Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Apesar de todos semáforos amarelos ou vermelhos, os migrantes seguem adiante. Não podem dar-se ao luxo de deter os próprios passos. O fogo e a fome mordem-lhe os calcanhares. O fogo da violência e das armas, a fome da pobreza e da miséria os põem em fuga. Atrás a morte os persegue, fulminante ou a conta-gotas; à frente o horizonte é incerto e nebuloso, denso de nuvens sombrias. Mesmo assim, devem abrir novas picadas na mata cerrada e escura. São homens e mulheres, crianças, adolescentes e jovens, famílias em geral mutiladas – todos em fuga. Uma corrida desesperada, frenética, ansiosa: cheia de pedras, espinhos, águas bravias, areias escaldantes e barreiras de todos tipos. Muros altos e sem fim, intransponíveis, visíveis e invisíveis, feitos de concreto, arame farpado, soldados armados ou leis restritivas. A polícia e o rótulo de “extra comunitários” cortam-lhes os passos e as pernas, ceifam-lhes os sonhos e a esperança.



