Atualizado às 11h42 de 21.nov.2025
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“A cada ano, nossa luta se torna ainda mais urgente. Diante do avanço de políticas antimigratórias e discursos de exclusão, a marcha 2025 é o nosso espaço de resistência, voz e união”. Assim a página oficial da Marcha dos Imigrantes anunciou a realização do ato deste ano, no próximo dia 14 de dezembro, a partir das 12h, em São Paulo.
Para este ano, o lema escolhido foi “Migrar, resistir e viver com dignidade são direitos humanos”. O local, por sua vez, será o mesmo das últimas edições da Marcha dos Imigrantes: a avenida Paulista, que fica liberada somente para pedestres durante boa parte do domingo. A concentração será em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), próximo ao metrô Trianon.
A última edição da Marcha ocorreu em 1º de dezembro de 2024, cujo lema foi “Não ao retrocesso: Migrar Não é Crime, é um Direito Humano. Igualdade nas Políticas Públicas Já!”. Foi uma alusão à ausência à época de uma diretriz nacional para o tema, embora esteja prevista na Lei de Migração e tenha sido alvo de diferentes protestos recentes por parte da sociedade civil.
Em outubro passado, o governo federal enfim publicou um decreto que criou a Política Nacional de Migração, Refúgio e Apatridia, que ainda possui alguns elementos pendentes e que será alvo de consulta pública. A recepção à medida foi positiva, mas há uma série de elementos que ainda despertam preocupação junto à sociedade civil e especialistas na temática migratória.
Sob nova direção
Essa será a primeira vez desde que a Marcha começou a ser organizada oficialmente, em 2007, que não terá o CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante) como agente organizador principal. Em abril deste ano, a entidade comunicou oficialmente que deixava de encabeçar os preparativos e articulações para o ato, embora siga entre as entidades participantes.
“O CAMI não tem mais pernas para organizar a Marcha. É hora de outros abraçarem esta causa”, resumiu Roque Patussi, coordenador da entidade, durante reunião que formalizou essa decisão e abriu espaço para que novas entidades assumissem tal papel.
A edição de 2025 da Marcha dos Imigrantes está sendo organizada por um comitê formado por lideranças migrantes na capital paulista. Inicialmente a organização Identidade Humana tinha se proposto a promover o ato, mas depois decidiu-se por essa nova configuração.
Breve histórico da Marcha dos Imigrantes
A Marcha dos Imigrantes é promovida por um conjunto de entidades ligadas à sociedade civil e imigrantes – seja independentes, seja ligados a algum coletivo. O ato já ocorreu na região da Praça Kantuta, em ruas da região central de São Paulo, e desde 2016 tem como palco a avenida Paulista, que aos domingos fica fechada para veículos durante grande parte do dia. O objetivo é justamente aproveitar o público já presente nas inúmeras atividades que ocorrem simultaneamente na via para tentar promover diálogo e conscientização sobre a temática migratória.
Para cada edição é escolhido por consenso entre os organizadores um tema para servir de guarda-chuva para a Marcha dos Imigrantes, que reflete um anseio da comunidade migrante naquele momento. Alguns dos assuntos pautados pela manifestação se tornaram conquistas de fato em anos seguintes, como anistia migratória e uma nova lei de migração. Outras reivindicações seguem pendentes, como a implementação de políticas públicas efetivas em âmbito nacional e o direito ao voto.
Veja abaixo os lemas das edições anteriores da Marcha dos Imigrantes. O MigraMundo acompanha a manifestação in loco desde 2014.
2007 – “Integração, cidadania universal e direitos humanos”
2008 – “Nossas vozes, nossos direitos por um mundo sem muros, @s imigrantes pedem: ANISTIA JÁ”
2009 – “Por acesso a todos os direitos”
2010 – “Por um MERCOSUL livre de xenofobia, racismo e toda forma de discriminação”
2011 – “Trabalho decente e Cidadania Universal”
2012 – “Nenhum direito a menos para @s imigrantes”
2013 – “Nova lei de imigração justa e humana para o fim da discriminação”
2014 – “Basta de violência contra @s imigrantes”
2015 – “Fronteiras livres, não a discriminação”
2016 – “Dignidade para os imigrantes no mundo: nenhum direito a menos”
2017 – “Pelo fim da invisibilidade dos imigrantes”
2018 – “Por direitos iguais: Não me julgue antes de me conhecer”
2019 – “Para igualdade e dignidade não existem fronteiras: Livres com direitos em qualquer lugar do mundo”
2023 – “Sem direito ao voto e trabalho decente, não há cidadania plena”
2024 – “Não ao retrocesso: Migrar Não é Crime, é um Direito Humano. Igualdade nas Políticas Públicas Já!”
Em 2020, 2021 e 2022, a Marcha dos Imigrantes não foi realizada em razão da pandemia de Covid-19 e seus desdobramentos. A primeira edição pós-pandemia (2023) foi considerada, por si só, uma vitória pelo simples fato de retomada do ato.
Nota: diferente do que foi informado na versão anterior deste texto, a ONG Identidade Humana não está liderando a organização da Marcha dos Imigrantes, mas participa das reuniões de preparação do ato de dezembro
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