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sexta-feira, junho 26, 2026
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Mulher migrante e empreendedora, Melanito aconselha: paciência, esperança e foco

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Todo dia é dia de reconhecer a participação das mulheres na sociedade, não apenas no 8 de março. Mas aproveitando a data, conheça um pouco mais sobre Melanito, mulher migrante que conseguiu montar o próprio negócio no Brasil

Por Caroline Gomes

Ao chegar em São Paulo em 2007, a camaronesa Melanito Biyouha não imaginava o que o futuro lhe reservava na capital paulista. Dez anos depois, a dona do BIYOU’Z Restaurante Afro continua sonhando alto e deseja abrir mais um restaurante para expandir a culinária africana e levar a cultura de seu continente para mais pessoas.

O BIYOU’Z tem se consolidado como uma grande referência na cidade, tanto pelo sabor dos pratos que oferece quanto pelo acolhimento aos brasileiros e aos conterrâneos de Melanito, que se sentem em casa no restaurante.

Empreendedora e cozinheira do seu próprio negócio, Melanito sempre se preocupou com cada detalhe do restaurante, desde as cores da parede (que fazem referência à bandeira de seu país de origem), até a equipe de funcionários que atualmente trabalham com ela. O cardápio também foi sendo aprimorado e ampliado aos poucos: Melanito se empenhou em aprender a culinária de outras regiões da África e trouxe ao BIYOU’Z uma diversidade ainda maior.

Melanito faz questão de manter vivas suas raízes e sua cultura. O restaurante pode ser considerado um pedaço de Camarões no Brasil por muitos fatores: o tempero, a decoração, a receptividade, o atendimento… Além disso, o local serve como um ponto de encontro para muitos africanos que chegam em São Paulo e se sentem familiarizados com a junção de tantos elementos que os remetem ao continente africano.

Com paciência, esperança e foco, Melanito montou e fez crescer o restaurante BIYOU’Z, em São Paulo.
Crédito: Caroline Gomes

Em constante aprendizado, Melanito conta que continua fazendo cursos de culinária sempre que pode e, nas horas vagas, gosta de experimentar novos sabores e reconhecer outros restaurantes.

Aos imigrantes que, assim como ela, chegam ao Brasil e encontram no país uma oportunidade de empreender e conquistar seu espaço, ela aconselha que mantenham os pés no chão e aproveitem as portas que se abrem. “Paciência, esperança e foco são fundamentais”, completa a camaronesa.

Mulheres migrantes também vão tomar parte no Dia da Mulher; veja eventos em São Paulo

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Frente de Mulheres Migrantes presente durante a Marcha dos Imigrantes de 2015. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

As mulheres migrantes também devem marcar presença nas reivindicações previstas para o dia 8 de março, quando é lembrado o Dia Internacional da Mulher.

Em São Paulo, pelo menos três atos relacionados à data devem incluir diretamente mulheres migrantes. Veja quais são e marque na agenda para se programar – com um pouquinho de jogo de cintura é possível participar até de mais de uma atividade…

Mulheres Imigrantes e Refugiadas em 08/03
Local: Praça da Sé, São Paulo
Horário: a partir das 16h30
Mais informações: evento no Facebook – clique aqui

A ação é organizada pela Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas, em meio à mobilização global de paralisações e greves convocadas para o 8 de Março – ou simplesmente 8M. Composta por mulheres migrantes de diferentes nacionalidades, a Frente une as pautas feministas (por mais direitos, equidade, trabalho digno, protagonismo na liderança e na política) às reivindicações dos migrantes em todo o mundo (mundo mais justo, sem fronteiras e sem discriminação, com acesso a direitos humanos, dignidade e cidadania plena, e pelo direito a migrar).

Conexão Internacional de Luta de Mulheres Migrantes e Brasileiras
Local: restaurante Al Janiah – rua Rui Barbosa, 269 – Bixiga, São Paulo
Horário: das 19h às 21h
Mais informações: evento no Facebook – clique aqui

O coletivo MIM (Missão Imigrante), em parceria com o restaurante Al Janiah, organiza um ciclo de debates e palestras para somar às iniciativas organizadas para o Dia Internacional da Mulher. Na mesa, mulheres de quatro nacionalidades (Haiti, Bolívia, Brasil e Colômbia) vão falar sobre condições de trabalho, combate à discriminação  à violência, entre outros temas.


Dia Internacional da Mulher com África do Coração

Local: Galeria Olido – av. São João, 473 – Centro, São Paulo
Horário: das 17h às 21h
Mais informações: evento no Facebook – clique aqui

Com o tema “Igualdades Sem Limites”, o evento promovido pela ONG África do Coração terá uma mesa de debates composta por mulheres imigrantes e refugiadas de países africanos. Juntas, elas vão apresentar o histórico e o significado da mobilização que fazem para organização do Dia da Mulher em seus países de origem.


E você, sabe de algum evento que ficou de fora desta lista? Manda para o MigraMundo por meio do e-mail blogmigramundo@gmail.com que a inclusão será feita.

 

Google te pergunta sobre o futuro: descubra o que ele realmente quer te dizer

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Google te convida a saber como será seu futuro. Veja as respostas... E se surpreenda com elas. Crédito: Reprodução

Por Rodrigo Borges Delfim
De 23/09/15, atualizada em 07/03/17

“Que tal descobrir seu futuro? O Google lançou um algorítimo inovador que se propõe a responder essa questão”. É com essa pergunta que o Google tem buscado chamar a atenção do internauta recentemente. E a resposta e o propósito dessa questão vão te surpreender…

http://betagoogle.com/

Google te convida a saber como será seu futuro. Veja as respostas… E se surpreenda com elas.
Crédito: Reprodução

Trata-se de uma campanha do Google sobre os refugiados no mundo. A mensagem é simples e direta: pelo menos até agora, o Google não tem como prever o seu futuro. Mas cerca de 60 milhões de pessoas forçadas a se deslocarem mundo afora também fazem a mesma pergunta (dados de 2015).

Sim, embora a ação seja vista por muitos como algo novo, na verdade já tinha sido lançada pelo Google em meados de 2015, quando a questão do fluxo de refugiados em direção à Europa ganhou as manchetes do noticiário internacional. Com a permanência – e agravamento – do tema, a campanha voltou a ser veiculada nas redes sociais.

Refugiados caminham pela Hungria em direção à Áustria e Alemanha. Google lançou campanha com pergunta-fake para chamar atenção para o tema. Crédito: Creative Commons
Refugiados caminham pela Hungria em direção à Áustria e Alemanha. Google lançou campanha com pergunta-fake para chamar atenção para o tema.
Crédito: Creative Commons

Para cada uma dessas pessoas (superior à população de países como Espanha e Itália, por exemplo), cada novo dia pode ser uma vitória (por estar vivo) e ao mesmo tempo uma dor (até quando vai durar o sofrimento por ter de deixar toda uma vida para trás e quando e como acabará isso?).

Com isso, em vez de ter a resposta sobre o que o Google diz sobre seu futuro, o internauta é convidado a pensar em que futuro terão os milhões de deslocados mundo afora: terminarão a jornada pelo caminho, conseguirão retomar as próprias vidas? O que cada um pode fazer por essas pessoas?

Enquanto o Google provoca o internauta ansioso em saber o próprio futuro, a sorte e o azar, a vida e a morte, a esperança e o medo andam lado a lado com aqueles que se deslocam.

Pergunta sobre o seu futuro? A intenção do Google nesse caso é outra... Crédito: Reprodução
Pergunta sobre o seu futuro? A intenção do Google nesse caso é outra…
Crédito: Reprodução

 

 

Especial Infância e Refúgio – Marina e Layla: guerra é uma coisa que vem de cima até embaixo e derruba tudo

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Marina (nome fictício), da Síria. Crédito: Júlia Dolce Ribeiro

Por Júlia Dolce Ribeiro (texto e foto)
Desenho de Marina* e Layla* (nomes fictícios)

É surpreendente perceber como algumas crianças em situação de refúgio lidam naturalmente com a morte. Principalmente, é desconcertante perceber como essas mesmas crianças incorporam a guerra, como conceito abstrato, em seu discurso. Elas não conhecem ainda as origens e significados geopolíticos da guerra, ou mesmo entendem quem são as pessoas que fazem ‘sua respectiva’ guerra e de que lado do conflito se encontram. Para elas, a guerra é cheiro, ruído e o medo que absorvem dos parentes ao redor: Uma experiência sensorial que acompanhou boa parte das suas curtas vidas.

No entanto, é interessante notar como essa própria naturalização do Estado de exceção em seu desenvolvimento básico as tornam mais resistentes. Há trauma, mas também existe uma capacidade brilhante de simplificar a vida ao seu estado primitivo de sobrevivência, que elas escancaram sem delicadeza aos adultos decididos a serem cautelosos ao falar sobre temas difíceis ao seu redor.

Em uma entrevista com outra família síria que não faz parte desse perfil, irmã e irmão, já adolescentes, ao conversarem comigo separadamente, destacaram que não sentem falta dos amigos que ficaram no país de origem, porque nem sabem se eles estão vivos. É assim, mesmo que as perguntas se refiram a temas simples, como o que gostavam de comer e que tipo de brincadeira havia em seu país, as respostas, descontraidamente, contornam a morte, como parte presente da vida. Ambos também responderam que a ONU é um jogo de cartas coloridas, o que, apesar de engraçado, mostra como a organização internacional tem pouco impacto real na vida das crianças sírias refugiadas.

As irmãs Marina e Layla tampouco entendem os motivos políticos, geográficos ou religiosos que as levaram a deixar Damasco, capital da Síria, há três anos, junto aos seus pais. Mas Marina, de 8 anos, camiseta das irmãs Elza e Ana do filme Frozen coincidentemente combinando com a da sua irmã um ano mais nova e um sorriso banguela com os últimos dentes de leite, explicou direitinho como era sua infância durante o conflito na Síria, que já dura 5 anos e deixou 300 mil mortos até agora: “Tinha muita guerra lá, e foi assim, eu tava dormindo e escutei ‘TUM, TUM, TUM’, tudinho da guerra. Daí foi uma bomba no meio da cama da minha mãe!

“Sim… Foi mesmo. Na nossa casa da Síria, tudo bomba, POFT, POFT”, completou a mãe, Sahar, gesticulando com seu português ainda básico. Ela vestia um hijab branco por baixo da camiseta de mangas compridas quando foi me receber na entrada da pequena vila em que vivem, em uma rua estreita e tranquila no bairro do Pari. A casa que a família aluga, com dois quartos e uma sala/cozinha, estava toda mobiliada e cheia de brinquedos espalhados pelo chão.

Assim que fechou a porta da casa, entretanto, a jovem mulher, extremamente sorridente e solícita, me serviu com café e bolo caseiro, retirou o véu e começou a amamentar sua pequena bebê de três meses, Juri, que, como a mãe orgulhosamente destacou mostrando a certidão de nascimento e o cartão do SUS, é uma brasileirinha. Juri, um pacotinho embrulhado, parou de chorar rapidamente com o leite e a mãe continuou a entrevista.

Com bastante dificuldade em entender as perguntas e pedindo a ajuda das filhas (que assim como todas as outras crianças entrevistadas, estavam acostumadas com a tradução simultânea devido ao português fluente), Sahar me explicou que a família saiu da Síria após o episódio da bomba que destruiu sua casa e morou por dois anos na Jordânia, vivendo na casa da sua irmã que já morava lá, antes de decidirem vir para o Brasil, à procura de uma melhor situação financeira. Seu marido, que na Síria trabalhava em uma fábrica de meias, veio para o país um ano antes da família, após não conseguir encontrar emprego fixo na Jordânia.

Com a ajuda da comunidade árabe da mesquita que hoje frequentam e da ONG brasileira para crianças refugiadas I Know My Rights (IKMR), ele conseguiu pagar a outra metade das passagens da família para o Brasil – cerca de 7 mil reais. A primeira metade foi paga através do salário que recebia trabalhando em um restaurante. Assim que chegaram, o pai levou o resto da família na Cáritas e na Polícia Federal para encaminharem sua solicitação de refúgio. Para Sahar, foi “muito difícil ficar na Jordânia” por tanto tempo sem o marido. “A Vivianne Reis (coordenadora da IKMR) me ajuda muito no Brasil. Ela a única brasileira que nós conhecíamos. Ela ajudou meu marido com dinheiro, porque a Jordânia não muito bom, não tem trabalho, não tem…”

“Não tem nada pra fazer lá”, completou Layla, bem mais extrovertida que a irmã mais velha, entrando na conversa. “Eu não lembro bem da Síria não, era muito pequenina, mas a Jordânia era legal. Mas meu pai não queria ficar na Jordânia porque as pessoas não queriam deixar ele trabalhar”. A menina tem cabelos cacheados e usava um óculos de aro cor-de-rosa que deixava seus olhos, estrábicos, bastante aumentados, o que lhe dava um ar divertido, complementado pelas suas respostas diretas e bem-humoradas.

O estrabismo de Layla, como tentaram me contar, foi fruto da mesma bomba que destruiu a casa onde a família morava, provavelmente uma sequela psicológica ou causada pela onda de choque produzida pela explosão – algo que a mãe não soube explicar em português. “Eu lembro que quando eu tava dormindo eu escuto o som de guerra, e eu acordei e meu pai veio até mim e viu meus olhos assim, desse jeito”, disse a menina, retirando os óculos e apontando para os olhos, levemente virados para dentro. “É da guerra, ela era pequenina e ficou com medo. Muita guerra deixou assim…”, completou a irmã mais velha com uma vozinha fraca.

O pai das meninas fala melhor o português e respondeu algumas perguntas por telefone porque estava fora de casa procurando emprego durante a visita.  Segundo a família , Layla não tem nenhum outro problema psicológico causado pelo episódio, uma de suas únicas memórias do país de origem que deixou quando tinha apenas três anos de idade. Já Marina, segundo a mãe, tinha bastante medo do conflito.

Por conta do estrabismo, Layla sofre provocações na escola, o que faz com que a menina constantemente aponte em sua fala o quanto seus colegas são “chatos”. O bullying sofrido pela irmã incomoda bastante Marina, que afirmou, timidamente, que “não gosta quando as pessoas falam da Layla”.

A guerra civil na Síria, iniciada após as mobilizações de 2011 que fizeram parte da “Primavera Árabe” em países do Oriente Médio, é uma série de conflitos que envolvem o governo sírio representado pelo presidente Bashar Al-Assad, no poder há 16 anos, e os movimentos oposicionistas armados, além das forças por independência curda e do Estado Islâmico (EI), que a partir de 2013 começou a reivindicar territórios na região.

O conflito se intensificou com o envolvimento internacional de países como os Estados Unidos e os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que organizam ofensivas militares contra o EI, além da intervenção russa e iraniana ao lado do regime de Assad. Mais da metade dos sírios já foram obrigados a deixar suas casas, sendo que pelo menos cinco milhões de pessoas estão refugiadas nos países vizinhos, como Líbano, Turquia e a própria Jordânia, segundo dados atualizados em setembro de 2016 pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Outros dados divulgados recentemente mostram que a expectativa de vida no país já caiu de cinco a seis anos entre 2010 e 2013 na Síria e a mortalidade infantil já aumentou de 6% a 9% deste 2010. Mais de 13 milhões de pessoas, das quais, seis milhões são crianças, precisam de ajuda humanitária no país. Como analisado anteriormente, as crianças sírias se tornaram marcas da crise humanitária e do aumento expressivo no fluxo migratório nos últimos anos, a partir da imagem do garoto sírio curdo Aylan Kurdi, afogado em uma praia turca após o barco que levava sua família para a Europa naufragar.

Em agosto de 2016, praticamente um ano após a morte de Aylan, o vídeo de um menino sírio em choque após ter sua casa bombardeada viralizou nas redes sociais e veículos de notícias ocidentais. O menino, coberto de sangue e poeira, estava sentado na cadeira da parte de trás de uma ambulância após um ataque aéreo na cidade de Aleppo. Como também foi discutido nos capítulos prévios, a comoção seletiva dos ocidentais com as crianças sírias, somada à influência e estabilidade da Comunidade Árabe em São Paulo, possibilita uma situação menos vulnerável para os sírios refugiados no Brasil.

Esse contexto é refletido nas opiniões da família sobre o país. Sahar diz gostar muito mais do Brasil do que da Jordânia, principalmente porque o país concedeu o visto humanitário para a família. “O Brasil ajudou a gente a pegar o visa. Aqui tinha trabalho, tem minhas amigas da mesquita, os brasileiros são legais e não tem guerra. Eu não gosto nada de guerra”, afirmou. Já Marina diz gostar do Brasil porque “as pessoas são muito inteligentes e a gente entrou na escola por causa do Brasil”. Layla, por sua vez ocupada mexendo no celular da mãe, respondeu apenas “é, é por isso aí que a gente gosta. Menos uma amiga minha da escola aqui, que não é muito legal não”.

Quando perguntei o que há de diferente entre os países em que viveu, Marina respondeu rapidamente que algumas coisas, na verdade, são iguais. “Batata lá é batata aqui também”.

– Batata, Marina? – perguntei.
– É, albtatis/batata – explicou, falando a mesma palavra em árabe e em seguida em português, mostrando a semelhança entre os sons.
– Lá não pode ficar com shorts não – completou Layla, distraída.
– É, ficar com shorts não pode – continuou a irmã mais velha.
– É que eu muçulmana – explicou a mãe, dando risada.
– Não pode ficar sem esse negócio assim – disse Layla, apontando para o véu da mãe em cima do sofá – Lá é chique. Aqui não tem isso não, não tem nada a ver – completou, arrancando mais risos da mãe.

Marina (nome fictício), da Síria.
Crédito: Júlia Dolce Ribeiro

Sahar lembra que a única coisa que não gosta do Brasil é que não tem muitos muçulmanos, embora tenha dito isso com um sorriso. “É muito diferente, as pessoas acham estranho que não pode nada. Eu falo que não pode mesmo. As meninas não podem sair sem as mangas. Mas não tem preconceito”. Notei que as meninas vestiam calças e camisetas de manga comprida, o que havia passado despercebido devido ao frio que fazia durante o encontro. Pergunto se elas vão usar o hijab quando crescerem – o uso começa após a menarca, primeira menstruação – e a mãe respondeu, com expressão preocupada, que não havia como saber ainda, “talvez elas não irão querer”. “Mas tá gelado aqui, é bom!”, disse Layla, levantando os olhos grandes em minha direção e provocando mais risos.

Quanto ao que mais sente falta do país de origem, Sahar destaca sua família que ficou na Síria. “Agora eu tenho um irmão na Alemanha. Muita saudade do meu irmão, da minha irmã e da minha mãe. Também das minhas amigas na Síria. Aqui tem pouco de amiga. Não tem dinheiro para a minha família vir pra cá, é muito difícil vir pro Brasil”, confessa. Mesmo com a saudade, a família não pensa em sair do país.

Em relação às dificuldades de viver no Brasil, a mãe apontou as tentativas falhas do marido de conseguir emprego, devido à crise econômica, assim como o alto custo do aluguel e contas da casa, além do próprio português. “É difícil fazer o curso porque agora tenho a neném”, respondeu, apontando para Juri que mamava em seu peito. “Tem que levar elas na escola todos dias também. Eu gosto de falar português, mas é língua muito difícil”.

Marina e Layla são bolsistas no Colégio Cruz Azul da Polícia Militar, onde cursam o segundo e o primeiro ano do primário, respectivamente. Ambas ignoraram minha pergunta sobre o que acham da escola, ao que a mãe respondeu, com uma risada envergonhada, que gostam muito. As meninas não chegaram a estudar na Síria e Sahar contou que a escola da Jordânia tinha um nível muito baixo. “A gente era muito pequeninas para lembrar da escola”, disse Layla, contando com alegria que iria faltar à aula naquele dia porque estava gripada e ia ao médico. “Tá todo mundo gripado porque tá gelado!”. “Ei, eu lembro da Síria porque eu nasci primeiro”, provocou Marina.

Segundo Layla, sua aula preferida é a de informática. “A professora ensina a gente a mexer no computador e se alguém precisa de ajuda, é só levantar a mão e ela vem ajudar”. Quando perguntei o que querem ser quando crescer, ambas as irmãs responderam ao mesmo tempo que querem ser médicas, para “ajudar as pessoas”. Quando não estão na escola, as meninas ficam em casa com a mãe e a irmã bebê, ou frequentam as atividades e passeios pela cidade da ONG IKMR.

Elas contaram que gostam de brincar com as amigas no Brasil e gostam de comer. “Aqui no Brasil tem muito doce bom, mas eu não gosto de arroz nem feijão”, disse Layla. “Eu amo arroz e feijão!”, opinou Marina. Embora tenham personalidades muito diferentes, as duas se dão muito bem. Sentadas uma do lado da outra no sofá, elas pensaram em uma solução perfeita para desenharem para mim o que se lembram do país de origem: já que Layla era “muito pequenina” para se lembrar da Síria e, segundo ela, gostava muito mais de pintar do que de desenhar, ficou colorindo o desenho que a irmã fazia em lápis.

– Quem são essas pessoas que você tá desenhando, Marina? – questionei, vendo que a menina havia desenhado o que pareciam ser aviões jogando bombas em três pessoas e em uma casa.

Desenho de Marina e Layla mostra a recordação das meninas sobre a guerra na Síria.
Crédito: Reprodução

– É alguém…
– Alguém? Não é você?
– Não… Graças a deus não morri, não morri! – respondeu, com naturalidade – Esse é o pai, esses dois é os filhos, ele morreu da guerra e queriam matar a casa dele e os filhos tão chorando.
– Você ainda não terminou Marina, vai logo! – disse Layla, perguntando, em seguida, de que cores eu queria que ela pintasse a janela da casa.
– Pode pintar do jeito que você gosta.
– Não, do jeito que VOCÊ gosta. Agora eu to pintando muito bem, no outro dia eu pintei muito feio… – murmurou para si mesma.

No final da entrevista, perguntei a Sahar se eu poderia tirar algumas fotos de suas filhas. Com um pulo, ela se levantou dizendo ‘péra, péra, péra’, e foi buscar uma escova de cabelo e uma tiara para enfeitar as meninas. Marina e Layla, animadas, correram pela casa toda posando com seus bichinhos de pelúcia e com Juri no colo. Encantada com a câmera, que aprendeu a usar rapidamente, Layla passou um bom tempo tirando selfies e fotografando cenários que montava com os brinquedos.

Era difícil admitir, mas eu sabia que entre as tantas crianças entrevistadas, elas ficariam bem. Mesmo tendo convivido com a morte, luto e destruição quando eram ainda tão novas, era preciso lembrar que estavam seguras em comparação aos milhões de crianças que nunca teriam condições financeiras de deixar a Síria, que morreriam no trajeto para um outro país ou que sofreriam com a xenofobia anti-islâmica, extremamente presente na Europa e nos Estados Unidos. Deixei Marina e Layla, uma meiga e delicada, outra comicamente realista e agitada, com um humor um pouco mais alegre do que o usual após os encontros e entrevistas.

Elas não são traumatizadas e invalidadas por essência, como tantos discursos ressaltam; ao mesmo tempo, carregam no corpo e na memória os rastros de uma guerra, que mesmo intangível para crianças tão pequenas, as leva a agradecer à Allah pela sua sobrevivência. São, sim, a face de uma crise migratória: rostos mais palatáveis e identificáveis com os das “nossas” crianças ocidentais. Mas ainda assim carregam sua transgressão. Como Marina inocentemente lembrou, estão vivas. Não são mártires fotografáveis, não vão servir como argumento para interesses políticos opostos e imperialistas. Crescerão, e como mulheres muçulmanas, se lembrarão da guerra e possivelmente entenderão quem são todos aqueles que a construíram.

 

Dicionário das Crianças Refugiadas (Marina):

  

Refugiado: é uma chave.. é uma coisa da porta que fecha bem.

País: é uma coisa pra gente morar.

Guerra: É uma coisa que vem de cima até embaixo e derruba tudo.

Criança: Meninas… e meninos também.

Nação: Não sei…

Direitos: é uma coisa assim, tipo esquerda, direita, reto…

Direitos Humanos: Não sei…

Religião: Tem algumas que eu não sei, desculpa…

Muçulmano: uma pessoa muçulmana…

Brasil: é um país

Brasileiro: Brasileiro é a Juri! Tem que falar português…

Você é brasileira? Não…

Mas você fala português… Mas eu não sou brasileira não haha, eu sou da Síria

Sahar: Ela gosta da Síria…

São Paulo: São Paulo é uma coisa dentro do Brasil e é muito bom… Linda. Lá as flores são linda, não tem guerra nem nada, graças a Deus, lá legal…

*Esta é a quarta parte do especial Infância e Refúgio, sobre crianças refugiadas na cidade de São Paulo. Nele, as crianças entrevistadas usam desenhos e outros elementos lúdicos para falar sobre o que já viveram em tão pouco tempo de vida. Os perfis são do livro Por um Pedaço de Terra ou de Paz, trabalho de conclusão de curso (TCC) na PUC-SP da jornalista Júlia Dolce Ribeiro, e serão publicados um a cada semana no MigraMundo (veja aqui a lista completa). Os nomes das crianças nos textos são fictícios para preservar a identidade de cada uma.

Quatro verbos em favor dos migrantes: acolher, proteger, promover e integrar

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Refugiados Sírios e Iraquianos chegam de barco à ilha grega de Lesbos, provenientes da Turquia. Crédito: Wikimedia Commons, (CC BY-SA 4.0)

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Wikimedia Commons

Na audiência dos participantes do VI Fórum Internacional sobre Migração e Paz com o Papa Francisco, no dia 21 de fevereiro de 2017, em Roma, o Pontífice em seu discurso apresentou, entre outras coisas, quatro verbos que podem ser considerados como uma espécie de programa para a Pastoral dos Migrantes: acolher, proteger, promover e integrar. Em seguida, o Santo Padre afirmou que conjugar esses quatro verbos, no singular ou no plural, implica, para com os que são forçados a deixar sua terra natal, um dever de justiça, por um lado, e um dever de solidariedade, por outro.

Desnecessário lembrar que, em termos concretos, cada um desses verbos pode desdobrar-se em uma série de projetos e atividades especialmente nos países de trânsito e de chegada. Por sua vez, os deveres de justiça e de solidariedade voltam-se sobretudo para uma política de desenvolvimento integral nos países de origem, no sentido de impedir a migração compulsória. De fato, uma grande maioria dos migrantes, refugiados e prófugos nada mais faz do que escapar da pobreza, da violência e da guerra, numa fuga às vezes desesperada e com mínimas possibilidades de retorno. Por isso, se migrar é um direito, também o é aquele de permanecer no país de nascimento, com uma cidadania digna assegurada.

Não será ocioso confrontar esses quatro verbos com o chamado “credo histórico” do Povo de Israel, em suas duas versões: uma mais remota, em Êxodo 3,7-10; e outra mais elaborada, em Deuteronômio 26, 5-10. Os dois textos bíblicos combinados, como as palavras do Papa, apresentam quatro formas verbais, todas na primeira pessoa do singular e todas colocadas na boca de Deus: eu vi a miséria do meu povo no Egito; ouvi o seu clamor por causa de seus opressores; conheço o seu sofrimento; e desci para libertá-lo do poder dos egípcios e para conduzi-lo a uma terra fértil e espaçosa “onde corre leite e mel”. Também neste caso não seria difícil, com os quatro verbos, forjar um programa eficaz para a Pastoral junto aos Migrantes.

Olhando mais de perto. As três primeiras formas verbais dos livros do Êxodo e Deuteronômio se concentram na análise do fenômeno, que pode ser tanto a escravidão no Egito quanto o deslocamento massivo dos migrantes nos dias atuais: ver, ouvir, conhecer. Já o último verbo bíblico e os quatro utilizados pelo Pontífice apontam para a ação: descer, acolher, proteger, promover e integrar. Não seria exagero afirmar que o verbo “descer” faz a ponte entre a teoria e a prática. Depois de aprofundar as causas, consequências e implicações do fenômeno (escravidão e/ou migração), é preciso descer em campo: passar concretamente aos programas e ações. Teoria e prática se entrelaçam e se iluminam reciprocamente.

Mas o “descer” conjuga-se igualmente com o “dever de justiça e de solidariedade” apontados pelo Papa. Descer para libertar o povo escravo – diz o texto bíblico – e através do deserto levá-lo à Terra Prometida. Em outras palavras, além de uma boa assistência no trânsito e no destino, faz-se necessário combater o mal pela raiz. Daí a preocupação com a justiça e a solidariedade nos países de origem.  A acolhida ao migrante complementa-se com uma ação socioeconômica e político-cultural que possa transformar as relações nacionais  e internacionais, bem como as assimetrias que dividem “os ricos cada vez mais ricos às custas dos pobres cada vez mais pobres”, como já dizia o Papa João Paulo II, em discurso no México.

Caso não se conjuguem simultaneamente os esforços para reverter as causas profundas da migração forçada, de uma parte, e a assistência ao migrante, de outra, esta última se converte em numa tentativa de apagar o fogo soprando na fumaça. Um exemplo, também este levantado diversas vezes pelo Santo Padre: quem fabrica e quem vende as armas utilizadas nas guerras intestinas do países da África, do Oriente Médio e da Ásia? Em outras palavras, quem lucra com tais conflitos? Ou ainda, de que forma os governos desses países tornam-se, não raro, correias de transmissão para a transferência de renda e recursos naturais que vão enriquecer ainda mais os mega-especuladores financeiros dos paraísos fiscais e dos países centrais? Entra-se aqui no núcleo temático da Carta Encíclica Populorum Progressio, publicada há exatos 50 anos, pelo então Papa Paulo VI. “O  desenvolvimento integral é o verdadeiro nome da paz”

Roma 2 de março de 2017

Situação de migrantes e refugiados continua a piorar, mostram ACNUR e Anistia Internacional

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Jovens refugiados sírios em acampamento no vale do Bekaa, no Líbano. Crédito: Sam Tarling/ACNUR

Por Caroline Gomes

A situação de migrantes, refugiados e demais deslocados no mundo continua a piorar. É o que mostram relatórios recentes do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) e da Anistia Internacional.

Focado na questão dos refugiados, o ACNUR divulgou na última quinta (02) o Mid-Year Trends 2016, que traz dados referentes ao primeiro semestre do ano passado e serve como prévia para o relatório geral (Global Trends 2016) que deve ser divulgado em 20 de junho, o Dia Mundial do Refugiado. Pouco antes, a Anistia Internacional divulgou o Informe anual 2016/2017: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo, que dedica espaço significativo para a temática migratória.

Clique aqui para acessar o Mid-Year Trends 2016

Clique aqui para acessar o Informe anual 2016/2017: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo

3,2 milhões de novos deslocados

O Mid-Year Trends 2016 aponta que, somente no primeiro semestre de 2016, ao menos 3,2 milhões de pessoas se deslocaram de seus países devido a conflitos, perseguições e violência. Outro dado importante destacado no relatório é o destino final dos deslocamentos: a maior parte desses pessoas são acolhidas por países de renda baixa ou média.

O relatório também mostra que mais da metade das pessoas deslocadas por conflitos durante os seis primeiros meses de 2016 foi vítima da guerra na Síria, que se arrasta desde 2011. Em seguida, os principais países de origem dos refugiados foram Afeganistão, Somália, Sudão do Sul, Sudão, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Myanmar, Eritreia e Colômbia.

Jovens refugiados sírios em acampamento no vale do Bekaa, no Líbano.
Crédito: Sam Tarling/ACNUR

Em contrapartida, o país que acolheu o maior número de refugiados continua sendo a Turquia (cerca de 2,8 milhões de pessoas), seguida por Paquistão, Líbano, Irã, Etiópia, Jordânia, Quênia, Uganda, Alemanha (único país europeu entre os dez que mais recebem refugiados) e Chade.

Embora a situação da Síria seja a mais grave de todas, chama a atenção a escalada dos deslocamentos no Sudão do Sul, independente desde 2011 (o país mais jovem do planeta). Na metade de 2016, havia 854,2 mil refugiados do Sudão do Sul – um número oito vezes maior que há três anos. Durante a segunda metade do ano passado, esta população continuou crescendo e impacta países vizinhos, como Quênia, Sudão, Uganda, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Etiópia.

O Mid-Year Trends 2016 traz ainda o número de pessoas que se deslocaram dentro de seus próprios países (1,7 milhão), os que cruzaram a fronteira para pedir abrigo em outras nações (1,5 milhão), os que retornaram para seus países de origem (apenas 123 mil), os que foram submetidos a programas de reassentamento (mais de 81,1 mil), entre outros dados relevantes sobre a situação de refúgio no mundo no primeiro semestre de 2016.

O vídeo abaixo, feito pelo ACNUR, sintetiza estes e outros dados do relatório:

No Brasil, de acordo com dados de fevereiro do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), ao final de 2016 eram cerca de 10.500 refugiados no país, sendo 8.950 reconhecidos pelo governo brasileiro e 1.468 reassentados. Outras 25 mil pessoas fizeram pedido de refúgio e aguardam resposta.

Migração é destaque em informe da Anistia Internacional

Com o objetivo de documentar a situação dos direitos humanos no Brasil e no mundo em 2016, a Anistia Internacional divulgou recentemente o “Informe anual 2016/2017: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo.

O relatório apresenta panoramas regionais (divididos por continentes) e retrata também a situação de muitos países diante de temas como os direitos das mulheres, crianças, povos indígenas e LGBTI, a liberdade de expressão e religião, além de conflitos, torturas, abusos e retrocessos, entre outros assuntos ligados aos direitos humanos.

A questão migratória é um dos temas mais abordados em todo o documento. Entre os países citados, a grande maioria conta com tópicos relacionados aos imigrantes e refugiados, que abordam assuntos como a xenofobia e a violência contra os migrantes, as solicitações de refúgio, as causas de deslocamentos e os direitos dos trabalhadores migrantes.

A migração no Brasil também tem seu espaço no relatório, que acontece por meio de um breve panorama com as principais informações sobre o tema. Entre elas estão a aprovação da nova lei de migração realizada pela Câmara dos Deputados, o descaso com os solicitantes de refúgio, a discriminação e as dificuldades enfrentadas pelos migrantes e a deportação de venezuelanos em Roraima.

“Havia aproximadamente 1,2 milhão de solicitantes de refúgio, refugiados e migrantes morando no país até outubro. O governo não dedicou o empenho e os recursos necessários para atender as necessidades dos solicitantes de refúgio, como processar os pedidos. Na média, levou pelo menos dois anos para processar um pedido de refúgio — deixando os requerentes no limbo jurídico durante esse período”, aponta trecho do estudo dedicado à situação brasileira.

 

CNIg reedita concessão de residência temporária para migrantes de países fronteiriços ao Brasil

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Diariamente, imigrantes venezuelanos chegam a Roraima em busca de uma vida melhor. Crédito: Graziele Bezerra/Agência Brasil

Fruto da pressão da sociedade civil, decisão tem efeito direto sobre migrantes da Venezuela em Roraima

Por Rodrigo Borges Delfim

O CNIg (Conselho Nacional de Imigração) publicou nesta sexta-feira (03/03) a Resolução Normativa 126/2017, que permite concessão de residência temporária para migrantes que entraram no Brasil por via terrestre e sejam naturais de nações que tenham fronteira com o Brasil.

A proposta substitui a Resolução Normativa 125/2017, publicada no Diário Oficial da União no dia 22 de fevereiro, mas cancelada no dia seguinte pelo CNIg. Segundo o Conselho, a proposta precisava ainda de ajustes.

O conteúdo reeditado nesta sexta já está em vigor e mantém as diretrizes da anterior, autorizando a residência temporária – pelo prazo de até dois anos – a migrantes oriundos de países fronteiriços e para os quais ainda não esteja vigorando o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercosul e associados – no caso, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

De acordo com o texto, a solicitação deverá ser feita junto às unidades da Polícia Federal, mediante a apresentação de documentação. No caso de migrantes que já tenham solicitado refúgio no Brasil – única alternativa até então disponível na legislação nacional – é preciso apresentar à Polícia Federal declaração de preferência de regularização de estada, indicando como fundamento do pedido a referida Resolução Normativa.

A medida, que tem validade de um ano, é considerada um grande avanço e uma vitória da sociedade civil organizada em torno da temática migratória, que há meses pedia uma resposta rápida e humanitária à situação vivida por venezuelanos na fronteira com o Estado de Roraima. E a revogação da Resolução Normativa 125 tinha causado grande apreensão e surpresa junto às instituições e demais envolvidos na temática.

A publicação da nova resolução do CNIg acontece ainda às vésperas da missão agendada para os dias 8, 9 e 10 de março em Roraima. Nela, representantes de organizações públicas, organismos internacionais e sociedade civil estarão no Estado para conhecer melhor a situação dos migrantes no Estado. A agenda de atividades contará com encontros com órgãos do poder público federal, estadual e municipal, visita a locais onde estão vivendo esses migrantes, além de uma ampla audiência pública prevista para 10 de março.

Avanço e pontos a observar

Para o gestor público João Guilherme Granja, especialista em migrações e refúgio, a medida representa um grande avanço. “O principal ponto positivo é não ter sido uma resolução estreita, que criasse mais uma situação “extraordinária” pensando num único país ou outro. É positivo que ela atende ao principal ponto de preocupação humanitária atual na região, que é notório no Estado de Roraima, com o aumento dos fluxos de pessoas da Venezuela. É especialmente adequado para promover uma documentação sustentável e duradoura para essas populações”.

Granja destaca ainda o papel da sociedade civil para aprovação da resolução, em uma articulação semelhante a que tem pautado a tramitação da nova Lei de Migração no Congresso. “Esse pessoal [as entidades] estão mantendo uma articulação bem profunda e chegou a fazer audiências em janeiro para organizar um plano e cobrar uma atitude do CNIG. É grande o esforço da sociedade civil e essa articulação foi fundamental para a resolução sair”.

No entanto, Granja chama a atenção para dois pontos importantes da resolução. Um deles diz respeito ao fato do texto limitar a decisão somente os casos de migrantes que entram no Brasil por terra, excluindo o ingresso por via área, por exemplo. O outro ponto se refere à documentação exigida dos migrantes e o fato de parte deles serem indígenas, que podem nunca chegar a ter tais documentos.

“Seria interessante desenvolver alguma forma mais especifica para lidar com esses casos, envolvendo os órgãos especializados das políticas para essa população”, opina Granja. Para o primeiro caso, o especialista sugere que a norma não se limitasse ao ingresso via terrestre e contemplasse também a via aérea, considerada mais segura.

Com informações da PFDC

 

8 de marzo, cada día… Ser brasileña y algo más

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Com cantos e tambores, Bloco das Mulheres foi um dos destaques da Marcha de 2015. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Maria, Maria; é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta; Uma mulher que merece viver e amar, como outra qualquer do planeta” (Milton Nascimento e Fernando Brant)

Por Flávio Carvalho*

Brasil siempre será un país apasionado por el fútbol. Esta es una de sus más difundidas imágenes en todo el mundo. Así como es nuestro carnaval, nuestra esperanza y alegría de vivir. Somos un país de tópicos, mítico, cargado de estereotipos. Pero hay otro importante icono internacional. La imagen estereotipada de la mujer brasileña. De esto quiero hablar, como uno de nuestros mayores problemas. A cada 90 minutos, en Brasil, el tiempo equivalente a un partido de fútbol, se comete feminicidio en Brasil. Feminicidio es el nombre del terrible fenómeno del asesinato de mujeres por hombres que creen que una mujer puede ser propiedad suya. Por lo tanto, creen que su vida – y su muerte – le pertenecen. A cada 11 minutos (otro número de importante simbología para nuestro fútbol) una mujer brasileña es violada, de acuerdo con el IPEA, el influyente Instituto de Investigación de Brasil. Y, si estás dispuesto a seguir leyendo y volver a hablar de números, mejor que hagas tu mismo una prueba: en Google, digite la palabra “brasileñas” y no te asustes. Yo hoy estoy para hablar de género. O peor, de la violencia de género. De la violencia que todos cometemos, unos con más y otros con menos conciencia, pero que más importante es querer cambiar este rol. Si históricamente las desigualdades de género fueran construidas (antes se pensaba que era “natural”), la humanidad puede y debe acabar con esto.

Luego descubrimos que peor puede ser para la mujer brasileña que vive fuera de nuestro país. Conozco muchas mujeres brasileñas que han sufrido algún tipo de violencia, intimidación o amenaza, por una triple condición: por ser mujer, por ser mujer inmigrante y por ser mujer inmigrante brasileña. Sobre esto, leerás, con mucho más propiedad, investigadoras como Maria Badet, Adriana Piscitelli, Denise Cogo y tantas otras. También es peor, como no debería ser, saber que ellas son la mayoría, en comparación con los hombres brasileños en España. Las más emprendedoras, las que más colaboran en proyectos asociativos y voluntarios, las que más se destacan en el arte y cultura. Tanto esfuerzo… no reconocido como debería ser.

Frente de Mulheres Migrantes presente durante a Marcha dos Imigrantes de 2015.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

13 mujeres mueren cada día, en Brasil, por lo que aprendemos en nuestras adolescencias, en el patio de las escuelas, en los bares de la vida. O mismo en casa, cuando hemos hecho nuestras madres pensar que trabajaban como nuestras empleadas. Mientras nuestros padres salían para trabajar… ¿Pero porque hablar tanto del machismo en Brasil, se es un problema mundial? Cada uno habla del que le toca. La discriminación contra inmigrantes es muy estratégica. La mayoría de contratos precarios para mujeres recientemente creados en España fueran en trabajos de hostelería, de limpieza, de hogares, de cuidadoras de niños y de gente mayor. No es mera casualidad que son trabajos mayoritariamente ocupados por mujeres inmigrantes. Por otro lado, todos (¡todos! Repito) los proyectos sociales, asociativos y la mayoría de proyectos interculturales y emprendedores que involucran creatividad, dinamismo e innovación que yo conozco en España no serian posibles sin tener el talento de una profesional brasileña, actuando sin la visibilidad que merece. Solamente aquí en Cataluña, por ejemplo, de memoria puedo recordar el nombre de diversas brasileñas emprendedoras (evidentemente olvidando muchas otras):

Angela, en el Cantinho Brasileño; Miriam, en Miriot; Marcia en Mangarosa; Joice, en Maloca; Gisele, en Panela de Barro; Patricia, en Can Dendê; Jabu, en Maracatu Mandacaru; Sandra, en Amigos de Brasil; Andreia Moroni, en el Ponto de Memoria Brasileirinhos; Luciana, en LSB Idiomas; Renata haciendo Finanzas en Femenino; Inez, en Desdelcos; Kika, en la Radio Caipirinha Libre; Maria, en Itacat; Cinthia, en Rehabilates; Cris, en Sol de Barcelona; Thafkeane, en Oito; Mércia con sus Danzas Circulares; Adriana, fotógrafa; la brasileña bombera voluntaria en Matadepera; Bruna, en la Federación de Jóvenes Inmigrantes; Bárbara, en Diversia; Dani, ex Presidente de APEC, en la Revista Bossa; Glaucenira, en la Comisión de Estranjería del Colegio de Abogados…

Una infinita lista de mujeres que me viene de memoria, sin salir de Barcelona. Por suerte, la última vez que estuve en Brasil, percibí algunas pocas cosas que están transformando la sociedad brasileña para mejor. Una es la percepción generalizada de que (mismo con el aumento de los feminicidios, o por la creciente visibilidad social de su denúncia) las transformaciones estructurales más urgentes, importantes y posibles son cosas como el que estoy intentando transmitir en este mi mensaje de esperanza y llamamiento a mis amigos. Sobretodo hombres, a quien invito a, por lo menos (por lo menos… queriendo el máximo), hacer una reflexión interna, silenciosa, con nosotros mismos. Pero si esto se queda solamente dentro de nosotros y no se externaliza para nuestra vida en sociedad, no habrá servido para nada.

Este texto está dedicado a la memoria de Fidan Doğan, Sakine Cansız y Leyla Şaylemez, feministas asesinadas en Paris en 9 de enero de 2013.

Crédito: Reprodução

Flávio Carvalho é sociólogo e brasileiro migrante. Vive em Barcelona, Espanha

Veja lista com mais de 80 filmes e documentários que falam de migrantes, refugiados e deslocados

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Cena do filme O Terminal, com o ator Tom Hanks. Crédito: Divulgação

Por Márcia Passoni
Colaboração de Helion Póvoa Neto
Atualizado em 02/03/17

As situações às quais diversas pessoas ao redor do mundo são submetidas, pelo simples fato de serem migrantes, são tema de diversos filmes e documentários no Brasil e em outros países.

O professor Helion Póvoa Neto, diretor do NIEM (Núcleo Interdisciplinar de Estudos Migratórios) e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), fez uma lista com algumas dessas produções que abordam o tema, de forma direta ou indireta. E o MigraMundo acrescentou alguns filmes que já acompanhou ao longo de sua existência.

Muito mais do que momentos de entretenimento, sofá e pipoca, o objetivo principal dessas produções é chamar a atenção para uma realidade a cada dia mais presente em nossa vida: a migração.

Refletir sobre o dia a dia daqueles que deixam a sua terra natal em busca de melhores oportunidades (ou até mesmo na luta pela sobrevivência), pode nos levar a uma atitude mais solidária e humana em relação a essas pessoas.

1 – A Boa Mentira (Philippe Falardeau, EUA/Quênia/Índia, 2015)
Após caminhar quilômetros para chegar a um campo de refugiados no Quênia, um grupo de sudaneses tem a oportunidade de entrar em um voo humanitário para os Estados Unidos. Lá, conhecem Carrie Davis, uma assistente social. Embora seja um pouco perdida, está disposta a ajudá-los a ter uma vida melhor e passa a ter uma nova visão de mundo a partir do contato com os sudaneses.

 

Imagem do filme A Boa Mentira (The Good Lie).
Crédito: Divulgação

2 – América, o Sonho de Chegar. Lamerica (Gianni Amelio, França, Itália, 1994)
Após a queda do comunismo na Albânia, dois italianos partem para lá com planos de abrir uma companhia de calçados, que na verdade serviria para lavagem de dinheiro. Spiro Tozaj, um prisioneiro político, é escolhido como o laranja para este negócio. Porém, ao perdê-lo de vista, Gino, um dos italianos começa a ter problemas, até acabar na prisão. O reencontro acontece em um navio, rumo à América, onde eles realmente descobrem o quanto precisam um do outro.

3 – Antes da chuva. Pred dozhdot. Before the Rain (Milcho Manchevski, Macedônia, 1994)
O filme subdivide-se em três histórias: na primeira, um jovem monge se apaixona por uma albanesa acusada de assassinato e foge com ela para a Macedônia. Na segunda, uma editora de imagem fica dividida entre o amor do marido e atração por um fotógrafo de guerra. A terceira mescla as duas anteriores, e foca na volta do fotógrafo à Macedônia.

4 – Assédio. L’assedio (Bernardo Bertolucci, Itália, 1999)
Shandurai se exila na Itália, após a prisão do marido pelo regime ditatorial na África, e vai trabalhar como empregada na casa de um pianista e compositor excêntrico. Ele se apaixona por ela e declara-se capaz de qualquer coisa pelo seu amor. Diante de um pedido para libertar seu marido, ele pode colocar em risco sua própria integridade, e ela se vê diante de uma importante escolha.

5 – Atravessando o Arizona, Crossing Arizona (Dan DeVivo, Joseph Mathew, EUA, 2006)
O filme traz uma série de relatos de pessoas em meio à crise da imigração no Arizona – relato que fica ainda mais atual com a ascensão de Donald Trump à Presidência dos EUA e seus planos de ampliar o muro já existente na fronteira México-EUA.

6 – Babel (Alejandro González Iñárritu, EUA, 2006)
Richard e Susan viajam em férias ao Marrocos. Enquanto isso, dois adolescentes manejam um rifle ganho do pai para que protegessem a criação de cabras da família. Os garotos atiram no ônibus que transportava o casal e Susan é atingida. Um guia turístico havia ganho o rifle de um japonês, e posteriormente o vendeu ao pai dos adolescentes. O ocorrido com Susan desencadeia acontecimentos em diversas partes do mundo. Nos EUA, onde uma babá mexicana cuidava dos filhos do casal; no México, para onde ela leva as crianças; no Japão, onde o verdadeiro dono do rifle tenta ajudar a filha cega a superar a perda da mãe e no próprio Marrocos, já que se suspeita de um ato terrorista.

7 – Back to Bosnia (Sabina Vajraca, EUA, 2006)
Trata-se de um documentário que relata as dificuldades enfrentadas pelos refugiados que tentam retornar à Bósnia. Uma família, que precisa recuperar sua propriedade roubada, por exemplo, se vê diante da sua antiga cidade, agora aos cacos.

8 – Bem vindo (Philippe Lioret, França, 2009)
Um jovem iraquiano de 17 anos deseja visitar sua amada na Inglaterra. Mas ao tentar ir para lá, se depara com a real situação que os imigrantes indocumentados enfrentam na Europa.

9 – Biutiful (Alejandro González-Iñárritu, Espanha, México, 2011)
Uxbal explora o trabalho de chineses que, por estarem indocumentados, oferecem mão de obra mais barata. Ele também tem o dom de falar com mortos e cobra de pessoas que desejam saber de seus entes já falecidos. Essas atividades ilegais são conciliadas com a criação de seus dois filhos. Até que um belo dia, após sentir dores, ele vai ao médico e descobre que tem poucos meses de vida.

Cena do longa Biutiful.
Credito: Divulgação

10 – Bolivia (Israel Adrián Caetano, Argentina, Holanda, 2001)
Em Buenos Aires, o boliviano Freddy trabalha em um restaurante, e sofre humilhações constantes. Rosa, uma paraguaia que também foi ao país em busca de uma vida melhor, encontra-se na mesma situação. O filme tem por objetivo relatar os preconceitos e discriminações sofridos pelos imigrantes diante da crise econômica local.

11 – Bye Bye Brasil (Cacá Diegues, Brasil, 1979)
Salomé, Andorinha e Lorde Cigano viajam o Brasil com seus espetáculos. O casal Ciço e Dasdô (que está grávida) se junta a eles e a caravana vai até Brasília. Ciço apaixona-se por Salomé e a disseminação do acesso à televisão os leva à falência. Após o nascimento do filho, o homem precisa escolher entre a prostituição da esposa e o abandono da caravana.

12 – Canção de Carla, A (Ken Loach, Grã-Bretanha, 1996)
Carla é uma exilada da Nicarágua que vive em Glasgow. Um motorista de ônibus a conhece em seu pior momento: está ferida, e longe da família e do namorado. Após perder o emprego por deixa-la viajar de graça, ele vai com ela à sua terra, que enfrenta um período turbulento. Um trabalhador humanitário americano, amigo de Carla, pode ser a chave para o segredo sobre o paradeiro de seu namorado.

13 – Casamento grego. My big fat Greek wedding (Joel Zwick, EUA, 2002)
Toula pertence a uma família tradicional grega e, portanto, deve casar-se com um grego. Porém, em um curso de informática, ela conhece o inglês Ian e os dois se apaixonam. O namoro começa em segredo e, quando vêm à tona, o casal se vê diante do desafio de adequar o rapaz ao que a família espera de um pretendente para casar-se com ela.

14 – Caterina va in città (Paolo Virzì, Itália, 2003)
Caterina tem 12 anos quando seu pai é transferido para Roma. Na nova escola, ela conhece diferentes ideologias políticas e fica perdida, já que precisa encaixar-se em um grupo para ser aceita. E a ajuda que ela precisa pode partir de um garoto australiano, vizinho de Caterina.

15 – Central do Brasil (Walter Salles, França, Brasil, 1998)
Dora é uma professora que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil. Ao conhecer um garoto que acabara de perder a mãe em um atropelamento, ela decide partir com ele ao Nordeste, para ajudá-lo a encontrar o pai, que ele nunca conheceu. Foi o último filme brasileiro a conseguir a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Cena do filme brasileiro Central do Brasil, com Fernanda Montenegro.
Crédito: Divulgação

16 – Cinzas de Ângela, As (Alan Parker, Grã-Bretanha, 1999)
Após perder uma filha aos 7 anos, Ângela muda-se com o marido e os outros filhos de Nova York para a Irlanda. Lá, encontram condições ainda piores de emprego e sobrevivência e, para completar, o marido de Ângela enfrenta problemas com alcoolismo.

17 – Coisas sujas e belas, Dirty Pretty Things (Stephen Frears, Grã-Bretanha, 2002)
Okwe é um nigeriano que trabalha em um hotel de Londres. Ao descobrir um esquema de tráfico de órgãos, ele se vê impedido de denunciar, já que está indocumentado no país. Ele se alia a Senay, uma turca que se encontra na mesma situação de vulnerabilidade que ele. Juntos descobrem que hóspedes do hotel cedem um rim em troca de um passaporte falso, e muitos morrem de infecções resultantes dessa “cirurgia”.

18 – Corações Sujos (Vicente Amorim, Brasil, 2011)
Em 1945, uma parte da população japonesa que vivia no Brasil, acreditava que o Japão havia ganho a Segunda Guerra Mundial, e que a derrota do país não passava de propaganda enganosa. Aqueles que ousassem insistir que o Japão não havia ganho eram mortos e perseguidos. A história é narrada pela esposa de um dos pregadores da vitória japonesa, que vê o marido tornar-se um assassino e jogar ao vento a história de amor que viviam.

19 – Conto Chinês, Um (Sebastián Borensztein, Argentina, 2011)
Roberto é um argentino dedicado a cuidar de sua loja e colecionar notícias incomuns. Sua rotina é interrompida quando ele testemunha um chinês sendo arremessado de um carro em movimento. O homem fora assaltado e está agora sem documentos, e sem entender sequer uma palavra em espanhol. Ele decide ajudá-lo e o leva para sua casa, até que encontra um tradutor e finalmente entende a dramática história de sua vida.

20 – De Nadie. De Ninguém. No One (Tin Dirdamal, México, 2005)
Documentário sobre a saga de refugiados da América Central que tentam entrar nos Estados Unidos através da fronteira com o México. Em busca de uma vida melhor, arriscam o pouco dinheiro que lhes resta, sua dignidade, sua saúde e sua vida.

21 – Desde que Otar partiu (Julie Bertuccelli, França/Bélgica, 2003)
Eka vive na Geórgia com a filha e a neta. Seu outro filho Otar, que vive em Paris, comunica-se com ela por cartas. Ao descobrir que Otar teve uma morte repentina, filha e neta se vêem diante do dilema a respeito de dar ou não a notícia à matriarca, que ainda anseia pela volta do filho.

22 – Diários da motocicleta (Walter Salles, EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, Argentina, 2004)
Che Guevara, um jovem estudante de medicina decide viajar pela América de moto, acompanhado de um amigo. Após 8 meses, a moto quebra e eles seguem viagem, ora a pé, ora de carona. Em Machu Picchu, encontram uma colônia de leprosos e passam a questionar as diferenças sociais do local.

23 – Em busca do ouro (Charles Chaplin, EUA, 1925)
Carlitos se torna garimpeiro no Alasca, em plena época da corrida do ouro (1898), que gerou deslocamentos para a região. Além do ouro, encontra muita confusão e até uma paixão.

24 – Entre os muros da escola, La classe – Entre les murs (Laurent Cantet, França, 2008)
François Marin é professor em uma escola na periferia de Paris. Seu maior desafio é conquistar o interesse dos alunos, diante do descaso e da má educação da turma. No entanto, essa sala de aula é uma espécie de amostra da sociedade que vive nos subúrbios da capital francesa.

Cena do filme francês Entre os Muros da Escola.
Crédito: Divulgação

25 – Era uma vez na América. Upon a Time in America (Sergio Leone, EUA, 1984)
Dois amigos, de origem judaica, cometem pequenos delitos em Nova York, ao longo de sua infância e adolescência. A gravidade dos crimes vai aumentando até que eles acabam se tornando rivais. Mais de 30 anos mais tarde, eles se reencontram para enfrentar os fantasmas e arrependimentos daquela época.

26 – Escolha de Sofia, A (Alan J. Pakula, EUA, 1982)
Um aspirante a escritor, Stingo, conhece seus novos vizinhos: Sofia, uma polonesa que já esteve presa em um campo de concentração; e Nathan, seu namorado judeu. Após tornarem-se amigos, Stingo descobre que o casal guarda segredos capazes de mudar sua vida.

27 – Exílios. Exils (Tony Gatlif, França, 2004)
Os amantes Zano e Naïma decidem viajar à Argélia. Porém, ao cruzarem a França e Espanha, acabam seduzidos pelos ritmos da Andaluzia e a viagem torna-se uma verdadeira experiência espiritual.

28 – Faça a coisa certa. Do the right thing (Spike Lee, EUA, 1989)
Sal é um ítalo-americano que tem uma pízzaria na periferia de Nova York. Ele trabalha no local junto com seus filhos e coleciona fotos de ídolos que remetem às suas origens. Até que um ativista vai lá para comer uma pizza e o fato de não existirem referências à negros na sua coleção acaba em confusão.

29 – Filhos de Francisco, Dois. (Breno Silveira, Brasil, 2005)
Francisco é um homem humilde que sonha com uma carreira musical para dois de seus nove filhos. Os garotos encontram um empresário e, quando finalmente estavam começando a fazer sucesso, um deles morre em um acidente. O outro não se dá por vencido e tenta carreira solo, mas só sente o gosto do sucesso novamente, quando forma uma nova dupla com outro de seus irmãos. Trata-se da história de vida da dupla Zezé di Camargo e Luciano.

30 – Fogo no Mar. Fuoccoamare (Gianfranco Rosi, Itália/França, 2016)
A ilha italiana de Lampedusa é um local de escala para imigrantes vindos do Oriente Médio e da África, virando manchete e tornando-se uma espécie de símbolo da questão migratória da Europa. O longa descreve as pessoas e, entre elas, o único médico da ilha, Pietro Bartolo. Foi finalista ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano e ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2016.

31 – Gaijin, os caminhos da liberdade (Tizuka Yamasaki, Brasil, 1980)
Japoneses emigravam em busca de uma vida melhor. Devido a maior facilidade das migrações em casais, a jovem Yamada casa-se com um rapaz de 16 anos que acabara de conhecer, e juntos partem para o Brasil. Ao chegar, vão trabalhar em uma fazenda cafeeira, são hostilizados, humilhados, roubados, e recebem tratamento digno apenas por parte de outros colonos e do contador da fazenda.

32 – Gaijin 2 (Tizuka Yamasaki, Brasil, 2002)
A japonesa Titoe emigra para o Brasil com o objetivo de juntar dinheiro e voltar ao seu país. Porém, seus planos são adiados pelo nascimento de sua filha, as conseqüências da 2º Guerra Mundial para o Japão, e a chegada dos netos. Sua neta se casa com um descendente de europeus, que vê seus negócios irem à falência na crise de 1990. Ela então vai morar com a avó, enquanto o marido vai ao Japão juntar dinheiro para que a família possa retornar.

33 – Gaiola Dourada, A. La cage dorée (Ruben Alves, Portugal, França, 2013)
Um casal de portugueses vive em Paris e conquista o respeito e o carinho dos moradores de seu prédio, onde ela é síndica e ele, zelador. Ao receber uma herança, capaz de dar-lhes uma vida luxuosa em Portiugal, decidem retornar ao seu país. Quem não gosta nada dessa notícia são os moradores do local, que farão de tudo para que o casal não vá embora.

34 – Gangues de Nova York (Martin Scorsese, EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, 2002)  Na Nova York de meados do século XIX, Amsterdan retorna à cidade em busca de algo: vingança para a morte de seu pai. Lá, ele conhece Willian, líder de uma gangue local e assassino de seu pai. Amsterdan acaba se tornando homem de confiança de Willian e se apaixonando por Jenny, pertencente a uma gangue rival. No longa estão ainda as duas principais questões da época em Nova York: a imigração irlandesa para a cidade e o início da Guerra Civil Americana.

35 – Gente di Roma (Ettore Scola, Itália, 2003)
Uma câmera segue a vida em Roma. Um homem toma um ônibus, mas a câmera acaba seguindo outro ônibus. Vários eventos simultâneos se desenrolam, como uma entrevista sobre imigração dentro de um ônibus, as atitudes racistas do dono de um bar, uma deportação, um nobre e um vagabundo sentados lado a lado, dentre outros.

36 – Gran Torino (Clint Eastwood, EUA, 2008)
Walt Kowalski, um veterano de guerra da Coréia, vive sua vidinha pacata, até que conhece seus novos vizinhos, imigrantes do Laos. Um deles, adolescente, é forçado por uma gangue a roubar o carro de Kowalski, um Gran Torino. Como pano de fundo está a periferia de Detroit, antes ocupada basicamente por famílias de trabalhadores caucasianos, mas agora predominante por imigrantes de países asiáticos. E o veterano nutre grande xenofobia por esses imigrantes, herdada da guerra.

37 – Habi, a Estrangeira (María Florencia Álvarez, Argentina, 2013)
Uma argentina de 20 anos deixa sua cidade natal, no interior, e se rende aos encantos de Buenos Aires. Sua vida começa a mudar quando entra por engano em um velório muçulmano e é tão bem recebida, que decide conhecer mais sobre esta comunidade. Para isso, adota um novo nome, consegue um emprego em um restaurante árabe e se apaixona. Mas será que isso é suficiente para esquecer suas raízes e se tornar outra pessoa?

Crédito: Divulgação

38 – Hævnen (Susanne Brier, Suécia, Dinamarca, 2010)
Elias é o filho mais velho de um médico, que trabalha em um campo de refugiados. O garoto é perseguido por um colega de classe, até que um novo aluno, Cristian, decide ajudá-lo. Cristian dá uma surra no aluno que perseguia o amigo, sem saber que a vida de ambos estaria ameaçada por um plano mirabolante de vingança.

39 – Herói do nosso tempo, Um (Radu Mihaileanu, Bélgica, Itália, Israel, França, 2006)
Salomão nasceu na Etiópia, é negro, cristão, e aos 9 anos, vive em um campo de refugiados no Sudão. Orientado pela mãe, ele é adotado por um casal de judeus, e encontra dificuldades para sustentar a mentira de que é judeu e órfão.

40 – Homem que virou suco, O (João Batista de Andrade, Brasil, 1981)
Um poeta migra do Nordeste para São Paulo e vê sua vida mudar quando é confundido com um operário que assassinou o patrão em plena festa da empresa. Ele então recorre à única pessoa capaz de provar que ele é inocente: o verdadeiro assassino.

41 – Hora da estrela, A (Suzana Amaral, Brasil, 1985)
Macabéa, nordestina que vive em São Paulo trabalha como datilógrafa. Seu sonho é ter um namorado e, após conhecer o operário Olímpico, inicia um namoro com ele. Glória, sua colega de trabalho, a leva até uma cartomante, que diz que sua vida será mudada por um homem louro e rico. Ela sai de lá muito feliz e a mudança realmente acontece, mas não da forma que ela esperava.

42 – Imigrante, O (Charles Chaplin, 1917)
Charles decide tentar uma vida melhor e, para isso, embarca em um navio rumo à América. Porém, ao chegar aos Estados Unidos, descobre a rotina de preconceitos e humilhações que os imigrantes vivem no país.

Charles Chaplin em cena de O Imigrante.
Crédito: Reprodução

43 – Incêndios (Denis Villeneuve, Canadá, 2011)
Um casal de irmãos gêmeos que vive no Canadá perde a mãe e vai em busca de seu testamento. Junto com alguns pedidos não convencionais quanto ao funeral, encontram um envelope que deve ser entregue ao seu pai e outro a seu irmão. Porém, o fato de acreditarem até então que o pai estava morto e desconhecerem a existência do irmão os leva a uma jornada pelo Oriente Médio.

44 – Intouchables, Os intocáveis (Olivier Nakache, Eric Toledano, França, 2011)
Um rico aristocrata francês, que fica tetraplégico em decorrência de um acidente, contrata um cuidador para ajudá-lo, um imigrante senegalês radicado na periferia de Paris. Apesar de meio atrapalhado, o cuidador aprende bem a função e o homem passa admirá-lo por sua atitude para com ele. Tornam-se amigos e compartilham experiências.

45 – Ivan (Guto Pasko, Brasil, 2015)
Sobreviver a uma guerra, mas depois virar refugiado e apátrida. Perder o contato com parentes e ter de começar tudo do zero em um outro país. E só depois de décadas voltar a ter uma nacionalidade e poder retornar à terra natal. Parece obra de ficção, mas é a história real do ucraniano Iván Bojko, que vive no Brasil e é contada neste documentário, que foi adotado pelo escritório brasileiro do ACNUR como um dos símbolos da campanha #IBelong, que visa debater e acabar com a apatridia até 2024. Saiba mais no MigraMundo.

Foi como cidadão brasileiro que Iván voltou à Ucrânia, depois de 68 anos.
Crédito: Divulgação

46 – Já que Você Existe. Quando sei nato non puoi più nasconderti. (Marco Tullio Giordana, Itália, 2003)
Um garoto italiano cai nas águas do Mediterrâneo durante uma viagem. A sua transição entre a adolescência e a fase adulta acontece em um barco que o resgata. Trata-se de um meio de transporte para imigrantes indocumentados rumo à Itália – situação semelhante à que ocorre em Lampedusa, nas ilhas gregas e em outros pontos de travessia de barcos com migrantes em direção ao Velho Continente.

47 – Jean Charles (Henrique Goldman, Brasil, 2009)
O filme é baseado na história real do brasileiro Jean Charles de Menezes. O homem vivia em Londres e, em meio aos atentados de 2005, foi confundido com um terrorista e morto pela polícia no metrô local.

48 – Kaos (Paolo Taviani, Vittorio Taviani, Itália, 1984)
O filme conta cinco histórias que se passam na Sicília: Uma mãe está há 14 anos sem notícias de seus dois filhos que vivem nos Estados Unidos; Uma mulher recém-casada pede ajuda a um amigo, pois seu marido tem comportamentos estranhos em noites de lua cheia; Um artesão é contratado para consertar um importante vaso de um fazendeiro e acaba preso dentro da peça; Um grupo de camponeses luta pelo direito de enterrar seus mortos na comunidade onde vivem; Um escritor que volta para casa e busca na mãe a inspiração para escrever a história que sempre sonhou.

49 – Lavoura arcaica (Luiz Fernando Carvalho, Brasil, 2001)
Baseado no romance homônimo de Raduan Nassar (1975), o filme conta a história em primeira pessoa de André, que sai de casa por se sentir sufocado pela família. Ele decide retornar quando o irmão vai buscá-lo, a pedido da mãe. Porém, acaba se apaixonando pela própria irmã, mexendo com a estrutura de toda a família.

50 – Lemon Tree. Etz Limon (Eran Riklis, Israel, 2008)
Salma é uma viúva palestina e vive dos lucros trazidos por uma plantação de limões em seu quintal, em Israel. Sua vida pacata começa a mudar quando o Ministro de Defesa israelense passa a ser seu vizinho e ordena que os limoeiros sejam cortados em nome da segurança nacional.

51 – Migrantes (José Roberto Novaes, Brasil, 2007)
Trata-se de um documentário que retrata as condições de trabalho nas lavouras canavieiras do Nordeste. Pessoas migram para lá por necessidade e são submetidas a condições extremas de trabalho em troca de salários muito baixos.

52 – Minha adorável lavanderia. My Beautiful Laundrette (Stephen Frears, Grã-Bretanha, 1985)  Uma família paquistanesa vive na Inglaterra e ostenta seu padrão de vida, como empresários. O chefe da família tem um irmão alcoólatra e de esquerda. É o filho deste irmão que passa a gerenciar a lavanderia do tio.

53- Montenegro. Pérolas e porcos (Dusan Makavejev, Reino Unido, Suécia, 1981)
Vivendo em Estocolmo, uma americana está cansada de seu casamento “morno” e entediante. Essa situação a leva a envolver-se com um grupo de imigrantes vindos da Iugoslávia. Enquanto eles ficam fascinados pela sua conduta boêmia, sua família beira a insanidade.

54 – Mundo novo, Nuovomondo (Emanuele Crialese, Itália, 2006)
Um siciliano vende todos os seus bens e parte rumo à uma terra que promete melhores condições à sua família: Nova York. Mas o sonho começa a transformar-se em pesadelo em meio à problemas que começam no embarque ao navio até a dificuldade de entrada nos Estados Unidos.

55 – Open Arms, Closed Doors (Brasil, 2014)
Feito por cineastas brasileiros com apoio da emissora Al Jazeera, do Qatar, o documentário conta a história de Badharo, um rapper angolano que vive em uma favela do Rio de Janeiro. O filme traz à tona o racismo e as diferenças na recepção de imigrantes europeus e africanos. Leia mais sobre o longa no MigraMundo

Cena do filme Open Arms, Closed Doors.
Divulgação

56 – Pão e Chocolate, Pane e cioccolata (Franco Brusati, Itália, 1974)
Nino, um italiano que vive na Suíça, deseja ser aceito na sociedade local. Porém, todos os empregos e tentativas aos quais ele se submete, acabam em frustração.

57 – Pão e Rosas. Bread and Roses (Ken Loach, Grã-Bretanha, 2000)
Duas irmãs mexicanas trabalham em uma empresa de limpeza. A rotina de ambas muda quando surge Sam, um ativista americano que as influencia a entrar em uma campanha contra o sistema de trabalho que vivem. Essa atitude coloca em risco não só o emprego das mulheres, mas também a sua permanência no país.

58 – Passado Presente (Luiz Eduardo Lerina, Brasil, 2000)
No século XIX, imigrantes pomeranos chegam ao Espírito Santo. Por estarem afastados do povo local, permanecem isolados por cerca de 100 anos. Isso os leva a preservar a sua cultura e tradições, que hoje em dia já não existem mais nem mesmo em sua terra natal.

59 – Passaporte húngaro (Sandra Kogut, França, Bélgica, Brasil, Hungria, 2003)
O documentário relata a saga da autora do filme em busca de um passaporte húngaro. Isso a leva a vários questionamentos acerca do real significado de pertencer a uma nacionalidade.

60 – Pelle, o conquistador (Bille August, Dinamarca, Suíça, 1988)
Em um barco lotado de imigrantes suecos rumo à Dinamarca, estão o jovem Pelle e sua mãe. Ao chegar ao país, encontram trabalho em uma fazenda, mas são submetidos a péssimas condições de vida. Porém, isso não é suficiente para fazê-los desanimar na busca por uma vida melhor.

61 – Piano, O (Jane Campion, França, Austrália, Nova Zelândia, 1993)
Ada é uma mulher muda, que vai com a filha viver na Nova Zelândia. O motivo da mudança é o casamento com Stewart, que foi arranjado, já que ela nem conhece o noivo. Stewart se recusa a transportar o piano de Ada e o vende para Baines. Ada negocia com Baines a devolução do instrumento em troca de favores sexuais, até que a situação foge totalmente do controle.

62 – Poderoso Chefão, O. Il padrino. The Godfather. Parte 2 (Francis Ford Coppola, EUA, 1974)
O siciliano Vito parte para a América, após a morte da família pela máfia. Ele mata um homem que exigia parte dos lucros dos comerciantes e busca o sustento da família. Seus negócios se expandem e, anos mais tarde, ficam sob os cuidados de seu filho mais novo. Entretanto, o jovem descobre que sua ambição minou seu casamento, aliados querem mata-lo e foi traído até mesmo pelo irmão.

63 – Por um punhado de dólares: os novos emigrados (Leonardo Dourado, Brasil, 2014)
A mão de obra realizada por imigrantes desempenha um importante papel na economia do nosso planeta. O documentário mostra, através de histórias de vida, o quanto este fluxo de dinheiro flui livremente, diferente do fluxo de pessoas, que encontram severas dificuldades para ter acesso à documentos e estabelecer-se numa terra estrangeira. Veja também no MigraMundo

Documentário “Por um Punhado de Dólares, Os Novos Emigrados” quer fazer o público pensar sobre a questão migrante.
Crédito: Divulgação

64 – Quatrilho, O (Fábio Barreto, Brasil, 1995)
Dois casais de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul decidem dividir o mesmo teto. Porém, o marido de uma e a esposa do outro se apaixonam e decidem fugir. Só restará aos parceiros abandonados reconstruir suas vidas, talvez juntos.

65 – Rapazes maus, Os: crônicas da violência habitual. Les mauvais garçons: Chroniques de la violence ordinaire. (David Carr-Brown, Pierre Bourgeois, Patricia Bodet, França, 2004)
A cidade de Creil, próxima a Paris, é habitada basicamente por imigrantes, que sofrem com a ação violenta de gangues locais. O enredo leva à uma reflexão sobre a violência e remete a mais de 40 anos de história da sociedade francesa.

66 – Rocco e seus irmãos (Luchino Visconti, Itália, 1960)
Rocco e seus quatro irmãos mudam-se da Basilicata para Milão com a mãe. Todos buscam trabalhar para sua subsistência. Mas a união de Rocco com um de seus irmãos é abalada com a chegada de uma prostituta que seduz os dois rapazes, que passam a disputá-la.

67 – Sacco e Vanzetti (Giuliano Montaldo, Itália 1971)
Sacco e Vanzetti são dois imigrantes italianos que vivem em Boston. Eles foram acusados de um assassinato, do qual provavelmente não foram culpados. E esse julgamento aconteceu baseado no fato de serem imigrantes e assumirem uma posição política mal vista pelo conservadorismo: o anarquismo.

68 – Salada russa em Paris. Okno V Pariz. Salades Russes (Yuri Mamin, Rússia, França, 1993)
A partir de uma janela de um quarto de São Petesburgo, Nickolai e seus amigos misteriosamente vão parar em Paris. Passam então a explorar este novo mundo sem saber que, a qualquer momento, essa janela pode ser fechada.

69 – Samba (Olivier Nakache e Éric Toledano, França, 2014)
Inspirado em livro homônimo, o filme contra a história do imigrante senegalês Samba, que vive na França há dez anos, mas nunca conseguiu a documentação necessária para realizar seus sonhos. Para piorar, passa a sofrer risco de deportação. É nesse contexto que ele conhece e se envolve com Alice, mulher que trabalha em uma instituição de apoio a imigrantes indocumentados e há anos luta contra a depressão. O filme é inspirado em livro homônimo de Delphine Coulin – nele, Samba é do Mali, e não do Senegal, e se envolve afetivamente com outra pessoa.

Filme Samba, inspirado em livro homônimo.
Crédito: Divulgação

70 – Serra Pelada, A Lenda da Montanha de Ouro (Victor Lopes, Brasil, 2013)
A produção é focada no garimpo em Serra Pelada, no Estado do Pará. Nesse lugar lendário, a busca pela riqueza atraiu milhares de pessoas e acabou levando algumas ao encontro da fortuna e outras, da desgraça – dentre os quais os irmãos paulistas Juliano e Joaquim.

71 – Spanglish (James L. Brooks, EUA, 2004)
Uma mexicana e sua filha de 12 anos tentam uma vida melhor nos Estados Unidos. Lá, vão trabalhar na casa de uma influente família e o tratamento que recebem surpreende as duas.

72 – Tem que ser baiano? (Henri Gervaiseau, Brasil, 1993)
Documentário contém entrevistas com nordestinos anônimos e famosos que migraram para outros Estados. Além disso, traz manchetes de jornais e discursos de políticos antigos sobre o tema.

73 – Tempo de embebedar cavalos. Un Temps Pour L’Ivresse Des Cheveaux. Za, Amo Baray’e Masti Asbha (Bahman Ghobadi, Irã, 2002)
Cinco crianças ficam órfãs de pai e mãe na fronteira entre Irã e Iraque. Os irmãos são acusados da perda da mula dos contrabandistas. Ayoub, um dos irmãos, torna-se líder do grupo e se une aos contrabandistas para sobreviver. O irmão mais novo sofre de uma séria enfermidade e necessita de uma cirurgia, que eles não têm condições de pagar. A solução seria um casamento arranjado para a irmã mais velha, com um iraquiano que se compromete a arcar com os custos.

74 – Tempo dos ciganos, O (Emir Kusturica, Iugoslávia, 1988)
Perhan vive em uma comunidade cigana da Iugoslávia, com a avó, o tio e a irmã. A subsistência da família é garantida pelos poderes de cura da avó e a venda de pedra calcária. Ele quer casar-se com a vizinha, mas a mãe da moça recusa seus pedidos, devido à situação financeira do rapaz. Mas tudo pode mudar quando a avó acaba salvando a vida do filho de um criminoso.

75 – Terminal, O (Steven Spielberg, EUA, 2004)
Viktor é um turista da Europa Oriental que, após um golpe de Estado em seu país, parte rumo a Nova York. Porém, é impedido de entrar nos Estados Unidos pois o seu passaporte está invalidado. E tampouco pode retornar ao seu país, já que as fronteiras foram fechadas em decorrência do golpe. Dessa forma, fica “preso” por meses no aeroporto local e passa a improvisar seus dias e descobrir os segredos desse estranho mundo.

Cena do filme O Terminal, com o ator Tom Hanks.
Crédito: Divulgação

76 – Terraferma (Emanuele Crialese , Italia, França, 2011)
A família Purcillo vive em uma ilha italiana e sobrevive basicamente do turismo local. A pacata rotina destas pessoas começa a mudar quando ajudam pessoas de um barco que naufragou. Trata-se de imigrantes indocumentados e, ajudá-los nessas circunstâncias, pode ser considerado um crime. Mesmo assim, abrigam uma mulher e seu filho em sua própria casa e vivem sob a ameaça constante de serem descobertos.

77 – Trem da vida, O (Radu Mihaileanu, Romênia, Hungria, França, 1998)
Habitantes da Europa Ocidental temem a chegada dos nazistas, que prometem deportar todos os judeus da região. Para tentar escapar, forjam um trem nazista, no qual eles próprios interpretam os nazistas. Porém, com o passar do tempo, as encenações começam a tornar-se mais realistas.

78 – Um dia sem mexicanos (Sergio Arau, EUA, México, 2004)
Inexplicavelmente, cerca de 14 milhões de mexicanos somem da Califórnia. Em meio às especulações sobre o que poderia ter acontecido, a importância dessas pessoas para a sociedade começa a ser percebida.

79 – Um italiano em Nova York. Chicago Story (Ettore Scola, Itália, 1971)
Rocco Papaleo deixa a Itália em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. Após fracassar como boxeador, se submete a um trabalho servil e apaixona-se por Jenny, uma modelo.

80 – Underground (Emir Kusturica, Iugoslávia, França, Alemanha, Hungria, 1995)
Em Belgrado,  uma fábrica clandestina de armas, cujos trabalhadores são “refugiados”, é mantida por traficantes. Sem acesso ao mundo exterior, não sabem que a Segunda Guerra Mundial já terminou. Porém, um belo dia, os fabricantes ouvem o noticiário e descobrem que não há mais guerra.

81 – Viagem da esperança, A (Yesim Ustaoglu, Turquia, Holanda, Alemanha, 1999)
O filme narra a história de uma família de turcos que, para fugir da pobreza, tenta imigrar para a Suíça, sem documentos.

82 – Visitante, O. The visitor (Thomas McCarthy, EUA, 2007)
Um professor universitário viúvo diz a todos que é coautor de livros que nem conhece. Quando a autora de um desses livros não pode comparecer a uma conferência em Nova York, ele é enviado em seu lugar. Ao chegar ao seu apartamento na cidade, descobre que ele agora é habitado por um casal de imigrantes sem documentos.

83 – Walachai (Rejane Zilles, Brasil, 2011)
Numa pequena comunidade ao Sul do Brasil, pessoas vivem à sua maneira e ainda falam um antigo dialeto alemão. Embora se considerem brasileiros, são vistos como estrangeiros e formam um grupo coeso, mas isolado das populações vizinhas.

No Fórum de Migrações e Paz, Papa Francisco pede: acolher, proteger, promover e integrar

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Pessoas refugiadas são protegidas pelo princípio de "non refoulement" (não devolução, em tradução livre). Crédito: ACNUR

“Integração e desenvolvimento: da reação à ação”: este foi o tema da sexta edição do Fórum Mundial Migrações e Paz, promovido pelo Pontifício Conselho do Desenvolvimento Humano Integral, a Rede Internacional Scalabriniana de Migrações (SIMN) e a Fundação Konrad Adenauer.

Realizado entre os dias 20 e 21 de fevereiro na Câmara dos Deputados de Roma (Itália), o encontro tem como objetivo favorecer uma parceria inovadora entre agências governamentais, organismos internacionais e organizações da sociedade civil na definição de políticas e programas sobre duas dimensões principais das migrações: a integração dos migrantes e dos refugiados nos países de acolhimento, e a promoção de programas de desenvolvimento nos países de origem dos fluxos migratórios.

Dados recentes da OIM (Organização Internacional para as Migrações) apontam que o mundo hoje tem 244 milhões de migrantes, número recorde na história global. Entre eles estão também refugiados e deslocados internos por conta de guerras e perseguições, chegando a 65,3 milhões de acordo com o relatório mais recente do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), outra cifra recorde.

“Acolher, proteger, promover e integrar”

Em discurso aos participantes do evento, o Papa Francisco – argentino de nascimento e filho de imigrantes italianos – lembrou que há um “dever sagrado” da Igreja em proteger aos migrantes e que é preciso uma mudança de atitude contra a “demagogia populista” que alimenta o medo em relação a aqueles que se deslocam de sua terra natal em busca de melhores condições de vida.

“A nossa resposta comum poderia articular-se em volta de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar”, disse o Papa. “A meu ver, conjugar estes quatro verbos na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural, representa hoje um dever, um dever em relação aos irmãos e às irmãs que, por diferentes motivos, são forçados a deixar a própria terra de origem: um dever de justiça, de civilização e de solidariedade”.

O discurso completo do Sumo Pontífice pode ser lido na íntegra aqui

Francisco finalizou a fala aos presentes expressando preocupação com as crianças e adolescentes que são forçados a viver longe da terra natal, retomando a temática abordada na mensagem papal sobre o Dia Mundial do Imigrante e Refugiado deste ano (leia aqui).

Como uma “Carta Magna”

A fala do Papa Francisco foi definida como um tipo de “Carta Magna” por alguns dos participantes do Fórum.

“Independentemente dos comentários e tentativas de definições, a fala de Francisco foi profunda. Nada de ingenuidade, frases comuns, mas uma reflexão que merece ser lida na integra, onde aparecem análises, denúncias, mas também propostas concretas de ação”, destacou o padre italiano Paolo Parise, diretor da Missão Paz, instituição de referência na acolhida e orientação de migrantes e refugiados em São Paulo, e um dos participantes do Fórum.

Parise lembrou uma dessas propostas de ação, presente na explicação sobre o verbo “acolher”. “Ele fez duas colocações a respeito de duas etapas do processo migratório, ou seja trânsito e destino. Quanto ao primeiro momento, depois de denunciar as organizações criminosas que aproveitam da situação para lucrar ele apontou a necessidade de “abrir canais humanitários acessíveis e seguros”. Quanto ao lugar de destino, fez referência aos “programas de acolhimento difundido”, que já são realidade em alguns lugares, e que favorecem o encontro pessoal e permitem melhor  qualidade dos serviços”.

Com informações da Radio Vaticana