberam que se tratava de um novo restaurante.
Apesar do cansaço, era nítida a satisfação pela realização de um sonho encampado pela família Al-tinawi e pelos demais voluntários engajados em torno do restaurante. Um local que tem tudo para ser referência gastronômica e cultural na região.
Géssica Brandino: Além da comida deliciosa, deixei o local contagiada pela felicidade da família que conheci no início de 2014 e cuja trajetória narrei no livro Caminhos do Refúgio, ainda não publicado. Naquela ocasião, lembro-me do otimismo de Talal, que buscava dar uma condição de vida melhor para a família no Brasil, sem deixar de denunciar o sofrimento do povo sírio. Dois anos depois, a inauguração do Talal Comida Síria mostra que é possível recomeçar e ter esperança num futuro digno.
Conheça o restaurante:
Talal Culinária Síria
Rua das Margaridas, 59 – Jardim das Acácias – São Paulo (SP)
Facebook: Talal Culinária Síria
A família Al-tinawi e parte dos voluntários que ajudaram na inauguração do restaurante.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Géssica Brandino
Colaboração de Rodrigo Borges Delfim
Também disponível no site Caminhos do Refúgio
Na zona sul de São Paulo, logo ao sair da Avenida Morumbi e entrar na Rua das Margaridas, é possível sentir o cheiro da culinária síria. No número 59, a música ao vivo e a decoração do ambiente completam a atmosfera árabe. Toalhas bordadas, porta-guardanapos de madeira trabalhada, louças espalhadas pelos balcões, uma mesa repleta de doces e outra de objetos artesanais sírios à venda no local.
Inaugurado sexta-feira (29/4), o Talal Culinária Síria não é um restaurante como os outros. Foi criado a partir do sonho da família Al-tinawi, com o apoio de inúmeros brasileiros. No Brasil desde dezembro de 2013, eles contaram com o apoio da comunidade síria para se estruturar nos primeiros meses. Talal trabalhou vendendo roupas na madrugada, depois numa empresa de engenharia e, por sugestão de voluntárias do Adus, passou a fazer comida síria sob encomenda. Engenheiro mecânico, ele segue na tentativa de revalidar o diploma para exercer a profissão no país.
O restaurante Talal Culinária Síria agora é uma realidade. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Foi por meio de uma página no Facebook que a venda de comida síria feita em casa passou a ganhar clientela consolidada. Com o grande número de pedidos de salgados e doces, além da participação em diversos eventos, receberam a sugestão de abrir um restaurante e com o apoio de voluntários, lançaram uma bem-sucedida campanha de arrecadação online por meio da plataforma Kickante, ultrapassando a meta de arrecadação em setembro do ano passado.
A partir de então, o trabalho foi buscar um imóvel para abrir o restaurante. O local escolhido fica no bairro do Brooklin, próximo à Avenida Santo Amaro, o que facilita o acesso, pois várias linhas de ônibus passam por ali. Para preparar o espaço e o cardápio que incluía refeições e também lanches, a família Al-tinawi se empenhou ao máximo. À noite, mesmo cansados, o sorriso por ver a satisfação dos clientes era contagiante.
Com cinco funcionários contratados, a família também contou com o apoio de voluntários no atendimento. Talal e Ghazal trabalhavam na cozinha, enquanto o filho do casal auxiliava na parte financeira. Amigos da Síria também participavam da inauguração. Em meio às mesas, o calígrafo sírio Anas Hafez (veja aqui a página no Facebook), também refugiado no Brasil, presenteava os primeiros clientes do Talal Culinária Síria com a escrita em árabe de seus nomes.
A inauguração atraiu não apenas amigos de Talal e veículos de imprensa, mas também pessoas da região. Umas delas foi a empresária Joanna Gonçalves, dona de uma clínica de estética na região. Ela conheceu a família síria três semanas antes e, aliada a uma vivência pessoal fora do Brasil, já pensa em ações conjuntas com os Al-tinawi em apoio a outras pessoas que precisam recomeçar as próprias vidas longe de casa.
“Dá para fazer muita coisa aqui em prol dos refugiados. Sei como é viver em um outro mundo”, lembrou Joana, que viveu entre 2008 e 2010 no Azerbaijão, ex-república soviética que tem o Islamismo como religião principal e que guarda semelhanças culturais e históricas com o Oriente Médio.
A inauguração avançou até o começo da madrugada de sábado. E já passava da meia-noite quando um jovem casal passou de bicicleta e ficou curioso com o local aberto. Curiosidade que virou clientela quando souberam que se tratava de um novo restaurante.
Apesar do cansaço, era nítida a satisfação pela realização de um sonho encampado pela família Al-tinawi e pelos demais voluntários engajados em torno do restaurante. Um local que tem tudo para ser referência gastronômica e cultural na região.
Géssica Brandino: Além da comida deliciosa, deixei o local contagiada pela felicidade da família que conheci no início de 2014 e cuja trajetória narrei no livro Caminhos do Refúgio, ainda não publicado. Naquela ocasião, lembro-me do otimismo de Talal, que buscava dar uma condição de vida melhor para a família no Brasil, sem deixar de denunciar o sofrimento do povo sírio. Dois anos depois, a inauguração do Talal Comida Síria mostra que é possível recomeçar e ter esperança num futuro digno.
Conheça o restaurante:
Talal Culinária Síria
Rua das Margaridas, 59 – Jardim das Acácias – São Paulo (SP)
Facebook: Talal Culinária Síria
A família Al-tinawi e parte dos voluntários que ajudaram na inauguração do restaurante.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Géssica Brandino
Colaboração de Rodrigo Borges Delfim
Também disponível no site Caminhos do Refúgio
Na zona sul de São Paulo, logo ao sair da Avenida Morumbi e entrar na Rua das Margaridas, é possível sentir o cheiro da culinária síria. No número 59, a música ao vivo e a decoração do ambiente completam a atmosfera árabe. Toalhas bordadas, porta-guardanapos de madeira trabalhada, louças espalhadas pelos balcões, uma mesa repleta de doces e outra de objetos artesanais sírios à venda no local.
Inaugurado sexta-feira (29/4), o Talal Culinária Síria não é um restaurante como os outros. Foi criado a partir do sonho da família Al-tinawi, com o apoio de inúmeros brasileiros. No Brasil desde dezembro de 2013, eles contaram com o apoio da comunidade síria para se estruturar nos primeiros meses. Talal trabalhou vendendo roupas na madrugada, depois numa empresa de engenharia e, por sugestão de voluntárias do Adus, passou a fazer comida síria sob encomenda. Engenheiro mecânico, ele segue na tentativa de revalidar o diploma para exercer a profissão no país.
O restaurante Talal Culinária Síria agora é uma realidade. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Foi por meio de uma página no Facebook que a venda de comida síria feita em casa passou a ganhar clientela consolidada. Com o grande número de pedidos de salgados e doces, além da participação em diversos eventos, receberam a sugestão de abrir um restaurante e com o apoio de voluntários, lançaram uma bem-sucedida campanha de arrecadação online por meio da plataforma Kickante, ultrapassando a meta de arrecadação em setembro do ano passado.
A partir de então, o trabalho foi buscar um imóvel para abrir o restaurante. O local escolhido fica no bairro do Brooklin, próximo à Avenida Santo Amaro, o que facilita o acesso, pois várias linhas de ônibus passam por ali. Para preparar o espaço e o cardápio que incluía refeições e também lanches, a família Al-tinawi se empenhou ao máximo. À noite, mesmo cansados, o sorriso por ver a satisfação dos clientes era contagiante.
Com cinco funcionários contratados, a família também contou com o apoio de voluntários no atendimento. Talal e Ghazal trabalhavam na cozinha, enquanto o filho do casal auxiliava na parte financeira. Amigos da Síria também participavam da inauguração. Em meio às mesas, o calígrafo sírio Anas Hafez (veja aqui a página no Facebook), também refugiado no Brasil, presenteava os primeiros clientes do Talal Culinária Síria com a escrita em árabe de seus nomes.
A inauguração atraiu não apenas amigos de Talal e veículos de imprensa, mas também pessoas da região. Umas delas foi a empresária Joanna Gonçalves, dona de uma clínica de estética na região. Ela conheceu a família síria três semanas antes e, aliada a uma vivência pessoal fora do Brasil, já pensa em ações conjuntas com os Al-tinawi em apoio a outras pessoas que precisam recomeçar as próprias vidas longe de casa.
“Dá para fazer muita coisa aqui em prol dos refugiados. Sei como é viver em um outro mundo”, lembrou Joana, que viveu entre 2008 e 2010 no Azerbaijão, ex-república soviética que tem o Islamismo como religião principal e que guarda semelhanças culturais e históricas com o Oriente Médio.
A inauguração avançou até o começo da madrugada de sábado. E já passava da meia-noite quando um jovem casal passou de bicicleta e ficou curioso com o local aberto. Curiosidade que virou clientela quando souberam que se tratava de um novo restaurante.
Apesar do cansaço, era nítida a satisfação pela realização de um sonho encampado pela família Al-tinawi e pelos demais voluntários engajados em torno do restaurante. Um local que tem tudo para ser referência gastronômica e cultural na região.
Géssica Brandino: Além da comida deliciosa, deixei o local contagiada pela felicidade da família que conheci no início de 2014 e cuja trajetória narrei no livro Caminhos do Refúgio, ainda não publicado. Naquela ocasião, lembro-me do otimismo de Talal, que buscava dar uma condição de vida melhor para a família no Brasil, sem deixar de denunciar o sofrimento do povo sírio. Dois anos depois, a inauguração do Talal Comida Síria mostra que é possível recomeçar e ter esperança num futuro digno.
Conheça o restaurante:
Talal Culinária Síria
Rua das Margaridas, 59 – Jardim das Acácias – São Paulo (SP)
Facebook: Talal Culinária Síria
Ele é integração, mas também pode ser transformado em uma forma de exploração. Pode reforçar estereótipos, mas também pode gerar consciência social e política que ajuda justamente a derrubar conceitos que na verdade são falsas verdades.
Sim, o trabalho vai além da geração de renda e do sustento. E para os imigrantes e refugiados, em especial, é um meio fundamental para a inserção na sociedade – tanto na brasileira como em qualquer outra. Por outro lado, esse instrumento também pode ser distorcido quando as condições de trabalho não são dignas, como nas situações análogas à escravidão – especialmente quando a pessoa não tem conhecimento dos próprios direitos.
Mas para os imigrantes, o que significa ter um trabalho e como ele tem ajudado na trajetória de cada um que tem construído uma nova vida no Brasil? Alguns deles toparam responder a essa pergunta para o MigraMundo, e o resultado pode ser visto nos depoimentos abaixo:
Trabalho é tudo. Se você não trabalha, não tem nada. Trabalhei como professor de design gráfico e administrador no Paquistão. Mas aqui é diferente, trabalho como professor de inglês porque gosto de falar inglês e aprender com os outros. Também trabalho como artesão, que é uma coisa que gosto de fazer. Conheci muita coisa no Brasil através deste trabalho.
Raheel Shahbaz, Paquistão
No Brasil, é um dos professores do projeto Abraço Cultural e também atua como artesão, hobby que tem ajudado a gerar renda. Mas se tiver oportunidade, quer voltar a trabalhar nas áreas em que atuava na terra natal
“Para mim, trabalho é uma forma de integração do imigrante. Mas trabalho não significa garantia de vida. Os imigrantes deveriam fazer tudo para saber dos direitos trabalhistas deles, porque imigrante não significa trabalho escravo”
Omana Ngandu, Congo
No Brasil, professor de francês e de cultura africana
Foi à procura de trabalho que cruzei a Ponte da Amizade, e foi dentro das oficinas de costura que comecei a questionar a história dos nossos países, a estudá-lo e criar laços de amizade, seja através do futebol, na fila da Policia federal, na universidade, no ônibus, com pessoas que lutam diariamente pela dignidade como ser humano, por trabalho (digno), por justiça (RNE), por liberdade (ir e vir sem medo) que ajudaria a cumprir muitos sonhos. Aprendi a sonhar mesmo sabendo das dificuldades com as diversas nacionalidades que conheci, e a enterrar qualquer preconceito que tinha anteriormente. Estas pessoas me ajudaram a enxergar que outro mundo e uma outra globalização é possível.
Leo Ramirez, Paraguai
Chegou ao Brasil para trabalhar com oficinas de costura e atualmente é funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo
“Quando você não possui RNE [o Registro Nacional de Estrangeiro, o principal documento para imigrantes no Brasil], algumas companhias aqui te colocam em toda e qualquer função, e no final pagam um valor muito baixo, enquanto para viver no Brasil é preciso dinheiro, porque o custo é alto. Então, como posso receber cerca de R$ 600 aqui e ainda por cima cuidar dos familiares que estão na nossa terra natal? Este tem sido um grande desafio para nós. Queremos que o governo brasileiro venha e ajude a combater essa situação de problemas de discriminação no trabalho”
Edwin Eason, Gana
Trabalha no Brasil como operador de máquinas e é engajado na luta por melhorias para outros ganeses no Brasil. Sua reflexão vem do acompanhamento das lutas e dramas que conhece dentro da comunidade
Trabalho significa reintegração, praticar e conhecer a língua. No meu caso, que trabalho com gastronomia, aprendi muito com os nomes dos ingredientes das receitas. Também me ajuda a conhecer mais o Brasil, porque trabalho com os brasileiros.
Bouteina Sakhi, Marrocos
Trabalha com gastronomia e traz para o Brasil um pouco dos sabores da terra natal. Trabalhava em um restaurante de culinária libanesa e recentemente começou a empreender e buscar o próprio negócio de culinária marroquina.
Ele é integração, mas também pode ser transformado em uma forma de exploração. Pode reforçar estereótipos, mas também pode gerar consciência social e política que ajuda justamente a derrubar conceitos que na verdade são falsas verdades.
Sim, o trabalho vai além da geração de renda e do sustento. E para os imigrantes e refugiados, em especial, é um meio fundamental para a inserção na sociedade – tanto na brasileira como em qualquer outra. Por outro lado, esse instrumento também pode ser distorcido quando as condições de trabalho não são dignas, como nas situações análogas à escravidão – especialmente quando a pessoa não tem conhecimento dos próprios direitos.
Mas para os imigrantes, o que significa ter um trabalho e como ele tem ajudado na trajetória de cada um que tem construído uma nova vida no Brasil? Alguns deles toparam responder a essa pergunta para o MigraMundo, e o resultado pode ser visto nos depoimentos abaixo:
Trabalho é tudo. Se você não trabalha, não tem nada. Trabalhei como professor de design gráfico e administrador no Paquistão. Mas aqui é diferente, trabalho como professor de inglês porque gosto de falar inglês e aprender com os outros. Também trabalho como artesão, que é uma coisa que gosto de fazer. Conheci muita coisa no Brasil através deste trabalho.
Raheel Shahbaz, Paquistão
No Brasil, é um dos professores do projeto Abraço Cultural e também atua como artesão, hobby que tem ajudado a gerar renda. Mas se tiver oportunidade, quer voltar a trabalhar nas áreas em que atuava na terra natal
“Para mim, trabalho é uma forma de integração do imigrante. Mas trabalho não significa garantia de vida. Os imigrantes deveriam fazer tudo para saber dos direitos trabalhistas deles, porque imigrante não significa trabalho escravo”
Omana Ngandu, Congo
No Brasil, professor de francês e de cultura africana
Foi à procura de trabalho que cruzei a Ponte da Amizade, e foi dentro das oficinas de costura que comecei a questionar a história dos nossos países, a estudá-lo e criar laços de amizade, seja através do futebol, na fila da Policia federal, na universidade, no ônibus, com pessoas que lutam diariamente pela dignidade como ser humano, por trabalho (digno), por justiça (RNE), por liberdade (ir e vir sem medo) que ajudaria a cumprir muitos sonhos. Aprendi a sonhar mesmo sabendo das dificuldades com as diversas nacionalidades que conheci, e a enterrar qualquer preconceito que tinha anteriormente. Estas pessoas me ajudaram a enxergar que outro mundo e uma outra globalização é possível.
Leo Ramirez, Paraguai
Chegou ao Brasil para trabalhar com oficinas de costura e atualmente é funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo
“Quando você não possui RNE [o Registro Nacional de Estrangeiro, o principal documento para imigrantes no Brasil], algumas companhias aqui te colocam em toda e qualquer função, e no final pagam um valor muito baixo, enquanto para viver no Brasil é preciso dinheiro, porque o custo é alto. Então, como posso receber cerca de R$ 600 aqui e ainda por cima cuidar dos familiares que estão na nossa terra natal? Este tem sido um grande desafio para nós. Queremos que o governo brasileiro venha e ajude a combater essa situação de problemas de discriminação no trabalho”
Edwin Eason, Gana
Trabalha no Brasil como operador de máquinas e é engajado na luta por melhorias para outros ganeses no Brasil. Sua reflexão vem do acompanhamento das lutas e dramas que conhece dentro da comunidade
Trabalho significa reintegração, praticar e conhecer a língua. No meu caso, que trabalho com gastronomia, aprendi muito com os nomes dos ingredientes das receitas. Também me ajuda a conhecer mais o Brasil, porque trabalho com os brasileiros.
Bouteina Sakhi, Marrocos
Trabalha com gastronomia e traz para o Brasil um pouco dos sabores da terra natal. Trabalhava em um restaurante de culinária libanesa e recentemente começou a empreender e buscar o próprio negócio de culinária marroquina.