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sábado, fevereiro 14, 2026

Candidato ao Oscar, Uma Batalha Após a Outra mantém migração em destaque na maior premiação do cinema

Obra estrelada por Leonardo DiCaprio se soma a outras produções recentes que abordaram a temática migratória de forma direta ou indireta

A questão das migrações novamente está entre os assuntos em destaque no Oscar, a maior e mais famosa premiação do cinema mundial. Desta vez o tema chega por meio do filme “Uma Batalha Após a Outra”, indicado para 13 categorias – incluindo a de Melhor Filme, na qual é considerado um dos favoritos.

Dirigido por Paul Thomas Anderson, “Uma Batalha Após a Outra” utiliza uma narrativa distópica para discutir migração, políticas anti-imigração e violência institucional, trazendo à tona temas como centros de detenção, fronteiras militarizadas e a criminalização de pessoas migrantes em regimes autoritários.

Nesse universo, marcado por radicalização política, violência institucional e conflitos ideológicos, grupos extremistas – liderados por Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) e Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) – e forças estatais que têm o General Steven J. Lockjaw (Sean Penn) como líder, disputam o controle social. Dentro desse cenário, a migração surge como um eixo simbólico e político, especialmente ao retratar centros de detenção, fronteiras militarizadas e a criminalização de pessoas em deslocamento.

Embora não acompanhe a trajetória íntima de migrantes específicos, o filme utiliza a questão migratória para evidenciar relações de poder, exclusão e desumanização, mostrando como corpos migrantes se tornam alvos centrais de políticas repressivas. Assim, a obra conecta a migração a debates mais amplos sobre direitos humanos, autoritarismo e resistência, tratando o deslocamento não apenas como movimento geográfico, mas como consequência direta de sistemas políticos em conflito.

O diretor Paul Thomas Anderson já possui o costume de trazer momentos-chave da sociedade americana, como o capitalismo expansivo do pós-guerra (There Will Be Blood), o culto ao sucesso e à performance emocional (Magnolia), a ascensão de líderes carismáticos e autoritários (The Master) e a alienação contemporânea (Punch-Drunk Love, Phantom Thread).

Uma Batalha Após a Outra é um filme para quem quer aprender sobre relações de poder às quais os imigrantes são submetidos quando se diz respeito a regimes autoritários e com agenda anti-imigração. O longa foi amplamente aclamado pela crítica, se tornando a maior bilheteria de Paul Thomas Anderson no Brasil  e conta com um elenco de peso, que inclui: Benicio del Toro (Sensei Sergio), Sean Penn (Steven J. Lockjaw) e Teyana Taylor (Perfidia Beverly Hills). A trama já pode ser assistida nas plataformas de streaming.

Além disso, a obra veio em um momento especial com a crescente violência contra imigrantes na Era Trump, cuja principal faceta atualmente vem sendo a atuação do ICE, a polícia migratória estadunidense que ampliou seu poder e atuação sob o atual governo. A truculência mira não apenas migrantes indocumentados, mas também aqueles que possuem residência legal e até mesmo cidadãos estadunidenses que se colocam contra essa abordagem. As mortes de Renee Nicole Good e Alex Pretti, ocorridas todas neste mês de janeiro, têm levado parte da opinião pública nacional a rejeitar o ICE e a política migratória trumpista como um todo.

Oscar e migração

Além de “Uma Batalha Após a Outra” neste ano, edições recentes do Oscar têm trazido a temática migratória tanto nos longas candidatos – e em certos casos, premiados – quanto nos discursos dos laureados com a estatueta.

Nascida nos Estados Unidos e filha de migrantes dominicanos, Zoe Saldaña defendeu a comunidade durante o discurso de agradecimento no Oscar 2025 pelo prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação em “Emilia Perez”. “Minha avó veio para este país em 1961. Tenho orgulho de ser filha de imigrantes! Com sonhos, dignidade e mãos trabalhadoras. E eu sou a primeira dominicana-americana a receber um Oscar. E sei que não serei a última.”

Em 2023, o longa “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” trouxe a questão migratória de forma direta, tanto no enredo quanto junto aos atores premiados. Com uma mistura de multiverso, humor e ficção científica, a produção traz reflexões diversas sobre as contradições, obstáculos e sonhos de imigrantes, a partir da história de uma família chinesa que migrou para os Estados Unidos.

Ao todo, o longa venceu em 7 das 11 categorias nas quais tinha sido indicado, entre elas a de Melhor Filme. Também ganhou em Melhor direção e Roteiro original (Daniel Kwan e Daniel Scheinert), Atriz (Michelle Yeoh), montagem e ator e atriz coadjuvante (Ke Huy Quan e Jamie Lee Curtis). Ao discursar com a estatueta, Ke Huy Quan – nascido no Vietnã – lembrou da própria trajetória como migrante em situação de refúgio ao agradecer pelo prêmio.

“Minha jornada começou num barco. Acabei num campo de refugiados [em Hong Kong]… E, de alguma forma, acabei aqui. Dizem que histórias como essa só acontecem em filmes. Não acredito que isso está acontecendo comigo”, disse ele, no que foi considerado um dos momentos mais emocionantes da cerimônia.

Na edição de 2015, o cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que recebeu quatro prêmios pelo filme “Birdman”, aproveitou a visibilidade do evento e dedicou o seu discurso em favor dos direitos de seus compatriotas, que vivem em condições precárias nos Estados Unidos.

Também vale menção aos casos de: “Eu Capitão”, que retratou a jornada pela África e pelo mar Mediterrâneo de dois irmãos senegaleses que tentavam chegar à Europa e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024; e de “Fuga”, indicado às estatuetas de Melhor Filme Internacional, Melhor Documentário e Melhor Animação em 2022 ao abordar a história real de um refugiado afegão homossexual que migrou para a Dinamarca.

Até o Brasil contribui para esse destaque, mesmo de forma indireta. O longa “Ainda Estou Aqui”, que entrou para a história como o primeiro a conquistar o Oscar para o país – na categoria Melhor Filme Internacional -, exibe as consequências de uma posição contrária ao exílio durante o regime militar e mostra o apoio de Rubens Paiva aos emigrantes nacionais.


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