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quinta-feira, julho 2, 2026
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Pandemia gerou 111 mil fechamentos de fronteiras e restrições às migrações em 2020

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Pandemia de Covid-19 impacta as migrações locais e globais
Pandemia de Covid-19 impacta as migrações locais e globais. (Foto: OIM)

Por Rodrigo Veronezi

Ao menos 111 mil medidas de fechamento de fronteiras ou de restrições ao ir e vir de imigrantes e refugiados foram criadas mundo afora desde o início da pandemia. É o que mostra um estudo global recente desenvolvido pela OIM (Organização Internacional para as Migrações) e MPI (Migration Policy Institute).

O relatório, intitulado “Covid-19 e o Estado da Mobilidade Global em 2020”, é a primeira análise abrangente sobre o lockdown e seus efeitos sobre a mobilidade humana global. Ele foi lançado na última quinta-feira (8) e pode ser visualizado e baixado neste link, no portal do Migration Policy Institute.

Dentre essas medidas consideradas para o estudo estão os fechamentos de fronteiras quanto proibição de voos, mudanças na concessão de vistos, medidas sanitárias e bloqueios ao acesso de pessoas de determinadas nacionalidades, entre outras.

“A pandemia de Covid-19 teve um impacto grave na mobilidade global, deixando milhões de pessoas presas, trabalhadores migrantes, familiares ou estudantes internacionais no exterior”, disse o diretor Geral da OIM, António Vitorino. “Este relatório mostra essas dinâmicas ao longo de 2020 e destaca as maneiras como os governos estão tentando reiniciar a mobilidade em 2021 e depois”, completou.

Restrições sob 3 fases

O estudo analisa tais restrições à migração humana sob três fases distintas da pandemia em 2020: de janeiro a maio, durante o chamado lockdown devido ao confinamento social para conter a propagação do vírus; de junho a setembro, quando alguns países reabriram suas fronteiras retomando voos; e por último, de outubro a dezembro, quando a segunda onda de contaminação se espalhou causando novos fechamentos e restrições.

Para ambas as entidades, o movimento das pessoas foi fortemente afetado com efeitos mais severos sobre os que precisam cruzar fronteiras para salvar suas vidas ou fugir de situações de ameaças e perigos. Estudantes internacionais e suas famílias, migrantes trabalhadores e outros cidadãos também não escaparam dos efeitos dos fechamentos de fronteiras e outras barreiras sanitárias.

De acordo com o estudo, pelo menos 3 milhões de pessoas em todo o mundo tiveram problemas como retenção em aeroportos, falta de assistência consular e outras questões burocráticas no contexto de pandemia.

O Brasil é citado no relatório por duas razões: a cepa da Covid-19 originada no país, o que rende uma série de impedimentos ao ingresso de qualquer pessoa que seja originária ou tenha passado pelo Brasil; e pelas barreiras impostas ao ingresso da população venezuelana em suas políticas de restrição para conter a pandemia — questionadas pela sociedade civil e pela Justiça, que veem caráter discriminatório contra essa nacionalidade.

O relatório ressalta que tais medidas restritivas à mobilidade humana são legítimas como ações temporárias para conter o avanço global do vírus. No entanto, destaca que três fatos negativos — já presentes antes da pandemia — ficaram ainda mais evidentes diante dessas situações: o aumento do abismo entre aqueles que se deslocam globalmente para turismo e negócios para os que buscam melhores condições de vida; a ampliação das vulnerabilidades socioeconômicas; e a ampliação das relações de dependência e exploração.

Mobilidade pós-pandemia

Junto com o aumento das disparidades, o estudo examina ainda o futuro da mobilidade humana pós-Covid-19, à medida que os países lentamente começam a emergir da pandemia — embora países europeus já vivenciem o que consideram uma terceira onda de infecções. E esses primeiros resultados são suficientes para dizer que tais respostas serão complexas, seja do ponto de vista local como global.

“À medida que surgem novas cepas do vírus, os governos enfrentam o desafio de desenvolver estratégias de mitigação de risco que vão além das ferramentas rudes de fechamento de fronteiras e proibição de viagens. Eles também precisam evitar respostas unilaterais e trabalhar com outros governos e organizações internacionais para desenvolver políticas de saúde de fronteira bem planejadas”, ressaltou Andrew Seele, presidente do MPI.

A OIM destaca, no entanto, que o Pacto Global para a Migração poderia ser um ponto de partida na busca por soluções conjuntas para lidar com desafios globais que já despontam para a mobilidade durante e após a pandemia. O acordo foi firmado no final de 2018 por 164 países, sendo que alguns se retiraram após a assinatura — entre eles o Brasil, em uma das primeiras decisões do governo de Jair Bolsonaro.


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Um brinde a um novo tipo de diversidade no jornalismo

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A jornalista peruana Katherine Rivas, quando começou a trabalhar com jornalismo econômico, sua área atual
A jornalista peruana Katherine Rivas, quando começou a trabalhar com jornalismo econômico, sua área atual. (Foto: arquivo pessoal)

Por Katherine Rivas

Apesar desses tempos pandêmicos, a essência desta nobre profissão que é o jornalismo permanece sempre viva nos corações, alimentando a esperança necessária para encarar os dias atuais.

Seja no escritório ou no home office, o que não falta nunca são bloquinhos de notas, agendas sem fim, fontes, deadlines apertados e muito café para acompanhar a rotina.

Mas nesta semana em que se lembra o Dia do Jornalista (7 de abril), gostaria também de fazer um apelo a uma causa que comecei a defender há alguns anos: a diversidade no mercado de trabalho, principalmente quando falamos de imigrantes e refugiados nas redações brasileiras.

E sou suspeita a falar disso porque sou uma gringa de carteirinha! rs. Cheguei no Brasil em 2012 à procura de novas oportunidades e com uma bagagem gigante de sonhos. Mas desde a faculdade já ouvia que se tornar repórter no Brasil era uma missão complexa, ainda mais se você fosse um estrangeiro (imigrante ou refugiado).

Eram uma série de elementos que contavam na hora de ter uma dessas oportunidades privilegiadas: talento, resiliência, facilidade e agilidade na hora de escrever e principalmente muito QI. É claro, que este último item, ficava ainda mais complexo para nós imigrantes. Afinal, por que estaríamos habilitados a conquistar uma posição destas em um país diferente?

Por muitos anos o discurso da sociedade quase vinha pronto. Comentários como “Já pensou em ser correspondente do seu país?” ou “Por que não tenta um trabalho no seu país, com toda essa bagagem adquirida no Brasil, poderia dar certo lá”. “Ser repórter no Brasil? Magina, aqui é super difícil”.

E nada contra os correspondentes, que por sinal fazem um trabalho extraordinário que requer ainda mais experiência e preparação. Mas o meu questionamento é bem simples: e se nós imigrantes e refugiados, residentes do Brasil, decidíssemos que o nosso lugar também é aqui, trabalhando nas grandes e pequenas redações? Ou no jornalismo independente? Seria isso uma afronta para alguns segmentos da comunicação, ou estaríamos prontos para lidar também com este tipo de diversidade?

E foi este desafio que assumi nos últimos seis anos, desde que eu peguei meu diploma na faculdade de jornalismo. Sabe o motivo? Acredito que nós imigrantes e refugiados temos um olhar diferenciado. Aquela bagagem que vem daqueles que carregam consigo as marcas de uma cultura diferente, a história de um país diferente, mas que ao imigrar se misturaram com os traços de viver e sobreviver no Brasil. A nossa história é um emaranhado de sentimentos, percepções e visões, que podem enriquecer e muito a arte de fazer reportagem.

É claro que a jornada destes seis anos não foi nada fácil. Desde que consegui meu primeiro estágio em uma redação até hoje, sempre lidei com o fato de ser a única imigrante da equipe. Em grandes e pequenas redações, em trabalhos fixos e em frilas. Às vezes me invadia a curiosidade: Imagine só não ser “diferente”, chegar ao trabalho e ouvir outros sotaques, outros “gringos” correndo atrás dos sonhos. Nesse tempo, só tive o privilégio de conhecer alguns, menos de 10 com certeza.

A jornalista peruana Katherine Rivas, que vive no Brasil desde 2012 e se especializou em jornalismo econômico
A jornalista peruana Katherine Rivas, que vive no Brasil desde 2012 e se especializou em jornalismo econômico. Ela incentiva outros imigrantes a também buscarem espaço no jornalismo brasileiro. (Foto: arquivo pessoal)

Ser imigrante no jornalismo brasileiro é algo apaixonante, mas também nem sempre é tarefa fácil.  Para furar essa bolha, você lida com o desafio de provar duas vezes a sua capacidade, e mostrar para seus colegas e suas fontes que apesar do sotaque e o idioma nativo ser bem diferente, é possível sim escrever, apresentar, apurar bem, fazer boas reportagens. A depender da redação e de quanto a diversidade esteja presente nela, a jornada fica mais fácil de levar.

Porém, não que isso seja a regra, na verdade acho que é a exceção. E acredito que ainda há muito a ser feito para que as redações brasileiras estejam prontas para acolher a diversidade.

No passado, já ouvi muito falar de que redações são lugares fechados, conservadores e nem sempre são lugares para imigrantes. Curiosa do jeito que sou, sempre decidir tentar e contrariar estes comentários. Na real, eu acredito que lugar de imigrante e refugiado é onde ele quiser.

É só olhar ao redor! Temos muitos comunicadores de outras nacionalidades no mercado brasileiro, a maioria atuando de forma independente. Todo ano as faculdades também ganham sua cota de diversidade, com novos imigrantes e refugiados escolhendo jornalismo como profissão.  Mas agora fazendo as contas: Quantos estudantes de jornalismo imigrantes ou refugiados você conhece?

E a pergunta inevitável: Quantos imigrantes e refugiados trabalhando nas redações do Brasil você conhece?

E vou mais fundo ainda. Qual o perfil destes imigrantes, considerando a interseccionalidade? São europeus, americanos? Ou são latinos, africanos, asiáticos?  Sim, infelizmente, isso também conta.

Falar de diversidade no jornalismo é um trabalho árduo. Reconheço e admiro muito o trabalho dos movimentos de jornalistas negros, jornalistas da periferia, que lutaram para ocupar seus espaços no jornalismo. E foi graças a essa luta incansável, que eles conseguiram mudar um pouco essas estruturas. Uma conquista para a diversidade!

Mas uma coisa que me chamou a atenção é que nunca vi um movimento da nossa categoria acontecer. Jornalistas imigrantes e refugiados reivindicando seus lugares na profissão. Onde vocês estão? Por que ainda não abraçamos essa causa?

Nesta semana em que lembramos o dia do jornalista, gostaria de deixar esta reflexão: se você é imigrante ou refugiado, seu lugar não é onde a sociedade determina, e sim onde você quer estar.

Se você, jornalista ou estudante de jornalismo, já ouviu por aí que “Redação não é lugar para imigrantes”, por favor ignore! Saiba que seu lugar no mercado de trabalho dependerá das suas decisões, do seu esforço e de quanto acredita nos seus sonhos. Seja na grande redação, no jornalismo independente, na assessoria de imprensa ou na agência de mídia social.

Seu lugar, jornalistas imigrantes e refugiados, é onde vocês decidirem estar hoje! Por mais longe e complexa que essa trajetória pareça, sempre há um lugar para nós que temos a coragem de encarar um recomeço.

Te escrevo com carinho esta mensagem, entre anotações de bloquinho e correria que uma vida de redação proporciona. Mas que nossa, é uma rotina muito gostosa e viciante!

Foram muitos desafios e dores para chegar aqui, acredite. Ainda mais quando decidi trabalhar com reportagem na área econômica, falando de capital aberto, um segmento ainda mais conservador e elitista do que o próprio jornalismo. Mas valeu cada segundo!!  

Espero que um dia, colegas jornalistas imigrantes e refugiados, nos encontremos quem sabe no meio de uma coletiva, nos corredores de uma redação ou em uma conversa descontraída com cafezinho em mãos para falar das aventuras dessa nossa profissão apaixonante. Ficarei muito feliz em saber que há mais gringos que decidiram furar essa bolha! Além claro de ouvir novos sotaques!

Sobre a autora

*Katherine Rivas, nascida em Chiclayo (Peru), mora no Brasil desde 2012. É jornalista por formação e repórter por paixão. Atualmente trabalha com jornalismo econômico e de finanças na redação do InvestNews. Acredita fervorosamente no poder da diversidade na educação financeira. Teve passagens pela IstoÉ Dinheiro, Money Report e colaborou com Exame, Folha e GQ Brasil.


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Morre Dr. Cândido, pioneiro e defensor histórico da questão do refúgio no Brasil

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Dr. Cândido em seminário de 2016 sobre refugiados e migrantes. (Foto: Sergio Amaral/STJ)

Diretor-executivo da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro e defensor histórico da questão do refúgio no Brasil, Candido Feliciano da Ponte Neto morreu na última quarta-feira (7) aos 72 anos. A causa da morte não foi divulgada.

Dr. Cândido, como era conhecido, possui uma trajetória longeva de atuação em prol do refúgio no Brasil, sendo inclusive considerado um pioneiro na questão. Ainda na década de 1970, deu início a um trabalho sistemático de atenção às pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio em território nacional, em meio à ditadura militar e antes da legislação brasileira sobre o tema.

Ele, aliás, teve participação importante no processo que gerou a Lei de Refúgio (Lei 9.474/1997). Também foi representante da sociedade civil junto ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) até seu falecimento.

“É com a mais profunda tristeza que informamos o falecimento do Dr. Cândido Feliciano da Ponte Neto, diretor-executivo da Cáritas RJ e nosso grande amigo”, informou a Cáritas Rio por meio de nota.

Homenagens

O falecimento do diretor da Cáritas Rio foi lamentado por diversos representantes da sociedade civil, em pessoa física e jurídica, que enfatizaram seu pioneirismo na questão do refúgio no Brasil.

“Ele foi uma pessoa pioneira no papel de acolhida aos refugiados, antes mesmo de haver legislação de refúgio no Brasil”, ressaltou Charles Pontes Gomes, fundador do Cepri (Centro de Proteção a Refugiados e Imigrantes) da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

“O Dr. Cândido, como era carinhosamente chamado, foi e seguirá sendo em nossas memórias uma pessoa exemplar, que nunca se furtou de defender com afinco os direitos e a dignidade das pessoas refugiadas, sejam aquelas diretamente atendidas pelos serviços da CARJ como todas as demais que buscam proteção no Brasil. Lamentamos profundamente a perda dessa pessoa e profissional humanitário de quem muito nos orgulha a parceria estabelecida, de profundo impacto na vida das pessoas refugiadas”, afirmou Jose Egas, representante do ACNUR no Brasil.

Também por meio de nota, o Conare manifestou a respeito da morte de Dr. Cândido. “Foi protagonista na articulação de evoluções normativas que configuram a atual Política Nacional Migratória e de Refúgio, com viés marcadamente humanitário e acolhedor. Dr. Cândido deixa um legado para todos nós e a responsabilidade de ter, em seus passos firmes, um exemplo e uma inspiração de vida, de solidariedade e de integridade de ideais na luta em defesa dos refugiados e dos migrantes”.

Trajetória

Natural de Parnaíba (PI), Dr. Cândido era bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Administração de Empresas pela PUC-RJ. Também atuou na Cáritas Rio como ecônomo, superintendente da Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, membro do Conselho Econômico e diretor do Banco da Providência.

O trabalho de Cândido da Ponte Neto com refugiados se iniciou em 1975, aos 27 anos, quando começaram a chegar ao Rio de Janeiro os primeiros dissidentes políticos de países do Cone Sul que viviam sob regimes militares, como Argentina, Chile e Uruguai. Dr. Cândido era quem fazia o atendimento e orientava essas pessoas.

Em agosto de 2017, Dr. Cândido recebeu a medalha Sérgio Viera de Mello. A honraria é concedida pelo Ministério das Relações Exteriores às pessoas que prestam inestimável contribuição nas áreas do direito internacional, direitos humanos, direito humanitário, assistência humanitária, direito dos refugiados e promoção da paz.

Durante a cerimônia de recebimento da medalha, Dr.Cândido mencionou alguns contratempos que datam do início de sua atuação junto a refugiados sob o contexto ditatorial que dominava a América do Sul à época. “Foi um período muito difícil, porque nosso trabalho incluía proteger os refugiados da Operação Condor, uma ação conjunta das ditaduras do Cone Sul, inclusive a do Brasil, para reprimir dissidentes políticos”.


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Com debate e sarau, Fórum Fronteiras Cruzadas encerra 3ª edição e maratona de quatro meses

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Performance de Antonio Rodrigues para o I Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze - Fronteiras Cruzadas, em nov.2017. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo - nov.2017)

Após quase quatro meses de atividades, nesta quinta (8) e sexta (9) ocorrem as ações finais da terceira edição do Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze – Fronteiras Cruzadas. O evento visa ser um ponto de encontro entre qualquer pessoa interessada em pensar e atuar sobre os novos desafios para a garantia de direitos de migrantes, independente da origem.

Para encerrar o ciclo de atividades, iniciado em 24 de novembro passado, foram organizada uma mesa de debates com pesquisadoras de renome internacional e um sarau multicultural. Ambos vão acontecer por meio de transmissão no YouTube e são abertos a qualquer pessoa interessada.

O debate final “Reconfigurando os estudos sobre migrações transnacionais: uma abordagem multiescalar e conjuntural”, acontece na quinta, às 14h. Ele conta com as presenças das pesquisadoras Nina Glick-Schiller (Universidade de Manchester e Universidade de New Hampshire) e Ayşe Çağlar (Universidade de Viena / Instituto de Ciências Humanas – IWM). A professora Bela Feldman-Bianco (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNICAMP) será a debatedora. Essa atividade será totalmente em inglês – link abaixo para a transmissão.

Já na sexta (9), o fechar das cortinas do Fórum fica por conta do Sarau Multicultural, organizado pelo projeto de extensão do Fronteiras Cruzadas na Unicamp em parceria com o coletivo Visto Permanente, com apresentações de artistas imigrantes de Venezuela, Colômbia, Bolívia, e Moçambique (veja a programação ao final do texto e a transmissão neste link).

De novembro passado até o final de março, dezenas de atividades ocorreram no formato online, com o objetivo de criar espaços para promover a troca de saberes, ampliando redes e resistências locais e globais num contexto de migrações.

Potenciais e entraves

A exemplo de outras atividades, o Fórum também precisou se adaptar aos tempos de pandemia e ocorreu de forma inteiramente online. A presença da Covid-19 em caráter global, aliás, deu uma relevância ainda maior para o tema desta edição do evento: “Migração Transnacional e Transformações Sociais”.

A realização em um ambiente totalmente online trouxe tanto alegrias quanto dissabores. Ao mesmo tempo que permitiu a participação de pessoas de todo o mundo nas atividades, também impediu que migrantes com pouco acesso à internet pudessem tomar parte nas discussões e celebrações culturais.

“Apesar do amplo alcance do evento, nos deparamos com barreiras, como a desigualdade no acesso à internet. Alguns imigrantes convidados tiveram problemas de conexão e foi mais difícil mobilizar imigrantes recém chegados nos Centros de Acolhida em São Paulo, que sempre participam ativamente do Fronteiras Cruzadas na USP, a maior universidade pública do país”,reflete Karina Quintanilha, curadora do evento.

O balanço, no entanto, é considerado positivo pela curadora. “Fomos convocados a refletir e propor direções sobre essa conjuntura de crise, atravessada por governos da extrema-direita, ataques a direitos trabalhistas e sociais, militarização de fronteiras na América Latina, políticas de indocumentação, aprofundamento do racismo e xenofobia e crescente criminalização da migração”, reflete. 

Sobre o evento

Fontié Ki Kwaze significa “Fronteiras Cruzadas” em créole haitiano e faz referência ao Haiti. Primeiro país a organizar uma revolução de escravos negros iniciada, em 1791, derrotou a exploração colonialista francesa e se tornou a primeira república independente da América Latina, em 1804.

O Fórum tem a coordenação geral do Prof. Dr. Artur Matuck (ECA/ PGEHA / Diversitas-USP), junto com a Profa. Dra. Vera Telles (FFLCH-USP), o Prof. Dr. Paulo Daniel Farah (FFLCH-USP / Diversitas / NAP-Brasil-África) e a Profa. Dra. Patrícia Villen (Núcleo de Pesquisa Abdelmalek Sayad), com curadoria da pesquisadora e advogada Karina Quintanilha (IFCH-UNICAMP). Também é constituído por uma ampla rede de pesquisadores das mais diversas áreas de atuação (Comissão de Organização e Científica), estudantes, assistentes sociais, advogados, coletivos de migrantes, espaços culturais, em estreita cooperação com grupos de pesquisa do Brasil e exterior, em especial na América Latina, Canadá e Europa.

A primeira edição ocorreu em 2017, nas dependências da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), e contou com a cobertura do MigraMundo.

Programação de encerramento

 8/04, Quinta, 14h (Br) – Mesa Redonda de Encerramento
*A atividade será excepcionalmente em inglês.
Haverá uma experiência com o closed caption/tradução automático do YouTube

Reconfigurando os estudos sobre migrações transnacionais: uma abordagem multiescalar e conjuntural

Com: 
– Nina Glick-Schiller (Professora Emérita do Departamento de Antropologia Social da Universidade de Manchester e da Universidade de New Hampshire)

– Ayşe Çağlar (Professora do departamento de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Viena / Instituto de Ciências Humanas – IWM)

Debatedora: Bela Feldman-Bianco (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNICAMP)

Mediação: Tiago Rangel Côrtes (PPGS – USP).

Abertura com:
Karina Quintanilha (IFCH-UNICAMP) – curadora da 3a edição do Fórum Internacional Fronteiras Cruzadas.

Encerramento com:
Artur Matuck (Professor da ECA-USP) – coordenador geral da 3a edição do Fórum
Internacional Fronteiras Cruzadas.

9/04, Sexta, 14h (Br) – SARAU MULTICULTURAL ONLINE
*O evento integra a Mostra Funciona Cultura UNICAMP – 2021 e é transmitido pelo Canal DCult  – https://www.youtube.com/c/DiretoriadeCulturadaUnicamp/ 

ARTISTAS CONVIDADOS
Avril Curvelo – Venezuela
Daniela Solano – Colômbia (apresentadora)
Delllpaz e Abillanque (Latam Squad) – Bolívia
Juan Cusicanki e Aloha de la Queiroz – Bolívia e Brasil
Otis Selimane Remane – Moçambique 
Tania Sayri – Bolívia


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O que o Marxismo diz a respeito das migrações internacionais?

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Migrantes na cidade turca de Edirne em direção à fronteira com a Grécia e Bulgária
Migrantes na cidade turca de Edirne, em direção à fronteira com a Grécia e Bulgária, antes da decretação da pandemia pela OMS. (Photo: Müge Ayman - fev.2020/OIM)

Por Vinícius Cruz

Você já deve ter ouvido falar em Karl Marx alguma vez na sua vida. Provavelmente você o conhece como um dos idealizadores do manifesto comunista junto do seu camarada Friedrich Engels. Mas você já se perguntou como o Marxismo interpreta o fenômeno das migrações internacionais dentro do capitalismo?

Para responder a esta pergunta, precisamos ter em mente que o Marxismo funciona como uma lente de análise para interpretar vários fenômenos de forma estrutural, ou seja, entendendo a relação entre o indivíduo (eu e você) com o sistema econômico (o capitalismo). Isso acontece, porque para os marxistas nossas escolhas de vida não são completamente livres e dependentes de nós mesmos. Portanto, a estrutura capitalista limita nosso poder de escolha em graus diferentes e nossas ações também são baseadas em estruturas históricas que herdamos.

Sendo assim, para o Marxismo os temas que mais interessam dentro dos estudos migratórios são assuntos estruturantes. Por que as pessoas migram? Existem migrações voluntárias ou todos nós, ou pelo menos a maioria, somos obrigados a migrar? Quem se beneficia com um sistema de migrações regulado por Estados? Quem paga a conta? Uma das principais preocupações do Marxismo é justamente como as forças econômicas (a estrutura) levam indivíduos a migrarem dos países mais pobres para os mais ricos e como essa mobilidade (principalmente de trabalhadores migrantes) é usada para aumentar os lucros da burguesia principalmente dos países ricos da Europa e América do Norte.

Migração, lucros e exército de reserva

Uma das principais premissas marxistas é que o trabalho é um dos geradores de valor econômico, ou seja, para chegar ao preço final de uma mercadoria, leva-se em conta o quanto de trabalho se explora de um funcionário. Isso é bem diferente da economia neoclássica, que diz que a oferta e demanda de produtos é o que há de essencial para criar valor. Marx defendia que a força de trabalho explorada pela classe dominante era central na construção de valor no sistema capitalista. No entanto, como bem dito por Sabrina Fernandes, “o objetivo do capitalismo não é criar valor de uso, mas a acumulação infinita”, ou seja, não se busca apenas precificar mercadorias, mas lucrar o máximo possível em cima do que se produz. A exploração direta do trabalho pelas grandes corporações é chave para a acumulação de capital desenfreada, ou seja, aumento dos lucros.

As políticas de Gastarbeiter, comuns na Alemanha até meados dos anos 1970, são um exemplo de como podemos ver este conceito aplicado à realidade. O governo da Alemanha contratou trabalhadores estrangeiros em larga escala para impulsionar a sua industrialização e gerar uma crescente acumulação de capital a partir da exploração de mão-de-obra barata migrante. Todavia, assim que o país enfrentou uma forte crise econômica que limitou a expansão do capital nos anos 1970, o governo promoveu o retorno (muitas vezes forçado) desses migrantes aos seus países de origem. Essa repatriação foi extremamente problemática, pois várias famílias já haviam construído sua vida no país e não possuíam apoio nenhum para se reintegrarem aos mercados de trabalho dos seus países de origem. Isso deixa claro quão descartáveis os trabalhadores migrantes são para os grandes detentores de riquezas.

Outro ponto bastante presente nas análises marxistas é o de que há uma relação inversamente proporcional entre os lucros da produção e os salários da classe trabalhadora. Os países do centro do capitalismo global precisam de trabalhadores migrantes para que os níveis de lucros sejam mais altos, porque migrantes ganham em média muito menos que trabalhadores nacionais. Migrantes indocumentados do Sul Global são grandes alvos de exploração por diversas empresas, como o caso de trabalhadores mexicanos nos Estados Unidos, que frequentemente possuem seus direitos trabalhistas negados e recebem salários muito aquém da média nacional.

Também é central para as interpretações marxistas sobre migrações o conceito de exército de reserva. São trabalhadores que recebem menos do que o salário médio ou mínimo e que podem ser despedidos em massa sem grandes consequências políticas. O sistema capitalista precisa de uma enorme quantidade de “trabalhadores descartáveis” para manter a acumulação crescente de capital. Os migrantes do Sul Global são a principal força de reserva nos países ricos, principalmente os indocumentados. Por estarem em uma situação de grande vulnerabilidade e irregularidade migratória, inclusive com um constante medo de serem deportados, trabalhadores migrantes aceitam baixos salários e condições indecentes de trabalho. Um trabalhador migrante irregular não possui liberdade para escolher para quem quer trabalhar.

Pessimismo e realismo

Todo o sistema migratório internacional é pensado para derrubar os custos com o trabalhador e aumentar o lucro. O uso da força de trabalho migrante é um grande aliado para conseguir atingir esse objetivo. É bastante problemático que existam pouquíssimas oportunidades para estrangeiros conseguirem nacionalidade ou uma permissão permanente de trabalho, principalmente os que pertencem às camadas mais vulneráveis. Essa insegurança jurídica os deixa à mercê das vontades da classe dominante. Acabar com a migração irregular não é uma prioridade para os países ricos, porque isso acabaria com o grande exército de reserva disponível para as elites nacionais. Ademais, quando existem esforços para regularizar a condição jurídica dos trabalhadores migrantes, eles normalmente estão focados em vistos de trabalho temporário, o que significa que os trabalhadores podem ser repatriados a qualquer momento, mesmo que contra sua vontade.

Portanto, as teorias marxistas da migração são mais pessimistas que outras. A migração é mais um sinal do desenvolvimento desigual e das relações de poder entre as nações e não traz desenvolvimento aos países de origem. Na verdade, a migração pode até favorecer o subdesenvolvimento das periferias do mundo por meio do processo de fuga de cérebros, que é quando trabalhadores altamente capacitados deixam os seus países, como Brasil, Índia e Argentina para irem trabalhar nos EUA, Europa e Japão.

Isso quer dizer, então, que marxistas são contra a migração ou podem até compactuar com discursos a favor de controles migratórios? Absolutamente, não. Esse tipo de argumento é completamente incompatível com os escritos marxianos que afirmam que se o capital é internacional, a classe trabalhadora também precisa se organizar internacionalmente. Na verdade, a Primeira e a Segunda Internacional Socialista são bastante claras na defesa de direitos e condições iguais entre trabalhadores nacionais e migrantes e na necessidade de evitar que os donos dos meios de produção possam utilizar a mão-de-obra migrante como um trabalho de valor inferior.

Por fim, esta é apenas uma introdução muito breve a várias discussões que autores marxistas fazem sobre a questão migratória. O marxismo vê as migrações internacionais de forma bastante crítica e entende que elas fazem parte de uma estrutura internacional de exploração da classe trabalhadora. No entanto, em hipótese alguma o marxismo advoga pelo controle de fronteiras pelo Estado, que, diga-se de passagem, é controlado pela burguesia.  Pelo contrário, a organização internacional da classe trabalhadora é chave para a superação da atual realidade. Nas palavras do próprio Marx, “se a classe trabalhadora deseja continuar a sua luta com alguma chance de sucesso, as organizações nacionais devem se tornar internacionais”.

Leituras posteriores

Se você se interessou pelos temas apresentados neste breve texto e busca uma leitura mais aprofundada, recomendo os seguintes textos:

Sobre o autor

Vinícius Cruz Campos é pesquisador na área de migrações, analista de projetos na ONG Migraflix e consultor da Organização Internacional do Trabalho. Possui mestrado em Migração e Relações Interculturais pela Universidade de Oldenburg (Alemanha), e bacharelado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Sergipe. Seus campos de interesse incluem integração política de migrantes, mobilidade de trabalhadores migrantes e migração queer. Encontre Vinícius no Twitter: @cruzvinicius1

Desembargador derruba ação contra deportação de venezuelanos e invasão a abrigo em Roraima

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Abrigo para imigrantes em Pacaraima (RR) é alvo de ação de policiais
Abrigo para imigrantes em Pacaraima (RR) que foi alvo de ação de policiais. (Foto: Arquivo pessoal)

Por Rodrigo Veronezi

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou a Ação Civil Pública que havia sido acolhida pela 2ª Vara Federal de Roraima contra a ação de agentes policiais que invadiram um abrigo para imigrantes em Pacaraima (RR), no último dia 17 de março.

Na ocasião, policiais federais, militares e civis entraram no Abrigo São José, mantido por religiosas católicas, alegando verificar uma denúncia de aglomeração no local, onde viviam cerca de 70 pessoas, todas mulheres e menores de nacionalidade venezuelana.

Segundo a entidade que administra o local, os agentes de segurança entraram no local encapuzados. As pessoas abrigadas no local seriam deportadas, porque se encontravam em situação indocumentada. A deportação foi impedida por uma intervenção da DPU, sendo as pessoas levadas para um dos abrigos da Operação Acolhida no município.

Em seguida, a DPU e o Ministério Público Federal entraram com a ACP (Ação Civil Pública) contra novas ações do tipo e para impedir novas tentativas de deportação sumária. 

Decisão esperada

Em seu despacho, emitido na terça-feira (30), o desembargador federal Daniel Paes Ribeiro argumentou que devem ser punidos “eventuais ilegalidades e excessos, comprovadamente cometidos pela Polícia Federal”, mas que não deve haver restrição à sua atuação “de forma geral e abstrata”. E finalizou que ” não se encontra delineado nos autos o contexto em que se deu a operação supostamente ilegal combatida pelos ora agravados”.

Sobre a situação dos imigrantes, Ribeiro apenas afirmou que deve-se seguir o que prevê a Portaria n. 652/2021, que trata da restrição à entrada de pessoas de outros países em território brasileiro, que segue recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, no entanto, apontou que essa recomendação, na verdade, não existe. Embora citado na ACP, o fato não foi considerado pelo desembargador em sua decisão.

Uma pessoa ligada à operação e com experiência na gestão migratória em Roraima, afirmou que a decisão já era esperada. Isso porque, segundo ela, o desembargador tem histórico de decisões semelhantes em ações que envolvem ações civis públicas sobre imigrantes.

“Infelizmente se normalizou no Brasil a existência de milhares de migrantes indocumentados, sem prazo para uma solução”, disse.

Ao MigraMundo, a DPU informou que vai recorrer da decisão.

Repúdio à invasão

Além da ACP na Justiça, a invasão do abrigo em Pacaraima despertou reações e manifestações de repúdio da sociedade civil e de imigrantes no Brasil. 

“Temos acompanhado e vemos com indignação reiterados ataques aos direitos da população migrante no que diz respeito ao acesso a serviços de saúde e assistência social, independentemente de seu status migratório, contrariando o que é previsto na Lei de Migração”, diz trecho de uma carta aberta assinada por 136 instituições contra a ação policial.

As instituições apontam ainda para a existência de uma tendência à criminalização de ações assistenciais e humanitárias por parte do governo federal.

“A assistência social e humanitária prestada a migrantes em situação irregular por entidades da sociedade civil tampouco é ilegal, uma vez que não se objetiva atingir fins lucrativos nem o incentivo à migração irregular com este trabalho, mas tão somente salvaguardar a sobrevivência, a dignidade e o acolhimento de pessoas em situações de extrema vulnerabilidade que deveria ser garantido pelo próprio Estado”, prossegue o texto.

Rede de Venezuelanos no Brasil também emitiu uma declaração conjunta, repudiando os acontecimentos em Pacaraima.


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Eleição do Conselho Municipal de Imigrantes de SP é adiada para maio; veja novas datas

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Ponto de votação para o Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo no CIC do Imigrante, em junho de 2018. (Foto: Divulgação/SMDHC)

Prevista para acontecer no mês de abril, a eleição para renovação do Conselho Municipal de Imigrantes (CMI) de São Paulo foi adiada para maio. O movito é o agravamento da pandemia de Covid-19, que já fez mais de 300 mil vítimas fatais em todo o Brasil.

A eleição virtual acontecerá entre os dias 18 e 19 de maio, enquanto a presencial foi marcada para o dia 23 de maio. Vale ressaltar que a votação física só acontecerá se a capital paulista estiver na fase 2 – laranja do Plano SP. Por esse fato, a comissão eleitoral encoraja os imigrantes a aderirem à modalidade online de votação.

Dados da Prefeitura de São Paulo indicam que ao menos 360 mil imigrantes residam no município, contemplando um total de 197 nacionalidades. A maior comunidade é a boliviana (estimada em pelo menos 70 mil pessoas), seguida por portugueses, chineses, japoneses, italianos, haitianos, espanhóis, sul-coreanos, argentinos e peruanos.

Como votar na eleição para o CMI

Podem votar imigrantes residentes na cidade de São Paulo maiores de 16 anos, independente de sua situação migratória e documental. 

A votação virtual poderá ser feita via celular ou computador entre o dia 18 e 21 de maio de 2021 . Para aqueles que preferirem votar de maneira remota, é necessário fazer um cadastro até o dia 02 de maio através de um formulário que deve ser acessado através do site oficial da prefeitura.

Além do preenchimento de dados, um documento com foto e um comprovante de residência serão solicitados. Após o envio do formulário, é preciso aguardar um e-mail que será encaminhado com a chave de acesso, senha e orientações para a realização da votação virtual.

Imigrantes que não tiverem um endereço de e-mail poderão fazer a inscrição usando um número de telefone. Neste caso, as orientações serão recebidas via SMS.

Em entrevista à Radio Migrantes, Vinicius Duque, Coordenador de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente, disse que não será difícil votar nessa eleição. “Dessa vez vamos fazer a eleição também virtual para que as pessoas possam votar de suas casas em segurança”.

A criação de login e senha visam garantir a segurança e transparência das eleições, além de evitar qualquer risco de fraude, segundo Duque. 

Para os que optarem pela votação presencial, será preciso mostrar um documento com foto e um comprovante de residência. Esta etapa só acontecerá caso a cidade de São Paulo tenha passado para a Fase 2 – laranja do Plano SP ou com uma classificação ainda menos restritiva na semana anterior à realização do pleito. A lista de pontos de votação presencial ainda deve ser divulgada pela comissão eleitoral.

Os eleitores e as eleitoras devem votar em um candidato de cada segmento: (i) Coletivos, Associações ou Organizações de Imigrantes; (ii) Coletivos, Associações ou Organizações de apoio a Imigrantes; e (iii) Pessoas Físicas Imigrantes.

Dentre as candidaturas deferidas estão 8 do primeiro segmento, 12 do segundo e 23 Pessoas Físicas Imigrantes. A lista completa de candidatos pode ser acessada nas redes sociais do CMI.

O Conselho

A criação do Conselho foi prevista na Política Municipal para a População Imigrante, sancionada em 2016, mas apenas em 2018 sua primeira eleição foi realizada. Os representantes escolhidos teriam mandatos de 2 anos, o que foi prorrogado em decorrência da pandemia de Coronavírus que impossibilitou a realização de novas eleições.

O CMI é considerado uma conquista dos imigrantes e um avanço importante do governo para o fortalecimento da participação social. Ligado à Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) de São Paulo, o Conselho é um órgão consultivo e paritário que tem com o objetivo participar da formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas voltadas à população imigrante da Cidade de São Paulo.

O Conselho é composto por 16 membros titulares,  sendo metade da sociedade civil e metade do poder público. A proporção de suplentes segue a mesma regra, totalizando 32 membros. Entre os representantes da sociedade civil estão coletivos, associações e organizações de imigrantes; coletivos, associações e organizações de apoio a imigrantes; e pessoas físicas imigrantes. São esses representantes da sociedade civil que são renovados periodicamente por meio do voto da população migrante da capital paulista.

Além disso, o CMI conta com 5 membros observadores: Organização Internacional para as Migrações (OIM); Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR); Defensoria Pública da União; Defensoria Pública do Estado de São Paulo; e Coordenadoria de Relações Internacionais.

O Conselho se reúne mensalmente para debates pautas que dialoguem diretamente com questões de políticas públicas para imigrantes. Desde abril de 2020, os encontros passaram a ser virtuais. Qualquer pessoa pode acompanhar tais reuniões, bastando acessar o link que é divulgado nas redes sociais do CMI.

Plano de metas

Uma das tarefas do Conselho Municipal de Imigrantes é acompanhar e cobrar do poder público municipal a implementação do Plano Municipal de Poíticas para Imigrantes. Oficializado em agosto de 2020, ele é composto por 80 metas a serem cumpridas pela Prefeitura até 2024. Estão previstos ainda dois momentos de prestação de contas sobre o andamento do cronograma, para 2022 e 2024.

As metas são baseadas nas 78 propostas feitas ao final da Conferência Municipal de novembro, divididas nos oito eixos que serviram para organizar as discussões ao longo do evento:

  • Participação Social e Protagonismo Social Migrante na
    Governança Migratória Local;
  • Acesso à assistência social e habitação;
  • Valorização e Incentivo à Diversidade Cultural;
  • Proteção aos direitos humanos e combate à xenofobia, racismo,
    intolerância religiosa e outras formas de discriminação;
  • Mulheres e população LGBTI+: acesso a direitos e serviços;
  • Promoção do trabalho decente, geração de emprego e renda e
    qualificação profissional;
  • Acesso à educação integral, ensino de língua portuguesa para
    imigrantes e respeito à interculturalidade;
  • Acesso à saúde integral, lazer e esporte.

Algumas das metas apresentadas incluem: a contratação e capacitação de mediadores culturais em equipamentos públicos com maior afluxo de imigrantes; ampliar o atendimento itinerante do CRAI (Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante); e realizar mapeamento — ainda inédito — do acesso da população imigrante à habitação no município.


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Nova portaria sobre residência barra venezuelanos que chegaram no Brasil na pandemia

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Venezuelanos usam caminhos alternativos para chegar ao Brasil durante o período de fechamento de fronteira
Venezuelanos usam caminhos alternativos para chegar ao Brasil durante o período de fechamento de fronteira. (Foto: Luiz Fernando Godinho/ACNUR -abr.2019)

Por Rodrigo Veronezi

Os venezuelanos que entraram no Brasil durante a pandemia de Covid-19, iniciada em março de 2020, não estão contemplados pela medida que recentemente simplificou a documentação necessária para solicitar residência no país. Esse é o entendimento da Polícia Federal sobre a Portaria Interministerial MJSP/MRE 19, assinada pelos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores e que publicada na edição de quinta-feira (25) do Diário Oficial da União.

A portaria simplifica a documentação para autorização de residência exigida de cidadãos de países fronteiriços que não se enquadram no acordo do Mercosul. Estão nessa regra os nacionais de Guiana, Suriname e, especialmente, da Venezuela.

Ao citar tal possibilidade de requerer autorização de residência inclusive por parte de migrantes que estejam em situação irregular, integrantes da sociedade civil viram a possibilidade de o texto contemplar também as pessoas que ingressaram no Brasil por vias paralelas já no contexto da pandemia. No entanto, já havia uma ressalva sobre qual entendimento a PF teria dessa determinação.

Após consultas de integrantes da sociedade civil, a Polícia Federal deu, de fato, outro entendimento ao texto.

“O entendimento da CGPI (Coordenação-Geral de Polícia de Imigração) em Brasília, após consulta ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre a nova Portaria Interministerial MJSP/MRE nº 19, de 23 de março de 2021, é que essa portaria tem o mesmo entendimento da portaria dos haitianos, ou seja, é válida somente para quem não entrou de forma irregular durante a pandemia”, informou a PF.

A entidade ressaltou ainda que a nova portaria não prevalece sobre as medidas anteriores de fechamento de fronteiras. “Esta, por sua natureza especial e por tratar de medida temporária e excepcional com cunho sanitário, ainda predominará, inibindo a regularização daquele que violar seus termos”.

As portarias que restringem o acesso de pessoas de outros países ao Brasil têm sido alvo de questionamentos da sociedade civil e da Justiça em razão das restrições adicionais a venezuelanos, que denotam um tratamento discriminatório a essa nacionalidade. A despeito dessas objeções, o governo brasileiro segue renovando as portarias e mantendo tais restrições.

Procurada pelo MigraMundo para comentar a portaria, a Polícia Federal não se manifestou até o fechamento deste texto.

Avanços e gargalos

Para o advogado Adriano Pistorello, do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) de Caxias de Sul (RS), ainda é possível colher frutos positivos da portaria recém-publicada pelo governo, embora deixe de fora os venezuelanos que entraram no Brasil em meio à pandemia.

“Essa portaria avança no sentido de compilar em um único instrumento de forma clara e direta os pontos de regularização migratória e alteração na forma de autorização de residencia, desde que os imigrantes tenham ingressado ao País, antes das portarias de restrição de entrada por questões sanitárias”.

Pistorelo ainda ressalta que a portaria avança em relação aos documentos necessários e a possibilidade de supressão de alguns documentos em virtude da condição de vulnerabilidade, crianças e forma de comprovação de renda, para os casos de alteração da Autorização de Residência.

Por outro lado, os imigrantes que não são contemplados pela possibilidade de regularização prevista na portaria ainda vivem uma situação de limbo. Essa é a situação das cerca de 70 mulheres e menores venezuelanos em Pacaraima (RR), que estavam em um abrigo que foi alvo de uma ação de agentes de segurança civis, militares e federais, no último dia 17. O motivo alegado foi a averiguação de uma denúncia de aglomeração em meio às medidas de distanciamento social contra a Covid-19. No entanto, a leitura feita por integrantes da sociedade civil e defensores públicos era de que se tratava de uma tentativa de deportar o grupo.

No domingo (21), a Justiça acolheu Ação Civil Pública impetrada por Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público Federal (MPF), barrando a deportação do grupo e proibindo novas incursões do gênero em abrigos.

Pedidos de refúgio

Os venezuelanos atualmente são a maior população em situação de refúgio no Brasil., sendo 54 mil deles já devidamente reconhecidos pelo governo. Desde meados de 2019 o país passou a reconhecer a Venezuela como local de “grave e generalizada violação de direitos humanos”, o que permite um trâmite mais célere das solicitações de cidadãos do país vizinho à luz da lei brasileira de refúgio.

Nesse contexto, o pedido de refúgio tem sido uma das formas de regularização migratória buscadas por essa população. De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil aprovou 26.810 pedidos de refúgio em 2020, sendo que 95% deles foram de venezuelanos (25.735, no total).

Ao mesmo tempo que abre uma nova porta para regularização dos venezuelanos indocumentados, a nova portaria prevê, em seu artigo 6º, que “a obtenção da autorização de residência prevista nesta Portaria e o registro perante a Polícia Federal implicam na renúncia da solicitação de reconhecimento da condição de refugiado”.

Uma das leituras feitas a partir desse contexto é que a portaria visa também reduzir o número de solicitações de refúgio pendentes de avaliação por parte do governo brasileiro. Até o final de 2020, havia mais de 150 mil pedidos aguardando análise – um patamar que já chegou a ultrapassar a casa dos 200 mil.

Pesquisadores e integrantes da sociedade civil apontam que o cancelamento do pedido de refúgio de quem consegue autorização de residência enfraquece o refúgio como um direito e elemento de proteção internacional.


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Portaria simplifica documentação para venezuelanos pedirem autorização de residência no Brasil

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venezuelanos interiorização
Venezuelanos embarcam em avião da Força Aérea Brasileira, em Boa Vista, com destino à Manaus e São Paulo. (Foto: Marcelo Camargo - 4.mai.2018/Agência Brasil)

Por Rodrigo Veronezi

Uma nova portaria conjunta dos Ministério da Justiça e das Relações Exteriores simplifica a documentação para autorização de residência exigida de cidadãos de países fronteiriços que não se enquadram no acordo do Mercosul. Estão nessa regra os nacionais de Guiana, Suriname e, especialmente, da Venezuela.

Segundo a Portaria Interministerial MJSP/MRE 19, publicada na edição de quinta-feira (25) do Diário Oficial da União, tais imigrantes podem apresentar cédulas de identidade ou passaporte com data de validade expirada no pedido de autorização de residência.

O texto também prevê que crianças desses países que tenham ingressado no Brasil até os 9 anos acompanhadas de um dos pais poderão apresentar a certidão de nascimento para obter a autorização de residência.

Ainda de acordo com a portaria, o imigrante “poderá requerer autorização de residência perante uma das unidades da Polícia Federal, independentemente da situação migratória em que houver ingressado no Brasil”.

Uma vez deferida, a autorização de residência é válida por dois anos. Depois disso, caso não tenha registros criminais e comprove meios de se manter no país, o solicitante pode requerer a residência definitiva.

“A portaria tem o objetivo de promover a regularidade documental, um dos princípios da Política Migratória brasileira, à realidade atualmente vivenciada pelo fluxo venezuelano. Além disso, o documento faz ajustes na redação de dispositivos com a finalidade de dar maior clareza aos critérios adotados”, diz o Ministério da Justiça por meio de nota disponível no site da pasta.

Em teoria, um avanço

A publicação da portaria foi vista com bons olhos por integrantes da sociedade civil. Além da simplificação burocrática, também foi apontado foi positivo o fato de o texto dar a entender que até mesmo os imigrantes que estejam com a documentação vencida possam fazer a solicitação.

“Isso seria um baita avanço para regularização de indocumentados, creio que toda a muvuca das últimas semanas resultou nesta portaria”, comenta Adriano Pistorello, do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) de Caxias de Sul (RS).

Pistorelo se refere aos acontecimentos recentes em Pacaraima (RR), bem na fronteira com a Venezuela. Uma invasão de agentes de segurança a um abrigo com imigrantes em situação vulnerável e indocumentada no último dia 17, mantido por religiosas, despertou fortes reações da sociedade civil. No domingo (21), a Justiça acolheu Ação Civil Pública impetrada por Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público Federal (MPF), barrando a deportação do grupo e proibindo novas incursões do gênero em abrigos.

O representante do CAM, no entanto, faz uma ressalva, quanto à postura que a Polícia Federal vai adotar em relação à portaria.

“Caso a PF entenda a possibilidade de regularização por este artigo, as pessoas poderão se regularizar, mas temos que ver como isso se dará na ponta. Será muito importante saber o posicionamento da chefia da PF sobre a compreensão da extensão deste artigo, uma vez que as outras portarias de impedimento de entrada envolvem outros ministérios, essa é específica do MJ e do MRE”.

Pedidos de refúgio

Os venezuelanos atualmente são a maior população em situação de refúgio no Brasil., sendo 54 mil deles já devidamente reconhecidos pelo governo. Desde meados de 2019 o país passou a reconhecer a Venezuela como local de “grave e generalizada violação de direitos humanos”, o que permite um trâmite mais célere das solicitações de cidadãos do país vizinho à luz da lei brasileira de refúgio.

Nesse contexto, o pedido de refúgio tem sido uma das formas de regularização migratória buscadas por essa população. De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil aprovou 26.810 pedidos de refúgio em 2020, sendo que 95% deles foram de venezuelanos (25.735, no total).

Ao mesmo tempo que abre uma nova porta para regularização dos venezuelanos indocumentados, a nova portaria prevê, em seu artigo 6º, que “a obtenção da autorização de residência prevista nesta Portaria e o registro perante a Polícia Federal implicam na renúncia da solicitação de reconhecimento da condição de refugiado”.

Uma das leituras feitas a partir desse contexto é que a portaria visa também reduzir o número de solicitações de refúgio pendentes de avaliação por parte do governo brasileiro. Até o final de 2020, havia mais de 150 mil pedidos aguardando análise – um patamar que já chegou a ultrapassar a casa dos 200 mil.

Pesquisadores e integrantes da sociedade civil apontam que o cancelamento do pedido de refúgio de quem consegue autorização de residência enfraquece o refúgio como um direito e elemento de proteção internacional.

Portarias discriminatórias

No contexto da pandemia, desde março de 2020 o governo brasileiro tem editado portarias que restringem o acesso de pessoas de outros países ao território brasileiro.

Essa medidas, no entanto, são alvo de objeções da sociedade civil e até da Justiça, por serem consideradas discriminatórias — especialmente em relação aos venezuelanos e por não permitir exceções a pessoas em situação de vulnerabilidade.

A crítica se intensifica pelo fato de haver, desde agosto passado, uma flexibilidade para entradas de pessoas de outros países no Brasil por via aérea, sob o pretexto de incentivar o turismo.

Um parecer técnico do Cepedisa (Centro de Pesquisas De Direito Sanitário) da Universidade de São Paulo, encaminhado ao governo federal em dezembro passado, endossa tais queixas. Ele aponta que as portarias são injustificáveis e não possuem base científica, além de seletivamente discriminatórias.

Questionado sobre como ficam essas portarias com restrições aos venezuelanos após o novo texto que facilita o trâmite para solicitação de residência, o Ministério da justiça não se manifestou até o fechamento deste texto.


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A língua mais falada no mundo da Mobilidade Global

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Além do idioma falado, uma outra língua, universal, é fundamental no processo de Mobilidade Global.
Além do idioma falado, uma outra língua, universal, é fundamental no processo de Mobilidade Global. (Foto: Mohamed Hassan /Pixabay)

Por Danyel André Margarido

É comum o Advisor de Mobilidade Global ser questionado sobre idiomas. 

“Quais os idiomas mais falados no mundo?”, “Quais línguas preciso saber para poder trabalhar em Global Mobility?”, “Qual o idioma é mais falado na Suíça?”, “Quando eu chegar lá, vou precisar saber o dialeto local?”, são alguns exemplos de questões recebidas.

Esse tipo de questionamento faz parte do dia a dia de Mobilidade Global. Um alerta, no entanto, é que muitas das vezes as questões relacionadas à comunicação são pensadas, normalmente, próximas à data de viagem. Algumas empresas, ainda, somente liberam cursos de língua para seus expatriados no momento em que chegam ao novo país.

Os impactos da língua reverberam sobre toda a adaptação do expatriado e de sua família. E prestar a atenção nisso pode facilitar toda a experiência de pessoas que estão adentrando em uma nova cultura.

Tendo isso em vista, por maiores que sejam os conhecimentos em línguas estrangeiras, ou mesmo, dialetos específicos, a língua mais falada na área de Mobilidade Global é uma, e somente uma: números.

Custos do processo

Isso se deve pois a movimentação de Mobilidade Global tem como base a circulação de mão de obra especializada e de tomadores de decisão. As pessoas que passam por esse processo possuem um caráter técnico elevado, sendo responsáveis por decisões de negócio dentro das empresas, ou mesmo, se são impedidos de vir, a paralisação de produções fabris.

Sendo assim, as decisões pertinentes à uma expatriação, além de “Quem é o expatriado?” e “Por que esse profissional será expatriado?”, passam também pela questão “Quanto custará o processo de expatriação?”. Além disso, a decisão de se tornar um expatriado deve ser feita pelo candidato levando em conta vários fatores, inclusive dos valores que este profissional receberá neste processo – tendo em vista a verdadeira mudança de vida.

É importante frisar que a compreensão de valores deve ser de todos os stakeholders envolvidos no processo de expatriação, justamente para que possíveis situações de surpresa em meio ao processo sejam evitadas. Ainda é importante lembrar que todos os valores envolvidos na movimentação fazem parte da estratégia tanto da empresa quanto do candidato. Há de se encontrar o famoso win-win (ganha-ganha), na medida do possível.

Sempre “win-win”?

Por poucas vezes o processo de expatriação será Win-Win para ambas as partes, do ponto de vista financeiro. 

Afinal, estamos falando de um processo que envolve custos salariais altos para empresa, alocações de custo entre países, impostos trabalhistas, mão de obra e parceiros. Essa conta é cara para a empresa assumir, e, portanto, devem ser bem pensados, e, como dito, alinhados.

Em outras palavras, a empresa, tanto no home country* quanto no host country** fazem sólidos investimentos para que o expatriado possa ser transferido em segurança com sua família para outro país. 

É necessário prestar atenção em outros pontos adjacentes, como, dependendo da legislação vigente e do tipo de política a ser aplicada, se o relacionamento financeiro do expatriado será de alguma forma mantido em seu Home Country – pois o repasse de valores entre filiais da empresa ainda ocorrerá.

Do outro lado, o expatriado precisa fazer as contas – literalmente. Se o salário proposto faz sentido para ele e sua família, se os allowances condizem com a política de expatriação, se ele entende bem os cálculos de folha – afinal sua folha de pagamento mudará. E o número de pagamentos no ano – o qual se altera entre países.

O que pode significar que, após o pagamento dos allowances de expatriado, o salário não se altere muito. O que pode causar certa tensão dependendo da forma que a proposta de expatriação foi comunicada, gerando a sensação de perda.

Falando a mesma língua

É importante frisar que o processo inteiro de expatriação é win-win, toda a experiência, todas as oportunidades, todos os frutos colhidos, e todas as situações muitas vezes não calculadas, mas, ainda assim, positivas, fazem parte da expatriação, e, como um pacote, fazem com que a empresa e o expatriado aproveitem o melhor dos do processo como um todo.

Entretanto, quando se fala de valores, é importante comunicar stakeholders e expatriados de forma clara – falando a mesma língua – pois muita coisa será alterada entre um país e outro.

Sendo assim, da mesma forma que uma língua, os valores de uma expatriação precisam ser claros e de fácil compreensão à todos os envolvidos no tema, sejam empresas, sejam expatriados, sejam co-expatriados. Todos os stakeholders precisam falar a mesma língua.

Se não, um tradutor – normalmente o advisor de Mobilidade Global – deve ser envolvido.

* Home Country: O país de onde o expatriado sai para a expatriação; ** Host Country: O país que recebe o expatriado.


Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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