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quinta-feira, maio 7, 2026
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O muro que Trump quer construir entre EUA e México já existe; veja como é parte dele

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Families separated by immigration status gather at both sides of the U.S.-Mexico border fence at Friendship Park in Tijuana, Mexico on May 8, 2016. Friendship Park is the only federally established binational meeting place along the 2,000-mile border dividing the United States and Mexico. Crédito: Griselda San Martin

Por Rodrigo Borges Delfim
Fotos: Griselda San Martin/Reprodução Revista 5W

Menos de uma semana após assumir a Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump assinou decreto que determina a construção de uma barreira na fronteira com o México, sob o pretexto de combater a migração indocumentada em direção ao país – e com a ideia de fazer o governo mexicano, de uma forma ou de outra, pagar pela obra.

Além do muro, Trump determinou ainda a restrição de refugiados no país, especialmente de nações “propensas ao terrorismo”, entre as quais cita Iraque, Líbia, Sudão, Irã e Síria.

O que poucos sabem – dentro e fora dos EUA – é que essa barreira, na verdade, já existe: trata-se de uma construção que cobre cerca de 1.000 km dos 3.200 km de fronteira terrestre entre os dois países – e que conta com trechos até mesmo no mar. Em alguns locais, é composto por grandes barras de metal, que permitem ver – ainda que de forma bem restrita – o que há do outro lado. De acordo com o desejo de Trump, essa barreira já existente seria ampliada e fortificada, com o metal dando lugar ao concreto.

Barreira já existente entre México e EUA se estende até o mar.
Crédito: Griselda San Martin/Revista 5W

O muro já existente foi tema de um ensaio da fotojornalista espanhola Griselda San Martin, retratando as famílias separadas por esse muro. Esse trabalho pode ser conhecido por meio da Revista 5W e no site da própria Griselda – veja mais nos links ao final do texto.

Em um dos trechos desse muro, entre as cidades de San Diego (EUA) e Tijuana (México) existe o chamado Friendship Park/Parque de la Amistad, um parque binacional instituído em 1971 e mantido por uma associação sediada em San Diego. Nele, as pessoas dos dois lados da fronteira podem ter contato uns com os outros. No entanto, o acesso ao local se tornou restrito nos últimos anos e é feito sob forte vigilância da patrulha de fronteira.

Fica a pergunta: qual será o futuro desse parque com Donald Trump no comando da Casa Branca? Essa é uma das histórias que o MigraMundo pretende acompanhar de perto e buscar novas informações.

Conheça mais:

Friendship Park

Revista 5W, com o trabalho de Griselda San Martin

Site de Griselda San Martin

Em quatro locais, Alasitas agita bolivianos, brasileiros e outras nacionalidades em São Paulo

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Com dança e bênçãos às oferendas, deus andino Ekeko abre os trabalhos da Alasitas. Crédito: Kim Schiavo/MigraMundo

Por Rodrigo Borges Delfim

Festa típica da área de La Paz, a Alasitas tem atraído bolivianos de todas as regiões do país – e o mesmo acontece quando é realizada no exterior. E a cidade de São Paulo, que abriga uma grande comunidade boliviana, recebeu nesta terça (24) mais uma edição do evento, espalhado por quatro pontos da capital paulista.

Neste ano, a Alasitas aconteceu no Memorial da América Latina, no Parque Dom Pedro II, na rua Coimbra (região do Brás e ponto bastante identificado com a comunidade boliviana) e no bairro da Penha, na zona leste da cidade.

A festa é celebrada em homenagem a Ekeko, deus andino da abundância. A alasita em si é a miniatura de qualquer objeto que os bolivianos ofertam a Ekeko na crença de que esse sonho se torne realidade – uma nova casa, um carro, um novo emprego, entre outros pedidos. Essas miniaturas podem ser encontradas facilmente em toda a parte na festa, ao lado de diversas opções de comidas e bebidas típicas, danças folclóricas, música, exposição de artesanato, entre outras atrações.

Miniatura do deus andino Ekeko, facilmente encontrada nas barracas da Alasitas.
Crédito: Kim Schiavo/MigraMundo

“A Alasitas tem um significado cultural e também de fé”, sintetiza o jornalista boliviano Zacarias Saavedra, natural de La Paz e voluntário do CAMI (Centro de Apoio ao Migrante). Ele participou da Alasitas no Memorial da América Latina.

Reconhecimento e expansão

Embora aconteça há 18 anos em São Paulo, somente em 2014 a Alasitas passou a fazer parte do calendário oficial de eventos da cidade. Para Rosana Camacho, secretária-executiva da ADRB (Associação de Residentes Bolivianos), a realização anual da Alasitas e seu reconhecimento no calendário de eventos de São Paulo é fruto de muito trabalho e ajuda a dar visibilidade para o migrante boliviano.

“Essa festa representa um resgate, um cultivo das nossas raízes e uma apresentação das nossas qualidades para São Paulo. Não temos apenas o trabalho para oferecer, temos muito a acrescentar a esta cidade”, completa ela, que também participou da Alasitas no Memorial da América Latina.

Dados da SPTuris apontam que São Paulo tem cerca de 60 mil bolivianos vivendo em situação regular, fazendo dela a segunda maior nacionalidade migrante na cidade, atrás apenas dos portugueses. Dados extraoficiais, no entanto, que englobam também pessoas ainda sem documentação, mostram cifras bem maiores.

Alasitas lotou a região do Parque Dom Pedro, mantendo a tradição de anos anteriores.
Crédito: Paulo Illes

Outro local de grande concentração de pessoas foi na região do Parque Dom Pedro II, onde a festa contou com a presença da nova secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, Patricia Bezerra (veja aqui entrevista exclusiva concedida ao MigraMundo em janeiro deste ano). Ela garantiu que avanços recentes obtidos na cidade pelos migrantes e pela sociedade civil organizada serão mantidos e podem ainda ser ampliados. Patricia também se comprometeu em manter diálogo aberto e em trabalhar junto às comunidades migrantes.

As quatro festas, embora aconteçam no mesmo dia, são organizadas por grupos diferentes da comunidade boliviana. Para uns, é sinônimo de diversidade e opção de escolha; para outros, representa uma cisão que poderia ser superada.

“Mesmo estando pulverizada em diversos espaços, ela não perde sua beleza”, destaca a boliviana Veronica Yujira, coordenadora do coletivo Si, Yo Puedo, que busca promover a democratização da informação e do conhecimento junto a jovens migrantes.

Alasitas também lotou a rua Coimbra, ponto de referência para a comunidade boliviana em São Paulo.
Crédito: Antonio Andrade/Bolívia Cultural

Bolivianos, brasileiros, colombianos…

Quem pensa que a Alasitas atrai apenas bolivianos, se engana. Brasileiros e pessoas de outros países residentes na cidade também prestigiam o evento, às vezes em mais de um local.

“Achei mágico o sol ter aparecido depois de uma semana sem dar as caras”, celebrou a articuladora cultural colombiana Viviana Peña, que acompanhou as Alasitas no Memorial da América Latina e no Parque Dom Pedro.

Os atores Ian Noppeney e Giovana Arruda, que estão fazendo uma pesquisa de campo sobre migração latino-americana no Brasil e já estiveram na Alasitas em 2016, voltaram à festa neste ano. “A religiosidade deles é muito forte, e aqui fica ainda mais aflorada. É um encontro deles com a cultura deles, nós é que somos os imigrantes aqui. É um aprendizado excepcional. Por isso que eu acho tão bonito aqui”, ressalta Giovana.

O caráter popular da festa é destacado também por Veronica. “A Alasitas não traz só a questão religiosa, mas também da cultura aimará, que vem das práticas ancestrais, de se buscar energia positiva.

Cidadãos dos EUA que vivem no Brasil falam sobre a vitória de Trump – e o que fazer a partir de agora

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Bandeira dos EUA no Empire State Building, em Nova York, em noite de nevoeiro. (Foto: Rodrigo Borges Delfim - mai.2013/MigraMundo)

Por Rodrigo Borges Delfim

“O dia 8 de novembro [de 2016] tem algo que quer te ensinar. Você vai ouvir?”

A afirmação, do historiador e missionário Greg Fischer, cidadão dos Estados Unidos que vive no Brasil, mostra o quão complexa é a situação que levou à eleição do republicano Donald Trump ao cargo de presidente do país e o grau de incerteza gerado a partir de então.

Esse cenário que ganha novos elementos a partir desta sexta (20), com a posse do magnata. E uma rápida conversa com cidadãos dos EUA residentes no Brasil (ou seja, imigrantes) ajuda a entender um pouco do que está por trás da temida ascensão de Trump e o que se pode aprender a partir desse episódio.

Vontade de mudanças

Candidato pelo Partido Republicano, Trump foi eleito com o slogan “Make America Great Again” (Fazer a América Grande de novo, em tradução livre), com um discurso baseado em preconceitos, sexismo, políticas e visões xenófobas e de isolamento em relação ao restante do mundo.

Na questão migratória, por exemplo, um dos pilares de sua campanha foi a promessa de construir um muro na fronteira com o México, com o objetivo de barrar o fluxo de pessoas que entram nos Estados Unidos a partir da fronteira com o país vizinho – e fazer com que os mexicanos paguem a conta. Também discriminou muçulmanos, saudou o Brexit (a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia) e acena positivamente para a política do governo israelense de ocupação de territórios palestinos.

Para chegar à Casa Branca, Trump venceu em uma disputa apertada contra Hillary Clinton, que representou o Partido Democrata após uma disputada prévia contra Bernie Sanders. E para o estudante Erik Katovich, que faz intercâmbio no Brasil e acompanhou o processo eleitoral desde as prévias nos partidos, parte da chave para entender o que aconteceu nos Estados Unidos está aí.

“Desde o início das candidaturas, a popularidade de Bernie Sanders na esquerda e de Donald Trump e Ted Cruz (pré-candidato republicano) na direita mostravam que os estadunidenses estavam querendo mudança. Apesar de Obama ter herdado a maior crise econômica do século e ter feito um trabalho razoavelmente bom ao enfrentá-la, o desemprego segue alto, os salários estagnaram e a desigualdade estourava”.

Katovich era apoiador de Sanders porque via a crise econômica enfrentada pelos Estados Unidos como fruto de um sistema capitalista predatório e desumano – e Sanders como alguém com ideias progressistas e inovadoras para combater essa situação. No entanto, segundo ele, outras pessoas no país se sentiam ameaçadas não só pela crise, mas também por mudanças culturais no país como a legalização do casamento gay, o crescimento do debate sobre a chegada de refugiados e questão étnico-racial. “Essas pessoas apoiavam o Trump”, completa Katovich. No entanto, o intercambista precisou se contentar com Hillary, considerada mais moderada por parte dos democratas e, por isso, mais apta a bater Trump na eleição presidencial.

Nascida em Long Beach, Califórnia, e residente no Brasil desde 2014, a estadunidense Samantha Serrano também apoiava Sanders e precisou se contentar com Hillary. “Eu queria Sanders, ele foi absolutamente a melhor opção em termos de políticas e história, mas perdeu [nas primárias democratas]. E entre Hillary e Trump, eu sempre escolheria a Hillary. Trump dava e dá muito mais medo. Não tem experiência alguma na política e quer tratar os Estados Unidos como se fosse uma empresa. Quer tirar as opções públicas de saúde dos Estados Unidos, não acredita no aquecimento global e é abertamente sexista, xenófobo, anti-islâmico, homofóbico e elitista. Votei na Hillary porque ela foi a melhor das opções péssimas disponíveis”.

Apesar do desejo de mudança presente no lado progressista como conservador, a vitória de Hillary matou boa parte do entusiasmo dos democratas apoiadores de Sanders. “Muitos como eu nos resignamos a votar em Hillary porque ela era 100% melhor que a alternativa Trump. Mas não tínhamos entusiasmo. Ela era representante do status quo em um ano em que todos os lados queriam uma mudança radical”, ressalta Katovich.

Ao mesmo tempo, a candidatura Trump canalizava outra legião de descontentes com a gestão Obama. “Trump era tipo um id coletivo que desencadeou todas as coisas feias que as pessoas estavam reprimindo. Todo o ódio, medo, intolerância e racismo. Os apoiadores dele amavam quando ele insultava as elites. Eles não se interessavam com a verdade, ou com fatos, ou mesmo pelas coisas horríveis que o Trump falou. Cada pessoa famosa, cada jornal que o denunciava só deixava ele e esses apoiadores mais felizes. Qualquer pessoa educada, usando argumentos com fatos, era taxada de ‘elite”, explica Katovich.

Fischer, que também votou em Hillary por falta de melhor opção, lembra ainda que a eleição de Trump nos Estados Unidos não é um caso isolado. E cita a ascensão de forças conservadoras e populistas em outros países, como o Duterte nas Filipinas e o maior espaço dos partidos nacionalistas em países europeus.

“A tendência é global, e nos Estados Unidos estamos sujeitos às mesmas tribulações enfrentadas por outros países. Isso significa que nós, como um país propenso a promover o “Excepcionalíssimo Americano”, não somos diferentes ou melhores que o resto do mundo. Produzimos um candidato que encarna esta tendência [populista e conservadora]. O mundo está passando por uma mudança fundamental”.

Hora de refletir e agir

A eleição de Trump deixa uma série de incertezas no ar – que podem até mesmo ser agravadas de acordo com as decisões que o magnata tomar à frente da Casa Branca.

“Qualquer cenário em que penso não é bom. Já escutei histórias de amigos que passaram por experiências sexistas, racistas e anti-imigrantes desde a eleição por causa de apoiadores de Trump. Não dá para fugir do racismo e do sexismo no país. As pessoas sentem que têm permissão total para serem ignorantes, racistas, anti-LGBT e sexistas. Não é que a situação era boa antes, mas demos muitos passos para trás”, lamenta Samantha.

Katovich lembra que cresceu nos Estados Unidos com amigos de diversos países e em uma família que ensinava a importância de escutar aos outros e se colocar no lugar outro antes de qualquer julgamento, mas sentiu essa visão abalada após a vitória de Trump. “Aprendi na noite do dia 8 de novembro que cresci, talvez, numa ilusão. Aprendi que meus vizinhos preferem ódio e medo a amor e solidariedade”.

Apesar do sentimento de decepção e de incerteza, a eleição de Trump deixa lições valiosas e o aprendizado a partir delas precisa ser colocado em prática o quanto antes. Um deles é o de passar da lamentação para refletir e agir.

“Nós podemos não compreender o que motivou quase metade dos Estados Unidos a votar no Trump, e é bem fácil reduzir as ações ao escárnio. Mas em vez de lamentar o resultado ou a situação, saia e descubra por que outras pessoas estão sofrendo em vez de dissimular. Vamos aprender a ver através dos olhos do outro”, opina Fischer.

Passar à ação e defender as causas nas quais acredita é também a visão de Katovich, apesar da decepção com a eleição de Trump. “Enfrentaremos quatro anos na defensiva. Vamos ter de lutar cada dia para proteger os direitos e progressos alcançados nos últimos anos. Será duro e longo. Ao final, o racismo e a xenofobia, o ódio e o medo são instrumentos usados pelos dominadores para nos dividir e enfraquecer. Acho que o melhor jeito de sanar o país será mostrar que nossos valores de inclusão e igualdade persistem mesmo em momentos assim”.

A partir desta sexta-feira, 20 de janeiro de 2017, essa luta ganha novos capítulos. E todo o suporte é bem vindo, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar.

Leia também: Com a vitória de Trump nos EUA, novos muros se levantam; e é preciso se preparar para agir

Livro traz olhares do imigrante sobre o Rio de Janeiro por meio da imprensa

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Capa do livro "O Rio de Janeiro dos Imigrantes", de Camila Escudero. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Por Rodrigo Borges Delfim

O Rio de Janeiro, antiga capital do Brasil e uma das cidades mais conhecidas do país no exterior, também deve aos imigrantes parte de sua formação. E um pouco da diversidade de povos que ajudaram a formar a cidade pode ser conhecida por meio dos veículos de imprensa criados ou voltados para esses imigrantes ao longo da história.

No livro “O Rio de Janeiro dos Imigrantes – Páginas de uma Cidade de Muitos Povos”, da pesquisadora e jornalista Camila Escudero, é possível fazer um breve sobrevoo sobre centenas de jornais, revistas e até sites voltados para italianos, alemães, franceses, judeus, poloneses, espanhóis, portugueses, peruanos, entre outras nacionalidades. A publicação contou com apoio da Faperj, por meio de um programa de incentivo de obras para a celebração dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.

Sem a necessidade de se aprofundar em cada um desses veículos, o livro de Camila ajuda a contar um pouco da história da migração no Rio de Janeiro, a partir do olhar dessas próprias comunidades imigrantes. E para quem quiser saber mais sobre cada veículo, o livro é um belo convite a buscar essa imersão a partir das referências e nomes que apresenta.

“Acredito que os meios de comunicação voltados para imigrantes, ao publicarem sistematicamente uma realidade (ainda que a partir de algum recorte ideológico), são fundamentais para o conhecimento mais intimo da vida urbana de determinado grupo, seja no passado, seja na contemporaneidade”, opina a autora.

Em breve entrevista ao MigraMundo, Camila fala um pouco mais sobre o livro e o que o estudo da imprensa imigrante agrega à pesquisa sobre migrações, ontem e hoje, independente do meio utilizado.

MigraMundo: Quais eram os temas principais nos jornais dessas comunidades? Havia algum ponto em comum entre eles, apesar das diferentes nacionalidades?
Camila Escudero: A variedade é imensa e o conteúdo, obviamente, está relacionado não só ao grupo envolvido, mas a que segmento tal jornal se destina. uma vez que não é raro encontrarmos, por exemplo, jornais destinados a católicos italianos, a luteranos ou maçons alemães, a empresários chineses e portugueses, a jovens japoneses, a professores alemães; ou ainda publicações que focam determinada editoria: política, econômica, cultural etc. No geral, podemos dizer que a pauta da imprensa de língua estrangeira é fornecida por vários fatores. Entre eles, destacamos: o estímulo à manutenção da identidade e dos laços culturais e afetivos que remetem à terra de origem; o assistencialismo e prestação de serviços; o fórum de debates e idéias (de caráter político, religioso etc.); a facilitação da socialização no novo território ao mesmo tempo (contraditoriamente), baseada na defesa das tradições, valores e moral da colônia em si ou de seus membros; a divulgação cultural; e a denúncia de problemas, desigualdades e/ou irregularidades que atinge diretamente a colônia ou a região física (cidade, fazenda etc.) na qual ela se insere.

Que tipo de ensinamento traz uma pesquisa como essa, focada na imprensa criada por esses imigrantes?
Acredito que os meios de comunicação voltados para imigrantes, ao publicarem sistematicamente uma realidade (ainda que a partir de algum recorte ideológico), são fundamentais para o conhecimento mais intimo da vida urbana de determinado grupo, seja no passado, seja na contemporaneidade. No caso específico do material jornalístico, seus autores têm a capacidade de ir além de suas necessidades e percepções individuais e colocam sobre o real seus sentimentos e percepções, resultando num conhecimento coletivo e impessoal que pode definir, resumir ou, simplesmente, exibir, características de seus similares.

Além da imprensa imigrante até meados do século XX, você tem acompanhado também algum veículo criado por comunidades migrantes que vivem hoje no Rio?
Sim. Hoje em dia, os jornais impressos deram lugar ao que chamamos de Webdiáspora, que compreende sites, fóruns virtuais, blogs, páginas de Facebook, Twitter e outras redes sociais feitas de e para imigrantes, nos quais custos de publicações e alcance de leitores destacam-se como facilidades das chamadas TIC’s (Tecnologia de Informação e Comunicação). Podemos dizer que a webdiáspora se configura, dentro dos processos migratórios, não só como um espaço transnacional e intercultural midiático, mas como um recurso para interação e compartilhamento dos vínculos sociais (reais ou imaginários, com o país de origem ou de destino), no qual fluxos de informação acabam por construir não só uma identidade diaspórica, mas por participar da negociação de direitos cidadãos e garantir a existência de um cidadão do mundo.

O Rio de Janeiro dos Imigrantes – Páginas de uma cidade de muitos povos
Autora: Camila Escudero
88 páginas
Ed. E-papers (disponível em formato impresso e em E-book)
Preço: R$ 11,50 (e-book) ou R$ 23,50 (impresso)

Crianças migrantes são tema da mensagem do Papa para o Dia Internacional do Migrante e do Refugiado

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Crédito da foto: ACNUR

Neste domingo (15) a Igreja Católica lembra o Dia Mundial do Imigrante e do Refugiado. E para este ano, a questão das crianças desacompanhadas foi o tema escolhido para reflexão e chamar a atenção de fiéis e demais pessoas no mundo todo.

A carta do Papa Francisco, intitulada “Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz”, começa com uma famosa passagem bíblica relacionada ao acolhimento às crianças. “Quem receber um destes meninos em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber, não Me recebe a Mim mas Àquele que Me enviou” (Mc 9, 37; cf. Mt 18, 5; Lc 9, 48; Jo 13, 20).

Leia aqui a íntegra da Carta (disponível em árabe, alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, polonês e português)

A mensagem ressalta o fato de as crianças que migram desacompanhadas serem mais vulneráveis que os demais migrantes. Ao mesmo tempo, as crianças já representam nada menos que 51% dos refugiados e deslocados internos no mundo, de acordo com a edição 2015 do Global Trends – relatório divulgado anualmente pelo ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados).

“Por ocasião da ocorrência anual do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sinto o dever de chamar a atenção para a realidade dos migrantes de menor idade, especialmente os deixados sozinhos, pedindo a todos para cuidarem das crianças que são três vezes mais vulneráveis – porque de menor idade, porque estrangeiras e porque indefesas – quando, por vários motivos, são forçadas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar”, prossegue o papa em outro trecho da carta.

ONU tem chamado a atenção para o problema das crianças imigrantes.
Crédito: ACNUR

Os números do ACNUR e de outras organizações internacionais são ilustrados de forma dramática por imagens como a menino Aylan, encontrado morto em uma praia na Turquia em setembro de 2015. Embora o fato tenha chocado a opinião pública global, pouco ou nada mudou a situação das crianças e jovens que ainda são obrigados a migrarem sozinhas – novas vítimas continuam a surgir dia a dia.

“Por isso, é absolutamente necessário enfrentar, nos países de origem, as causas que provocam as migrações. Isto requer, como primeiro passo, o esforço de toda a Comunidade Internacional para extinguir os conflitos e as violências que constringem as pessoas a fugir. Além disso, impõe-se uma visão clarividente, capaz de prever programas adequados para as áreas atingidas pelas mais graves injustiças e instabilidades, para que se garanta a todos o acesso ao autêntico desenvolvimento que promova o bem de meninos e meninas, esperanças da humanidade”, ressalta outro trecho da carta do Papa.

Sobre a data

Oficialmente, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado começou a ser celebrado pela Igreja Católica em 21 de fevereiro de 1915, por iniciativa da Sagrada Congregação Consistorial. O objetivo era sensibilizar sobre o fenômeno da migração e a promoção de coleta em favor das obras pastorais para os emigrantes italianos e preparação dos missionários da emigração. Atualmente é celebrada no terceiro domingo do mês de janeiro – para 2017, ficou em 15 de janeiro.

Além dela, há o Dia Internacional do Imigrante (18 de dezembro) e o Dia Internacional do Refugiado (20 de junho), ambas instituídas pelas Nações Unidas. A primeira é uma referência à Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 18 de dezembro de 1990; já a segunda data foi estabelecida pela mesma Assembleia por meio da resolução 55/76, de 2001.

No Brasil há ainda o Dia Nacional do Migrante, lembrado por alguns em 25 de junho e por outros em 1º de dezembro – a primeira costuma ser mais aceita como a correta.

De SC, um depoimento sobre o trabalho com imigrantes e refugiados

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Crédito: arquivo pessoal

Por Tamajara Silva*
Publicado originalmente no LinkedIn

Quando iniciei meu trabalho na Pastoral do Migrante de Florianópolis-SC imaginava previamente sobre o envolvimento profissional e pessoal que poderia ocorrer no atendimento aos imigrantes e refugiados na Grande Florianópolis. Contudo, talvez fosse difícil antecipar o nível de transformação individual e intelectual que provocaria.

As teorias que conhecia previamente ao desenvolver minha dissertação de mestrado sobre a problemática migratória na Argentina pareciam ruir frente à realidade que me confrontava. Esse envolvimento provocou uma mudança de visão de mundo e a compreensão do campo de estudo se aprofundou. Meu campo já não é aquele que vou pesquisar lá fora, distante, más é aonde devo atuar e decidir dia a dia aspectos que podem mudar substancialmente a vida dessas pessoas, que se encontram sob a condição de “migrantes”.

Tamajara Silva, que trabalha com migrantes e refugiados em SC. Crédito: arquivo pessoal

Nesse campo, aprendi que as ações marcadas pela: sutileza, espera, escuta, confiança, abalizaram e me permitiram estabelecer uma relação de empatia com os imigrantes e refugiados. Por isso, em cada crise de compreensão desse universo de ação tive que descobrir, na maioria das vezes de forma solitária, como deveria atuar, o que fazer, pois, nesse campo de trabalho não existe um instrutivo, um manual, assim como não há como prever quem irá bater na porta da Pastoral e que demanda irá trazer.

Neste universo, onde não existe um instrutivo, uma diretriz nacional, nem mesmo uma responsabilidade sobre quem, como, quando os atores institucionais devem atuar para ajudar a resolver a situação dessas pessoas; buscamos novas estratégias e procedimentos dia a dia para dar conta dos atendimentos.

Os desafios, cansaço, falta de estrutura e recursos financeiros se tornam obstáculos constantes, porém a certeza de que o trabalho humanitário é caminho para ajudar a tornar o mundo um pouco mais justo se torna o alicerce diário para seguir acreditando nesse sonho.

Crédito: arquivo pessoal

*Tama Silva é conselheira de Direitos Humanos da Caritas Regional Santa Catarina e integrante da Pastoral do Migrante de Florianópolis

Mundo conta com 150 milhões de trabalhadores migrantes, aponta OIT

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Um estudo divulgado recentemente pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostrou dados importantes sobre o tamanho da presença migrante no mercado de trabalho global.

O relatório, denominado “Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes”, concluiu que existem 232 milhões de migrantes internacionais, dos quais 206,6 milhões têm 15 anos ou mais. Desta população migrante em idade ativa, 72,7%, ou 150 milhões, são trabalhadores migrantes. No total, 83,7 milhões são homens e 66,6 milhões mulheres.

Clique aqui para baixar o relatório (disponível só em inglês)

O estudo mostra que a grande maioria dos migrantes muda de país em busca de melhores oportunidades de emprego.

Um setor que ganha atenção especial no relatório é o do trabalho doméstico, no qual os imigrantes representam 17%,2 dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos. E por ser um dos menos regulamentados da economia, é motivo de preocupação da OIT.

Trabalho formal no Brasil

O Brasil também possui estudos focados em migrações e questão laboral. Desde 2014 o OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) publica um relatório anual sobre a presença dos imigrantes no mercado formal de trabalho.

A partir do cruzamento dos dados de diferentes bases do governo federal, o OBMigra constatou que em 2015 o Brasil tinha 125.535 imigrantes com emprego formal, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, também já é possível notar os impactos da atual crise econômica junto à população migrante, especialmente a partir do final de 2015.

O vídeo abaixo, feito em parceria entre o MigraMundo e o OBMigra, traz mais informações sobre o mais recente relatório do OBMigra.

Com informações da ONU

Mundo conta com 150 milhões de trabalhadores migrantes, aponta OIT

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Um estudo divulgado recentemente pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostrou dados importantes sobre o tamanho da presença migrante no mercado de trabalho global.

O relatório, denominado “Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes”, concluiu que existem 232 milhões de migrantes internacionais, dos quais 206,6 milhões têm 15 anos ou mais. Desta população migrante em idade ativa, 72,7%, ou 150 milhões, são trabalhadores migrantes. No total, 83,7 milhões são homens e 66,6 milhões mulheres.

Clique aqui para baixar o relatório (disponível só em inglês)

O estudo mostra que a grande maioria dos migrantes muda de país em busca de melhores oportunidades de emprego.

Um setor que ganha atenção especial no relatório é o do trabalho doméstico, no qual os imigrantes representam 17%,2 dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos. E por ser um dos menos regulamentados da economia, é motivo de preocupação da OIT.

Trabalho formal no Brasil

O Brasil também possui estudos focados em migrações e questão laboral. Desde 2014 o OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) publica um relatório anual sobre a presença dos imigrantes no mercado formal de trabalho.

A partir do cruzamento dos dados de diferentes bases do governo federal, o OBMigra constatou que em 2015 o Brasil tinha 125.535 imigrantes com emprego formal, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, também já é possível notar os impactos da atual crise econômica junto à população migrante, especialmente a partir do final de 2015.

O vídeo abaixo, feito em parceria entre o MigraMundo e o OBMigra, traz mais informações sobre o mais recente relatório do OBMigra.

Com informações da ONU

Mundo conta com 150 milhões de trabalhadores migrantes, aponta OIT

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Um estudo divulgado recentemente pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostrou dados importantes sobre o tamanho da presença migrante no mercado de trabalho global.

O relatório, denominado “Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes”, concluiu que existem 232 milhões de migrantes internacionais, dos quais 206,6 milhões têm 15 anos ou mais. Desta população migrante em idade ativa, 72,7%, ou 150 milhões, são trabalhadores migrantes. No total, 83,7 milhões são homens e 66,6 milhões mulheres.

Clique aqui para baixar o relatório (disponível só em inglês)

O estudo mostra que a grande maioria dos migrantes muda de país em busca de melhores oportunidades de emprego.

Um setor que ganha atenção especial no relatório é o do trabalho doméstico, no qual os imigrantes representam 17%,2 dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos. E por ser um dos menos regulamentados da economia, é motivo de preocupação da OIT.

Trabalho formal no Brasil

O Brasil também possui estudos focados em migrações e questão laboral. Desde 2014 o OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) publica um relatório anual sobre a presença dos imigrantes no mercado formal de trabalho.

A partir do cruzamento dos dados de diferentes bases do governo federal, o OBMigra constatou que em 2015 o Brasil tinha 125.535 imigrantes com emprego formal, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, também já é possível notar os impactos da atual crise econômica junto à população migrante, especialmente a partir do final de 2015.

O vídeo abaixo, feito em parceria entre o MigraMundo e o OBMigra, traz mais informações sobre o mais recente relatório do OBMigra.

Com informações da ONU

Mundo conta com 150 milhões de trabalhadores migrantes, aponta OIT

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Um estudo divulgado recentemente pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostrou dados importantes sobre o tamanho da presença migrante no mercado de trabalho global.

O relatório, denominado “Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes”, concluiu que existem 232 milhões de migrantes internacionais, dos quais 206,6 milhões têm 15 anos ou mais. Desta população migrante em idade ativa, 72,7%, ou 150 milhões, são trabalhadores migrantes. No total, 83,7 milhões são homens e 66,6 milhões mulheres.

Clique aqui para baixar o relatório (disponível só em inglês)

O estudo mostra que a grande maioria dos migrantes muda de país em busca de melhores oportunidades de emprego.

Um setor que ganha atenção especial no relatório é o do trabalho doméstico, no qual os imigrantes representam 17%,2 dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos. E por ser um dos menos regulamentados da economia, é motivo de preocupação da OIT.

Trabalho formal no Brasil

O Brasil também possui estudos focados em migrações e questão laboral. Desde 2014 o OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) publica um relatório anual sobre a presença dos imigrantes no mercado formal de trabalho.

A partir do cruzamento dos dados de diferentes bases do governo federal, o OBMigra constatou que em 2015 o Brasil tinha 125.535 imigrantes com emprego formal, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, também já é possível notar os impactos da atual crise econômica junto à população migrante, especialmente a partir do final de 2015.

O vídeo abaixo, feito em parceria entre o MigraMundo e o OBMigra, traz mais informações sobre o mais recente relatório do OBMigra.

Com informações da ONU