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quinta-feira, maio 7, 2026
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A hora e a vez dos bolivianos

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Discriminados por tantos, vistos com desconfiança por outros, mas lutando pela vida como todos, os bolivianos mais uma vez foram destaque no noticiário por conta das condições precárias em que geralmente vivem em São Paulo e outras regiões do Brasil. Mas desta vez, apesar do fato trágico, pode-se notar algo diferente no ar.

A causa da vez foi o assassinato do menino Brayan Yanarico Capcha, 5, durante assalto à oficina onde a família dele vivia e trabalhava em São Mateus, zona leste de São Paulo, no último dia 28 de junho. A situação na qual se encontravam, infelizmente, é bem comum entre os bolivianos: trabalho em regime análogo à escravidão.

A morte brutal de Brayan, no entanto, serviu como gota d’água para que a comunidade – em geral acuada pelos preconceitos e condições sociais em que vivem – sair às ruas e protestar, talvez até inspirada pela onda recente de manifestações ao redor do país. No último dia 1°, cerca de 3.000 pessoas foram à avenida Paulista depois que um pedido de audiência com os representantes diplomáticos da Bolívia em São Paulo foi recusado. “Sofremos muito problema de assalto, maus-tratos na escola e nos hospitais”, contou a costureira Morena Suazo em entrevista publicada no blog O Estrangeiro. “Estava mais do que na hora de isso acontecer. Queremos que o cônsul renuncie porque ele não faz nada por nós.”

Enquanto nada muda na representação diplomática boliviana, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, convocou na última terça-feira (2) uma reunião extraordinária para discutir medidas de proteção aos estrangeiros que vivem no Brasil. “Queremos dar aos estrangeiros que buscam mais oportunidades no Brasil a possibilidade de ir e vir, assim como de uma vida melhor com proteção máxima, inclusive direitos trabalhistas e cidadania plena”, ressaltou a ministra, em entrevista à Agência Brasil.

Apesar das dificuldades, a comunidade boliviana segue crescendo no Brasil – especialmente em São Paulo, onde ultrapassaram italianos e japoneses e já compõem a segunda maior colônia de estrangeiros, atrás apenas da portuguesa. As cifras oficiais do Censo 2010 apontam cerca de 17 mil pessoas, mas o consulado boliviano estima em ao menos 100 mil na capital paulista– sem contar aqueles em situação ilegal no Brasil.

Brayan e sua família eram parte dessa grande comunidade, mas a morte brutal do menino abreviou a história deles no Brasil. Os pais voltaram à Bolívia, mas os milhares que aqui permanecem – por vontade própria ou mesmo devido a dívidas com aliciadores – precisam lutar por melhores condições de vida. O protesto na avenida Paulista mostra que a colônia boliviana, unida, pode se organizar e tanto elaborar novos meios de ação e colaboração como lutar por melhores condições de vida – e continuar lutando é uma bela forma de homenagear Brayan e outros tantos que acabaram vítimas das mazelas que rondam tantas comunidades estrangeiras.

É a hora e a vez dos bolivianos – e também de outros imigrantes – mostrarem sua cara e sua importância para São Paulo e o restante do país.

Com informações da Agência Brasil, Serviço Pastoral dos Migrantes, CDHIC e O Estrangeiro

Muito além da “importação” de médicos estrangeiros

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O plano do governo federal de trazer médicos de outros países para suprir a falta de profissionais em cidades do interior do Brasil virou uma polêmica nacional a ponto de dividir a opinião pública, segundo pesquisa Datafolha. No cerne da questão, no entanto, está um problema crônico da saúde pública nacional que passa longe dos méritos de qualquer profissional de medicina – brasileiro ou estrangeiro – e que não pode ser reduzido ao recorte da origem deste profissional.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/07/1304128-pais-se-divide-sobre-projeto-de-trazer-medicos-estrangeiros.shtml

A repercussão em torno da proposta do governo mostra o quanto a questão da saúde é importante para a sociedade. No entanto, um tema tão importante quanto a situação da saúde pública brasileira acaba reduzido a um único fator específico, permeado por alarmismo, xenofobia e oportunismo político – e é o que vem ocorrendo, por diversos fatores. Enquanto isso, o círculo vicioso da saúde permanece intacto.

A “importação” (e exportação, por que não?) seria positiva sim, desde que inserida em uma política bem definida e abrangente para a saúde. O intercâmbio que essa medida pode propiciar tem potencial para ser extremamente interessante tanto para os médicos brasileiros como os de outros países, que poderiam trocar experiências e compartilhar métodos de prevenção, tratamento e diagnóstico. O próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) não se opõe por completo à vinda de médicos de outros países, desde que eles sejam submetidos aos mesmos processos que os profissionais brasileiros e tenham o diploma revalidado no Brasil – a oposição mais franca parte dos sindicatos e associações de médicos, mais temerosos quanto a possíveis empregos perdidos com os novos “competidores”.

Mas o governo beira a irresponsabilidade ao colocar a vinda de profissionais de medicina estrangeiros como uma solução a curto prazo para a má distribuição de material humano pelo país. Enquanto isso, plano de carreira para os médicos (nacionais ou não), melhorias de infraestrutura e uma distribuição mais adequada dos recursos públicos ficam fora da proposta ou relegados a um plano inferior. Hoje, o profissional (brasileiro ou não) pouco ou nada pode fazer com instrumentos e meios precários de se fazer um diagnóstico ou mesmo um encaminhamento para outra consulta. E diante desse quadro, dá para imaginar a dificuldade que será manter ou mesmo atrair médicos de fora para trabalhar no Brasil – não importando o salário oferecido.

Sem um plano de carreira no serviço público, os médicos tendem a ir para o setor privado – mais equipado, com melhores salários e condições de trabalho. Isso se reflete nas faculdades de medicina, que voltam seus formandos para esse filão e, em sua maioria, se eximem de dar ao futuro médico uma noção do que é o real sistema público de saúde brasileiro – que está anos-luz dos hospitais top de linha do país. Uma colaboração maior das universidades com o Ministério da Saúde ajudaria a minimizar o problema e daria mais rodagem aos novos profissionais. Aumentar o número de vagas em cursos de medicina, pura e simplesmente, cai no dilema “quantidade não significa qualidade” – ou seja, é mero paliativo.

Como se pode ver, o debate em torno da vinda de médicos estrangeiros vai muito além do que tem aparecido na superfície. A princípio, governo, sociedade e classe médica devem resistir à tentação de reduzir esse debate a uma questão meramente xenófoba ou protecionista. E, sobretudo, unir forças para lutar contra um círculo vicioso que até agora poucos se propuseram a tentar quebrar.

Aprovação de reforma migratória no Senado dos EUA mostra força da comunidade imigrante

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Em uma decisão considerada histórica, o Senado dos EUA aprovou a lei que reforma as leis de imigração do país. Apesar de ser mais rígida no controle das fronteiras e do fluxo migratório, a nova legislação abre caminho para que parte dos 11 milhões de imigrantes que estão em situação ilegal possam se regularizar ou até mesmo obter a cidadania estadunidense.

A aprovação – que ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, majoritariamente republicana e de oposição ao governo de Barack Obama – vem na esteira do peso que a população imigrante teve na reeleição do democrata à Presidência dos EUA. Mas o resultado no Senado aumenta a pressão por um acordo favorável à aprovação.

Em um breve comentário sobre a aprovação da reforma, ela mostra o quanto a população imigrante é capaz de influir na vida política e social de um país, no local em que escolheram para construir uma nova vida. Mesmo com o aumento dos controles sobre o fluxo migratório, trata-se de um avanço em um país que, mesmo formado basicamente por imigrantes, ainda vê com desconfiança aqueles que chegam atualmente para viver nos EUA.

Estudo desmente impacto fiscal negativo da imigração

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Um argumento bem comum entre os críticos da imigração é de que os que chegam do exterior acarretam maiores custos e sobrecarregam os serviços públicos – queixa que pode ser encontrada até mesmo no Brasil. Mas, ao contrário do que parece e das reclamações de pseudo-nacionalistas, o efeito é justamente o oposto.

É o que conclui um estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado na quinta-feira e que analisa o impacto fiscal da imigração nos países membros da entidade (são 34 no total, em especial Estados do mundo desenvolvido). Nele, foi observado que entre 2001 e 2011 a imigração foi responsável por 40% do crescimento populacional de seus países membros. E que esse fluxo foi, na maioria dos casos, quase irrelevante para a razão entre os gastos públicos totais e o PIB – “geralmente não maior que 0,5% do PIB em termos positivos ou negativos” – , na medida em que os custos maiores para os governos, como os gastos militares, não são afetados pela imigração.

“Os imigrantes contribuem mais com impostos e contribuições sociais do que recebem em benefícios individuais”, disse Jean-Christophe Dumont, o funcionário da OCDE que comandou o estudo. “Por isso seu impacto fiscal líquido é principalmente positivo”, embora seja pequeno.

Estudos como o da OCDE mostram como mesmo fora do Brasil a opinião pública ainda está despreparada e tem pouca informação sobre o papel da migração no cenário internacional e até mesmo na questão histórica. Dessa forma, fica fácil acreditar em teorias aparentemente simples mas com pouco fundamento, como a de que os imigrantes sobrecarregam os serviços básicos e roubam empregos dos cidadãos locais – argumentos comuns em especial nos tempos de crise que o mundo enfrenta, com destaque para a Europa (local onde estão a maioria dos países da OCDE.)

No Dia Mundial do Refugiado, a diferença que um minuto pode fazer

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Se você tivesse de deixar sua casa, o que você faria? Pois essa situação já foi vivida por cerca de 45 milhões de pessoas no mundo todo, segundo cálculos da agência da ONU para refugiados, a ACNUR.

São essas pessoas que são lembradas de modo especial a cada dia 20 de junho, instituído pela ONU como Dia Mundial do Refugiado, lembrado todo dia 20 de junho. O problema tem maior destaque atualmente com os sírios que são vítimas do conflito armado interno no país (que já passam de 1,6 milhão), mas o problema não é exclusividade deles – etíopes, somalis, congoleses e uma série de outras nacionalidades completam a lista.

Com o propósito de chamar a atenção das pessoas para o Dia Mundial do Refugiado, diversas entidades lançaram ações de conscientização. As Nações Unidas, por exemplo, lançaram um website especialmente para destacar o impacto dos conflitos nas famílias. A campanha apresenta fotos de diversos refugiados com os objetos que escolheram levar no momento de sua fuga. E partindo da frase “em um minuto uma família pode perder tudo”, o site convida o internauta a dar um minuto do seu tempo para ajudar uma família forçada a fugir.

Em 2012, para marcar o Dia do Refugiado, a ACNUR lançou um aplicativo para smartphones Android e iOS que procura simular as decisões que uma pessoa em fuga se vê obrigada a tomar em um curto espaço de tempo; um passo errado e o “personagem”, em vez de conseguir um final feliz para sua jornada, pode acabar preso ou morrer de diversas formas: afogado, em conflito armado, sozinho em um deserto, entre outras possibilidades.

Com informações da ACNUR e da Médicos Sem Fronteiras

Em pauta, a Semana do Migrante e do Refúgio

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Em meio às manifestações (mais do que justas, necessárias e urgentes) contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo e outras cidades, esta semana também é importante na temática migrante e dos refugiados. Abaixo seguem dois eventos sobre o tema que valem a pena acompanhar, ainda que de longe.

Hoje, às 22h15, a Semana do Migrante será tema do programa Tribuna Independente, da Rede Vida. Questões podem ser enviadas por meio do e-mail tribuna@redevida.com.br

Hoje, 17 de junho, 22h15, programa na Rede Vida de Televisão – Semana do Migrante 2013

Já a Universidade de Brasília (UnB) aproveita a semana atual, até o dia 21, para realizar a Semana do Refúgio. As atividades acontecerão no Auditório do Instituto de Relações Internacionais, às 18h30. O evento é aberto ao público e não requer inscrições. Haverá a emissão de certificados para os painéis.

Maiores informações: umanitaunb@gmail.com ou no site do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (Csem): http://www.csem.org.br/evento/1312-semana-do-refugio

Programe-se: São Paulo receberá Consulta sobre Migração e Desenvolvimento

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Entre os dias 24 e 26 de junho, acontecerá em São Paulo a Consulta Regional da Sociedade Civil em preparação ao Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Migração e Desenvolvimento.

O começo do evento será marcado pelo lançamento do livro “Informe sobre Políticas Migratórias na América do Sul”, um estudo aprofundado sobre a situação das políticas migratórias na região com foco na integração regional e nos direitos humanos dos e das imigrantes. O Informe será apresentado na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Pátio do Colégio), e o horário previsto para o evento é das 19:00 às 21:00h no dia 24 de junho.

Já nos dias 25 e 26 acontecerá no Memorial da América Latina a consulta propriamente dita,  no Centro Brasileiro de Estudos da América Latina – CBEAL (entrada pelo portão 13, do lado do auditório Simón Bolívar). Para ambos os eventos devem estar presentes representantes de diversas comunidades de imigrantes, de organizações atuantes na área, ativistas e especialistas, bem como autoridades públicas e consulares.

Os resultados e recomendações da Consulta Regional serão incorporados aos de outros processos consultivos regionais da Europa, América do Norte, Ásia e África, através da CGM, e levados a um encontro em 15 de Julho em Nova York (Audiências Interativas) e ao Diálogo de Alto Nível sobre Migração Internacional e Desenvolvimento que se realizará nos dias 3 e 4 de outubro de 2013 em Nova York, na sede das Nações Unidas.

A programação completa dos três dias de eventos segue abaixo:

24/06: 19h: Lançamento do Informe Sobre Políticas Migratórias da América do Sul, Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Pátio do Colégio)
25 e 26/06 – Consulta Regional da Sociedade Civil em São Paulo, 25/06 – 14-18h: Conferência de abertura, apresentação. Palestras 26/06 10-18h: Apresentações e debates da Sociedade Civil sobre Dinâmicas da População a partir dos eixos: -Integração regional -Direitos econômicos, sociais e culturais dos(as) migrantes -Políticas migratórias Grupos de Trabalho sobre os 7 pontos propostos pela sociedade civil para uma agenda de cinco anos de migração e desenvolvimento. Plenária: síntese, relatorias e recomendações. Memorial da América Latina, no Centro Brasileiro de Estudos da América Latina – CBEAL (entrada pelo portão 13, do lado do auditório Simón Bolívar).

Com informações do CDHIC

É preciso maturidade para fazer intercâmbio?

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Fazer intercâmbio é uma das experiências mais incríveis que uma pessoa pode ter na vida, ao meu ver. Ao mesmo tempo, é chato ver pessoas que, diante desse mundo de possibilidades de aprendizado, acabam ficando apenas com a diversão e jogam fora todo esse potencial, fazendo da viagem um verdadeiro desperdício de tempo e dinheiro.

Para um intercâmbio dar certo – em especial no caso dos brasileiros, muitos dos quais que usam o período de 30 dias de férias para realizá-lo – é preciso ter foco no objetivo da viagem. Intercâmbio, como o próprio nome já mostra, é uma troca de experiências. Mas nem sempre é isso o que se vê entre os intercambistas.

O que falo é baseado na experiência que tive com meu intercâmbio no Canadá, que está nos momentos finais, mas a situação também ocorre em outras instituições e países, não importando a nacionalidade dos estudantes. É bem comum ver dentro da escola rodinhas nas quais os intercambistas, em vez do treino do inglês ou do idioma ao qual se propuseram ao aderirem ao curso, falam nos idiomas maternos. É ainda pior quando aproveitam a ocasião para falar mal ou fazer piadas dos hábitos e costumes de colegas de outros países. Nesse caso, perde-se a oportunidade de fazer amizades com pessoas de outros países e tanto de aprender uma cultura diferente como ensinar sobre a própria e desfazer certos estereótipos que costumam rotular certas nacionalidades.

É normal, em especial quando se passa um longo tempo longe do próprio país, sentir saudades de falar a língua materna. Mas definitivamente a escola na qual é feito o curso não é lugar para tal. Existem tantos outros locais para se fazer isso, como bares, parques, festas… E mesmo neles, quando se usa apenas a língua materna, perde-se a oportunidade de treinar o idioma estudado em uma situação cotidiana.

Intercâmbio é uma experiência curta na maioria das vezes, e que ainda não está acessível financeiramente a muitas famílias – tomando Brasil como exemplo. É comum saber de pessoas que fazem economias por um longo tempo e até vendem bens (carros, motos, entre outros) para poder fazer o tão sonhado intercâmbio. Ao mesmo tempo, é também comum ver a situação contrária, na qual o estudante viaja com tudo pago pela família – ou até mesmo pela empresa na qual trabalha – e faz do intercâmbio uma simples viagem turística ou para compras, jogando fora todo o potencial que a viagem poderia adicionar à pessoa.

Seria necessário alcançar um certo grau de maturidade para se fazer um intercâmbio, evitando que ele vire uma viagem convencional? Mesmo incentivando todos que conheço a fazer um intercâmbio em algum momento da vida, cada vez mais creio que a resposta para a pergunta é sim.

Em dados, um jardim multicultural

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Na estação de metrô de Victoria Park, região leste de Toronto, é possível ler a seguinte frase (tradução livre do inglês): “Toronto, uma cidade onde toda uma diversidade de raízes cresce e se interliga em meio a um complexo e excitante jardim multicultural”. No mesmo local ainda é possível ler a palavra “comunidade” em uma série de idiomas – inglês, espanhol, italiano, alemão, russo, árabe, entre outros.

Essas duas montagens ao menos parecem bem coerentes com a realidade demográfica e cultural do país e da maior cidade canadense.

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Segundo dados do último Censo realizado no Canadá, em 2011, 49% dos cerca de 2,6 milhões de habitantes de Toronto são imigrantes, contra 21% da média nacional – já considerada alta, se comparada com outros países. Desses imigrantes, 33% deles chegaram à cidade entre 2001 e 2011. Se considerarmos o total de pessoas que nasceram fora do Canadá, a porcentagem imigrante sobe para 51%. Ainda de acordo com o Censo, 14% dos que moram em Toronto não possuem cidadania canadense.

Asiáticos, chineses, negros, filipinos e latinos formam os cinco maiores grupos minoritários. Em questão de idiomas, 47% dos habitantes tem outro idioma materno diferente do inglês ou francês, as duas línguas oficiais do Canadá – aliás, o próprio site da Prefeitura de Toronto pode ser traduzido em nada menos que 51 idiomas, incluindo o português.

Cuidar desse jardim multicultural, em meio a tantas ervas daninhas que surgem e das variações de tempo e temperatura que afetam diretamente a vida nesse ambiente, é um desafio e tanto para Toronto e outras cidades cosmopolitas do mundo – ou que tenham a intenção em ser algum dia.

Nos próximos posts serão apresentados outros dados, relatos, curiosidades e depoimentos sobre o país e certas cidades canadenses.

Especial Canadá: apresentação

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Nas próximas semanas este blog terá como foco o Canadá, país no qual estive pela primeira vez em 2011 e que teve grande influência na minha opção por pesquisar e escrever sobre imigração. Relatos, dados sobre o país e certas cidades, curiosidades e depoimentos são alguns dos conteúdos que vocês podem esperar.

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Considero o Canadá uma verdadeira Torre de Babel que tem o inglês como língua principal, mas no qual você olha para o lado e pode ouvir, a um raio de poucos metros, pessoas falando em espanhol, árabe, russo, búlgaro, hindi, mandarim… Em Toronto, por exemplo, logo em seguida à Chinatown você pode encontrar a Little Italy, Little Portugal, sem contar outras tantas “littles” espalhadas pela maior cidade canadense e em outros locais do país.

Um país formado por imigrantes dos quatro cantos da Terra, que tem um dos melhores índices de desenvolvimento humano e de qualidade de vida no mundo, um dos poucos a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas que também não está a salvo dos chamados crimes de ódio (hate crims), que tiveram queda de 18% em 2010, mas chegaram a crescer 42% entre 2008 e 2009. Ou seja, números que não podem ser considerados desprezíveis.

É sobre um pouco desse país, tão procurado por estudantes do Brasil e restante do mundo, que o blog vai se dedicar nas próximas postagens. Participe você também, citando amigos ou parentes que estejam no Canadá, sugerindo conteúdo ou mesmo criticando o que for publicado.