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domingo, junho 28, 2026
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No 1º de maio, imigrantes respondem: para cada um deles, o que significa o trabalho?

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Por Rodrigo Borges Delfim

Ele é integração, mas também pode ser transformado em uma forma de exploração. Pode reforçar estereótipos, mas também pode gerar consciência social e política que ajuda justamente a derrubar conceitos que na verdade são falsas verdades.

Sim, o trabalho vai além da geração de renda e do sustento. E para os imigrantes e refugiados, em especial, é um meio fundamental para a inserção na sociedade – tanto na brasileira como em qualquer outra. Por outro lado, esse instrumento também pode ser distorcido quando as condições de trabalho não são dignas, como nas situações análogas à escravidão – especialmente quando a pessoa não tem conhecimento dos próprios direitos.

Mas para os imigrantes, o que significa ter um trabalho e como ele tem ajudado na trajetória de cada um que tem construído uma nova vida no Brasil? Alguns deles toparam responder a essa pergunta para o MigraMundo, e o resultado pode ser visto nos depoimentos abaixo:

 

Trabalho é tudo. Se você não trabalha, não tem nada. Trabalhei como professor de design gráfico e administrador no Paquistão. Mas aqui é diferente, trabalho como professor de inglês porque gosto de falar inglês e aprender com os outros. Também trabalho como artesão, que é uma coisa que gosto de fazer. Conheci muita coisa no Brasil através deste trabalho.

Raheel Shahbaz, Paquistão
No Brasil, é um dos professores do projeto Abraço Cultural e também atua como artesão, hobby que tem ajudado a gerar renda. Mas se tiver oportunidade, quer voltar a trabalhar nas áreas em que atuava na terra natal

“Para mim, trabalho é uma forma de integração do imigrante. Mas trabalho não significa garantia de vida. Os imigrantes deveriam fazer tudo para saber dos direitos trabalhistas deles, porque imigrante não significa trabalho escravo”

Omana Ngandu, Congo
No Brasil, professor de francês e de cultura africana

 

Foi à procura de trabalho que cruzei a Ponte da Amizade, e foi dentro das oficinas de costura que comecei a questionar a história dos nossos países, a estudá-lo e criar laços de amizade, seja através do futebol, na fila da Policia federal, na universidade, no ônibus, com pessoas que lutam diariamente pela dignidade como ser humano, por trabalho (digno), por justiça (RNE), por liberdade (ir e vir sem medo) que ajudaria a cumprir muitos sonhos. Aprendi a sonhar mesmo sabendo das dificuldades com as diversas nacionalidades que conheci, e a enterrar qualquer preconceito que tinha anteriormente. Estas pessoas me ajudaram a enxergar que outro mundo e uma outra globalização é possível.

Leo Ramirez, Paraguai
Chegou ao Brasil para trabalhar com oficinas de costura e atualmente é funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo

“Quando você não possui RNE [o Registro Nacional de Estrangeiro, o principal documento para imigrantes no Brasil], algumas companhias aqui te colocam em toda e qualquer função, e no final pagam um valor muito baixo, enquanto para viver no Brasil é preciso dinheiro, porque o custo é alto. Então, como posso receber cerca de R$ 600 aqui e ainda por cima cuidar dos familiares que estão na nossa terra natal? Este tem sido um grande desafio para nós. Queremos que o governo brasileiro venha e ajude a combater essa situação de problemas de discriminação no trabalho”

Edwin Eason, Gana
Trabalha no Brasil como operador de máquinas e é engajado na luta por melhorias para outros ganeses no Brasil. Sua reflexão vem do acompanhamento das lutas e dramas que conhece dentro da comunidade

Trabalho significa reintegração, praticar e conhecer a língua. No meu caso, que trabalho com gastronomia, aprendi muito com os nomes dos ingredientes das receitas. Também me ajuda a conhecer mais o Brasil, porque trabalho com os brasileiros.

Bouteina Sakhi, Marrocos
Trabalha com gastronomia e traz para o Brasil um pouco dos sabores da terra natal. Trabalhava em um restaurante de culinária libanesa e recentemente começou a empreender e buscar o próprio negócio de culinária marroquina.

No 1º de maio, imigrantes respondem: para cada um deles, o que significa o trabalho?

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Por Rodrigo Borges Delfim

Ele é integração, mas também pode ser transformado em uma forma de exploração. Pode reforçar estereótipos, mas também pode gerar consciência social e política que ajuda justamente a derrubar conceitos que na verdade são falsas verdades.

Sim, o trabalho vai além da geração de renda e do sustento. E para os imigrantes e refugiados, em especial, é um meio fundamental para a inserção na sociedade – tanto na brasileira como em qualquer outra. Por outro lado, esse instrumento também pode ser distorcido quando as condições de trabalho não são dignas, como nas situações análogas à escravidão – especialmente quando a pessoa não tem conhecimento dos próprios direitos.

Mas para os imigrantes, o que significa ter um trabalho e como ele tem ajudado na trajetória de cada um que tem construído uma nova vida no Brasil? Alguns deles toparam responder a essa pergunta para o MigraMundo, e o resultado pode ser visto nos depoimentos abaixo:

 

Trabalho é tudo. Se você não trabalha, não tem nada. Trabalhei como professor de design gráfico e administrador no Paquistão. Mas aqui é diferente, trabalho como professor de inglês porque gosto de falar inglês e aprender com os outros. Também trabalho como artesão, que é uma coisa que gosto de fazer. Conheci muita coisa no Brasil através deste trabalho.

Raheel Shahbaz, Paquistão
No Brasil, é um dos professores do projeto Abraço Cultural e também atua como artesão, hobby que tem ajudado a gerar renda. Mas se tiver oportunidade, quer voltar a trabalhar nas áreas em que atuava na terra natal

“Para mim, trabalho é uma forma de integração do imigrante. Mas trabalho não significa garantia de vida. Os imigrantes deveriam fazer tudo para saber dos direitos trabalhistas deles, porque imigrante não significa trabalho escravo”

Omana Ngandu, Congo
No Brasil, professor de francês e de cultura africana

 

Foi à procura de trabalho que cruzei a Ponte da Amizade, e foi dentro das oficinas de costura que comecei a questionar a história dos nossos países, a estudá-lo e criar laços de amizade, seja através do futebol, na fila da Policia federal, na universidade, no ônibus, com pessoas que lutam diariamente pela dignidade como ser humano, por trabalho (digno), por justiça (RNE), por liberdade (ir e vir sem medo) que ajudaria a cumprir muitos sonhos. Aprendi a sonhar mesmo sabendo das dificuldades com as diversas nacionalidades que conheci, e a enterrar qualquer preconceito que tinha anteriormente. Estas pessoas me ajudaram a enxergar que outro mundo e uma outra globalização é possível.

Leo Ramirez, Paraguai
Chegou ao Brasil para trabalhar com oficinas de costura e atualmente é funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo

“Quando você não possui RNE [o Registro Nacional de Estrangeiro, o principal documento para imigrantes no Brasil], algumas companhias aqui te colocam em toda e qualquer função, e no final pagam um valor muito baixo, enquanto para viver no Brasil é preciso dinheiro, porque o custo é alto. Então, como posso receber cerca de R$ 600 aqui e ainda por cima cuidar dos familiares que estão na nossa terra natal? Este tem sido um grande desafio para nós. Queremos que o governo brasileiro venha e ajude a combater essa situação de problemas de discriminação no trabalho”

Edwin Eason, Gana
Trabalha no Brasil como operador de máquinas e é engajado na luta por melhorias para outros ganeses no Brasil. Sua reflexão vem do acompanhamento das lutas e dramas que conhece dentro da comunidade

Trabalho significa reintegração, praticar e conhecer a língua. No meu caso, que trabalho com gastronomia, aprendi muito com os nomes dos ingredientes das receitas. Também me ajuda a conhecer mais o Brasil, porque trabalho com os brasileiros.

Bouteina Sakhi, Marrocos
Trabalha com gastronomia e traz para o Brasil um pouco dos sabores da terra natal. Trabalhava em um restaurante de culinária libanesa e recentemente começou a empreender e buscar o próprio negócio de culinária marroquina.

Projeto brasileiro com mulheres refugiadas é destaque em conferência da ONU

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Mulheres integrantes do projeto Empoderando Refugiadas, que foi destaque em evento da ONU. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Por Carla Trabazo e Rodrigo Borges Delfim
*Reportagem em parceria entre o site Diplomacia Civil (Instituto Global Attitude) e o MigraMundo

Vivendo uma das suas piores crises humanitárias, o mundo enfrenta um crescimento alarmante de refugiados. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número chegou a 20 milhões ainda na metade de 2015, aumentando em 78% as solicitações de refúgio em comparação ao mesmo período de 2014.

No Brasil, o cenário também foi de crescimento: em menos de cinco anos o número de solicitações aumentou quase quinze vezes, de 566 em 2010 para 8.302 até outubro de 2014, de acordo com estatísticas do ACNUR.

É com esta situação que surge a necessidade de criar iniciativas que auxiliem na inserção, inclusão e adaptação social do refugiado que chega ao Brasil.

Surge, assim, entre outras iniciativas, o projeto piloto Empoderando Refugiadas, criado pelo Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasil do Pacto Global, que tem o objetivo de conscientizar e informar às empresas a situação da mulher refugiada – grupo que tende a sofrer mais com o preconceito por ainda envolver uma questão de gênero.

“Vemos no Brasil uma melhor postura em relação ao acolhimento, então começamos a conscientizar as empresas sobre quem é o refugiado, o que é o refúgio, como funcionam seus documentos e as práticas legais sobre a contratação de um refugiado”, explica Vanessa Tarantini, coordenadora de Parcerias e Engajamento da Rede Brasil do Pacto Global.

“Falamos com várias empresas e foi crescendo o movimento de interesse pelo tema. Com isso, começamos o projeto piloto, que tivesse impacto direto, onde promovemos oficinas que empoderem economicamente 20 mulheres. O objetivo é que até o final do projeto [em junho deste ano] elas estejam empregadas e financeiramente auto suficientes”, continua Vanessa.

Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Obstáculos para o trabalho

Uma das maiores necessidades tanto financeira quanto inclusiva do refugiado que chega a um país novo é o emprego. Isso significa a conquista da independência econômica e um ponto de partida para o estabelecimento de sua vida em um território desconhecido.

As dificuldades, porém, começam já no preconceito e desinformação de empresas, das quais a maior parte desconhece o direito do refugiado ao trabalho e que o Protocolo de Refúgio é um documento de identidade válido no país. Por parte dos refugiados e solicitantes de refúgio os desafios se concentram na falta do domínio do português, o desconhecimento da cultura local e, ainda, a dificuldade em comprovar seus estudos e capacidades profissionais, visto que tudo isso, na maioria das vezes, foi deixado no país natal.

É aí, então, que entra o projeto Empodere Refugiadas, sensibilizando empresas em relação à contratação de mulheres refugiadas de vários países e, ainda, realizando sessões de coaching, workshops de direitos, carreira, português e edcucação financeira e encaminhamentos para entrevistas de emprego.

Notoriedade internacional

“O projeto começou a chamar a atenção da sede [localizada em Nova York]. Vendo que estávamos trabalhando com esse tema, em um país ‘inesperado’ para isso, nos tornamos referência. O diretor do Pacto Global, inclusive, disse que o mundo deveria aprender com a experiência do Brasil”, explica Vanessa.

O projeto faz tanto sucesso que na última semana a Rede Brasil do Pacto Global foi convidada a participar do Fórum Global da Aliança das Civilizações da ONU (UNAOC, na sigla em inglês), entre 25 e 27 de abril, na cidade de Baku, no Azerbaijão.

Sob o tema “Vivendo juntos em sociedades inclusivas: um desafio e um objetivo”, Vanessa Tarantini foi até a ex-república soviética para fazer parte do painel de discussão sobre o papel e a responsabilidade do setor privado em relação à crise de refugiados.

Ao lado de outras duas representantes do Pacto Global e de grandes nomes, como o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon, Vanessa apresentou o projeto piloto ao mundo.

“Recentemente, fomos chamados em Nova York para um evento sobre empoderamento da mulher e expomos o projeto – provavelmente por isso fomos chamados para esse fórum no Azerbaijão, temos exemplos mais reais, em comparação com outras filiais do Pacto. O meu painel tem o caráter de apontar o que as empresas podem fazer além de investimento financeiro ou doações”, explica.

Vanessa se mostra otimista com o impacto e reconhecimento que a apresentação do projeto no fórum pode causar, acreditando que empresas internacionais com filial no Brasil possam incentivá-las a fazer parte do Empodere Refugiadas.

“O fato de chamar a atenção de fora nos fortalece a trabalhar ainda mais com esse tema, que não tem sido fácil. O reconhecimento de fora dá mais legitimidade, o que pode melhorar a vida dessas pessoas do projeto, não com uma perspectiva de pena, pois são pessoas que podem ajudar no crescimento das empresas”, diz.

Empoderando

O projeto, que conta com parceiros como a ONU Mulheres, Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), Fox Time, entre outros, será encerrado em junho e, até então, seis refugiadas foram empregadas, uma conseguiu um espaço para ser a sede de sua própria organização e três estão recebendo orientação da Rede Mulheres Empreendedoras para que possam desenvolver seus negócios.

Entre os parceiros, a Lojas Renner e a Camicado estão flexibilizando seus processos de admissão e integração de colaboradores para que seja possível receber candidatas refugiadas.

Segundo Vanessa, o projeto teve um efeito positivo na vida das mulheres participantes, o que será levado em conta para uma possível continuação da iniciativa.

Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

“A nossa ideia no Brasil é extremamente replicável, qualquer outro ator pode trabalhar com o engajamento de empresas, não só o Pacto Global. Isso não é um tema que estava na agenda das empresas, começou a entrar na cabeça das pessoas após a crise na Síria e o fluxo de pessoas indo pra Europa. Aqui no Brasil o número tem aumentado também e talvez tenha se tornado mais perceptível para as empresas na hora de contratar alguém”, conta Vanessa, que diz ainda que não havia antes uma perspectiva empresarial sobre o refúgio.

Em maio deste ano o Pacto Global estará organizando um evento paralelo ao World Humanitarian Summit, em Istambul (Turquia), para falar sobre como o setor privado pode contribuir para o lado humanitário, mostrando que a importância deste tema é global e deve ser levada a todos os cantos do mundo.

Projeto brasileiro com mulheres refugiadas é destaque em conferência da ONU

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Mulheres integrantes do projeto Empoderando Refugiadas, que foi destaque em evento da ONU. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Por Carla Trabazo e Rodrigo Borges Delfim
*Reportagem em parceria entre o site Diplomacia Civil (Instituto Global Attitude) e o MigraMundo

Vivendo uma das suas piores crises humanitárias, o mundo enfrenta um crescimento alarmante de refugiados. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número chegou a 20 milhões ainda na metade de 2015, aumentando em 78% as solicitações de refúgio em comparação ao mesmo período de 2014.

No Brasil, o cenário também foi de crescimento: em menos de cinco anos o número de solicitações aumentou quase quinze vezes, de 566 em 2010 para 8.302 até outubro de 2014, de acordo com estatísticas do ACNUR.

É com esta situação que surge a necessidade de criar iniciativas que auxiliem na inserção, inclusão e adaptação social do refugiado que chega ao Brasil.

Surge, assim, entre outras iniciativas, o projeto piloto Empoderando Refugiadas, criado pelo Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasil do Pacto Global, que tem o objetivo de conscientizar e informar às empresas a situação da mulher refugiada – grupo que tende a sofrer mais com o preconceito por ainda envolver uma questão de gênero.

“Vemos no Brasil uma melhor postura em relação ao acolhimento, então começamos a conscientizar as empresas sobre quem é o refugiado, o que é o refúgio, como funcionam seus documentos e as práticas legais sobre a contratação de um refugiado”, explica Vanessa Tarantini, coordenadora de Parcerias e Engajamento da Rede Brasil do Pacto Global.

“Falamos com várias empresas e foi crescendo o movimento de interesse pelo tema. Com isso, começamos o projeto piloto, que tivesse impacto direto, onde promovemos oficinas que empoderem economicamente 20 mulheres. O objetivo é que até o final do projeto [em junho deste ano] elas estejam empregadas e financeiramente auto suficientes”, continua Vanessa.

Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Obstáculos para o trabalho

Uma das maiores necessidades tanto financeira quanto inclusiva do refugiado que chega a um país novo é o emprego. Isso significa a conquista da independência econômica e um ponto de partida para o estabelecimento de sua vida em um território desconhecido.

As dificuldades, porém, começam já no preconceito e desinformação de empresas, das quais a maior parte desconhece o direito do refugiado ao trabalho e que o Protocolo de Refúgio é um documento de identidade válido no país. Por parte dos refugiados e solicitantes de refúgio os desafios se concentram na falta do domínio do português, o desconhecimento da cultura local e, ainda, a dificuldade em comprovar seus estudos e capacidades profissionais, visto que tudo isso, na maioria das vezes, foi deixado no país natal.

É aí, então, que entra o projeto Empodere Refugiadas, sensibilizando empresas em relação à contratação de mulheres refugiadas de vários países e, ainda, realizando sessões de coaching, workshops de direitos, carreira, português e edcucação financeira e encaminhamentos para entrevistas de emprego.

Notoriedade internacional

“O projeto começou a chamar a atenção da sede [localizada em Nova York]. Vendo que estávamos trabalhando com esse tema, em um país ‘inesperado’ para isso, nos tornamos referência. O diretor do Pacto Global, inclusive, disse que o mundo deveria aprender com a experiência do Brasil”, explica Vanessa.

O projeto faz tanto sucesso que na última semana a Rede Brasil do Pacto Global foi convidada a participar do Fórum Global da Aliança das Civilizações da ONU (UNAOC, na sigla em inglês), entre 25 e 27 de abril, na cidade de Baku, no Azerbaijão.

Sob o tema “Vivendo juntos em sociedades inclusivas: um desafio e um objetivo”, Vanessa Tarantini foi até a ex-república soviética para fazer parte do painel de discussão sobre o papel e a responsabilidade do setor privado em relação à crise de refugiados.

Ao lado de outras duas representantes do Pacto Global e de grandes nomes, como o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon, Vanessa apresentou o projeto piloto ao mundo.

“Recentemente, fomos chamados em Nova York para um evento sobre empoderamento da mulher e expomos o projeto – provavelmente por isso fomos chamados para esse fórum no Azerbaijão, temos exemplos mais reais, em comparação com outras filiais do Pacto. O meu painel tem o caráter de apontar o que as empresas podem fazer além de investimento financeiro ou doações”, explica.

Vanessa se mostra otimista com o impacto e reconhecimento que a apresentação do projeto no fórum pode causar, acreditando que empresas internacionais com filial no Brasil possam incentivá-las a fazer parte do Empodere Refugiadas.

“O fato de chamar a atenção de fora nos fortalece a trabalhar ainda mais com esse tema, que não tem sido fácil. O reconhecimento de fora dá mais legitimidade, o que pode melhorar a vida dessas pessoas do projeto, não com uma perspectiva de pena, pois são pessoas que podem ajudar no crescimento das empresas”, diz.

Empoderando

O projeto, que conta com parceiros como a ONU Mulheres, Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), Fox Time, entre outros, será encerrado em junho e, até então, seis refugiadas foram empregadas, uma conseguiu um espaço para ser a sede de sua própria organização e três estão recebendo orientação da Rede Mulheres Empreendedoras para que possam desenvolver seus negócios.

Entre os parceiros, a Lojas Renner e a Camicado estão flexibilizando seus processos de admissão e integração de colaboradores para que seja possível receber candidatas refugiadas.

Segundo Vanessa, o projeto teve um efeito positivo na vida das mulheres participantes, o que será levado em conta para uma possível continuação da iniciativa.

Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

“A nossa ideia no Brasil é extremamente replicável, qualquer outro ator pode trabalhar com o engajamento de empresas, não só o Pacto Global. Isso não é um tema que estava na agenda das empresas, começou a entrar na cabeça das pessoas após a crise na Síria e o fluxo de pessoas indo pra Europa. Aqui no Brasil o número tem aumentado também e talvez tenha se tornado mais perceptível para as empresas na hora de contratar alguém”, conta Vanessa, que diz ainda que não havia antes uma perspectiva empresarial sobre o refúgio.

Em maio deste ano o Pacto Global estará organizando um evento paralelo ao World Humanitarian Summit, em Istambul (Turquia), para falar sobre como o setor privado pode contribuir para o lado humanitário, mostrando que a importância deste tema é global e deve ser levada a todos os cantos do mundo.

Projeto brasileiro com mulheres refugiadas é destaque em conferência da ONU

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Mulheres integrantes do projeto Empoderando Refugiadas, que foi destaque em evento da ONU. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Por Carla Trabazo e Rodrigo Borges Delfim
*Reportagem em parceria entre o site Diplomacia Civil (Instituto Global Attitude) e o MigraMundo

Vivendo uma das suas piores crises humanitárias, o mundo enfrenta um crescimento alarmante de refugiados. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número chegou a 20 milhões ainda na metade de 2015, aumentando em 78% as solicitações de refúgio em comparação ao mesmo período de 2014.

No Brasil, o cenário também foi de crescimento: em menos de cinco anos o número de solicitações aumentou quase quinze vezes, de 566 em 2010 para 8.302 até outubro de 2014, de acordo com estatísticas do ACNUR.

É com esta situação que surge a necessidade de criar iniciativas que auxiliem na inserção, inclusão e adaptação social do refugiado que chega ao Brasil.

Surge, assim, entre outras iniciativas, o projeto piloto Empoderando Refugiadas, criado pelo Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasil do Pacto Global, que tem o objetivo de conscientizar e informar às empresas a situação da mulher refugiada – grupo que tende a sofrer mais com o preconceito por ainda envolver uma questão de gênero.

“Vemos no Brasil uma melhor postura em relação ao acolhimento, então começamos a conscientizar as empresas sobre quem é o refugiado, o que é o refúgio, como funcionam seus documentos e as práticas legais sobre a contratação de um refugiado”, explica Vanessa Tarantini, coordenadora de Parcerias e Engajamento da Rede Brasil do Pacto Global.

“Falamos com várias empresas e foi crescendo o movimento de interesse pelo tema. Com isso, começamos o projeto piloto, que tivesse impacto direto, onde promovemos oficinas que empoderem economicamente 20 mulheres. O objetivo é que até o final do projeto [em junho deste ano] elas estejam empregadas e financeiramente auto suficientes”, continua Vanessa.

Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Obstáculos para o trabalho

Uma das maiores necessidades tanto financeira quanto inclusiva do refugiado que chega a um país novo é o emprego. Isso significa a conquista da independência econômica e um ponto de partida para o estabelecimento de sua vida em um território desconhecido.

As dificuldades, porém, começam já no preconceito e desinformação de empresas, das quais a maior parte desconhece o direito do refugiado ao trabalho e que o Protocolo de Refúgio é um documento de identidade válido no país. Por parte dos refugiados e solicitantes de refúgio os desafios se concentram na falta do domínio do português, o desconhecimento da cultura local e, ainda, a dificuldade em comprovar seus estudos e capacidades profissionais, visto que tudo isso, na maioria das vezes, foi deixado no país natal.

É aí, então, que entra o projeto Empodere Refugiadas, sensibilizando empresas em relação à contratação de mulheres refugiadas de vários países e, ainda, realizando sessões de coaching, workshops de direitos, carreira, português e edcucação financeira e encaminhamentos para entrevistas de emprego.

Notoriedade internacional

“O projeto começou a chamar a atenção da sede [localizada em Nova York]. Vendo que estávamos trabalhando com esse tema, em um país ‘inesperado’ para isso, nos tornamos referência. O diretor do Pacto Global, inclusive, disse que o mundo deveria aprender com a experiência do Brasil”, explica Vanessa.

O projeto faz tanto sucesso que na última semana a Rede Brasil do Pacto Global foi convidada a participar do Fórum Global da Aliança das Civilizações da ONU (UNAOC, na sigla em inglês), entre 25 e 27 de abril, na cidade de Baku, no Azerbaijão.

Sob o tema “Vivendo juntos em sociedades inclusivas: um desafio e um objetivo”, Vanessa Tarantini foi até a ex-república soviética para fazer parte do painel de discussão sobre o papel e a responsabilidade do setor privado em relação à crise de refugiados.

Ao lado de outras duas representantes do Pacto Global e de grandes nomes, como o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon, Vanessa apresentou o projeto piloto ao mundo.

“Recentemente, fomos chamados em Nova York para um evento sobre empoderamento da mulher e expomos o projeto – provavelmente por isso fomos chamados para esse fórum no Azerbaijão, temos exemplos mais reais, em comparação com outras filiais do Pacto. O meu painel tem o caráter de apontar o que as empresas podem fazer além de investimento financeiro ou doações”, explica.

Vanessa se mostra otimista com o impacto e reconhecimento que a apresentação do projeto no fórum pode causar, acreditando que empresas internacionais com filial no Brasil possam incentivá-las a fazer parte do Empodere Refugiadas.

“O fato de chamar a atenção de fora nos fortalece a trabalhar ainda mais com esse tema, que não tem sido fácil. O reconhecimento de fora dá mais legitimidade, o que pode melhorar a vida dessas pessoas do projeto, não com uma perspectiva de pena, pois são pessoas que podem ajudar no crescimento das empresas”, diz.

Empoderando

O projeto, que conta com parceiros como a ONU Mulheres, Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), Fox Time, entre outros, será encerrado em junho e, até então, seis refugiadas foram empregadas, uma conseguiu um espaço para ser a sede de sua própria organização e três estão recebendo orientação da Rede Mulheres Empreendedoras para que possam desenvolver seus negócios.

Entre os parceiros, a Lojas Renner e a Camicado estão flexibilizando seus processos de admissão e integração de colaboradores para que seja possível receber candidatas refugiadas.

Segundo Vanessa, o projeto teve um efeito positivo na vida das mulheres participantes, o que será levado em conta para uma possível continuação da iniciativa.

Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

“A nossa ideia no Brasil é extremamente replicável, qualquer outro ator pode trabalhar com o engajamento de empresas, não só o Pacto Global. Isso não é um tema que estava na agenda das empresas, começou a entrar na cabeça das pessoas após a crise na Síria e o fluxo de pessoas indo pra Europa. Aqui no Brasil o número tem aumentado também e talvez tenha se tornado mais perceptível para as empresas na hora de contratar alguém”, conta Vanessa, que diz ainda que não havia antes uma perspectiva empresarial sobre o refúgio.

Em maio deste ano o Pacto Global estará organizando um evento paralelo ao World Humanitarian Summit, em Istambul (Turquia), para falar sobre como o setor privado pode contribuir para o lado humanitário, mostrando que a importância deste tema é global e deve ser levada a todos os cantos do mundo.

Projeto brasileiro com mulheres refugiadas é destaque em conferência da ONU

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Mulheres integrantes do projeto Empoderando Refugiadas, que foi destaque em evento da ONU. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Por Carla Trabazo e Rodrigo Borges Delfim
*Reportagem em parceria entre o site Diplomacia Civil (Instituto Global Attitude) e o MigraMundo

Vivendo uma das suas piores crises humanitárias, o mundo enfrenta um crescimento alarmante de refugiados. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número chegou a 20 milhões ainda na metade de 2015, aumentando em 78% as solicitações de refúgio em comparação ao mesmo período de 2014.

No Brasil, o cenário também foi de crescimento: em menos de cinco anos o número de solicitações aumentou quase quinze vezes, de 566 em 2010 para 8.302 até outubro de 2014, de acordo com estatísticas do ACNUR.

É com esta situação que surge a necessidade de criar iniciativas que auxiliem na inserção, inclusão e adaptação social do refugiado que chega ao Brasil.

Surge, assim, entre outras iniciativas, o projeto piloto Empoderando Refugiadas, criado pelo Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasil do Pacto Global, que tem o objetivo de conscientizar e informar às empresas a situação da mulher refugiada – grupo que tende a sofrer mais com o preconceito por ainda envolver uma questão de gênero.

“Vemos no Brasil uma melhor postura em relação ao acolhimento, então começamos a conscientizar as empresas sobre quem é o refugiado, o que é o refúgio, como funcionam seus documentos e as práticas legais sobre a contratação de um refugiado”, explica Vanessa Tarantini, coordenadora de Parcerias e Engajamento da Rede Brasil do Pacto Global.

“Falamos com várias empresas e foi crescendo o movimento de interesse pelo tema. Com isso, começamos o projeto piloto, que tivesse impacto direto, onde promovemos oficinas que empoderem economicamente 20 mulheres. O objetivo é que até o final do projeto [em junho deste ano] elas estejam empregadas e financeiramente auto suficientes”, continua Vanessa.

Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Parceiros do projeto conversam com empresas para sensibilizá-las à causa do refúgio.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

Obstáculos para o trabalho

Uma das maiores necessidades tanto financeira quanto inclusiva do refugiado que chega a um país novo é o emprego. Isso significa a conquista da independência econômica e um ponto de partida para o estabelecimento de sua vida em um território desconhecido.

As dificuldades, porém, começam já no preconceito e desinformação de empresas, das quais a maior parte desconhece o direito do refugiado ao trabalho e que o Protocolo de Refúgio é um documento de identidade válido no país. Por parte dos refugiados e solicitantes de refúgio os desafios se concentram na falta do domínio do português, o desconhecimento da cultura local e, ainda, a dificuldade em comprovar seus estudos e capacidades profissionais, visto que tudo isso, na maioria das vezes, foi deixado no país natal.

É aí, então, que entra o projeto Empodere Refugiadas, sensibilizando empresas em relação à contratação de mulheres refugiadas de vários países e, ainda, realizando sessões de coaching, workshops de direitos, carreira, português e edcucação financeira e encaminhamentos para entrevistas de emprego.

Notoriedade internacional

“O projeto começou a chamar a atenção da sede [localizada em Nova York]. Vendo que estávamos trabalhando com esse tema, em um país ‘inesperado’ para isso, nos tornamos referência. O diretor do Pacto Global, inclusive, disse que o mundo deveria aprender com a experiência do Brasil”, explica Vanessa.

O projeto faz tanto sucesso que na última semana a Rede Brasil do Pacto Global foi convidada a participar do Fórum Global da Aliança das Civilizações da ONU (UNAOC, na sigla em inglês), entre 25 e 27 de abril, na cidade de Baku, no Azerbaijão.

Sob o tema “Vivendo juntos em sociedades inclusivas: um desafio e um objetivo”, Vanessa Tarantini foi até a ex-república soviética para fazer parte do painel de discussão sobre o papel e a responsabilidade do setor privado em relação à crise de refugiados.

Ao lado de outras duas representantes do Pacto Global e de grandes nomes, como o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon, Vanessa apresentou o projeto piloto ao mundo.

“Recentemente, fomos chamados em Nova York para um evento sobre empoderamento da mulher e expomos o projeto – provavelmente por isso fomos chamados para esse fórum no Azerbaijão, temos exemplos mais reais, em comparação com outras filiais do Pacto. O meu painel tem o caráter de apontar o que as empresas podem fazer além de investimento financeiro ou doações”, explica.

Vanessa se mostra otimista com o impacto e reconhecimento que a apresentação do projeto no fórum pode causar, acreditando que empresas internacionais com filial no Brasil possam incentivá-las a fazer parte do Empodere Refugiadas.

“O fato de chamar a atenção de fora nos fortalece a trabalhar ainda mais com esse tema, que não tem sido fácil. O reconhecimento de fora dá mais legitimidade, o que pode melhorar a vida dessas pessoas do projeto, não com uma perspectiva de pena, pois são pessoas que podem ajudar no crescimento das empresas”, diz.

Empoderando

O projeto, que conta com parceiros como a ONU Mulheres, Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), Fox Time, entre outros, será encerrado em junho e, até então, seis refugiadas foram empregadas, uma conseguiu um espaço para ser a sede de sua própria organização e três estão recebendo orientação da Rede Mulheres Empreendedoras para que possam desenvolver seus negócios.

Entre os parceiros, a Lojas Renner e a Camicado estão flexibilizando seus processos de admissão e integração de colaboradores para que seja possível receber candidatas refugiadas.

Segundo Vanessa, o projeto teve um efeito positivo na vida das mulheres participantes, o que será levado em conta para uma possível continuação da iniciativa.

Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil. Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação
Refugiadas se qualificam para buscar emprego no Brasil.
Crédito: Pacto Global Brasil/Divulgação

“A nossa ideia no Brasil é extremamente replicável, qualquer outro ator pode trabalhar com o engajamento de empresas, não só o Pacto Global. Isso não é um tema que estava na agenda das empresas, começou a entrar na cabeça das pessoas após a crise na Síria e o fluxo de pessoas indo pra Europa. Aqui no Brasil o número tem aumentado também e talvez tenha se tornado mais perceptível para as empresas na hora de contratar alguém”, conta Vanessa, que diz ainda que não havia antes uma perspectiva empresarial sobre o refúgio.

Em maio deste ano o Pacto Global estará organizando um evento paralelo ao World Humanitarian Summit, em Istambul (Turquia), para falar sobre como o setor privado pode contribuir para o lado humanitário, mostrando que a importância deste tema é global e deve ser levada a todos os cantos do mundo.

“É outro mundo”, diz refugiado congolês após reunir a família no Brasil

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Omana agora tem a mulher e os cinco filhos junto com ele no Brasil. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Lembro até hoje do dia que conheci Omana Petench Ngandu. Foi durante a primeira Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, que aconteceu em São Paulo no final de novembro de 2013.

Fui fazer uma entrevista com Omana. Nascido na República Democrática do Congo, ele tinha chegado há pouco mais de seis meses e ainda falava pouco o português – e eu continuo a apenas arranhar o francês, enquanto ele já fala português muito bem. Na época, tive a ajuda de um outro congolês, o Alphonse Nyembo, e entrevistei ambos para a reportagem que fiz para o MigraMundo sobre a conferência. E mal podia saber do tamanho da história, dos dramas e esperanças que ele carregava consigo.

Ele veio ao Brasil como refugiado por causa de sua atuação em nome dos direitos humanos no Congo, graças à ajuda de um médico brasileiro. Foi perseguido pelo governo, preso várias vezes e sobreviveu a um fuzilamento. Mas ainda faltava trazer a família (mulher e cinco filhos), que teve de ir para um campo de refugiados no Quênia.

Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil. Crédito: arquivo pessoal
Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil.
Crédito: arquivo pessoal

Para juntar dinheiro e reunir a família novamente, Omana deu aulas de francês e até criou uma campanha de financiamento coletivo. Com isso, conseguiu comprar as passagens para trazê-la do Quênia para o Brasil.

Depois de três anos, terminou a espera. No último dia 11, a família desembarcou no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. O momento foi registrado no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Adus, ONG que tem apoiado Omana desde que chegou no Brasil.

https://www.facebook.com/adusbrasil/videos/1162802793751976/

“Agora é outro mundo”,

Omana Ngandu, que agora conta com a família a seu lado no Brasil.

Além de se reunir novamente com a mulher e os filhos, Omana agora também foca em dar continuidade aos projetos nos quais está inserido. Ele é um dos professores do LFCAB (sigla para Língua Francesa e Cultura Africana no Brasil), que usa a cultura africana para o ensino do francês para brasileiros. “Vou continuar a trabalhar na LFCAB com a missão de ensinar a língua francesa e a cultura africana e continuar a dar apoio aos imigrantes e refugiados de conflitos”, promete Omana.

Com informações de Catraca Livre, Adus e Huffington Post

“É outro mundo”, diz refugiado congolês após reunir a família no Brasil

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Omana agora tem a mulher e os cinco filhos junto com ele no Brasil. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Lembro até hoje do dia que conheci Omana Petench Ngandu. Foi durante a primeira Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, que aconteceu em São Paulo no final de novembro de 2013.

Fui fazer uma entrevista com Omana. Nascido na República Democrática do Congo, ele tinha chegado há pouco mais de seis meses e ainda falava pouco o português – e eu continuo a apenas arranhar o francês, enquanto ele já fala português muito bem. Na época, tive a ajuda de um outro congolês, o Alphonse Nyembo, e entrevistei ambos para a reportagem que fiz para o MigraMundo sobre a conferência. E mal podia saber do tamanho da história, dos dramas e esperanças que ele carregava consigo.

Ele veio ao Brasil como refugiado por causa de sua atuação em nome dos direitos humanos no Congo, graças à ajuda de um médico brasileiro. Foi perseguido pelo governo, preso várias vezes e sobreviveu a um fuzilamento. Mas ainda faltava trazer a família (mulher e cinco filhos), que teve de ir para um campo de refugiados no Quênia.

Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil. Crédito: arquivo pessoal
Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil.
Crédito: arquivo pessoal

Para juntar dinheiro e reunir a família novamente, Omana deu aulas de francês e até criou uma campanha de financiamento coletivo. Com isso, conseguiu comprar as passagens para trazê-la do Quênia para o Brasil.

Depois de três anos, terminou a espera. No último dia 11, a família desembarcou no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. O momento foi registrado no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Adus, ONG que tem apoiado Omana desde que chegou no Brasil.

https://www.facebook.com/adusbrasil/videos/1162802793751976/

“Agora é outro mundo”,

Omana Ngandu, que agora conta com a família a seu lado no Brasil.

Além de se reunir novamente com a mulher e os filhos, Omana agora também foca em dar continuidade aos projetos nos quais está inserido. Ele é um dos professores do LFCAB (sigla para Língua Francesa e Cultura Africana no Brasil), que usa a cultura africana para o ensino do francês para brasileiros. “Vou continuar a trabalhar na LFCAB com a missão de ensinar a língua francesa e a cultura africana e continuar a dar apoio aos imigrantes e refugiados de conflitos”, promete Omana.

Com informações de Catraca Livre, Adus e Huffington Post

“É outro mundo”, diz refugiado congolês após reunir a família no Brasil

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Omana agora tem a mulher e os cinco filhos junto com ele no Brasil. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Lembro até hoje do dia que conheci Omana Petench Ngandu. Foi durante a primeira Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, que aconteceu em São Paulo no final de novembro de 2013.

Fui fazer uma entrevista com Omana. Nascido na República Democrática do Congo, ele tinha chegado há pouco mais de seis meses e ainda falava pouco o português – e eu continuo a apenas arranhar o francês, enquanto ele já fala português muito bem. Na época, tive a ajuda de um outro congolês, o Alphonse Nyembo, e entrevistei ambos para a reportagem que fiz para o MigraMundo sobre a conferência. E mal podia saber do tamanho da história, dos dramas e esperanças que ele carregava consigo.

Ele veio ao Brasil como refugiado por causa de sua atuação em nome dos direitos humanos no Congo, graças à ajuda de um médico brasileiro. Foi perseguido pelo governo, preso várias vezes e sobreviveu a um fuzilamento. Mas ainda faltava trazer a família (mulher e cinco filhos), que teve de ir para um campo de refugiados no Quênia.

Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil. Crédito: arquivo pessoal
Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil.
Crédito: arquivo pessoal

Para juntar dinheiro e reunir a família novamente, Omana deu aulas de francês e até criou uma campanha de financiamento coletivo. Com isso, conseguiu comprar as passagens para trazê-la do Quênia para o Brasil.

Depois de três anos, terminou a espera. No último dia 11, a família desembarcou no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. O momento foi registrado no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Adus, ONG que tem apoiado Omana desde que chegou no Brasil.

https://www.facebook.com/adusbrasil/videos/1162802793751976/

“Agora é outro mundo”,

Omana Ngandu, que agora conta com a família a seu lado no Brasil.

Além de se reunir novamente com a mulher e os filhos, Omana agora também foca em dar continuidade aos projetos nos quais está inserido. Ele é um dos professores do LFCAB (sigla para Língua Francesa e Cultura Africana no Brasil), que usa a cultura africana para o ensino do francês para brasileiros. “Vou continuar a trabalhar na LFCAB com a missão de ensinar a língua francesa e a cultura africana e continuar a dar apoio aos imigrantes e refugiados de conflitos”, promete Omana.

Com informações de Catraca Livre, Adus e Huffington Post

“É outro mundo”, diz refugiado congolês após reunir a família no Brasil

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Omana agora tem a mulher e os cinco filhos junto com ele no Brasil. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Lembro até hoje do dia que conheci Omana Petench Ngandu. Foi durante a primeira Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, que aconteceu em São Paulo no final de novembro de 2013.

Fui fazer uma entrevista com Omana. Nascido na República Democrática do Congo, ele tinha chegado há pouco mais de seis meses e ainda falava pouco o português – e eu continuo a apenas arranhar o francês, enquanto ele já fala português muito bem. Na época, tive a ajuda de um outro congolês, o Alphonse Nyembo, e entrevistei ambos para a reportagem que fiz para o MigraMundo sobre a conferência. E mal podia saber do tamanho da história, dos dramas e esperanças que ele carregava consigo.

Ele veio ao Brasil como refugiado por causa de sua atuação em nome dos direitos humanos no Congo, graças à ajuda de um médico brasileiro. Foi perseguido pelo governo, preso várias vezes e sobreviveu a um fuzilamento. Mas ainda faltava trazer a família (mulher e cinco filhos), que teve de ir para um campo de refugiados no Quênia.

Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil. Crédito: arquivo pessoal
Omana conseguiu trazer a família, refugiada no Quênia, para o Brasil.
Crédito: arquivo pessoal

Para juntar dinheiro e reunir a família novamente, Omana deu aulas de francês e até criou uma campanha de financiamento coletivo. Com isso, conseguiu comprar as passagens para trazê-la do Quênia para o Brasil.

Depois de três anos, terminou a espera. No último dia 11, a família desembarcou no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. O momento foi registrado no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Adus, ONG que tem apoiado Omana desde que chegou no Brasil.

https://www.facebook.com/adusbrasil/videos/1162802793751976/

“Agora é outro mundo”,

Omana Ngandu, que agora conta com a família a seu lado no Brasil.

Além de se reunir novamente com a mulher e os filhos, Omana agora também foca em dar continuidade aos projetos nos quais está inserido. Ele é um dos professores do LFCAB (sigla para Língua Francesa e Cultura Africana no Brasil), que usa a cultura africana para o ensino do francês para brasileiros. “Vou continuar a trabalhar na LFCAB com a missão de ensinar a língua francesa e a cultura africana e continuar a dar apoio aos imigrantes e refugiados de conflitos”, promete Omana.

Com informações de Catraca Livre, Adus e Huffington Post