Roda de conversa na av. Paulista foi contraponto às manifestações xenófobas que ocorreram no local dias antes (mai/2017). Também serve como exemplo de inteligência cultural.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Para a inteligência cultural ser colocada em prática, não é preciso nem atravessar fronteiras, pois o diferente está logo ao lado
Por Debora Draghi
Em Curitiba (PR)
Em um mundo cada vez mais global, onde problemas cruzam as fronteiras, são necessárias pessoas que saibam lidar com a diversidade e tirem o máximo potencial disso, pois o diferente sempre agrega. Com isso, entra a inteligência cultural, que pode ser explicada como a capacidade individual de saber navegar em situações culturais diversas.
A cultura pode ser definida como qualquer grupo de pessoas que tem uma maneira comum de ver e entender o mundo; o modo como uma pessoa fala, gesticula, se locomove e percebe o ambiente é altamente influenciado por sua cultura, que também molda a maneira como as pessoas pensam e agem. Por conta disso, um tipo de comportamento pode ser interpretado ou mal entendido de acordo com a cultura daquele que o percebe.
Mas por que usar a inteligência cultural (ou simplesmente IC)? Estudos mostram que 70% dos empreendimentos internacionais continuam a dar errado por causa de diferenças culturais, sendo que as maiores necessidades são entender pessoas diferentes e desenvolver um profundo respeito pelo ser humano, não importa de onde venha. O conhecimento de IC começa pelo reconhecimento do papel da cultura nos pensamentos, nas atitudes e nos comportamentos dos indivíduos. Pessoas com inteligência cultural mais desenvolvida se misturam melhor em um ambiente e atingem os objetivos desejados com mais facilidade.
Oficina sobre não discriminação, da Warmis, durante o Migrantes nas Periferias (set.2017). Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Cada vez mais, a necessidade de desenvolver a inteligência cultural se faz presente. Para as pessoas com I.C mais avançada, a heterogeneidade, ao invés de ser apontada como ameaçadora, é vista como enriquecedora, criativa e que engrandece todos os que estão ao redor. Em tempos de intolerância, xenofobia e racismo, cultivar a inteligência cultural dá a possibilidade de se abrir ao desconhecido, livrando-se de estereótipos e preconceitos tão arraigados, e ao mesmo tempo tão equivocados na sociedade atual.
Para a inteligência cultural ser colocada em prática, não é preciso nem atravessar fronteiras, pois o diferente está logo ao lado, vindo de um país diferente, seja por relacionamento, enviado a trabalho, estudos, em busca de uma vida melhor, fugido de guerra, falta de oportunidades, fome ou segurança. Em situações assim, cabe aos nacionais do país receptor acolherem e estarem abertos para quem abandonou tudo em busca de uma vida melhor, ou simplesmente, em busca de sobrevivência.
Ter inteligência cultural se faz necessário, por exemplo, ao se deparar com refugiados, vindos de uma realidade completamente diferente, contando histórias inimagináveis e tendo passado por situações atrozes. Em momentos assim, navegar em meio ao desconhecido e tratá-los da maneira mais acolhedora e flexível é essencial, de modo que esses migrantes sintam-se integrados na sociedade, pois a inteligência cultural não pode existir sem um pouco de amor pelo mundo e pelas pessoas. Mas cuidado para não ver a I.C como um belo ideal e perder a relação que ela tem com demonstração de resultados!
Roda de conversa na av. Paulista foi contraponto às manifestações xenófobas que ocorreram no local dias antes (mai/2017). Eventos como esses são exemplos de práticas de inteligência cultural Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Já que não há como mensurar níveis de inteligência cultural, pode-se dizer que esse tipo de qualificação é algo que deverá ser desenvolvido por toda a vida, afinal, são novas experiências que aprofundarão seu conhecimento a respeito do assunto, e não há como prever imprevistos ao longo da jornada. Pessoas culturalmente inteligentes tem uma grande capacidade de observação, e de certa forma, pode-se dizer que são mais desapegadas de suas culturas. Isso não significa que os costumes de seus países de origem não sejam importantes, mas é mais fácil para se adaptarem a um novo contexto ou pessoas provenientes de um país diferente do seu. A inteligência cultural fomenta a tolerância e uma disponibilidade maior para interações. No entanto, a I.C deve ir muito além da tolerância: esse termo pode simplesmente significar “suportar” outra pessoa, ao invés de ir além e fazer alguém compreender e saber das necessidades alheias.
Dentre as maiores utilidades de I.C, pode-se mencionar adaptar o estilo de liderança, mostrar um profundo respeito pelo ser humano e recrutar e desenvolver talentos de várias culturas, pois não existe uma cultura uniforme global. Identificar trabalhadores globais é algo essencial para os recrutadores, que procuram pessoas que saibam navegar por diferentes culturas, sejam elas organizacionais, étnicas ou nacionais, pois o nível de interesse em se conectar com a cultura e as pessoas locais como um todo afetará diretamente os resultados de um relacionamento ou trabalho, de maneira sutil, porém profunda, sendo que a habilidade de se engajar pessoalmente e de seguir em frente diante dos desafios interculturais é um dos mais novos e importantes aspectos da I.C. Ignorar as diferenças culturais nos torna pessoas irrelevantes.
No entanto, deve-se ter cuidado antes de entrar em outros contextos culturais para não impor sua visão. É importante reconhecer as características humanas compartilhadas entre nós. A flexibilidade e o poder de adaptação são dois fatores chaves para um relacionamento intercultural mais eficaz. Criar consciência é a simples norma de ver aquilo que, de outra maneira, poderíamos ignorar. A Inteligência cultural é mutuamente benéfica!
Iniciativas promovem a sensibilização de servidores e são boas práticas para promover atendimentos mais humanizados
Por Amanda Rossa
Em São Paulo (SP) e Santa Maria (RS)
As transformações geradas pelas migrações vão além do que se vê nos movimentos globais. Governos estaduais e municipais também são desafiados a elaborar políticas públicas que dialoguem com os migrantes que vivem em uma determinada região ou cidade. E no Brasil, a necessidade de capacitar os servidores públicos para o atendimento à população migrante pouco a pouco ganha importância.
As iniciativas já existentes podem ainda ser isoladas e em estágio inicial, mas representam um primeiro passo em direção a políticas que promovam um melhor preparo do servidor público para lidar com a diversidade cultural trazida pelos migrantes para as sociedades onde vivem. Para começar, veja o que tem acontecido em Santa Maria (RS) e em São Paulo (SP).
Articulação no RS
O mês de junho, que tem simbolizado a luta pelos direitos humanos através do Dia internacional dos Refugiados, foi também de muito trabalho para estudantes, professores e servidores públicos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. A instituição, que aprovou no ano passado o programa especial de acesso à universidade pública para refugiados e portadores de visto humanitário, promoveu o seu primeiro Curso de Capacitação e Formação “Migrações, Refúgio e Políticas Públicas: atendimento, acolhimento e integração local”.
O curso, promovido em parceria entre a Cátedra Sérgio Vieira de Melo, o Grupo de Pesquisa e Extensão Em Mobilidade Humana Internacional (MIGRAIDH) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, surgiu a partir da articulação entre esses órgãos, e possibilitou o debate sobre migrações e refúgio para servidores públicos dos três níveis federativos, estudantes e sociedade civil, contando também com a participação de convidados da Defensoria Pública da União e representantes de associações de migrantes locais.
A professora Giuliana Redin, coordenadora do projeto, contou ao MigraMundo sobre a iniciativa, que apesar de ter seu encontro inaugural na Câmara de Vereadores e estar relacionada à criação de um programa de acesso à UFSM, não se restringiu ao público da universidade. “As demandas dos migrantes e refugiados estão ligadas ao cotidiano de servidores municipais, estaduais e federais, como policiais e servidores da secretaria de educação, e por isso foi importante incluí-los na formação.”
Alex Monaiar, psicólogo participante do projeto, ponderou que a baixa concentração de migrantes na cidade costuma levantar questionamentos acerca da relevância do curso. “A demanda não pode ser relevante apenas se é numericamente volumosa” , pondera.
Contudo, a importância do curso ficou clara na opinião dos participantes, que o avaliaram como extremamente relevante para a compreensão dos desafios da agenda das migrações e refúgio. Em questionário de avaliação, os participantes declararam que “o curso foi esclarecedor para o conhecimento do tema”, “mudou minha perspectiva sobre o assunto” e consideraram transformadora a experiência de ouvir os relatos dos migrantes que participaram dando seus depoimentos.
Registro do encontro inaugural do curso de capacitação na Câmara de Vereadores em Santa Maria/RS. Na foto Diene, do Senegal, compartilha suas experiências no Brasil. Crédito: Alessandra Jungs de Almeida/Arquivo MIGRAIDH
Realizado em três encontros, o curso promoveu também a elaboração da Carta de Santa Maria sobre Políticas Públicas para Migrantes e Refugiados, com colaboração aberta a debate de todos os participantes e interessados, sendo posteriormente encaminhada ao Gabinete do Prefeito e às comissões de Direitos Humanos e Políticas Públicas do Legislativo Municipal. “É necessário pensar a questão das migrações dentro do plano municipal. A gente criou um espaço para os grupos debaterem e no final encerramos com uma espécie de plenária. O espaço do curso funcionou como uma conferência, com migrantes e representantes da sociedade civil, e ficamos motivados com o engajamento dos participantes, que ficaram até tarde discutindo os temas propostos”, ponderou Giuliana.
A carta encoraja a participação política, por meio da criação de espaços institucionais consultivos e deliberativos, com representação da população migrante, órgãos públicos e sociedade civil, e ambiciona a criação de um Centro de Referência e Apoio a Migrantes e Refugiados na cidade, inspirada na experiência da cidade de São Paulo, que aprovou sua Política Municipal para População Migrante em 2016.
Formação de rede intersetorial em São Paulo
Referência nacional, a cidade de São Paulo possui desde 2013 uma área destinada a articular a gestão pública municipal em torno da temática migratória, que é a Coordenação de Políticas para Migrantes e Refugiados (CPMig). Parte desse trabalho pode ser notado em um espaço estabelecido para a formação de servidores na temática das migrações e refúgio.
Segundo relatório da CPMIg, entre 2014 e 2015, 1033 servidores públicos passaram por formação para o atendimento de migrantes, corroborando para a criação de um curso permanente a partir de 2017 sob o título “Somos Tod@s Migrantes – Migrações e Direitos na Cidade de São Paulo”.
Servidores participam do curso realizado em setembro, que abordou questões culturais e trouxe casos práticos. Crédito: Fabio Andó Filho/CRAI/Divulgação
Realizado de forma mensal, o curso é voltado a servidores públicos da rede municipal de educação, saúde, assistência social, segurança e também representantes da sociedade civil. Ele nasceu de uma reivindicação histórica dos movimentos de imigrantes na cidade, figurando como uma das propostas elaboradas durante a 1ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, realizada no final de 2013 pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), a qual a CPMig está subordinada. A capacitação de servidores também visa a sua sensibilização, de forma a promover atendimento humanizado e um melhor entendimento sobre migrações e refúgio.
A iniciativa funciona em parceria entre o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) e a CPMIg. É concedida certificação aos participantes pela Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP) e os encontros são conduzidos por uma equipe de técnicos, atendentes, assistente sociais e pela coordenação do do CRAI, que promovem a sensibilização a partir da experiência no contato direto com atendimento à população migrante.
Fábio Andó, assistente de projetos do CRAI e educador do curso, contou ao MigraMundo sobre essa experiência. “O papel da formação dos servidores em São Paulo é essencial para qualificação do trabalho em rede intersetorial entre equipamentos públicos que atendem migrantes, ele não é um fim em si mesmo. A gente sempre começa perguntando como os participantes se mobilizam dentro do território com os outros equipamentos públicos e que tipo de ações já desenvolveram, como os migrantes tem se organizado nos contextos de atendimento e vamos coletando informações que servem para compartilharmos experiências com outros serviços. A maior parte das vezes que vamos fazer uma formação, já saímos com uma ação marcada. De repente um equipamento está pensando em fazer uma festa junina e está planejada uma ação de promoção da saúde, então nos convidam para estarmos presentes para fazer o atendimento dos migrantes que comparecerem. Ou a escola quer que façamos uma reunião com os alunos ou com os pais. Isso acontece em praticamente todas as formações que a gente faz, que promovem um espaço para o debate, sensibilização e discussões de idéias.
A partir desse trabalho, Andó destaca os frutos que ações como essa ajudam a colher junto aos servidores e que procuram qualificar o atendimento público para lidar com as diferenças culturais e sociais trazidas pela migração. “É interessante porque reunimos diversos servidores que não conhecem nosso serviço, mas depois nos chamam para visitar seus equipamentos. A importância do curso é ser um canal para formação de redes e a mediação entre servidores de vários setores diferentes.”
Como participar?
O Curso “Somos tod@s Migrantes-Migrações e Direitos na Cidade de São Paulo” ocorre de forma mensal. Confira os detalhes sobre como, quando e onde participar:
Quem pode se inscrever?
Agentes públicos municipais e membros da sociedade civil que atuem na temática da migração ou cuja entidade atenda, ou deseje atender, essa população.
Onde ocorre o curso?
As atividades acontecem no prédio da EMASP, no centro de São Paulo: Rua Boa Vista, 280 – 3° andar.
Como se inscrever?
As inscrições são feitas pelo site da Prefeitura de São Paulo (acesse o link aqui)
Quando serão as próximas turmas?
As próximas turmas serão em 17 de Outubro e 21 de Novembro, das 9h às 13h. As inscrições abrem no final de cada mês anterior ao curso.
São emitidos certificados para os participantes?
Sim, a certificação é emitida pela própria EMASP.
Barraca decorada por chilenos durante festa de independência do Chile, em São Paulo (30/09/17).
Crédito: Antonella Vilugrón Pulcinelli/MigraMundo
Com alegria e emoção, comunidade chilena em São Paulo celebrou aniversário de independência da terra natal e também cativa pessoas de outras nacionalidades
Por Antonella Vilugrón Pulcinelli
Em São Paulo (SP)
“¡Mi banderita chilena Banderita tricolor! ¡Mi banderita chilena Banderita tricolor! Colores que son emblema Emblema de mi nación” – Los Huasos Quincheros
Impossível falar do Chile sem lembrar das festas pátrias, comemoradas todo dia 18 de setembro não apenas por lá, mas em qualquer país que tiver ao menos um chileno. No Brasil não é diferente e a comunidade residente em São Paulo fez sua parte durante a celebração de 207 anos de independência do Chile, ocorrida na quadra do Sindicato dos Bancários, na região central, no último sábado (30/09).
O clima entre os participantes era de muita alegria e emoção, embalado por muita Cueca (música e dança típica), vinho e empanada, decoração em branco, azul e vermelho (cores da bandeira nacional).
Barraca decorada por chilenos durante festa de independência do Chile, em São Paulo (30/09/17). Crédito: Antonella Vilugrón Pulcinelli/MigraMundo
O evento teve inicio as 9h da manhã com uma missa na Igreja da Terceira Ordem do Carmo. Em seguida, a festa começou oficialmente na quadra do Sindicato com a execução dos hinos nacionais do Brasil e do Chile – a emoção com quem todos cantaram foi indescritível e de arrepiar.
A comemoração não contou apenas com música e dança, mas era possível provar ou matar a saudade de diversos pratos típicos, como a empanada – que é um salgado assado com recheios variados de carne a mariscos. Além disso, era possível levar para casa vários tipos diferentes de lembrancinhas do país, como chaveiros, bandeira, chapéus, camisetas entre vários outros.
Foram diversas apresentações durante todo o dia, como o Grupo Musical Ameríndia, o Grupo Musical Canto Livre, o grupo de dança folclórica Quinchamalí, entre outras demonstrações culturais. Elas não encantaram apenas os chilenos presentes, mas também os brasileiros e pessoas que outras nacionalidades que foram prestigiar o evento.
Quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo ficou lotada para a festa de independência do Chile. Crédito: Antonella Vilugrón Pulcinelli/MigraMundo
“No evento da UneChile tive a satisfação de degustar a comida chilena, o que eu mais gostei foi a sardela e o seviche. Achei o povo chileno muito simpático e participativo. Umas das coisas que me chamou a atenção foi a abertura do evento com o Hino Nacional Brasileiro e Chileno, percebi que muitos cantavam com o coração, mostrando orgulho de sua pátria”, afirmou a estudante de Jornalismo Jéssica Keyth.
Próximo às 18h, horas o casal Aline e Javier, campeões mundiais de Cueca (dança típica chilena), entraram no palco para receber as devidas homenagens e o troféu pela conquista. A dupla dançou ao som do músico German Octavio Rojas Larraguibel, integrante do grupo de música folclórica EntreLatinos que ajudou a animar a festa.
Apresentação de cueca, dança típica chilena, durante celebração da independência do país em São Paulo. Crédito: Antonella Vilugrón Pulcinelli/MigraMundo
“Fiquei encantada com as apresentações, principalmente ao som de flauta que me fez lembrar da minha cultura, que também utilizam flautas nos eventos”, declarou a japonesa Ayumi Higa, 15, atualmente vivendo no Brasil.
Ainda teve o sorteio de uma passagem de ida e volta para o Chile, além de uma premiação para a barraca mais decorada do evento.
Abertas não só à comunidade, mas também a visitantes externos, festas como a da independência do Chile funcionam como convites para que o público possa conhecer mais e melhor sobre o país.
Vista do campus Praia Vermelha, da UFRJ.
Crédito: Wikimedia Commons
Evento, que inclui o V Simpósio de Pesquisas sobre Migrações e é aberto ao público, terá cobertura do MigraMundo
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP) Atualizado em 15/10/17, às 05h10
Já estão definidas as programações do IX Fórum de Migração/Migratic 2017 e do V Simpósio de Pesquisas sobre Migrações, que acontecem de 16 a 20 de outubro no campus Praia Vermelha da UFRJ, no Rio de Janeiro.
Para o evento duplo, que é gratuito e aberto ao público, estão confirmadas a participação de mais de uma centena de pesquisadores, ativistas e migrantes de países da América Latina e do Norte, África e Europa. Para este ano o tema escolhido foi “Interculturalidade, comunicação e migrações transnacionais: fronteiras, políticas e cidadania”. O MigraMundo fará cobertura das atividades.
Fala do professor Mamour Sop Ndiaye (CEFET-RIO) sobre o resgate da identidade brasileira através da imigração africana contemporânea, no painel do último dia do VIII Fórum de Migrações, ao lado das representantes do Coletivo Mallinalli. Crédito: Divulgação
O Fórum e o Simpósio são uma iniciativa colaborativa e em rede empreendida por pesquisadores do Brasil, França, Canadá, Argentina, Espanha, Estados Unidos, Uruguai, Chile, Equador, Bolívia e Martinica. Seu objetivo é reunir pesquisadores e especialistas de vários países para debater a questão migratória em sua conjugação com o campo da comunicação social, das teorias da cultura, dos estudos fronteiriços e no marco de noções como política, democracia e cidadania.
Veja abaixo a programação, organizada por dia e horário. De manhã acontecem os debates referentes ao Fórum; na parte da tarde as discussões são ocupadas pelos temas a serem apresentados no Simpósio – são 83 pesquisadores no total, que vão apresentar artigos sobre os mais diversos temas relacionados às migrações.
Além dos debates, o evento terá ainda a feira “Chega Junto”, com uma série de opções culturais e gastronômicas oferecidas por migrantes e refugiados de diferentes origens. A programação específica da feira pode ser vista abaixo:
IX FÓRUM DE MIGRAÇÕES/MIGRATIC 2017 E V SIMPÓSIO DE PESQUISAS SOBRE MIGRAÇÕES
Segunda, 16/10
08h30 – ABERTURA
09h – 11h – MEIOS, MIGRAÇÕES E ATIVISMO MIGRANTE
Les migrants dans les espaces publics politiques et médiatiques: réflexions théoriques et empiriques en SIC
Khaled Zouari. UCA. Clermont Ferrand – França
#WelcomeMigrants – activismo del colectivo Marea Granate ante las políticas migratorias en Europa
Denise Cogo. ESPM. São Paulo
Mauricio Nihil. UDELAR. Montevideo – Uruguai
TICs na migração, redes sociais virtuais e interculturação
Elaine Magalhães Costa Fernandez. UFPE/ UTJJ. Recife
Como falar de imigração sem ouvir os imigrantes? O Globo e a Folha de S.Paulo na cobertura da manifestação anti-imigração em SP
Mônica C. P Sousa. UERJ. Rio de Janeiro
11h00 – 13h30 – Políticas Migratórias, Fronteiras e Cidadania
La construcción de la ciudadanía suramericana: ¿un paso hacia la ciudadanía universal?
Jacques Ramírez. UCUENCA. Cuenca – Equador
A política migratória no Brasil a partir de um olhar sócio-histórico
Leonardo Cavalcanti. UNB-OBMIGRA. Brasília
Unos jodidos bolitas: Nuevos rostros de la bolivianeidad en Buenos Aires
Alfonso Hinojosa. UMSA. La Paz – Bolívia
Relações Estado diáspora: os casos brasileiro e equatoriano
María del Carmen Villarreal Villamar. UENF. Rio de Janeiro
14:00-15h30 – ESTADO, POLÍTICAS & FRONTEIRAS
Antonella Grieco. IPPUR/UFRJ
Dos Estados de (In) Segurança a Detenção Administrativa nos centros de migração na Itália
Pedro Henrique Dias Alves Bernardes, Vinícius Menezes Rangel Sá. USP e Université Paris II
“Muslim Ban”: Donald Trump e a História das Barreiras Migratórias dos Estados Unidos
Ramiro Antonio López. El Colegio de Sonora
Entre la esperanza y la violencia: políticas punitivas y su estatus migratorio mixto impacto en la familia de estatus migratorio mixto
Thaís Dutra Fernández. UFRGS
A nova lei de migração e o direito internacional: análise da Lei 13.445/2017 com base em princípios de Soberania e de Política Externa
Patrícia Porto de Barros. IESP-UERJ
Mudanças do perfil migratório no Brasil contemporâneo
Das 15h30 às 17h00 – FLUXOS MIGRATÓRIOS: ESTUDOS COMPARATIVOS
Maria Luísa Francisco. Universidade Nova de Lisboa – Portugal
Novas Mobilidades na zona transfronteiriça ‘Portugal – Espanha’: Ecoimigração e Interculturalidade no Rio Guadiana
Thiago Mattos Moreira. UERJ
Uma península para dois irmãos: Os Norte-coreanos na Coreia do Sul e seus ensinamentos sobre Migração, Refúgio e Nação
Edgar Andrés Londoño Niño. UERJ
Reflexões sobre os fluxos migratórios transfronteiriços recentes entre a Colômbia e a Venezuela
Diane Portugueis. IMIS e PUCSP
“Lá e cá” histórias e projetos de vida de sorveteiros ítalo-brasileiros na Alemanha
Das 17h00 às 18h30 – GÊNERO E IMIGRAÇÃO I
Bruna Soares de Aguiar. IESP/UERJ
Reconhecimento do refúgio: uma análise sobre a especificidade de gênero
João Maia, Claudia Domingues. FCS/UERJ
Mulheres migrantes e a perspectiva de gênero
Jobana Moya Aramayo. Colectivo Equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas
Immigrant Women-Identity, Culture and Political Participation in Social Movements – A case study of Team Warmis – Convergence of Cultures
Lucas Rech da Silva, Alexandre Anselmo Guilherme, Henrique Caetano Nardi. PUCRS e UFRGS
As Haitianas na escola: o peso do passado e a esperança no futuro
Marisa Andrade. UFRJ
Mulheres Refugiadas X Mercado de Trabalho: Uma Análise da Realidade de Superexploração na Cidade de São Paulo
Das 18h30 às 20h00 – GÊNERO E IMIGRAÇÃO II
Aurea Cristina Santos Dias. UFF
A presença de trabalhadores senegaleses em Niterói/RJ: informalidade, precariedade, resistência e as expressões da imigração contemporânea no Brasil
Flávia Lacerda Teixeira.UFMG A inserção de imigrantes chineses no mercado de trabalho brasileiro segundo dados do Censo Demográfico de 2010
Jonathan Viana da Silva. UNIFAP
Migrações internacionais qualificadas no desenvolvimento socio-econômico das faixas de fronteira: um estudo sobre a fronteira franco-brasileira em Oiapoque/Amapá
Patricia Julia Lewis Carpio. USP
Trabajo precario y Derecho a Vivienda: Un estudio de caso de Inmigrantes Peruanos en São Paulo
Terça, 17/10
8:30-11:00 – DIÁSPORAS, ALTERIDADE E IDENTIDADES CULTURAIS
Diáspora cabo-verdiana no rio de janeiro: identidades: transculturalidade, integração e Cidadania
Maria de Fátima C. Alves. ISCJS. Praia – Cabo Verde
Um caminho longe: as cartas recebidas por um cabo-verdiano no Brasil
Wania Mesquita. UENF. Campos dos Goytacazes
Studies on Chinese Migration to Brazil: the present State and future tendencies
Shu Changsheng. USP. São Paulo
A comida na diáspora: um olhar antropológico sobre a comida chinesa em Salvador, Bahia
Ana Claudia de Sá Teles Minnaert. UFBA/AVS. Salvador
11:00-13:30 – DIÁLOGOS INTERCULTURAIS E INCLUSÃO SOCIAL
Migrações, diálogo intercultural e relações (pós) coloniais: processos identitários entre migrantes latino-americanos em Portugal e na Espanha Julia Alves Brasil. Universidade do Minho. Braga – Portugal
Imigração e gênero: aportes sobre a questão da língua nos processos de adaptação em terra estrangeira
Lená Medeiros de Menezes. LABIMI/UERJ. Rio de Janeiro
Identidade, projeto e mobilidade
Gisele Maria Ribeiro de Almeida. UFF. Campos dos Goytacazes
Os “acessos” por imigrantes às Políticas de Seguridade Social: aproximações acerca da Região Metropolitana de Londrina/PR Evelyn Secco Faquin e Líria Maria Bettiol Lanza. UEL. Londrina
Das 14h às 15h30 – MIGRAÇÃO, IMPRENSA E COLETIVOS I
Eliziane Meurer BOING. URJ
O consumo cultural e as práticas comunicacionais dos imigrantes haitianos na cidade de Joinville (SC)
Matheus Alves Passaro. PPGCOM ESPM-SP
Retratos da migração transnacional na cidade de São Paulo: Um estudo sobre o consumo imagético da exposição fotográfica “Somos todos migrantes”
Otávio Cezarini Ávila. IFPR
Uma década de Brasil: olhares pela imprensa haitiana entre 2005-2015
Sofia Zanforlin, Alberto Marques, Fernanda Sá, Maria Carolina Morais, Omara Soares e Tiago Kirixi. UCB- FAPDF
Quando a Mídia Brasileira fala de Imigração? Resultados de um ano do Observatório MidiaMigra
Rodrigo Borges Delfim. Portal MigraMundo
Por uma mídia mais humana e aberta ao diferente: o site MigraMundo e a cobertura jornalística sobre migrações no Brasil
Das 15h30 às 17h00 – MIGRAÇÃO, IMPRENSA E COLETIVOS II
Elaine Javorski. UniBrasil
A mídia para imigrantes como instrumento de preservação das memórias na diáspora
Francisco José Eboli Machado. Unisinos
O Caso Pérolas Negras: uma reflexão sobre futebol, jornalismo e fluxos migratórios
Daniel de Moura Pinto. POSCOM-UFSM
O sujeito-objeto e a construção do discurso do “Outro”: uma análise de discurso sobre o processo migratório de senegaleses e haitianos no Jornal Pioneiro de Caxias do Sul, RS
Maude Fauteux. UQAM
Les perceptions d’apprenants immigrants adultes à l’égard d’activités interculturelles réalisées dans une classe de francisation
Camila Escudero
Universidade Metodista de São Paulo Geopolítica cultural: a identidade lusófona nos jornais de Língua Portuguesa de Macau
Das 17h00 às 18h30 – MOBILIDADES TRANSNACIONAIS, TERRITÓRIOS E IDENTIDADES
Rodrigo Trapp, Fernanda Almeida, Clarissa Trentini e Jorge Sarriera. UFRGS
Tradução e Adaptação da Refugee Integration Scale (RIS)
Edmar José da Rocha. Università Degli Studi di Milano
Transnational migration between Brazil and Europe: a comparative study between London and Milan
Roberta Gabriela Sucolotti de Andrade , Cristiane Feldmann Dutra. Uniritter
A imigração como única opção para melhoria na qualidade de vida
Tatiana Tannús Grama; Eloisa Pereir Barroso. UNB
Identidade e representação social na relação entre Migração e Turismo e na metamorfose do “turista-migrante”
Líria Maria Bettiol Lanza e Daniele Soares Sana. UEL
Do transnacionalismo na análise dos fluxos migratórios na região metropolitana de Londrina/PR
Das 18h30 às 20h00 – GÊNERO E IMIGRAÇÃO III
Mariurka Maturell Ruiz. UFSC
Espacio, migración y género: Encrucijadas y relacionamientos
Natália Ledur Alles. ESPM-SP
O uso de TICs nas experiências de ativismo de mulheres migrantes em São Paulo
Rodrigo Fessel Sega. UNICAMP
“Falando com os peixes betas que não existem na minha casa”: o uso das tecnologias da informação e comunicação pelas brasileiras migrantes no Canadá
Samantha Serrano. USP
Experiências das mulheres imigrantes bolivianas em São Paulo em maternidade e cuidados em saúde da família
Valéria de Oliveira. UFR
Mulheres brasileiras em Lisboa: identidade negociada
Ato cultural do Bloco Bésame Mucho e Coletivo La Clandestina, encerrando a programação do primeiro dia do VIII Fórum de Migrações, no Rio (nov/2016). Crédito: Divulgação
Quarta 18/10
8:30-11:00 – PRESENÇA MIGRANTE, DO SOCIAL AO INSTITUCIONAL
Imigração Oeste-africana em Cabo Verde: formação profissional e inclusão sociolaboral das mulheres
Clementina Baptista Furtado. UNICV. Praia – Cabo Verde
Fluxos migratórios internacionais na América Latina e saúde: o caso dos haitianos no Sul do Brasil
Daniel Granada e Priscila Pavan Detoni. UNIVATES. Lajeado
Migração no século XXI e os desafios para os direitos do trabalho
Cleusa Santos, Gleice Erbas da Silva e Juliana Puga de Aquino. UFRJ. Rio de Janeiro
Ênfase na internacionalização acadêmica a partir de um site estrangeiro e em duas instituições no Rio de Janeiro
Isabela Cabral Félix de Souza. FIOCRUZ/NIEM. Rio de Janeiro
11:00-13:30 – MIGRAÇÕES, AÇÃO E REPRESENTAÇÃO
Éléments d’épistémologie pour l’analyse des sites web de migrants en diaspora
Asmaa Azizi. Sorbonne. Paris
Claire Scopsi. DICEN-IDF. Paris
Cine Migrante y Alteridad en la Obra de Llorenç Soler
Rafael Tassi Teixeira. UTP. Curitiba
Denise Cogo. ESPM. São Paulo
Tecnicidades e identidades migrantes nos usos sociais das mídias: uma aproximação à imigração senegalesa no sul do Brasil Liliane Dutra Bignol. UFSM. Santa Maria
Experiências de Cosmopolitismo e Mobilização Midiática da Empatia no evento Meu Amigo Refugiado
Sofia Cavalcanti Zanforlin. UCB. Brasília
Das 14h00 às 15h30 – SAÚDE E MIGRAÇÃO
Denise Gonçalves, Antonio Ruffino Netto. USP
Tuberculose em imigrantes no Estado de São Paulo
Julianna Godinho Dale Coutinho. IMS/UERJ
Acesso à saúde por refugiados e solicitantes de refúgio no Rio de Janeiro
Lineth Hiordana Bustamante Ugarte. USP
Menthal health and care barriers in Bolivian migrants in São Paulo, Brazil
Rodrigues Alfredo Università di Roma
La Sapienza Rawls: Between demos and ethnos
Das 15h30 às 17h00 – INTERCULTURALIDADE, EDUCAÇÃO E TRADIÇÕES
Adriana de Carvalho Alves. UPM
Latino-americanos na escola e Interculturalidade: reflexões sobre Formação Docente, Currículo e Cultura Escolar
Ana Claudia de Sá Teles Minnaert. Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Um olhar antropológico sobre a migração chinesa para Salvador, Bahia
Caroline Camargo. UCS
A hospitalidade e migração em Caxias do Sul/RS: uma breve análise
Juliana Mota de Siqueira. École des Hautes Etudes en Sciences Sociales
Cartografias de Corpos – Território: Fronteira, Mobilidade e Urbanização na Amazônia
Cizina Célia Fernandes Pereira Resstel, José Sterza Justo, Mary Yoko Okamoto. UNESP
Segunda geração de imigrantes: filhos de dekasseguis no Japão
Das 17h00 às 18h30 – REFÚGIO E MIGRAÇÃO FORÇADA I
Debora Flaminia Draghi Manoel. University of Amsterdam
Syrian refugees: Brazil as new home
Fernanda Almeida, Rodrigo Trapp, Clarissa Trentini, Jorge Castellá Sarriera. UFRGS
O Processo de Integração de Refugiados: Uma Revisão Sistemática
Fernanda de Azevedo Milanez. UERJ
Infância e cultura: primeiras linhas sobre crianças refugiadas
Gabriela Santos da Silva. UFRGS
A securitização dos refugiados sírios pela França
Isadora d’Avila Lima Nery Gonçalves. UFF
Solicitantes de Refúgio no Brasil
Das 18h30 às 20h00 – REFÚGIO E MIGRAÇÃO FORÇADA II
Raquel Araújo de Jesus. PPGEST-UFF
Deslocamento interno de pessoas na Colômbia durante o governo de Álvaro Uribe (2002-2010)
Rickson Rios Figueira. UFRR
Humanitarismo ou segurança? O alcance normativo do princípio do non-refoulement e a política europeia para refugiados no Mar Mediterrâneo após a crise de 2015
Sabrina Sant’Anna Rizental. UEC
Refugiados: tensões em um imaginário de acolhimento
Zakia Ismail Hachem. UFMG
A importância da religião na compreensão da mobilidade social dos refugiados sírios no Brasil
Zélia Aurea Azevedo Thomaz. UFRJ
Política de migração entre a união europeia e Alemanha: Escalas e possibilidades de cooperação
Vista do campus Praia Vermelha, da UFRJ. Crédito: Wikimedia Commons
Quinta 19/10
8:30-11:30 – REFÚGIO E MIGRAÇÕES FORÇADAS
Pesquisando migrantes forçados e refugiados: reflexões sobre desafios metodológicos no campo de estudos
Julia Bertino Moreira. UFABC. São Bernardo do Campo
Dinâmicas burocráticas e existenciais de refugiados colombianos no Brasil
Ángela Facundo Navia. UFRN. Natal
Imigração/refúgio uma prática em construção no Serviço Social Mariléia Inoué. UFRJ. Rio de Janeiro
O refúgio à luz do direito internacional e do direito comunitário europeu
Sidney Guerra. UFRJ. Rio de Janeiro
Elizabeth Accioly. Universidade Europeia. Lisboa – Portugal
Forçados a fugir do Triângulo Norte da América Central: Uma crise humanitária negligenciada
Jean-François Véran. MSF. Rio de Janeiro
Marc Bosch Bonacasa. MSF. Rio de Janeiro
Renata Camile Carlos Reis. MSF. Rio de Janeiro
11:30-13:30 – MIGRAÇÕES E GEOPOLÍTICA DA EXCLUSÃO
Políticas de deportación y experiencias de retorno forzado en Ecuador
Gioconda Herrera. FLACSO. Quito – Equador
Fronteira, securitização e retóricas xenofóbicas: o caso brasileiro recente
Hélion Póvoa Neto. NIEM-UFRJ. Rio de Janeiro
Geopolítica das migrações no espaço euro-mediterrânico: Política, Mídia e Interculturalidade
Mohammed Nadir. Universidade de Coimbra. Coimbra – Portugal
Fluxos migratórios recentes no Brasil: o cenário pós crise econômica de 2008
Antônio Tadeu de Oliveira. IBGE. Rio de Janeiro
Das 14h00 às 15h30 – TROCAS INTERCULTURAIS E ALTERIDADE I
Diana Patricia Bolaños Erazo. UFSM
A migração dos brasileiros à Colômbia: um fato social total
Paola Cristina Nicolau, César Augusto Silva da Silva. UFGD
O novo fluxo migratório de venezuelanos na América Latina
Filipe Soto Galindo, Orane Hmana, Rachid Oulahal, Julien Teyssier e Patrick Denoux. Université Toulouse – Jean-Jaurès
Validation d’um outil d’identifications des strategies identitaires em situation interculturelle em lagues Française, Anglaise et Portugaise
Fabiane Cristina Albuquerque. UNICAMP
Imigração e Insegurança: Representações aprisionam? Uma etnografia no bairro Veronetta
Fernando Diehl. UFRGS
Estigmatização e estereótipo do imigrante haitiano em Lajeado, Rio Grande do Sul
Das 15h30 às 17h00 – TROCAS INTERCULTURAIS E ALTERIDADE II
Eric Júnior Costa. Universidade Aberta de Portugal
Migração e aquisição de Português como Língua de Acolhimento: promovendo a abertura para a diferença e diversidade no Brasil
Filipe Soto Galindo, Elaine Costa Fernandez, Patrick Denoux Université Toulouse – Jean-Jaurès
Influência do contextuo cultural na escolha de estratégias identititárias individuais e coletivas em situação de mobilidade
Luciana de Sousa Lima,Conceição Nogueira Universidade do Porto, Portugal
Mobilidade Estudantil Internacional e o (Não) Retorno ao País de Origem: Fluxos Atuais em Discussão
Nathália Costa, Gianlluca Simi. UFSM
Mii casa, su casa: cruzamento de pesquisas de campo e a iminência do ‘bom imigrante’
Nayara Costa Nogueira, Caio da Silveira Fernande. USP e UFPR
A extensão universitária como possibilidade para a prática política de reconhecimento e efetivação dos direitos humanos dos migrantes na cidade de São Paulo: o caso do PROMIGRA
Das 17h00 às 18h30 – SUBJETIVIDADES E TERRITÓRIOS IDENTITÁRIOS I
Nicolas Quirion. IPPUR/UFRJ
Trajetórias migratórias às margens da cidade: a presença de “africanos” e “europeus” nas favelas cariocas
Olivia Nogueira Hirsch. PUC-Rio
Entre o paraíso e o inferno racial: experiências de estudantes e imigrantes cabo-verdianos no estado do Rio de Janeiro
Rosane Cristina Prudente Rose Thioune. UFB
A palavra tambor, griôs e a imigração senegalesa em Salvador
Rosinere Evaristo. UFRRJ
Programa Escolas Interculturais de Fronteira: intencionalidades e desdobramentos
Sirlei de Souza. ECO-UFRJ
Imigração e vivências de haitianos em Joinville (SC): indícios da construção de interculturalidade
Das 18h30 às 20h00 – SUBJETIVIDADES E TERRITÓRIOS IDENTITÁRIOS II
Janaina Santos de Macedo. PPGAS/UFSC
Uma análise das migrações como poéticas e políticas de transformação social a partir de uma ética da coabitação
Thalita Moreira Barbosa. UFJF
Reflexões iniciais sobre a elite no exílio: os presentes nas missas de réquiem de D.Pedro II
Tiago Duarte Dias. PPGA-UFF
Narrativas de perseguição, narrativas de liberdade: diálogos entre a identidade, curda e a identidade dinamarquesa
Jorge Luiz Veschi. EICOS-UFRJ
O papel da língua na transformação do sujeito migrante e sua inserção na sociedade de acolhimento
Verónica Pérez. Universidad de la República, Montevideo-Uruguay
El cuerpo como alteridad en la experiencia migrante
Sexta 20/10
8:30-11:00 – JUNTOS E SEPARADOS: QUEM SÃO OS OUTROS?
Conviviality on the brink
Tilmann Heil. KUL. Leuven – Bélgica
Rapporter l’horreur des tensions interculturelles: la couverture Médiatique de l’attentat à la mosquée de Québec
Farrah Berrubé. UQTR. Trois-Rivières – Canadá
Crise econômica e a exacerbação do preconceito
Ismênia Lima. UFF. Rio de Janeiro
Discursos y prácticas de humanitarismo: redes y organizaciones de “llamantes” de refugiados sirios en Argentina
Sílvia Montenegro. UNR. Rosario – Argentina
11:00-12:30 – ESPAÇO URBANO E COMUNIDADES MIGRANTES
Representações da presença peruana no Rio de Janeiro
Camila Daniel. UFRRJ. Rio de Janeiro
Identidade e solidariedade dos antioquences do Rio de Janeiro: estudo de casos
Míriam Abdouche. UFRJ. Rio de Janeiro
Em Tempos de Songorocosongo: memórias dos encontros interculturais migrantes na cidade do Rio de Janeiro
Catalina Revollo Pardo. UFRJ. Rio de Janeiro
MESA DE ENCERRAMENTO
Coletivos Migrantes: Presença, diálogo e negociação
Das 15h00 às 16h30 – POLÍTICAS MIGRATÓRIAS E CIDADANIA
Giovanna de Oliveira Kanas. USP
Cidadania, nacionalidade e migrações internacionais: imigrantes no Conselho Participativo do Município de São Paulo
Josimar Nascimento; Juliana Camelo; Maria Gonçalves; Rafaela Bossardi; Vanessa Moojen. CAM-RS
Imigrantes e Políticas públicas: os desafios enfrentados na garantia de direitos da população migrante
Roger Lucas Correa Martins. IESP-UERJ
Inclusão Política de Estrangeiros: Análise Comparativa entre Argentina, Brasil e Equador
Vanessa Generoso Paes. USP
Imigração, Estado e Instituições: políticas públicas em contextos democráticos de direito
Rocio del Pilar Bravo Shuña. USP
O SUS para Todas e Todos é possível? Até para as pessoas imigrantes?
Caroline Nunes Albertino. UERJ
Os efeitos do multiculturalismo na União Europeia
Minidoc “Migração como direito humano: rompendo o vínculo com o trabalho escravo”, da ONG Repórter Brasil, aborda os desafios das escolas no atendimento à população imigrante matriculada
Por Bruna Cristina
Em São Paulo (SP)
‘‘No começo eu era discriminado pra caramba, ficava até no fundo da escola, no fundo da sala’’
Esta frase, dita por um estudante boliviano, retrata uma das grandes dificuldades dessas crianças ao chegarem país e serem recebidos no sistema educacional brasileiro: a discriminação.
O minidocumentário “Migração como direito humano: rompendo o vínculo com o trabalho escravo” retrata a implementação e os resultados do projeto de formação continuada de profissionais da rede pública de ensino do município de São Paulo sobre temas da migração e do trabalho escravo. O projeto faz parte do programa Escravo, nem pensar!, da ONG Repórter Brasil, que aborda os desafios das escolas no atendimento à população imigrante matriculada.
São entrevistados alunos filhos de imigrantes e de brasileiros, os educadores que relatam os desafios de se promover os direitos humanos e à integração cultural entre os alunos afim de promover a integração na escola.
Alunos vindos de outros países estão cada vez mais presentes no cotidiano escolar, tanto público como privado no Brasil e mais especificamente, no município de São Paulo. Segundo o Censo Escolar realizado no Estado, de 2015 a 2016 havia 3.691 alunos de 62 nacionalidades matriculados na rede municipal. Dentre eles, 184 venezuelanos – índice que poderá ser maior neste ano devido à grave crise social, política e econômica na Venezuela.
Em São Paulo, de acordo com o Conselho Municipal de Educação n° 17/04 – CNPAE, é garantida a igualdade na matrícula de crianças imigrantes, independente de situação documental na rede pública de escolas do município; e a resolução nº 10 da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que promove essa igualdade de direitos na rede pública de escolas estaduais. Porém, ainda que uma criança imigrante possa ser matriculada sem a exigência de documentação, representando assim uma facilidade para as famílias imigrantes, um grande entrave na inserção desses estudantes nas escolas é a não existência de planejamento pedagógico que adeque os professores para o aprendizado de pessoas vindas de outros países de maneira que possam auxiliar na aprendizagem do idioma e além disso, acompanhar o processo de integração dessas crianças na escola.
Crédito: Escravo, Nem Pensar!/Repórter Brasil
Além desse fator que dificulta a vivência de estudantes imigrantes nas escolas, a falta de projetos voltados para o aprendizado de estudantes brasileiros sobre as condições que alunos imigrantes chegam ao país agrava o quadro de discriminação no âmbito escolar. Isso porque muitas vezes o preconceito surge dos alunos que não têm conhecimentos dessas condições e acabam por reproduzir estereótipos contra estrangeiros, principalmente daqueles vindos de países pobres, associando pessoas só pelo fato de ser imigrantes ao trabalho escravo.
‘‘Quando eu ia abordar o tema de trabalho escravo ou de migração, todo mundo olhava pro aluno que é migrante’’ diz Ana Lúcia Matos, coordenadora pedagógica.
‘‘ Eles me falavam: viu sua porcalhona, você não tem dinheiro pra se sustentar’’, relata uma estudante boliviana.
O documentário ainda revela alguns relatos de crianças imigrantes sobre sua vivência na escola assim como as condições em que chegaram no país.
‘‘Meu pai saiu de casa com 12 anos, ele morava da roça e chegou aqui com 15 anos e levou um golpe, falaram que ele ia ter um salário de R$ 1.000 por mês, ele ficou 2 anos sem receber salário’’.
Rompendo o vínculo com o trabalho escravo
A ONG repórter Brasil, através do programa ‘‘Escravo, nem pensar!’’, fez formação com professores para trabalhar com a identidade junto a Secretaria de Educação, afim de aproximar os docentes da realidade dessas famílias e, como consequência, dos alunos que são recebidos pela escola.
No mês de agosto, o programa realizou a primeira formação para os profissionais da área de assistência social no município de São Paulo, com intuito de aprimorar o atendimento ao migrante e à assistência à vítima do trabalho escravo, além de outros encontros que são feitos com profissionais de diferentes áreas em torno da temática. O documentário revela que 43 escolas e 330 professores da rede municipal de São Paulo trabalham com a temática em sala de aula, além da participação de 5108 alunos e 983 pessoas de comunidades.
Sim, já são cinco anos na estrada! E para começar a celebração dessa data, colaboradores do site contam sobre o que desejariam noticiar no futuro
Por MigraMundo
É dia de festa no MigraMundo! Exatamente neste 3 de outubro o site completa cinco anos no ar
Nesse período, noticiamos as histórias, as conquistas e as lutas dos migrantes ao redor do Brasil do mundo. Mostramos ao nosso leitor também como tem sido o recebimento destas pessoas que migram nos países onde elas chegam – as crises em acolher, a falta de vagas em escolas para crianças, os campos de refugiados nas bordas da Europa, os botes e, infelizmente, os muros. Hoje alguns de nossos colaboradores falam sobre o que eles gostariam de relatar a você, caro leitor, nos próximos 5 anos.
Sabemos que migrar não é fácil, mas se tornaria um pouco mais fácil se do outro lado da migração existissem casas – e não fronteiras. É isso o que nós da equipe do MigraMundo desejamos para os próximos cinco anos!
PS: vem mais por aí. Aguardem….
(Leia abaixo os desejos específicos de alguns colaboradores de nossa equipe)
Amanda Rossa, formada em Direito e mestranda em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, é pesquisadora de migrações e refúgio e colabora com o MigraMundo de São Paulo
São tantos desejos! Um mundo sem fronteiras, mas quem sabe isso levará mais tempo… Para agora, gostaria de noticiar um grande número de diplomas revalidados no Brasil de migrantes de todos os lugares. Um maior diálogo entre a sociedade civil, as universidades e grupos de migrantes encontrando soluções para que os talentos e habilidades sejam reconhecidas, e as pessoas possam viver uma vida digna, fazendo aquilo que as faz feliz. Acho um objetivo bastante tangível, que começa por uma maior sensibilidade das pessoas e do poder público sobre os desafios em iniciar uma vida nova num país desconhecido.
Debora Draghi, assistente de projetos no Linyon Global Workers em Curitiba, escreve para o MigraMundo desde maio de 2017
Nos próximos cinco anos, gostaria de relatar como a estrutura de recepção cresceu e melhorou em diversos Estados do Brasil e como a população nacional se dispôs, cada vez mais, a integrar e acolher, livre de estereótipos e preconceitos. Acredito também, que ao longo dos anos veremos uma maior participação no setor privado nas contratações, pois isso está mudando aos poucos, sendo o setor privado um ator importante para as mudanças sociais. Além disso, gostaria de noticiar como o potencial de imigrantes e refugiados tem sido bem recebido e como suas qualificações são bem vindas e necessárias para o Brasil.
Seria extremamente agradável poder relatar que nações com melhores condições financeiras se dispuseram a acolher mais refugiados, aliviando a pressão de países como Líbano e Jordânia. Por fim, gostaria de escrever o quanto os discursos racistas e xenófobos diminuíram consideravelmente ao longo dos anos, dando espaço a tolerância e compreensão.
Eva Bella, fotógrafa em São Paulo, colaboradora há 3 anos do MigraMundo
Embora o cenário não seja dos melhores, espero que a política migratória tente ser mais generosa nos próximos anos, e para isso gostaria de continuar colaborando com imagens que demonstram que todos somos iguais, que cada povo tem sua beleza, alegria, que temos direito a viver em paz no local onde escolhermos, por isso sou a favor de mais pontes e menos fronteiras.
Géssica Brandino, jornalista colaboradora em São Paulo
Meu primeiro grande desejo é que refugiados e imigrantes sejam tratados como protagonistas de suas histórias, realizações e reivindicações no Brasil. Gostaria que nenhum debate sobre a temática migratória deixasse fora da mesa quem mais pode contar sobre o que é ser imigrante e viver no refúgio.
Gostaria de noticiar que a construção de muros fracassou, que os estereótipos em torno dos refugiados e imigrantes fossem superados e governos dos estados e municípios do país estão empenhados para garantir que todo aquele que migra, seja de forma voluntária ou forçada, receba tratamento digno nos serviços públicos, que há políticas de estado para ensino do português e inserção no mercado de trabalho em todas as cidades onde há imigrantes.
Gostaria de noticiar que todas as solicitações de refúgio no Brasil são respondidas num período inferior a um ano e que a revalidação de diplomas já não é um problema. Que as crianças imigrantes e filhas de imigrantes não são discriminadas na escola e que há diretrizes do Ministério, Secretarias estaduais e municipais da Educação para a garantia desse direito.
María Villarreal, professora e pesquisadora, colabora com o MigraMundo no Rio de Janeiro.
Em um contexto de crescimento da mobilidade humana, seria ótimo que o MigraMundo pudesse noticiar que finalmente entendemos que as migrações são um fenômeno natural, humano e indissociável da nossa vida no planeta. Gostaria que pudéssemos noticiar também que fugir, não aceitar ou se render perante condições difíceis, procurar uma vida melhor, escolher um lugar diferente de onde nascemos ou simplesmente buscar novos rumos não é crime, mas apenas uma escolha humana, válida e legítima para qualquer pessoa, independentemente dos seus documentos de identidade ou do seu lugar de nascimento.
Gostaria que pudéssemos contar também que o Brasil e, de forma geral, a sociedade brasileira entendeu que a migração é uma oportunidade para todos e que decidiu melhorar seus programas e políticas de acolhimento e integração, reconhecendo as capacidades e formação das pessoas e lhes oferecendo possibilidades reais de viver bem e de contribuir ao melhoramento do país. Seria ótimo poder divulgar também que os migrantes e refugiados, como novos cidadãos podem, de fato, exercer seus direitos e participar ativamente da construção de um novo Brasil, mais humano, mais aberto, tolerante, rico, diverso e, portanto, com menos xenofobia e discriminação. Por fim, seria ótimo poder descrever este processo, conjuntamente com o reconhecimento do Brasil como país de emigração e com a criação de políticas e programas para ampliar os direitos dos brasileiros e brasileiras no exterior.
Rodrigo Borges Delfim, 32, editor do MigraMundo, é jornalista e iniciou o site em 3 de outubro de 2012
O que eu gostaria de noticiar no MigraMundo? Olha, tem muita coisa… Algumas o site até já teve o prazer de publicar, como a aprovação da Lei de Migração no Senado – apesar das dezenas de vetos no texto sancionado.
Além dos desejos já feitos pelo time em seus depoimentos, um ato concreto que eu gostaria muito de ver se tornando realidade no Brasil é a aprovação do direito do migrante de votar e de ser votado. Afinal, se o migrante contribui social, econômica e culturalmente para um país, por que não permitir o exercício da cidadania por meio do voto – e um voto facultativo, que seja de fato um direito e não uma obrigação simplesmente. Vale lembrar que o Brasil é o único país da América do Sul que não permite qualquer tipo de participação do migrante em seu processo eleitoral.
Também sonho com o dia que migrar passe a ser visto como realmente é, um fenômeno social, uma extensão global do direito de ir e vir, e com o dia em que vamos conseguir superar os muros da xenofobia e da intolerância que nos impedem de ver o que há do outro lado
Victória Brotto, jornalista colaboradora em Estrasburgo (França)
Eu gostaria de noticiar melhoras no sistema de acolhimento de refugiados da União Europeia. Gostaria de escrever sobre os vistos de trabalho que estariam sendo dados aos refugiados, assim como um sistema de sorteio que redirecione o refugiado recém-chegado para um país onde seu perfil e suas habilidades sejam melhor utilizadas e onde ele também se sinta melhor. O compartilhamento de know-how entre locais e refugiados, assim como criação de vistos humanitários para a população que foge dos países em crise humanitária – algo que o Brasil já faz – eu também gostaria de colocar na minha lista de ‘sugestões de pauta’ para os próximos anos de trabalho jornalístico.
Gostaria de noticiar também uma migração de retorno, com ex-refugiados voltando para seus países a fim de ajudar a reconstruí-los – mas talvez seja muito cedo para desejar isso – quem sabe no aniversário de 15 anos do Migra. Gostaria também não só de noticiar, mas de ler notícias onde o refugiado tenha espaço e onde ele não seja tratado como apenas mais um miserável às margens de sociedades lerdas em ter compaixão pelo próximo que sofre.
E você, que colabora com o MigraMundo ou acompanha o site, gostaria de deixar seu desejo? Basta enviar para blogmigramundo@gmail.com que atualizamos este mural
Com apoio do MigraMundo, nova edição do seminário terá ainda lançamento de campanha internacional
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)
Como os migrantes estão enfrentando o contexto atual de crise no mercado de trabalho? Quais os desafios para conseguir uma vaga ou mesmo para manter um negócio próprio? Essas e outras perguntas serão respondidas por eles próprios durante o próximo Seminário Vozes e Olhares Cruzados, que acontece no próximo dia 10 de outubro no auditório da Missão Paz, em São Paulo.
O evento, que chega à sua quinta edição neste ano, é totalmente gratuito e organizado pela Missão Paz em 2012. Sua premissa é debater a migração por meio dos relatos e experiências dos próprios migrantes. Para este ano o tema escolhido foi a migração laboral, por meio do lema “Rompendo Fronteiras, Trabalhando Pela Vida”. Também será possível acompanhar a atividade por meio de transmissão online.
Neste ano, o seminário tem o apoio da Fundación Avina, instituição latino-americana dedicada a promover inovação com sentido para um desenvolvimento sustentado e inclusivo; também conta com apoio oficial do MigraMundo, que começou em outubro de 2012 – poucos dias após a primeira edição do Vozes e Olhares Cruzados.
“O seminário será uma oportunidade de ouvir alguns deles, contando a trajetória laboral no Brasil, para ouvir e apreender”, aponta o padre Paolo Parise, um dos diretores da Missão Paz, que organiza a atividade.
Migração: um movimento que transforma
O Vozes e Olhares Cruzados deste ano contará ainda com o lançamento da campanha internacional “Migração – O Movimento que Transforma”. Voltada para o contexto sul-americano, ela busca esclarecer e desmistificar uma série de preconceitos e pós-verdades que envolvem a temática migratória no continente, ao mesmo tempo que mostra as transformações e benefícios que a migração é capaz de trazer para a sociedade como um todo.
A campanha é conduzida no Brasil pela Fundación Avina em parceria com a Missão Paz, por meio da Social Docs e Espiral Interativa, e conta também com o apoio formal do MigraMundo.
“Sabemos que os trabalhadores migrantes representam 90% do total de migrantes internacionais no mundo e, no continente americano, representam em torno de 27% do total de todos os trabalhadores migrantes do planeta. Na América Latina, são 4,3 milhões de pessoas. Nossos programas objetivam o reconhecimento do pleno direito humano à migração e do valor econômico, social e cultural das pessoas migrantes ao desenvolvimento de todas as nações”, finaliza Ofélia Ferreira, coordenadora do programa de migrações para América do Sul da Fundación Avina.
O Seminário Vozes e Olhares Cruzados acontece desde 2012 e tem como marca principal a participação ativa do migrante e sua vivência para as discussões. Crédito: Géssica Brandino
Quer saber como foram as edições anteriores do Vozes e Olhares Cruzados? O MigraMundo esteve presente e acompanhou as edições de 2014 e 2015 do evento. Em 2016, excepcionalmente, ele não aconteceu e está sendo retomado neste ano.
V Seminário Vozes e Olhares Cruzados – Rompendo Fronteiras, Trabalhando pela Vida
Data e hora: 10 de outubro de 2017, das 14h às 17h30
Local: auditório da Missão Paz – Rua do Glicério, 225 – São Paulo (SP)
Entrada: gratuita – inscrições neste link – haverá também transmissão online
Informações: (11) 3340-6950, pelos e-mails contato@missaonspaz.org e comunica@missaonspaz.org e pelo evento no Facebook
E você, já com saudades do torneio? Enquanto a programação para 2018 não sai, é possível relembrar um pouco do que aconteceu naquela tarde no estádio do Pacaembu, um dos ícones do futebol brasileiro, nestas fotos exclusivas para o MigraMundo da fotógrafa Eva Bella:
Copa dos Refugiados 2017, disputada no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
(Foto: Eva Bella/MigraMundo)
Na Catalunha, manifestação em apoio aos refugiados e migrantes mobilizou pessoas de todas as idades.
Crédito: Andrea Dama
Por Flávio Carvalho
Em Barcelona
“É decidindo que se aprende a decidir”. “O rival mais difícil está na sua cabeça”. “Se por um lado eu não posso estimular os sonhos possíveis também não posso negar, por outro lado, a quem sonha o direito de sonhar”. Paulo Freire
Se de uma coisa não tenho dúvidas, porque as estudei bem, é quando comparo todas as políticas públicas para os migrantes na Catalunha (que poderiam – e poderão – ser bem melhores) em comparação com as piores políticas espanholas para os migrantes, aprovadas pela direita do Partido Popular, de Mariano Rajoy: restrição no acesso à saúde pública para imigrantes, prisões disfarçadas de Centros de Internamento, financiamento recortado de políticas sociais e redirecionado para o maior esquema europeu de corrupção de um partido (o PP)… E nem vou falar na miserável quantidade de menos de 10% de acolhida de refugiados que o PP prometeu à União Europeia, depois de forçado pelas guerras que manchavam de sangue as primeiras páginas dos grandes jornais.
Mas, como não se trata de uma brincadeira de bonzinhos contra os maus, de forma maniqueísta, estou disposto a aprofundar, com quem quiser, meus argumentos.
“Mas Flávio, o que acontecerá conosco, com os brasileiros que vivemos aqui na Catalunha, depois do Referendo, se vier a ser proclamada a independência, como já estão dizendo por aí que será vencedor o voto do sim?”
Sinceramente, ninguém sabe ao certo como se construirá esse novo país, essa nova república. É um jogo aberto e eu estou do lado de muita gente que diz que está disposta a jogar para mudar tudo, desde a base, para ganhar. Até mesmo porque nenhum político deve atrever-se a dizer o “como deverá ser”. Aqui não há espaços para salvadores da pátria. O impacto político sobre as vidas de todos os catalães, sobre todos os espanhóis, e me atrevo a dizer sobre todos os europeus, será tão forte que – não se trata de ser irresponsável ou de fugir dessa pergunta – não haverá uma receita pronta, acabada… E o melhor é que isso me agrada muito.
Porque eu sou freireano (de Paulo Freire, o maior pedagogo brasileiro e um dos dez melhores do mundo no Século XX, segundo a UNESCO) e acredito e tenho esperança na humanidade, na capacidade de melhorarmos e de não dar tudo por perdido. Ao contrário, eu tenho uma esperança imensa em tudo isso. Eu sou brasileiro, me compreendes?
Quando aqui cheguei, quando ainda não tinha nacionalidade espanhola, escutei de muita gente conservadora, de direitas, xenófoba, mandar-me calar. Que eu não sabia nada sobre esse país. Que eu só sabia o que era o Brasil. Por outro lado, encontrei acolhida em muita gente que me perguntava opiniões, que dizia querer me escutar, que me chamou para colaborar com uma coisa chamada Pacto Nacional pela Imigração, que me deixou atuar no que aqui se chama de políticas de acolhida, ainda quando eu comecei a atuar como voluntário em defesa dos direitos dos migrantes, brasileiros ou não. O Secretário de Imigração do Governo tem meu telefone, eu tenho o dele (não sou militante do seu partido, mas o respeito muito), já demonstrou estar do lado de muitos brasileiros nas situações mais difíceis a que lhe recorri, ele e todos os servidores públicos que para ele trabalham. Quando ocupamos a Praça Catalunha, naquele 15 de Março de 2011 (para mim, a gênese do Podemos), quando a assembleia geral debatia a abstenção geral como um boicote nas eleições municipais daquele momento, lembro que estava o Senador brasileiro Cristovam Buarque ao meu lado, eu gritei (não havia microfone naquela assembleia): eu quero poder votar, que por enquanto eu não posso, por não ter nacionalidade espanhola. Eu queria o meu direito de votar, até pra estar em condições de igualdade com aqueles manifestantes catalães que estavam propondo exercer o direito de se abster. Antes de tudo eu queria o meu direito de votar, até mesmo para decidir não votar (para me abster, tal como a assembleia acabou aprovando). Notei algumas caras de espanto e naquele dia me aproximei de uns jovens que diziam estar começando um novo movimento. Eu perguntei qual era e eles disseram: ainda não sabemos. E eu gostei.
Seria eu agora a não exercer meu direito depois de tudo que eu passei para consegui-lo?
Dos piores dias de minha vida política aqui na Catalunha foi quando eu trabalhava varrendo a rua, na prefeitura do meu pequeno pueblo, contratado como “serviços gerais” (gari, coveiro, desentupidor de esgotos…), recebendo um salário menor do que a média normal espanhola. Fui encarregado de montar e limpar toda a seção eleitoral. Montei urnas, organizei cédulas, servi todo o café, recebi 18 Euros de hora-extra (por trabalhar num domingo) e fiquei todo o dia trabalhando para que todos votassem… Tudo isso enquanto eu não podia votar. Agora quem vai me dizer para abrir mão do meu direito, depois daquele dia de sofrimento?
Lutarei como já estou fazendo, pacificamente, todo o possível para defender o direito ao voto. O meu, ameaçado. E, principalmente, o daqueles que ainda não podem votar (mas que eu conheço todas as propostas políticas – todas! – que abrem essa possibilidade, entre outros direitos). Votarei, neste 1º de Outubro, para exercer meu direito. Votarei que sim à independência da Catalunha, para abrir as possibilidades que eu defendo e para que as coisas não continuem como estão e não me agradam. Não me satisfazem. E eu não aceito me calar para me conformar com o pouco que eu tenho, por mais que haja pessoas em situação pior que eu. Eu não nivelarei os direitos por baixo.
Não sei até que ponto as coisas mudarão. Só tenho duas certezas. Que algo mudará e que nunca mais seremos os mesmos. E sei o que não quero: continuar como agora está. A partir daí, minha decisão parece fácil (se bem que não foi nada fácil). Quem estiver satisfeito que aposte pelo continuísmo. Há 1% de gente contente, os mais ricos principalmente. Eu, e a maioria dos brasileiros que aqui vivemos, não fazemos parte desse reduzidíssimo contingente.
E não descansarei depois disso, pois o 1 de Outubro é pra mim um bom começo. Importantíssimo passo de uma longa caminhada que vem de muito antes de eu saber que a Catalunha existia. Mas que agora eu me sinto plenamente fazendo parte dela. E isso é bom. Pra quem gosta de trabalhar por isso, temos todo um país para (re)construir.
Ingênuo, eu?! Seremos a maior fraude da história, milhões de pessoas nas ruas enganadas por um par de políticos corruptos que utilizam o processo independentista pra tapar suas vergonhas? Já me fiz mil vezes essa pergunta. E se a resposta fosse que sim eu já haveria abandonado essa causa desde quando dela eu tive notícia pela primeira vez. Eu somente digo que não tenho medo do futuro e que a única coisa que eu não quero é que tudo continue do jeito que está: se não votarmos (a não ser que nos impeçam pela força, o que muda completamente a história) ou se ganha o Não à Independência, então sim, eu tenho certeza que os partidos hoje mais racistas, mais xenófobos, os nazi-fascistas da Espanha, estes triunfarão. Da mesma forma que estão avançando por toda a velha Europa. Aí sim eu não quero escutar arrependimentos. Então eu quero ver a cara de vocês que me disseram que não estão nem aí para o que pode acontecer.
Como eu não quero que isso aconteça, estou aqui escrevendo, principalmente pra ajudar-te a superar os teus medos. Porque eu também já os tive. E quero que desfrutes comigo dessa maravilha que é já não mais tê-los.
Viva o republicanismo. Viva o povo brasileiro, onde quer que ele esteja.
Ato na Praça da Sé para o lançamento da Lançamento da campanha mundial "Compartilhe a Viagem".
Crédito: Miguel Ahumada - set.2017
Ação global foi lançada pelo Papa Francisco e busca, pela “Cultura do Encontro”, mudar a mentalidade em relação ao migrante e ao refugiado
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)
Se colocar no lugar do outro, se aproximar dele. É o que convida a Igreja Católica, por meio da Caritas Internacional em diversos países, com a campanha mundial “Compartilhe a Viagem” (expressa pela hashtag #sharejourney), para sensibilizar a população global em relação às temáticas de refúgio e imigração.
O lançamento mundial ocorreu nesta quarta-feira (27) com um ato na Praça de São Pedro, no Vaticano, em cerimônia conduzida pelo Papa Francisco – que tem dado destaque especial a questões ligadas a migrantes e refugiados ao longo de seu papado.
“Justamente assim – gesticulou o Papa – com os braços bem abertos, prontos a um abraço sincero, afetuoso e envolvente, um pouco como esta colunata da Praça S. Pedro, que representa a Igreja mãe que abraça todos na compartilha da viagem comum”.
A iniciativa incentiva que as pessoas – independente da origem e dos motivos que a levaram a se deslocar – se conheçam, troquem experiências, multipliquem saberes e compartilhem a vida de forma positiva.
Com a chamada “Cultura do encontro”, o papa quer mudar a mentalidade em relação ao imigrante e ao refugiado – ainda muito marcada por atos de ódio e intolerância – nos países aonde costumam chegar em busca de proteção e de uma vida melhor.
“A esperança é o impulso para “partilhar a viagem” da vida, como nos recorda a Campanha da Cáritas que hoje (27/09) iniciamos. “Irmãos, não tenhamos medo de partilhar a viagem! Não tenhamos medo de compartilhar a esperança!”, enfatizou o Sumo Pontífice, que argentino de nascimento e descendente de italianos que migraram para o país.
Nas redes sociais, o convite é que sejam feitos registros em foto do gesto que simboliza a campanha: os braços abertos em sinal de acolhida aos imigrantes. A imagem deverá ser publicada no Facebook, no Twitter ou no Instagram, com as hashtags #sharejourney e #compartilheaviagem, na tag em português.
No Brasil o lançamento da campanha contou com atos públicos em locais de referência em grandes cidades, como o Cristo Redentor (Rio de Janeiro) e a Praça da Sé (São Paulo).
“Mutas vezes acabamos assistindo de fora, não nos deixamos envolver ou mesmo nos deixamos levar por preconceitos. Então é importante dar este passo. ‘Compartilhar a viagem’ não tem bandeira, todos somos convidados a fazer isso”, aponta o padre Paolo Parise, um dos diretores da Missão Paz, entidade com tradição no acolhimento e orientação a migrantes e refugiados em São Paulo e que participou do ato na Praça da Sé.
Ato na Praça da Sé para o lançamento da Lançamento da campanha mundial “Compartilhe a Viagem”. Crédito: Miguel Ahumada
Dados da Polícia Federal indicam que cerca de 1,7 milhão de migrantes internacionais vivem no Brasil. Entre os refugiados, de acordo com o Conare (Comitê Nacional para Refugiados), são 9.552 com status de refúgio reconhecidos pelo governo brasileiro, além de cerca de 35 mil aguardando o julgamento do pedido pelo comitê.
Em nível global, o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) estima em 65,6 milhões o total de refugiados e deslocados internos mundo afora. Já a OIM (Organização Internacional para as Migrações) indica que o mundo hoje possui cerca de 244 milhões de migrantes internacionais.