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quinta-feira, maio 7, 2026
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Imigrantes no Acre: alarmante ou alarmismo?

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Mais uma vez a situação dos imigrantes que chegam ao Brasil por meio do Acre – em especial dos haitianos, após um périplo pelas Américas Central e do Sul – chega às manchetes dos veículos de comunicação do país. Os comentários nas redes sociais e as declarações de autoridades públicas ou moradores locais oscilam entre o alarmante e o alarmismo, dependendo do veículo e da fonte citada ou ouvida.

Para começar, gostando ou não de imigrantes, o tema chegou para ficar no Brasil. Governo e sociedade ainda estão “crus” em relação ao assunto, mas é melhor ambos se habituarem à nova situação. Além de ponto de origem, o país também é cada vez mais opção para cidadãos de países vizinhos e de outros continentes.

Poucos se lembram, mas não é de hoje que o Acre – comprado da Bolívia em 1903 e que alguns ainda insistem em acreditar que ele “não existe” – recebe estrangeiros via Bolívia ou Peru. A história se desenrola desde o início de 2010. Em janeiro daquele ano, um terremoto colocou de joelhos a nação já combalida por outros desastres naturais e pelo caos político e social. Com um contexto como esse, não é à toa que haitianos deixem a terra natal na esperança de algo melhor em outro país.

Já o Brasil, que tem presença destacada no Haiti por liderar a Minustah, força de paz da ONU criada para estabilizar o país, é uma espécie de referência por lá. Histórias de haitianos que chegaram ao país e conseguiram trabalho, seja em São Paulo, Rondônia, Acre ou Rio de Janeiro, se tornam inspiração para outros arriscarem o pouco que possuem de recursos na jornada para o Brasil. Entre perambular sem emprego pelo país destruído e tentar a sorte em uma terra estranha, muitos preferem a segunda opção – mesmo que isso signifique confiar no trabalho dos coiotes, uma modalidade moderna de tráfico humano.

Ao chegarem, a situação não difere muito do país de origem. No abrigo de Brasileia, onde chegam dezenas de imigrantes diariamente, estão nada menos que 1.300 estrangeiros dividindo um espaço no qual deveria haver apenas 200. Por outro lado, ainda existe a desconfiança que parte da população local começa a nutrir em relação aos que chegam de fora.

Além dos haitianos, pessoas de outros países do Caribe, África e Ásia também têm utilizado a mesma rota, via Bolívia e Peru, para ingressar no território brasileiro. O Estado do Amazonas, em menor escala, é outro a servir de porta de entrada para imigrantes.

O governo brasileiro, para variar, age apenas quando a situação chega aos jornais. Foi assim no final de 2011, quando o assunto explodiu pela primeira vez. E de tempos em tempos a situação se repete e agora volta ao noticiário. Agilizar a concessão de vistos é uma medida emergencial, mas a questão pede respostas mais complexas, tanto no âmbito local das cidades acreanas como em alianças com países vizinhos para combater a ação dos coiotes que lucram em cima do imigrante.

Como desde 2010 pouco foi feito para dar uma solução à questão, tudo indica que a rota deve se consolidar e novos relatos de imigrantes em condições precárias continuarão a aparecer. A situação desses imigrantes, documentados ou não, aliada ao jogo de empurra entre os governos federal e estadual, formam a parte alarmante da questão; já a hipótese de que imigrantes “roubam os empregos e a escola dos filhos”, “sufocam os serviços públicos” e “ensinam vodu às criancinhas” não passa de alarmismo.

Por último, não podemos esquecer que o Brasil é um país no qual a imigração teve – e continua tendo – um peso importante na sua formação. Para tirar a dúvida, basta dar uma olhada nos nomes de ruas, cidades, praças… e até mesmo no seu nome e sobrenome.

O drama do imigrante no Brasil – colaboração de Valter Hugo Muniz

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Reproduzo abaixo o post do amigo Valter Hugo Muniz, do blog Escrevo, Logo Existo, que faz uma reflexão muito oportuna sobre as notícias recentes quanto à situação de imigrantes no Brasil, em especial no Acre e em São Paulo.

Valter ainda aproveita a própria experiência que teve quando viveu fora do país para embasar sua análise. O texto completo pode ser lido abaixo ou por meio deste link.

Valter, muito obrigado por permitir a reprodução do material.

O drama do imigrante

Ontem a noite, assistindo o Profissão Repórter, da Rede Globo, sobre a situação dos bolivianos submetidos ao trabalho escravo no Estado de São Paulo, me lembrei da difícil realidade de viver imigrado.

Por duas vezes, na Suíça e na Itália, passei um período longo no “estrangeiro” e pude experimentar, na pele, o quanto é difícil viver em uma sociedade que não é a nossa. Essas dificuldades surgem já pelo simples fato linguístico, climático e gastronômico. Três dimensões impossíveis de “escapar” e que, enquanto não superadas, geram um sentimento de solidão tremendo, fruto, especialmente, da incomunicabilidade.

Passado tudo isso (e é preciso ter muita paciência e força de vontade), começa uma nova etapa na vida do estrangeiro: a legalização. Depois que entramos em determinado país, por motivo de estudo, trabalho ou casamento, é necessário prestar contas ao estado “acolhedor” e para isso, enfrentar momentos burocráticos, muitas vezes, humilhantes.

Difícil esquecer a experiência vivida na “Questura di Firenze”, a polícia federal local, responsável pela legalização dos imigrantes. Um lugar frio, com bancos duros, sem água para beber, um único e imundo banheiro, aspectos ainda mais dramáticos porque, para ser atendido, é preciso esperar, no mínimo, 5 horas.

Essa falta de respeito do estado italiano com os imigrantes tem explicações. O número cidadãos vindos do leste europeu, norte da África e da América Latina aumentou muito nos últimos anos e, proporcionalmente, diminuiu a paciência do governo da Itália (ainda mais o país estando imerso em uma crise econômica e social avassaladora).

Porém, é sabida que a importância dos imigrantes, em um mundo globalizado, é fundamental para o desenvolvimento econômico. A circulação de pessoas promove diferentes ideias, costumes, soluções. Isso sem contar a aceitação de “subempregos” por parte dos imigrantes que, geralmente, os cidadãos, nativos de países de histórico econômico rico, não se submetem.

Esse assunto, que parecia dizer respeito somente ao Velho Continente, tem crescido exponencialmente no Brasil. O drama de bolivianos, que cruzam a fronteira do país para trabalhar e são escravizados nas oficinas de costura, é emblemático. As causas são muitas, mas, finalmente, são sempre seres humanos e suas famílias, na maioria, pobres, que acabam sofrendo todo tipo de abuso, desrespeito, colocando o Brasil na mesma condição de “explorador” que reclamávamos dos países europeus.

Certamente não se deve ignorar um grupo, minoritário, de imigrantes que vem ao país para enriquecer, aproveitando-se da “impunidade crônica” brasileira.  Esses devem ser investigados e convidados a retornar aos seus países. Contudo, todos aqueles que chegam ao Brasil a trabalho ou para estudar (e estando legalizados) devem ser valorizados, respeitados em seus direitos (e obrigações) e, jamais, serem escravizados.

Termo “imigrante ilegal” é abolido pela agência AP

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A Associated Press (AP), uma das principais agências de notícias do mundo, decidiu abolir o uso do termo “imigrante ilegal” do manual de redação e estilo.

De acordo com a vice-presidente sênior e editora executiva da agência, Kathleen Carroll, “ilegal” será usado apenas para se referir a um ato, não uma pessoa. O termo “indocumentado”, considerado impreciso, também está abolido pela AP.

“Entrando em um país ilegalmente” e “sem permissão legal” estão entre os termos aceitáveis; “imigração ilegal” também continua valendo.

A justificativa completa para a mudança pode ser lida no blog da agência, com o título “Illegal immigrant no more“. Carroll ainda acrescenta que mudanças fazem parte do Manual de Estilo da AP porque o idioma (no caso, o inglês) “está em constante evolução, enriquecido por novas palavras, frases e usos” (tradução livre).

Se a agência de fato vai seguir essa nova diretriz, o tempo vai mostrar. Mas de fato não é apenas uma evolução da língua: trata-se também de uma evolução no modo de abordar uma questão de grande relevância internacional.

Programe-se: 2ª Festa Cultural de Carnaval Andino (YUNSA)

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Poucos têm ideia, mas os peruanos estão entre os imigrantes com maior presença atualmente em São Paulo, juntamente com bolivianos e paraguaios. E uma boa forma de conhecer tal comunidade e da mesma ter sua importância reconhecida é prestar atenção em suas manifestações culturais, como a 2ª Festa Cultural de Carnaval Andino (YUNSA).

O evento, que acontece no próximo dia 7 de abril no Parque do Belém, zona leste de São Paulo, é muito tradicional no Peru e deve atrair milhares de membros dessa comunidade, mas também são esperados representantes de outras nacionalidades e brasileiros. Ou seja, trata-se de uma bela forma de aproximação entre os antigos e novos moradores da metrópole.

Na edição de 2012, cerca de 6.000 pessoas participaram da YUNSA, apesar da pouca divulgação e da baixa visibilidade alcançada na mídia. Para este ano, segundo previsões dos organizadores, a expectativa é de que o público presente chegue a 7.000 pessoas.

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Além das atividades culturais, a YUNSA também terá serviços de utilidade pública para os imigrantes, como barraca de informações sobre regularização migratória, e é uma oportunidade de integração entre famílias de imigrantes que residem em São Paulo.

O evento, que teve sua primeira edição no ano passado, é organizado pelo Centro de Direitos humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), Associação Latino Americana de Arte e Cultura (ALAC) e pelo Consulado do Peru. O termo YUNSA significa “cortamonte”, ou seja, derrubar a árvore para colher os frutos, é uma apologia a Mãe-Terra que todo nos dá.

Serviço:

2ª Festa Cultural de Carnaval Andino (YUNSA)

Domingo, 7 de abril de 2013, das 10h às 19h

Parque do Belém – av. Celso Garcia 2231, Mooca, São Paulo

Entrada gratuita

Como a mídia britânica trata os imigrantes?

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Quando se fala em tabloides britânicos logo vêm à mente os escândalos envolvendo celebridades e políticos – verídicos ou não –que tais veículos costumam destacar.  Mas eles também exercem grande influência sobre a opinião pública também em assuntos que mexem com todo o país. E a questão migratória é um dos temas na pauta diária britânica.

Entender como a mídia do Reino Unido noticia as questões ligadas a imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo é o objetivo principal do estudo que está em desenvolvimento pela Universidade de Oxford, uma das mais tradicionais do mundo.

Um dos pontos que a pesquisa vai tratar é como certos grupos de imigrantes são noticiados pelos veículos, a partir de como os termos sobre o tema são empregados. Mais detalhes sobre o estudo estão no blog do Centro de Migração Política e Sociedade (Compas), da Universidade de Oxford.

Uma pesquisa como essa certamente caberia em outros países, incluindo o Brasil, dada a importância e abrangência que o tema vem ganhando a nível nacional e global. E chega em um momento no qual o governo britânico começa a adotar medidas para controlar o ingresso de imigrantes ao país, gerando polêmica dentro e fora da União Europeia (UE). Vamos voltar a esse assunto em breve.

Organização mapeia entidades que lidam com imigrantes no Brasil

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Uma boa forma de medir a importância que a questão migratória vem ganhando no Brasil é olhar para as organizações que lidam com o tema. E a Organização Internacional para as Migrações (OIM em Português, IOM em inglês) está elaborando um mapeamento das instituições envolvidas na temática migratória no Brasil e com brasileiros no exterior.

O trabalho da OIM já tem projeção internacional e reúne informações bastante completas sobre migração no mundo todo. Ou seja, o fato da organização também atuar no Brasil é outro fator que comprova o peso que o tema vem ganhando no país.

O objetivo do projeto, intitulado “Promoção de direitos no contexto da política migratória brasileira” é de conhecer a realidade migratória brasileira, além de ampliar e fortalecer o diálogo social entre as principais entidades envolvidas com a temática no país, com a finalidade de revisar políticas públicas, melhorar serviços identificar freios e propor uma nova legislação.

O projeto está sendo implantado em parceira com o Departamento de Imigração da Secretaria de Justiça do Ministério da Justiça (DEEST) e nasceu a partir de um acordo assinado entre a OIM e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A previsão é de que coleta de dados prossiga até abril.

Assim que forem coletadas as informações, a OIM vai reunir os principais atores para uma discussão aprofundada, a fim de fornecer a base para uma série de recomendações às pessoas encarregadas de definir as políticas, a fim de assegurar que os direitos dos migrantes estejam incluídos na nova lei de migração do país.

Aliás, o projeto chega justamente no momento em que governo e organizações ligadas aos imigrantes também já discutem propostas para uma nova legislação migratória brasileira. E também será útil para mostrar a diversidade e complexidade do tema por aqui – algo que precisa ser levado em conta por uma futura lei de migrações.

Participe você também deste mapeamento preenchendo o questionário presente no site www.brasil.iom.int

Ao final do preenchimento é possível salvar em pdf todo o formulário com as respostas dadas.

Alex Fisberg e a Mochila Social

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Para quem o pratica ou já o fez, o mochilão é considerado uma das experiências mais incríveis que alguém podem ter – autoconhecimento, aumento da bagagem cultural, novas experiências pessoais e profissionais, entre outros benefícios.

Foi de um mochilão desses, realizado entre agosto e novembro de 2011, que o jornalista e pesquisador Alex Fisberg elaborou o material que daria origem ao projeto Mochila Social. Dessa iniciativa é que vem o livro “Mochila Social – Um Olhar Sobre o Desenvolvimento Social e Pobreza no Leste da África”, a ser lançado oficialmente no próximo dia 1° de março,  a partir das 18h, em São Paulo – leia mais no serviço ao final deste post.

Já com larga experiência em pesquisa na área de desenvolvimento social e pobreza, Fisberg decidiu conhecer a África Subsaariana, uma das regiões mais carentes o planeta. Bancou a viagem com recursos próprios e conheceu de perto uma realidade que, se já ingrata para os que simplesmente assistem pela TV ou têm acesso via internet, imagina quando presenciada e sentida pela sua pele? No entanto, a região não pode ser reduzida ao estigma da miséria ao qual é vinculada – e um dos grandes méritos do projeto e do livro é de levantar o debate e a discussão sobre desenvolvimento social e as diferentes formas de se erradicar a pobreza.

Uma das curiosidades sobre a publicação é de que ela foi financiada de maneira coletiva, por meio da plataforma Catarse. A campanha, lançada no segundo semestre de 2012, juntou 318 apoiadores que conseguiram superar o mínimo necessário de R$ 25 mil para o projeto virar realidade. Ao final, foram arrecadados R$ 26.665, deixando o caminho livre para que o livro enfim pudesse ser impresso e distribuído – apenas uma pequena parte da tiragem será comercializada.

Há também versão da obra em audiolivro, visando pessoas com deficiência visual ou mesmo relacionados à capacidade de leitura. Neste link o jornalista explica mais sobre o porquê da publicação também nesse formato.

Com o livro às vésperas do lançamento, Fisberg conta abaixo um pouco mais sobre a origem e desenvolvimento do projeto e da obra, além do que tem feito atualmente e planeja para os próximos meses:

– De onde surgiu a ideia do Mochila Social? você partiu de alguma experiência, o que te inspirou?

Eu trabalho e pesquiso a área de desenvolvimento social e pobreza há pelo menos 5 anos. Havia acabado de passar 6 meses na Índia e outros 6 no Oriente Médio, tendo assim experiências na América Latina, Ásia e Oriente Médio. Como forma de complementar meu aprendizado, decidi que me faltava uma vivência no lugar onde a pobreza é completamente estigmatizada, mesmo para àqueles que nunca pisaram lá: a África Subsaariana. Risquei no mapa países que faziam sentido eu visitar (ou pela relevância de projetos e organizações ou por contatos que eu já possuía do meu trabalho com cooperação internacional) e decidi ir.

– Como surgiu a ideia de buscar recursos para o projeto por meio do financiamento coletivo (via Catarse)?

Para o projeto em si, eu não busquei recursos externos. Decidi que era um investimento válido e que eu estava disposto a arcar com esta experiência. Também decidi me manter independente e com liberdade de decisão sobre o projeto como um todo, podendo fazer alterações de percurso de acordo com meu aprendizado, sem ter que justificar ou pedir autorização para um possível patrocinador. No meu retorno, com a publicação do livro “Mochila Social: um olhar sobre desenvolvimento social e pobreza no leste da África”, decidi editar o livro de forma independente, o que tem muitos custos. Ao mesmo tempo, me dá liberdade para distribuir da forma como eu achar mais interessante, priorizando o livro em escolas, bibliotecas e projetos que possam se beneficiar desta experiência. Para embarcar comigo nesta jornada, o modelo do financiamento colaborativo me pareceu uma ideia muito boa, já que eu poderia oferecer o livro como recompensa a àqueles que acreditassem no projeto como um todo.

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– Dentre as situações que você presenciou, teve alguma que te marcou de maneira especial?

Foram muitas vivências transformadoras e momentos simples que me fizeram refletir muito sobre uma série de paradigmas pré-estabelecidos e outras convenções. Eu sempre acho difícil destacar um ou outro momento, mas com certeza as primeiras impressões na Etiópia, as favelas de Nairobi (Quênia), a visita ao maior campo de refugiados do planeta (em Dadaab, fronteira com a Somália) e uma breve imersão em Namuwongo, favela de Uganda são momentos e experiências de grande peso. Isso sem contar as mais de 30 organizações visitadas e a riqueza de experiências e projetos que servem de bagagem para o meu trabalho até hoje.

– Como tem sido a repercussão do lançamento e o que você espera para o grande dia, que já está chegando? 

Escrever um livro sobre uma experiência individual é como andar pelado por ai. Pode ser que alguém não consiga tirar o olho e a experiência seja transformadora, mas também estamos sujeitos a críticas e olhares atravessados. Eu publico este livro quase como se fosse uma ficção, para que as pessoas posam se inspirar a encontrar o seu jeito de mudar o mundo, de transformar a realidade em algo mais interessante. O dia do lançamento em si é uma confraternização, um momento em que as pessoas podem ter contato com um produto físico que nasceu após uma experiência individual. Neste caso, a Casa Rex, responsável pelo projeto gráfico do livro é que tem o maior mérito: o livro ficou muito diferenciado do que há por ai, com uma sutileza e delicadeza na forma como foi concebido que me dá muito orgulho de ter contribuído com o tema de um produto tão bem elaborado.

– Além dos livros que já foram prometidos aos colaboradores do projeto, haverá produção comercial da obra?

O meu foco de trabalho com esta edição é educativo e inspiracional. Estou interessado em tê-lo distribuído em espaços de discussão e aprendizado e a parte comercial será feita diretamente comigo e com algumas livrarias que toparem comercializar um livro independente. O mercado editorial “comercial” é muito competitivo e baseado em grandes investimentos, coisa que acredito não ser meu maior potencial neste momento. Apesar de eu acreditar que o livro é bastante comercial e com um público alvo bem interessante. Estou com o livro à venda no site www.mochilasocial.com , com a vantagem de que mando o livro por correio com uma dedicatória.

– Na sua opinião, em que medida sua formação escolar e familiar te influenciou nos projetos nos quais você se engajou?

Acho que tudo o que fazemos é reflexos das nossas vivências e experiências do dia a dia, algumas mais fáceis de identificar, outras menos. Com certeza, a liberdade de escolha que me foi sempre permitida em casa e nos ambientes pelos quais convivi contribuiu e muito para que eu pudesse tomar decisões de experimentar e me dedicar ao que eu mesmo acredito ser fundamental para a minha formação e, consequentemente, para minha atuação junto à sociedade.

Por cinco meses, você trabalhou junto à Aide et Action Internationam South Asia, acompanhando o ciclo migratório de trabalhadores semiescravos no leste da Índia, produzindo dessa experiência duas publicações. A partir daqui faço três perguntas: 

– Onde posso encontrar essas publicações, até para poder relacioná-las no post desta entrevista?

Estas publicações eram internas, mas há algum material aqui: http://umjornalismosocial.wordpress.com/migracao-impactos-em-pobreza-e-educacao/com-que-tijolos-construir-nossas-cidades/

– O que mais te marcou nessa experiência específica?

Acho que foi enxergar as coisas por outras perspectivas. Viajei muito para pequenos vilarejos no nordeste da Índia e conheci realidades rurais e urbanas impressionantes, mas que pouco se distanciam do que nós mesmos vivemos no Brasil ou em outros lugares do planeta. E as coisas são assim, com um monte de gente envolvida e pouca perspectiva de mudança. Aqui escrevo alguma coisa sobre: http://umjornalismosocial.wordpress.com/migracao-impactos-em-pobreza-e-educacao/

– Do que você vivenciou nesse período, teve algo que te influenciou nos trabalhos posteriores (como a experiência no leste da África)?

Tudo, foi uma sequência de eventos que foi levando uma coisa a outra. Como estive bastante dedicado a experimentar e focado na minha formação e aprendizado, tive a chance de me permitir vivenciar estas experiências todas de forma bastante consciente, colaborando para que os resultados pudessem ser potencializados.

– Que dicas você daria para quem deseja seguir um caminho parecido com o seu, de conhecer in loco os problemas e iniciativas sociais de países em desenvolvimento e de fazer algo em prol dessas localidades?

Vou terceirizar a dica com dois posts que já escrevi sobre. Acho que o fundamental é estarmos com os ouvidos mais abertos do que a boca, dispostos sempre a aprender o máximo possível antes de começarmos a utilizar nosso potencial. http://umjornalismosocial.wordpress.com/2012/08/16/doze-passos-praticos-para-solucao-de-problemas-sociais-por-paul-polak-1-parte/   e  http://umjornalismosocial.wordpress.com/2012/08/22/doze-passos-praticos-para-solucao-de-problemas-sociais-por-paul-polak-2-parte/

– Após o Mochila Social, quais os próximos trabalhos nos quais você vai se engajar?

Hoje, junto com a Rede Ubuntu estou desenvolvendo uma Aceleradora de Propósito, para incentivar e ajudar pessoas a transformarem seus “planos B” em “planos A”. Além disso, estou organizando alguns eventos e tentando formar uma rede de pessoas que trabalham e pesquisam desenvolvimento social e pobreza para fortalecer o impacto destes trabalhos, de forma colaborativa. Atuo em alguns projetos sociais com foco na melhoria de espaços públicos e privados tenho muita satisfação em ajudar outras pessoas a elaborarem projetos e empreendimentos com potencial de impacto social, baseado um pouco na minha experiência de organizações que fundei ou que conheci.

Serviço:
Lançamento do livro “Mochila Social: um olhar sobre desenvolvimento social e pobreza no leste da África”, de Alex Fisberg

Data: 1° de março de 2013, a partir das 18h
Local: Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 181 – Pinheiros/SP

Série Personagens

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Eles são imigrantes, estudantes, pesquisadores, missionários, profissionais de diversas áreas. As origens e motivos são distintos, mas em comum eles fizeram ou fazem algo em prol de uma vida melhor, seja para si, para os familiares ou mesmo pela esperança de um mundo diferente do atual. Colocam a mão na massa, abrem mão de momentos de lazer e conforto para se verem diante de realidades que somente presenciando-as para perceber de fato o quão duras são.

Este é o post de introdução de “Personagens”, nova série deste blog, baseada em entrevistas e histórias dessas pessoas que resolveram assumir o papel de protagonistas, seja na própria vida ou na do próximo.

E a estreia da série será não apenas com a história de uma pessoa, mas também de um projeto. É o Mochila Social, do jornalista e pesquisador Alex Fisberg, cujos frutos poderão ser conhecidos bem de perto no próximo dia 1° de março, em São Paulo.

Ficou curioso? Então não perca o próximo post. E conforme novos textos forem acrescentados ao blog, o link dos mesmos será adicionado à lista ao final desta postagem.

Alex Fisberg e a Mochila Social

 

O sofrimento de refugiados, a partir dos próprios pés

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Pequenos detalhes, às vezes inusitados e sutis, podem dizer muito sobre uma determinada situação. Exemplo disso é a mostra A Long Walk, elaborada pela fotógrafa Shannon Jensen, que resolveu retratar os refugiados do Estado do Nilo Azul, no Sudão, que buscam abrigo no vizinho Sudão do Sul, o mais novo país reconhecido pela ONU – e um dos mais pobres do mundo.

As imagens foram feitas entre maio e junho de 2012. O resultado pode ser visto no site da fotógrafa, que também conta com outros trabalhos feitos no país africano.

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Por meio dos calçados – ou do que restou deles, de tão desgastados que estão – é possível ter uma ideia das dificuldades enfrentadas pelos refugiados. Eles podem até mesmo servir como uma amostra do sofrimento carregado pelos próprios donos, às vezes ao longo de anos e em repetidas situações, sujeitos a toda sorte de riscos.

Estima-se que a guerra que culminou com a divisão do Sudão tenha deixado cerca de 170 mil refugiados. O conflito armado pode ter terminado oficialmente, mas a tensão na região permanece, o que pode engrossar ainda mais o contingente de deslocados.

Crédito: Reprodução/Shannon Jensen

Abrir ou não abrir – eis apenas uma das questões

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Para atacar o deficit de profissionais qualificados em determinadas áreas da economia brasileira, o governo federal estuda flexibilizar as regras para obtenção do visto de trabalho para estrangeiros. As informações são do jornal Valor Econômico – aqui reproduzidas a partir do portal da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). Atualmente, tais estrangeiros entram no país já recrutados e com contrato assinado.

A abertura do mercado para pessoas com alta qualificação profissional de outros países pode ser benéfica para o Brasil, caso ela seja adotada sob critérios bem definidos – dentro de uma política séria de intercâmbio cultural, tecnológico e econômico, por exemplo, que pode beneficiar não apenas ao país, mas também àquelas nações com as quais as parceiras seriam estabelecidas. A Secretaria deixa claro que trata-se de uma medida a curto prazo, para sanar necessidades imediatas da economia brasileira. Mas, nunca se pode deixar de considerar o risco dessa medida de curto prazo, se aplicada sem critério, acabar postergada por um tempo indeterminado – o que, sim, tem potencial para atrapalhar o desenvolvimento do Brasil a médio e longo prazo nesses mesmos setores atualmente carentes de mão de obra.

O assunto acima é apenas um das questões a serem consideradas e incluídos em uma futura legislação migratória brasileira que pretenda ser abrangente e coerente com o crescente papel do Brasil no cenário internacional. A SAE planeja concluir até o fim do semestre um pacote de sugestões ao projeto de lei 5.655, de 2009, que “atualiza” o arcaico Estatuto do Estrangeiro em vigor, de 1980 e considerado um resquício da ditadura militar.

Sim, “atualiza” (entre aspas mesmo) porque o projeto mantém intacto o conceito de ver o estrangeiro como uma potencial ameaça e uma questão de segurança nacional. E um projeto de legislação migratória que pretenda ser atual e abrangente não pode fugir do desafio de contemplar os imigrantes de menor qualificação profissional; e também deve estar coerente com a política externa brasileira, sempre pronta a criticar as discriminações que brasileiros sofrem no exterior.

Em breve a novela ganhará novos capítulos. E ela está apenas começando…