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sábado, junho 27, 2026
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Ensaio: Tanabata Matsuri atrai multidão e pedidos para as ruas da Liberdade

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Tanzakus carregam os pedidos do público que vai ao Tanabata 2017. Crédito: Kim S.M/MigraMundo

Festival chega à 39ª edição em São Paulo e é reforçado pela presença da comunidade japonesa na cidade

Fotos de Li Berbusco e Kim S.M
Em São Paulo (SP)

A comunidade japonesa e admiradores da cultura do país compareceram em peso às ruas do bairro da Liberdade, em São Paulo, para mais uma edição do Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) neste final de semana (15 e 16/07).

Organizadores estimam que a festa na capital paulista atraia cerca de 100 mil pessoas anualmente – em 2017 o Tanabata Matsuri na Liberdade chegou à 39ª edição. Outras cidades com grandes colônias de japoneses e descendentes também organizam o evento – em 2014, o MigraMundo acompanhou o Tanabata de Ribeirão Preto (SP).

O que é o Tanabata Matsuri?

Segundo uma antiga lenda, que vem atravessando gerações, havia uma princesa tecelã chamada Orihine, que morava perto da Via Láctea, filha de Tentei, poderoso deus do Reino Celestial. Um dia se apaixonou pelo pastor de gado Hikoboshi (também chamado de Kengyu), com o aval do do pai da moça. Mas logo os apaixonados deixaram de cumprir suas tarefas e obrigações devido a este amor tão forte. O pai de Orihine, indignado com a falta de responsabilidade do jovem casal, decide puni-los separando-os em lados opostos da Via Láctea (ou rio Amanogawa na mitologia oriental). Porém, deu aos jovens a possibilidade de se encontrarem uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar, condicionando o encontro ao cumprimento de uma ordem sua: atender aos pedidos vindos da Terra.

Esses pedidos são escritos em tiras coloridas de papel chamadas de tanzakus e penduradas em ramos de bambu. Ao final do dia ou do evento, queimam-se todos ramos, pois acredita-se que a fumaça carregará consigo tudo o que lhe foi solicitado, alcançando no céu o casal apaixonado.

Veja o significado de cada cor:

Amarelo = Dinheiro
Azul = Proteção e Saúde
Branco = Paz
Laranja = Felicidade
Rosa = Amor
Verde = Esperança
Vermelho = Gratidão

A data deste festival varia entre as regiões do Japão. Ele geralmente ocorre entre 7 de julho e 7 de agosto de cada ano. Acredita-se ainda que se no dia do reencontro estiver chovendo, Orihime e Hikoboshi não conseguem atravessar a Via Láctea. Logo, o encontro só poderá acontecer no ano seguinte.

Em São Paulo, pelo menos, o Tanabata foi em um final de semana com muito sol…

 

Futuro CRAI-SC abre edital para vagas em atendimento; inscrições vão até domingo

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Terminal Rodoviário de Florianópolis foi "abraçado" por centenas de pessoas na celebração pelo futuro CRAI-SC. Crédito: Divulgação

As vagas disponíveis são para psicólogo, assistente administrativo, assistente social, advogado e apoio técnico

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Estão abertas até o dia 16 de julho as inscrições para o edital que vai preencher vagas em atendimento do futuro Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante e Refugiado (CRAI) de Santa Catarina.

As vagas disponíveis são para psicólogo, assistente administrativo, assistente social, advogado e apoio técnico. Para se inscrever, o candidato precisa enviar currículo e carta de intenções para o e-mail asa@arquifln.org.br

Clique aqui para acessar os editais, divididos por vaga

Já no dia 17 devem ser divulgados no site da Ação Social Arquidiocesana, entidade que vai gerir o futuro CRAI-SC, os nomes dos candidatos selecionados para as entrevistas. A previsão inicial é de que o centro comece a funcionar no mês de agosto.

O CRAI-SC deve ficar no Terminal Rodoviário Rita Maria e é resultado da assinatura de um convênio do governo federal com o estadual, que ocorreu em janeiro de 2016,  e tem duração de 24 meses. Nesse período, a ASA desempenhará as atividades referentes ao estabelecimento do CRAI, estruturação e organização do local e atendimento a imigrantes e refugiados.

A instalação do CRAI-SC é uma reivindicação antiga da sociedade civil em torno da temática migratória. No feriado de 7 de Setembro de 2016, centenas de pessoas deram as mãos e fizeram um abraço simbólico no Terminal Rodoviário, aproveitando o Grito dos Excluídos, em apoio ao futuro centro de referência.

 

 

Fim de semana em SP tem agenda cheia de festas e debates sobre migrações; veja lista

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Bairro da Liberdade, onde costuma acontecer em São Paulo o Tanabata Matsuri. (Foto: Divulgação)

Entre sexta e domingo a capital paulista tem debate sobre a Lei de Migração, festas russa e japonesa, workshop com comida congolesa e atividades culturais latinas

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Atividades culturais e debates políticos relacionados às migrações serão especialmente fartos neste final de semana em São Paulo. De festa de rua a workshops culturais e debates políticos, a programação é extensa e vai requerer uma boa dose de jogo de cintura ou mesmo escolhas um tanto quanto ingratas sobre em qual atividade comparecer ou não.

Já que não tem como mudar, o jeito é analisar as opções disponíveis e escolher as que couberem melhor na sua agenda. E o MigraMundo tenta te ajudar fazendo uma pequena listinha do que vai rolar apenas neste final de semana – se faltou alguma atividade, não deixe de entrar em contato pelas redes sociais ou pelo e-mail blogmigramundo@gmail.com e fazer seu adendo:

Sexta e sábado (14 e 15/07)

Feira Gastronômica Cultural – Rússia e outras culturas
Local: Catedral Ortodoxa de São Nicolau
Endereço: Rua Tamandaré, 710 – Aclimação
Horário: das 10h às 18h (sexta e no sábado)
Entrada: gratuita
Informações: evento no Facebook

Atividade vai reunir atrações gastronômicas russas e de outros países do leste da Europa e Oriente Médio. É também uma oportunidade de conhecer a catedral e um pouco da história da comunidade migrante russa em São Paulo e seus descendentes.

Catedral Ortodoxa de São Nicolau, em São Paulo.
Crédito: Divulgação

Sábado (15/07)

Debate sobre a nova Lei de Migração
Local: Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bela Vista
Horário: das 15h às 18h
Entrada: gratuita – inscreva-se aqui
Informações: evento no Facebook

O Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) promove a atividade para discutir a nova lei, que vai substituir o Estatuto de Estrangeiro, e deve reunir imigrantes, ativistas, estudantes, advogados, jornalistas e especialistas em direitos humanos e imigração. Os principais temas serão: Impacto dos vetos e a manutenção do paradigma de Segurança Nacional, Possíveis Cenários e Conjuntura, Estratégia e Articulação e Desafios para a regulamentação – veja programação abaixo:

Inauguração Ayni
Local: Rua Marcos Arruda, 501 – Brás
Horário: das 15h às 23h
Entrada: gratuita
Informações: evento no Facebook

O grupo Ayni foi se formando a partir de interesses em comum de pesquisadoras de diferentes instituições, cidades, nacionalidades e áreas de atuação. Por meio de encontros em que cada um falava de sua pesquisa, surgiu a necessidade de transformar as inquietações e o material de pesquisa em ações mais concretas junto à população de imigrantes, principalmente a comunidade boliviana, tendo sempre como foco a valorização e o respeito de seus saberes e suas culturas de origem. Evento terá venda de bolos, arepas, doces e comida vegana, além das atividades abaixo:

17h: SOM Risas
Coletivo de arte Semillas / Paródia – dança
Humor – transformismo (em portunhol)

17h: Lakitas Sinchi Warmis
Equipe de base Warmis – convergência de culturas / Música

 

Domingo

Hip hop imigrante com o coletivo Latam Squad
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso
Horário: das 14h às 15h
Entrada: gratuita
Informações: evento no Facebook

O coletivo Latam Squad, que reúne músicos de Bolívia, Brasil e Peru.
Crédito: Divulgação

A Equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas convida o Coletivo Latam Esquad a ocupar o palco do foyer* do Centro Cultural São Paulo. O coletivo foi formado em 2014 pelos MCs De la Paz, Sheko, Egon e os grupos Sujos Clã (Pazqim, Santana e Dan Dan), Santa Mala (Abigail, Pamela e Jenny) e La Mil 8 Crew (Dimo, Pibeta, Cristian e Albert). Unindo artistas da Bolivia, Brasil e Peru, formaram em 2015 o Projeto Kantupac, contemplado pelo Programa VAI, realizando eventos mensais de Hip Hop latino em pontos de encontro de imigrantes. Em 2016 parte do coletivo vai a Bolivia para divulgar a música e fazer shows. Em 2017, com nova formação, prepara o primeiro CD Oficial do Coletivo.

Congolinária no Al Janiah
Local: restaurante Al Janiah – Rua Rui Barbosa, 269 – Bixiga
Horário: das 13h às 17h
Entrada: gratuita
Informações: evento no Facebook

Apresentação do Congolinária no SESC Vila Mariana, em São Paulo (abr.2017).
Crédito: Matheus Passaro

O projeto Congolinária, idealizado pelo congolês Pitchou Luambo, vai mais uma vez ao Al Janiah mostrar um pouco da culinária congolesa, que privilegia a utilização de produtos naturais sem aditivos químicos e/ou industriais e tem base vegana. É mais uma oportunidade de conhecer melhor a cultura e as histórias da República Democrática do Congo.

Sábado e domingo

Tanabata Matsuri
Local: Praça da Liberdade – (próxima à estação Liberdade do metrô)
Horário: sábado: das 10h30 às 19h;
domingo: das 10h30 às 18h
Entrada: gratuita
Informações: evento no Facebook

Bairro da Liberdade, onde vai acontecer o Tanabata Matsuri.
Crédito: Divulgação

Festa tradicional da comunidade japonesa que atrai curiosos e admiradores de diferentes nacionalidades, o Tanabata Matsuri (ou Festa das Estrelas) se refere a uma antiga lenda oriental sobre o amor impossível entre uma princesa e um pastor, que só podem se encontrar uma vez por ano (no sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar) com uma condição: precisam atender a todos os pedidos vindos da Terra.

Por isso, além de atividades culturais e gastronômicas, os participantes do Tanabata costumam fazer pedidos por meio dos tanzakus – basta comprar um e, com muita fé, escreva o seu pedido e o pendure nos galhos dos bambus que estarão espalhados pelas ruas. Veja o significado de cada cor dos tanzakus:

Amarelo = Dinheiro
Azul = Proteção e Saúde
Branco = Paz
Laranja = Felicidade
Rosa = Amor
Verde = Esperança
Vermelho = Gratidão

Governo francês apresenta texto de lei para diminuir espera por status de refúgio no país

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Migrantes e solicitantes de refúgio no campo de Calais, norte da França. Crédito: Sputinik International

Ideia é reduzir de 13 para 6 meses o tempo de espera do requerente de refúgio. No ano passado, a França julgou mais de 85 mil pedidos, sendo que 66,8% deles foram rejeitados

Por Victória Brotto
De Estrasburgo (França)

O governo francês apresentou formalmente na última quarta-feira (12) um texto de lei que prevê acelerar o julgamento de pedidos de refúgio no país. Sob a nova diretriz política do presidente francês, Emmanuel Macron, o objetivo do governo é proteger mais rapidamente aqueles que precisam de status de refugiado.

O texto, anunciado no conselho dos ministros, pretende reduzir o tempo entre a chegada do solicitante de refúgio à França até a resposta final do pedido de asilo. Hoje, a espera pelo julgamento de um caso pode chegar a 13 meses e o governo francês quer reduzir esse tempo para seis meses. Mas o ministro do interior, Gérard Collomb, ressaltou que mesmo se o texto original for aprovado, o tempo exato vai variar de caso a caso.

Se receber o aval formal do Conselho de Ministros, o texto segue para o Parlamento. Na França, o Conselho ministerial, também conhecido como Gabinete da França,  é formado pelos ministérios do governo francês e encabeçado pelo presidente da República. Os ministros se reúnem semanalmente no Palácio do Eliseu.

O presidente francês, Emmanuel Macron com o Conselho de Ministros.
Crédito: RFI

De acordo com o OFPRA, sigla em inglês para o Escritório de Proteção a Refugiados e a Pessoas Apátridas, no último ano foram 85,244 requerentes de refúgio na França. Desse montante, apenas 18,555 foram reconhecidos como refugiados. As rejeições somaram 58,635 casos, um percentual de 66,8%. De acordo com o OFPRA, a maioria dos requerentes foram do Haiti, Argélia, Bangladesh, Albânia e Republica Democrática do Congo, nessa sequência.

Processo

Atualmente,  o processo de pedido de refúgio na França dura, aproximadamente, 13 meses e envolve três instâncias. Primeiro, o requerente de asilo precisa ser registrado numa plataforma do governo em um dos postos de migração na sua cidade. O tempo do registro do migrante varia de dez semanas a três meses, dependendo da região. Só depois de registrado, o migrante recebe duas visitas do oficial do Escritório Francês para Imigração e Integração (OFII, sigla em francês) – uma espécie de oficial de justiça brasileiro.

O tempo de espera pela primeira visita do oficial de justiça atualmente na França pode demorar de 45 a 90 dias. Mas é só depois da segunda visita que o migrante ganha o status de requerente de asilo.  O projeto de lei que será apresentado hoje ao corpo de ministros também pretende reduzir esse tempo em até 20%.

Segundo Pierre Henry, presidente da organização França Terra d’Asile, para conseguir diminuir esse tempo, o governo francês precisa reformular o sistema de recepção do migrante. “Se realmente queremos avançar, precisamos pensar globalmente e fornecer recepção inicial distribuídos por todo o país. Precisamos pensar em outras alternativas, como aumentar o número de postos de acolhimento nas cidades”, afirmou em entrevista ao jornal Le Fígaro.

Migrantes e solicitantes de refúgio no campo de Calais, norte da França.
Crédito: Sputinik International

“Oficialmente, somos 83 mil postos de acolhimento abertos hoje na França. Esse número deve chegar a pelo menos 110 mil se queremos que todos os candidatos sejam acomodados”, acrescenta Gérard Sadik, coordenador para asilo da Associação de Defesa do Migrante, a Cimade.

Após as visitas, o perfil do requerente de asilo é inscrito no OFPRA, o que demora até 21 dias. “Mas raros são os que chegam a essa etapa, muitos acabam indo para as ruas”, afirma Sadik.

Depois disso, o caso é analisado por um conjunto de “organização irmãs” do OFPRA e, ao final, outro encontro é marcado com um oficial de proteção do órgão francês. Só depois que uma resposta final é dada ao solicitante.

O tempo entre a inscrição do requerente no OFPRA até a finalização do processo é de cinco meses. Se o asilo for recusado, o migrante pode apelar junto à Corte Nacional de Direito de Asilo, a CNDA, que tem seis meses para instaurar o chamado “processo de direito administrativo” e julgar o caso.

O texto apresentado pelo governo francês também prevê uma aceleração do processo no OFPRA, de cinco meses para três. “Atualmente, nós passamos de 9 meses para cinco. E serão apenas três meses até o final do ano. Com alterações na logística e verbas suplementares, esse tempo pode cair ainda mais, para dois meses”, afirmou o diretor do OFPRA, Pascal Brice.

Em 2012, o Ministério para Refugiados  na França julgou 60 mil.  Após um ano, o número dobrou para 110 mil quando a corte diminui o tempo de tramitação do processo de 9 meses para cinco – quase 50% a mais do que no ano anterior.

Plebiscito da oposição deve atrair 5 mil venezuelanos no Brasil

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Marco da fronteira Brasil/Venezuela, entre Pacaraima e Santa Elena de Uairén. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Venezuelanos devem ir às urnas neste domingo (16) para uma consulta popular convocada pela Assembleia Nacional do país. O objetivo da ação é questionar a Constituinte que está sendo convocada pelo governo venezuelano para o próximo dia 30 de julho.

Para o governo, liderado pelo presidente Nicolás Maduro, essa Constituinte é a única saída para a crise econômica e política que vem atingindo o país nos últimos anos, altamente dependente do petróleo e seus derivados; já a oposição vê na Constituinte uma manobra de Maduro para se perpetuar no poder – onde está desde 2013, em substituição ao mentor político Hugo Chávez, morto naquele ano.

Como recurso, a oposição procura fazer valer o artigo 71 da Constituição venezuelana – promulgada pelo então presidente Hugo Chávez em 15 de setembro de 1999. Ele estabelece que a Assembleia Nacional Venezuelana (ANV), através da maioria de seus membros, tem a autoridade para convocar consultas populares em assuntos transcendentais para o país.

Os embates entre governo e oposição se tornaram ainda mais acirrados nos últimos meses, gerando protestos que terminam em violência. Quase cem pessoas já morreram.

Venezuelanos no Brasil

A oposição estima que 10 milhões de pessoas em todo o país e no exterior devem participar da consulta. No Brasil, mobilizadores locais estimam a presença de 5 mil nos locais de votação preparados em nove capitais brasileiras – Belém, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Acho vital essa oportunidade que temos de nos manifestar, mediante uma figura que contempla nossa Constituição Nacional. Já fomos muito atropelados pelo governo e as instituições que eles dirigem arbitrariamente”, diz Yasmin Monsalve, que vive no Brasil há 13 anos e é uma das mobilizadoras da consulta no Brasil.

“Se eles tivessem respeitado as leis, nós venezuelanos teríamos participado de um referendo revogatório no ano passado, com o qual poderíamos ter evitado a morte de quase uma centena de pessoas nos últimos três meses”, aponta Yasmin, se referindo aos protestos recentes no país entre oposicionistas e a polícia venezuelana.

Na capital paulista o ponto de votação é a Matilha Cultural (Rua Rego Freitas, 542, Centro); no Rio, o posto estará na lagoa Rodrigo de Freitas.

“As crianças sonham em fugir”, afirma médico francês sobre situação da população na Síria

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O médico francês Raphäel Pitti falou em palestra em Estrasburgo (França) sobre a situação da Síria e dos refugiados do país. Crédito: Victória Brotto/MigraMundo

Em palestra na França, Raphäel Pitti diz que que Síria vive “barbárie”. Ele treina equipes de socorro desde 2012 no país e é visto com desagrado pelo regime de Bashar Al Assad por “dar tratamento médico a inimigos”

Por Victória Brotto
Em Estrasburgo (França)
Versão em inglês – clique aqui

Um centigrama de gás Sarin causa a morte de um homem de 60 kg. Por ser uma neurotoxina, o gás causa paralisia respiratória e, posteriormente, morte por asfixia.  Volátil, inodoro e incolor, sua toxidade é 100 vezes maior do que a do gás arsênico, usado nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Na noite do dia 21 de agosto de 2013, 1.400 pessoas morreram na Síria depois de inalarem o gás. A maior parte dos mortos eram crianças – por serem “leves demais”, a neurotoxina do sarin as matou mais rápido.  No dia 04 de abril deste ano, mais de 80 pessoas morreram durante o que se acredita ter sido um ataque por arma química na cidade rebelde de Khan Sheikhoun, no noroeste da Síria. O lançamento de uma bomba de gás durante a noite, enquanto a população dormia, causou a morte instantânea de quem inalou a toxina.

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Após colher amostras de três vítimas fatais, a Organização Mundial de Prevenção de Armas Químicas informou em relatório do dia 19 de abril que a causa mortis foi intoxicação por gás sarin. “O cloro e o sarin são as [armas químicas] mais usada pelo regime sírio”, disse Raphäel Pitti, médico especialista em situações de emergência e catástrofes.

Raphäel Pitti, médico francês especialista em situações de emergência e catástrofes.
Crédito: Reprodução/Luxembourg Peace Prize

Pitti esteve oito vezes na Síria desde que a guerra começou, em 15 de março de 2011, e é chefe do setor de emergência da União das Organizações de Socorro e Assistência Médica (UOSSM), organização médica humanitária francesa e internacional no país sírio. Pela UOSSM, Pitti treina desde 2012 equipes médicas na Jordânia e na Síria para atuarem em guerras e outras situações de emergência.

Com dez anos de experiência em medicina de emergência, o médico francês tem um currículo extenso: já liderou missões no Oriente Médio, na Ex-Iugoslávia, na ilha italiana de Lampedusa, em missões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no Golfo Pérsico e em operações médicas de ajuda humanitária na região do Magreb (como é conhecido o noroeste da África). Hoje, o francês se diz “testemunha de uma situação de catástrofe humanitária” quando fala da Síria. De acordo com a Anistia Internacional, até hoje são 1 milhão de mortes, dentre as quais 60 mil são decorrentes de tortura, 200 mil prisioneiros e 1 milhão de mutilados.

“Crimes contra a humanidade acontecem todos os dias no país, é a pior catástrofe desde a Segunda Guerra Mundial”, falou o médico durante conferência na noite de segunda (10) sobre Saúde e Direitos Humanos em Estrasburgo (França), capital política e jurídica da União Europeia (UE).  A palestra foi promovida pela Instituição francesa de Direitos Humanos René Cassin para o público. Cerca de 300 pessoas – entre jornalistas, médicos, acadêmicos, refugiados e advogados – lotaram a sala de l’Aubette, na Praça Kléber, no coração de Estrasburgo.

O médico francês Raphäel Pitti falou em palestra em Estrasburgo (França) sobre a situação da Síria e dos refugiados do país.
Crédito: Victória Brotto/MigraMundo

Fuga e refúgio

De acordo com o último relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), 5,5 milhões de pessoas fugiram da Síria até 2016 –  o que representa ¼ da população total.  Destes, 4 milhões estão em países vizinhos, como a Turquia e a Jordânia – só na Turquia, são 2,5 milhões de sírios requerentes de refúgio. De acordo com dados da ONG Anistia Internacional, os deslocados internos no território sírio já ultrapassam 7,6 milhões.

“É claro que as pessoas querem fugir de lá. Eu já vi muitas crianças morrerem asfixiadas por gás cloro, uma mãe entrou no hospital com a filha e ela havia inalado gás cloro. A mãe morreu no hospital asfixiada, e a filha saiu de lá sozinha, sem a mãe”, contou Pitti. “As crianças e os adolescentes sonham em fugir, o sonho deles é fugir. Diante de uma catástrofe humanitária desse tipo, é normal que partam, é normal que fujam”.

Fechamento dos portos europeus

Até o começo deste ano, foram 1,2 milhões de sírios a chegar à Europa. De acordo com o Comitê Internacional de Resgate das Nações Unidas, 270 mil pediram asilo na Alemanha. No começo deste ano, o ACNUR pediu à UE que “somasse forças em acolher os refugiados sírios” com os países próximos à Síria, como Turquia, Líbano, Jordânia, Egito e Iraque. Mas, ao contrário dos pedidos das Nações Unidas, Itália e Grécia ameaçaram fechar os portos se o resto da UE não “tomar alguma providência” sobre a chegada de migrantes. O porta-voz do país na ONU chegou a chamar a situação de “insustentável”.

(Veja aqui reportagem do MigraMundo sobre a vida dos refugiados na Calábria, Itália)

Questionado pelo MigraMundo sobre o impacto de um possível fechamento dos portos na Europa para migrantes, o médico foi categórico. “Para mim, não há diferença entre fechar portos e deixar refugiados como mendigos quando chegam, sem nenhum sistema humano de acolhimento. Agora você me pergunta dos impactos se a Itália fechar os portos. Bem, o impacto é mais pessoas morrendo tentando fugir . Será mais um obstáculo para uma população em fuga desesperada”.

Em pronunciamento em Genebra no começo deste ano, a porta-voz da ONU Babar Baloch fez um resgate histórico e pediu mais atenção da Europa em relação à Síria. “Esse não é o tempo de mandar os refugiados sírios embora. A Europa passou por isso durante da Segunda Guerra e foram muitos países que deram suporte aos refugiados europeus. A Síria está atualmente vivendo uma situação traumática e precisa da ajuda internacional”.

Pitti falou para cerca de 300 pessoas durante palestra em Estrasburgo, uma das sedes da UE.
Crédito: Victória Brotto/MigraMundo

Pitti chamou a atenção para a situação do país. Segundo ele, a sociedade síria vive hoje um colapso total na economia, na segurança, na saúde, e um colapso ainda maior no tecido social. “60% dos hospitais foram destruídos, o acesso à água potável é dificílimo, assim como a alimentos”, afirmou ele.  Com a poluição da água, muitos idosos e crianças sofrem de diarreia aguda e acabam morrendo por desidratação. Outras doenças como poliomielite, rubéola e leishmaniose são frequentes entre a população.

As doenças crônicas também são causa de morte na Síria. “Um senhor de 55 anos, pai de duas crianças, sofria de insuficiência renal crônica em Aleppo. Pela cidade não ter nenhum centro de hemodiálise, ele acabou morrendo”, conta o médico francês.

Solução?

Ao final da apresentação, Pitti afirmou não saber o que a Europa deve fazer em termos políticos. “Há uma população sofrendo, sofrendo muitos, e todos os dias. O que a Europa pode fazer? Eu não sei.  Se o Conselho de Segurança deve passar por uma reforma? Sim, talvez. Eu não sei. Mas eu sei que famílias são mortas, feridas, mutiladas, são crianças, seres humanos com ambições e sonhos iguais aos nossos”, concluiu.

Na ONU, a porta-voz Baloch pediu “humanidade”. “A solução para crise na Síria é política, mas, em termos de suporte, o que é necessário é humanidade. Nós estamos pedindo para que outros países tomem a frente para ajudar os países vizinhos da Síria, países que estão recebendo milhares de refugiados. Pedimos que a comunidade internacional compartilhe a responsabilidade de reassentar e acolhê-los humanitariamente”.

“Children dream of running away”, says French doctor about Syrian population

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Raphäel Pitti, médico francês especialista em situações de emergência e catástrofes. Crédito: Reprodução/Luxembourg Peace Prize

With 10 years of experience in war medicine, Raphäel Pitti says, during a conference in France, that Syria lives a “barbarism”

By Victória Brotto
From Strasbourg (France)
Portuguese version – click here

A centigram of Sarin-gas causes the death of a 60kg man. For being a neurotoxin, the gas causes respiratory paralysis and, afterwards, death by suffocation.  The Sarin is volatile, odourless and colorless and its toxicity is a hundred times higher than the arsenic gas – used in the Nazis concentration camp over the Second World War.

On August 21st, 2013, 1.400 people died in Syria after inhaling the Sarin gas, most of them were kids – as they had less weight they were killed quicker.  On April 4th, 2017,  more than 80 people died in an attack by chemical in the rebel hold city of Khan Sheikhoun, northwest of Syria. A gas bomb was lauched at night, while people were still sleeping, and who inhaled it died quickly.

After collecting samples from three victms, the International Organization for Chemical Weapons informed, in their report on April 19th, that the causa mortis  was intoxication by Sarin gas. “The Chlorin and the Sarin are the most [chemical] weapons used by the regime”, says Raphäel Pitti, a specialist doctor in emergency and catastrophe.

Pitti has been eight times in Syria since the beggining of the war, on March, 15th, 2011. He is the head chef of the emergency sector of the Union of Medical Core and Relief Organization (UOSSM), a French and international humanitarian NGO in Syria. By UOSSM, Pitte trains, since 2012, medical teams in Jordan and Syria to provide humanitarian aid in wars and other emergency situation.

Raphäel Pitti says, during a conference in France, that Syria lives a “barbarism”.
Photo: Luxembourg Peace Prize

With a ten-year experience in war medicine, the French doctor took part into missions in the Middle East, Former Yugoslavia, in the italian island of Lampedusa and also NATO’s missions in Persian Gulf and medical operations in Magreb.  Nowadays, Pitti calls himself a “witness of a humanitarian castastrophe” when he talks about Syria. According to the NGO Amnesty International, the war in Syria counts 1 million deaths, including 60,000 deaths for torture, 200.000 prisioners and 1 million of handcaps.

“Crimes against humanity take place every day in the country, it is the worst catastrophe since the Second World War”, that’s what the doctor said last Monday during a conference on Health and International Human Right, in Strasbourg, France, the juridical and political capital of the European Union.

The conference was ran by the French institution of Human Right René Cassin and opened for the public. More than 300 people, including academics, journalists, lawyers and refugees have attended to the l’Aubette room, in Kléber Square, in the center of Strasbourg.

“Crimes against humanity take place every day in the country, it is the worst catastrophe since the Second World War”, the doctor said. Photo: Victória Brotto/MigraMundo

Displacement and Refugees
According to the last report of the UN Office for Refugees (UNHCR), 5,5 million people escaped from Syria until 2016 – it represents a quarter of the population, numbered in around 22 million of people. From this total, 4 million went to neighbouring countries, as Turkey and Jordan – only in Turkey, there is 2,5 million Syrians asking for refuge. According to Amnesty International, the internally displaced people in Syria are beyond 7,6 million.

“It is obvious that people are fleeing. I have seen many children dead because of the gas weapon. A mother with her daughter came into the hospital and she had inhaled the gas. She died and her kid left the hospital alone, without her mother”, tells he. “The children and the teenagers dream of running away, their dreams are just leaving the country. Facing a catastrophe like that, it is normal, it is human to want that.”

European ports
Until the beginning of this year, 1,2 million Syrian reached in Europe. According to the Rescue International Committee, 270,000 asked for asylum in Germany. The UN asked to European Union to “add forces in integrating and receiving refugees with the neighbouring countries as Turkey, Lebanon, Jordan, Egypt and Iraq. But, instead, Greece and Italy announced that the situation was “unbereable” and they would close the ports if EU do not help them in “deal with migrants”, says the Italian representant in UN.

Asked by MigraMundo about the impact of a closing ports politic by Italy and Grecce, Raphäel Petit said: “For me, there is no difference between close the port and leave a refugee as homeless without a human system of aid. Now, you asked me about the impacts of closing ports. Well, the impact will be more people dying when they try to flee by terrible ways. It will be a one more obstacle for the desperate people.”

In Geneve this year, the spoker men of United Nations, Babar Baloch said that Europe has to help these syrian refugees. “Europe has passed through that in the Second World War and they found lots of support from other countries. Syria is living a trauma and they need international help.”

Dr. Pitte called attention for the high level of collapse in Syria. According to him, the economy, the society and the health system are all ruined. “60% of the hospitals were bombed. The access to clean water is none, as it is food.” By dirty water, many children and aged are dying by diarrheia. Also chronical desases are causing deaths. “A 55 year old man, father of 2 kids, was suffering from renal insufficiency in Aleppo. As there is no centre that treats it, he has died”, said him.

Solution?
Pitte said that he does not know what Europe has to do in terms of politics to stop the suffering in Syria. “There is a population suffering, and suffering a lot, every day. What can Europe do? I do not know. If the Security Council has to be reformed? Yes, maybe. But one thing I know, that there are families, entire families dying, kids and human beings with the same dreams as we have.”

The UN spoke man has said that humanity is needed over politics. “The solution to the crisis in Syria is political, but , in terms of support, it is humanity that is needed. We are asking other countries to come forward and help those neighbouring countries from Syria that are hosting large numbers of Syrian refugees to share responsibility for resettlement and humanitarian admissions. Those desperate refugees are in need of resettlement.”

Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes tem novo endereço em São Paulo

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Migrantes e refugiados encontram atendimento no CRAI em sete idiomas. Crédito: Divulgação/CRAI

Equipamento existe desde 2014 e oferece atendimentos para imigrantes em português e outros seis idiomas

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)
Atualizado às 13h40

O CRAI (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) de São Paulo está funcionando em uma nova sede, bem próxima ao antigo local.

Desde o final de maio os atendimentos acontecem na rua Japurá, 212, no bairro da Bela Vista – a poucos metros do local anterior (rua Japurá, 234), que continua a abrigar o centro de acolhida para imigrantes.

Fachada da nova sede do CRAI, a poucos metros do antigo endereço – que continua a abrigar o centro de acolhida.
Crédito: Divulgação

A nova sede funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, e o atendimento é realizado em sete idiomas – português, inglês, espanhol, francês, quéchua, lingala e árabe. No CRAI, os imigrantes encontram informações e orientação sobre assuntos como documentação, assistência social e jurídica, programas sociais, entre outros. O espaço conta ainda com parcerias para realizar seus atendimentos, como a existente com a DPU (Defensoria Pública da União) às quartas-feiras.

Em funcionamento desde novembro de 2014, o CRAI é um equipamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e tem o Sefras (Serviço Franciscano de Solidariedade) como entidade gestora. Ele atende, em média, 400 pessoas por mês e já realizou cerca de 8.000 atendimentos a migrantes desde sua abertura, além de ter atuado na capacitação de 700 servidores públicos para trabalho com as comunidades migrantes. O centro também oferece cursos de português para imigrantes, entre outras atividades educativas e culturais.

Migrantes e refugiados encontram atendimento no CRAI em sete idiomas.
Crédito: Divulgação/CRAI

Pouco antes, em agosto do mesmo ano, foi inaugurado o centro de acolhida, que conta com 110 vagas destinadas a migrantes recém-chegados à capital paulista. Ele também é um equipamento da Secretaria de Direitos Humanos que conta com a gestão do Sefras.

Novo endereço CRAI
Rua Japurá, 212, Bela Vista – São Paulo (SP) – próximo à Câmara Municipal
Telefone: (11) 3598-7200
E-mail: crai@sefras.org.br
Mais informações: clique aqui

Com informações do Sefras

A agenda do G20 e as migrações

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Hamburgo/Alemanha - Chefes de Estado e de governo que integram o G20 posam para a foto oficial de abertura da cúpula que acontece em Hamburgo, na Alemanha. Crédito: Beto Barata/PR

As pautas do encontro – e o tratamento que cada uma delas recebe – são retratos das situações extremas que o mundo vem atravessando

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Em Brasília (DF)

Basta acompanhar os noticiários dos jornais e telejornais destes dias para ter uma noção mínima da agenda do G20. Trata-se, como revela a própria expressão, do encontro de representantes das vinte economias mais significativas do mundo, que se encontram na cidade de Hamburgo, Alemanha. Entre as temáticas em pauta, destacam-se, sem dúvida, as migrações, o terrorismo, o meio ambiente e o livre comércio.

Mais complicado, todavia, é dar-se conta de como todas essas temáticas encontram-se inextrincavelmente entrelaçadas no xadrez na conjuntura internacional. Comecemos por colocar no centro do cenário mundial o livre comércio, ou o mercado total da economia globalizada. É justamente isso que buscam grande parte das reformas em curso nos mais diversos países: privatizar o setor financeiro, as fontes de energia, os transportes em geral; suspender todo e qualquer tipo de regulação das atividades comerciais e financeiras; e reconverter os serviços públicos em empreendimentos lucrativos. Em outras palavras, “menos intervenção do governo e mais liberdade de ação”, diriam os defensores de Milton Friedmnan e do “Consenso de Washington”.

Consequências dessa “sacrossanta trilogia” receitada pelo FMI e pelos Bancos Centrais são a flexibilização das leis trabalhistas, a terceirização de inteiros setores da economia e o aumento do desemprego. Ajustes estruturais e políticas restritivas exigem um permanente “aperto do cinto”. Mas o aperto vale para a classe média e para os pobres. No pico da pirâmide social, os magnatas da riqueza e do poder continuam a acumulando capital, enquanto muitos direitos duramente conquistados viram fumaça. Resulta um crescimento simultâneo da concentração de renda e da exclusão social.

Hamburgo/Alemanha – Chefes de Estado e de governo que integram o G20 posam para a foto oficial de abertura da cúpula que acontece em Hamburgo, na Alemanha.
Crédito: Beto Barata/PR

Diante desse quadro, não é difícil prever o aumento exponencial dos deslocamentos humanos de massa, e em todas as direções. De fato, se à situação econômica acrescentamos, por um lado, as guerras e os conflitos armados do extremismo terrorista e, por outro, a perseguição política, religiosa ou ideológica, o fluxo dos “fugitivos” só fará se multiplicar. Mas não é tudo: hoje já se contam aos milhões os refugiados das catástrofes ditas “naturais”, tais como furacões, tsunamis, inundações, incêndios, etc. “Naturais” entre aspas porque, no fundo, tais fenômenos tendem a se agravar como reação da natureza à ação humana sobre o clima e o meio ambiente.

Resultado dramático: de acordo com a ACNUR, o número de refugiados atualmente no planeta bateu todos os recordes, chegando a ultrapassar os tempos da Segunda Guerra Mundial – mais de 65 milhões de pessoas. Migrantes, refugiados, prófugos, apátridas, expatriados, deportados, “desplazados”, itinerantes – figuram entre os rostos anônimos dessa imensa multidão que erra pelas estradas do êxodo, do exílio, do deserto, do ar e do mar. Ondas superficiais e aparentes de correntes econômicas subterrâneas e invisíveis. “Sinal dos tempos” na medida em que refletem transformações estruturais ocultas e, ao mesmo tempo, estão a exigir mudanças necessárias e urgentes na política econômica, tanto de cada nação em particular quanto do globo.

Essa linha de reflexão leva a entender porque tantos movimentos sociais e organizações não governamentais protestam pelas ruas de Hamburgo, sendo sistematicamente repelidos pelas forças policiais. O fato é que enquanto os chefes de estado estão de olho nos indicadores econômicos, tais como o índice da bolsa de valores, PIB, taxa de juros, balança comercial, humor do mercado, etc., os manifestantes concentram-se nos indicadores sociais, como aquecimento global e seus efeitos, saúde e educação, direitos humanos, preservação do meio ambiente, e assim por diante.

Brasília, 7 de julho de 2017

Vem aí o 6º Festival de Música e Poesia do Imigrante

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Apresentação durante o 4º Festival de Música e Poesia do Imigrante, em 2015. Crédito: Divulgação/CAMI

Organizado pelo CAMI, evento tem objetivo de promover e valorizar manifestações culturais de migrantes

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Estão abertas até o dia 18 de agosto as inscrições para o 6º Festival de Música e Poesia do Imigrante, voltado a artistas migrantes que desejam divulgar seus trabalhos nessas duas categorias.

O evento é promovido pelo CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante) e terá a defesa da dignidade dos imigrantes como tema, reforçado ainda pelo lema “Nenhum Direito a Menos”. Neste ano o festival acontece em 27 de agosto, a partir das 12h na Praça Kantuta – próxima à estação Armênia do metrô de São Paulo e ponto bem conhecido das comunidades migrantes da cidade.

Apresentação durante o 4º Festival de Música e Poesia do Imigrante, em 2015.
Crédito: Divulgação/CAMI

Para participar, o migrante precisa apresentar uma cópia da música ou poesia ao CAMI – o conteúdo precisa ser inédito. Mais informações podem ser obtidas junto à instituição por meio dos contatos no final do texto.

Além da exposição gerada pelo festival, os vencedores do festival também levam prêmios em dinheiro. Na categoria Música, o ganhador deste ano levará R$ 1,000, enquanto o segundo e o terceiro colocado receberão R$ 500 e R$ 250, respectivamente. Já em poesia, o vencedor leva para casa R$ 800, ficando o vice-campeão e o terceiro colocado com R$ 400 e R$ 200, respectivamente.

“O festival precisa ser revolucionário, no sentido que o migrante descubra-se poeta, o que pensa sobre trabalho, migração, vida. Geramos neles o desafio de compor, de escrever, e ajudamos a desenvolver a habilidade e se manifestar”, explica Roque Patussi, coordenador do CAMI, sobre os objetivos do evento.

Iniciado em 2012, o festival no ano passado teve participantes de sete diferentes nacionalidades. Na categoria música quem venceu foi o congolês Yannick Delass; já em poesia, o prêmio foi para a peruana Rocio Shuña.

Evento vai acontecer na Praça Kantuta, em São Paulo, em 27 de agosto.
Crédito: Divulgação/CAMI

6º Festival de Música e Poesia do Imigrante
Data e hora: 27 de agosto, a partir das 12h
Local: Praça Kantuta, s/n, Canindé – São Paulo (próximo à estação Armênia do metrô)
Informações: com CAMI
Telefone: (11) 3333-0847, com Carlinha
E-mail: cami.imigrantes@terra.com.br ou cami.pastoraldomigrante@gmail.com