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segunda-feira, junho 29, 2026
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Museus de imigração em SP e SC vivem desafio de dialogar ao mesmo tempo com passado e presente

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Exposição Temporária "Cartas de Chamada de Atenção", fruto da parceria entre o Museu da Imigração e o Arsenal da Esperança. Crédito: Divulgação/Museu da Imigração

Instituições têm promovido atividades que fazem pontes entre as migrações históricas e os fluxos contemporâneos

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP) e Joinville (SC)

Segundo um conhecido ditado popular, quem vive de passado é museu. Mas museus que abordam a temática migratória, no entanto, tem feito movimentos para deixar essa expressão cada vez mais ultrapassada e estabelecer um diálogo entre os fluxos do passado e do presente.

Foi a partir dessa perspectiva que o Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC), em Joinville (SC), lançou na última sexta-feira (17) o documentário “E ficaram saudades…”, a partir das histórias de vida de imigrantes de diferentes nacionalidades que se instalaram no Sul do Brasil.

Mas ao contrário do que geralmente se espera da região, os rostos na produção são de migrantes do Haiti, Síria, Mali e outros países além dos europeus.

A ação surgiu em 2018 a partir de um festival cultural realizado pelo próprio Museu que tinha como mote a “aproximação” com essas comunidades.

“Na ocasião o festival teve muita aderência e a partir dos retornos dessas comunidades, famílias e grupos organizados iniciamos um processo de pesquisa que deu origem ao documentário”, explica a educadora Elaine Machado, integrante do MNIC e que coordenou e roteirizou o vídeo.

Primeiro museu dedicado à migração a ser aberto no Brasil, em 1957, o MNIC já vem há algum tempo buscando ir além da narrativa predominante em Joinville, que é a da presença germânica. Um movimento que gera resistência em parte da população local, que vê o museu como um espaço destinado exclusivamente à preservação e exaltação da migração germânica.

Fachada do MNIC (Museu Nacional de Imigração e Colonização), localizado em Joinville (SC). Crédito: Divulgação

“O museu não é e não pode ser encarado como cápsula do tempo. Ele vem exercitando cotidianamente a aproximação da imigração do passado daquela que no presente acompanhamos e o mote para pensarmos e problematizarmos esses movimentos é pensarmos na diluição das barreiras, na imigração como um direito, e na ideia de fronteira como um espaço de trânsito, de passagem”, completa a educadora.

A museóloga Renata Cittadini, que atuou no MNIC até o final de 2018, também teve participação nesse processo e complementa o pensamento de Machado.

“Entender imigração enquanto fenômeno altera todo o modus operandi do Museu. Entender o Museu como instituição do seu tempo é fundamental para o cumprimento de sua função. Acredito que a mudança em Joinville é um processo que se iniciou a partir do momento em que os técnicos começaram a questionar a função daquela instituição para a memória da cidade.”

Passado e presente na antiga Hospedaria do Brás

Esse diálogo com o passado tem sido também uma das características do Museu da Imigração de São Paulo, instalado no espaço da antiga Hospedaria do Brás (1887-1978) – principal ponto de recepção dos migrantes que chegaram a São Paulo.

Museu da Imigração de São Paulo, em foto de setembro de 2016. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Antigamente conhecido como Memorial do Imigrante, fechou para reformas em 2010 e foi reaberto cinco anos depois, em 31 de maio de 2014, já com a nova proposta – mais centrada no fenômeno migratório em si e menos no indivíduo migrante.

Essa ideia pode ser notada tanto na mostra permanente – que inclui um pouco do cotidiano da antiga Hospedaria do Brás – como nas mostras temporárias. Desde outubro de 2018, por exemplo, foram três exposições fotográficas que tinham o refúgio como tema – duas sobre crianças refugiadas e uma sobre venezuelanos em Roraima.

“O refúgio foi uma modalidade protagonista após a Segunda Guerra Mundial – e a Hospedaria de Imigrantes do Brás, nossa sede, acolheu algumas pessoas nessa situação – e voltou a ganhar destaque nos últimos anos. Nossa intenção é colocar em discussão o refúgio como fenômeno global, inserindo o Brasil nesse contexto, alcançando diferentes públicos”, explica Mariana Esteves Martins, coordenadora técnica do Museu da Imigração.

As exposições “Cartas de Chamada de Atenção”, em 2015, “Do retalho à trama” e “Direitos Migrantes – Nenhum a Menos”, ambas em 2016, são outros exemplos de abordagens contemporâneas da migração assumidas pelo museu paulista.

Manifestações que fazem reverência a comunidades historicamente estabelecidas em São Paulo, como a italiana, ainda são um grande chamariz para o público do Museu. A Festa do Imigrante, que neste ano acontece nos dias 2, 8 e 9 de junho, serve como exemplo – com as barracas e atrações dedicadas à Itália entre as mais concorridas da festa.

Festa do Imigrante reuniu expressões culturais de dezenas de nacionalidades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Os museus paulista e catarinense não estão sozinhos nesse movimento. Outras instituições dedicadas às migrações em outros Estados brasileiros e no exterior também compartilham do mesmo diálogo, de acordo com as especificidades locais.

O próprio Museu da Imigração serve como ponto de encontro dessas instituições. Em 2015, recebeu o Seminário Internacional: Museus, Migrações e Identidades, reunindo representantes do Museu da Imigração da Ilha das Flores (Rio de Janeiro), Museo de la Inmigración, na região portuária de Buenos Aires (Argentina), Museo de las Migraciones, em Montevidéu (Uruguai), e Ellis Island Immigration Museum, em Nova York (EUA).

Neste ano, em parceria com o Horniman Museum (Londres, Reino Unido), o museu paulista lançou o documento “Em Contato – Comunidades, Cultura e Engajamento”, que trata justamente de como as duas instituições buscam dialogar com as comunidades migrantes – do passado e do presente.



Livro sobre refúgio busca suprir carência e servir de introdução ao tema

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Capa do livro "Refugiados - o grande desafio humanitário" (Ed. Moderna) Crédito: Divulgação

Obra escrita pelo professor Gilberto Rodrigues, lançada pela Editora Moderna, tem público escolar como foco principal

Por Rodrigo Veronezi
Em São Paulo

Servir como introdução à temática dos refugiados para leigos, abrindo caminhos para reflexões sobre a questão do refúgio e das migrações forçadas mundo afora. Esse é o objetivo de “Refugiados: O grande desafio humanitário”, do professor Gilberto Rodrigues, lançada recentemente pela Editora Moderna.

Com 80 páginas, a obra tem como público leitor preferencial os alunos de Ensino Fundamental II e Médio, para aulas de Geografia e História. A editora que comercializa o livro tem tradição em publicações didáticas e paradidáticas, com grande presença em escolas públicas e provadas brasileiras.

No entanto, para Rodrigues – que é professor de Relações Internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC) e membro da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na instituição –cujo objetivo é fomentar a pesquisa e atuação em favor da questão do refúgio–, o uso do livro vai além do público em idade escolar.

“Como livro introdutório ao tema, ele pode ser lido com proveito por todos os interessados em conhecer melhor o assunto.”

Barracas do ACNUR em abrigo para venezuelanos em Boa Vista (RR).
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao publicar um livro com caráter introdutório, Rodrigues pensa ainda em suprir uma lacuna existente na produção de conhecimento sobre a questão do refúgio.

“O Brasil dispõe hoje de uma razoável produção acadêmica no campo [sobre refugiados]. Mas há uma grande carência da “tradução” dessas pesquisas de teses e dissertações para o ensino básico e o público mais amplo”, aponta o autor.

De acordo com o relatório Refúgio em Números, divulgado pelo Conare (Comitê Nacional para Refugiados) em 2018, o Brasil já reconheceu cerca de 10 mil pessoas como refugiadas desde 1997 – quando entrou em vigor a legislação atual sobre refúgio. Destas, segundo o levantamento, 5.000 delas permanecem com esse status ativo.

Ao mesmo tempo, pelo menos 96 mil pedidos de refúgio aguardam avaliação do Conare – a maioria deles (77%) foi feita por venezuelanos.

Nesta semana o ACNUR pediu à comunidade internacional que reconheça como refugiados os venezuelanos que fogem da crise humanitária que afeta o país.

ONU defende que venezuelanos sejam reconhecidos como refugiados

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Vista interna do abrigo Jardim Floresta, um dos que foram abertos em Boa Vista para receber os venezuelanos na cidade. Crédito: Nayra Wladimila/MigraMundo

Cerca de 3,6 milhões de pessoas já deixaram o país, segundo as Nações Unidas

Por Rodrigo Veronezi
Em São Paulo (SP)

Com o agravamento e persistência da crise humanitária na Venezuela, o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) divulgou nesta terça-feira (21) um documento no qual pede que a comunidade internacional reconheça os venezuelanos como refugiados.

“Levando em conta a deterioração da situação política, econômica, humanitária e de direitos humanos na Venezuela (…), o Acnur considera que a maioria dos que fugiram do país precisa de um sistema internacional de proteção aos refugiados”, afirmou Liz Throssel, porta-voz da instituição, durante pronunciamento em Genebra (Suíça).

De acordo com o ACNUR, cerca de 3,6 milhões de venezuelanos já deixaram o país, sendo que 700 mil deles emigraram antes de 2015. A projeção é que esse número chegue a 5,3 milhões até o final do ano.

A vizinha Colômbia é o principal destino, com pouco mais de 1,1 milhão de venezuelanos – em seguida aparecem Peru, Equador, Chile, Argentina e Brasil (em torno de 96 mil).

O posicionamento divulgado nesta terça pelo ACNUR substitui a carta divulgada pela agência em março de 2018. Na época, a diretriz era que “embora nem todos os venezuelanos estejam deixando o país pelos mesmos motivos de um refugiado, torna-se cada vez mais claro que um número significativo destas pessoas precisa de proteção internacional – embora nem todas sejam refugiados”.

Família venezuelana caminha por estrada em Roraima em direção a Boa Vista.
Crédito: ONU

A nota do ACNUR informa que, para certos perfis de venezuelanos em risco, a Convenção de 1951 sobre os Refugiados é aplicável. Em qualquer caso, a maioria dos venezuelanos precisa da proteção internacional de refugiados, com base nos critérios mais amplos da Declaração de Cartagena de 1984 aplicada na América Latina. Isso é por das ameaças às suas vidas, segurança ou liberdade resultantes de circunstâncias que estão perturbando seriamente a ordem pública na Venezuela.

Para Fabrício Souza, pós-doutorando na PUC-RJ sobre migrações e refúgio, a nova recomendação do ACNUR expressa um esforço da agência em assegurar aos venezuelanos uma proteção adequada, mesmo se a solução formal para eles se dê pela regularização migratória.

“A nota fala expressamente em medidas que possibilitem a permanência legal aos venezuelanos, com as devidas garantias, incluindo “formas de proteção internacional”, de acordo com o direito internacional dos direitos humanos ou vias migratórias laborais que ofereçam um padrão de tratamento semelhante à proteção internacional. E sem prejuízo do direito a solicitar refúgio.”

Venezuelanos no Brasil

A legislação brasileira de refúgio – Lei 9.474/97 – segue o entendimento da Declaração de Cartagena e garante o status de refugiado a toda pessoa que foge de um país em situação de grave e generalizada violação de direitos humanos.

Os venezuelanos representam a maior nacionalidade entre os solicitantes de refúgio no Brasil, totalizando 77% dos 96 mil pedidos que aguardam parecer do Conare (Comitê Nacional para Refugiados).

Funcionário do ACNUR orienta sobre os procedimentos para a solicitação de refúgio e registra casal venezuelano em abrigo em Boa Vista.
Crédito: Reynesson Damasceno/ACNUR – jan.2018

A nota do ACNUR recomenda que países como o Brasil abandonem as análises individuais de refúgio e reconheçam os venezuelanos coletivamente, tal como o país faz atualmente com os sírios.

“Trata-se de um deslocamento forçado, resultado justamente de uma situação para a qual a Declaração de Cartagena prevê uma solução. E o refúgio é certamente um status que oferece proteção muito mais adequada do que a via migratória, que, apesar de ser simples, deixa grandes lacunas”, afirma Souza, que desde 2008 atua no atendimento a refugiados em organizações não governamentais.

Desde março de 2018 o governo federal mantém no Brasil a Operação Acolhida, destinada a administrar o fluxo migratório que vem da Venezuela – renovada em janeiro deste ano para mais um ano.

Apesar de controvérsias, Alemanha é um país de imigrantes

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Estatísticas e fatos confirmam que o país europeu se tornou um dos maiores destinos para imigrantes econômicos – e não só para refugiados de guerra

Por Manuela Marques Tchoe

Quando pensamos em países que construíram sociedades a partir da imigração, vêm à mente os Estados Unidos, Canadá e Brasil. Mais recentemente, o Reino Unido e a França, ambos com histórico de colonização. Mas a Alemanha?

Não, o país germânico jamais se viu como um país de imigração, mesmo com as estatísticas de que o número de estrangeiros na Alemanha subiu para 10,9 milhões, atingindo o recorde populacional de 83 milhões, conforme relatado pelo Escritório de Estatísticas da União (Statistische Bundesamt) em abril de 2019. 13,1% da população na Alemanha têm uma nacionalidade não alemã e um quarto da população tem histórico de migração.

A imigração de pessoas com permissão de trabalho de países fora da União Europeia voltou a aumentar significativamente. Até o final de 2018, um total de 266 mil pessoas haviam chegado como migrantes (ano anterior: 217 mil). Este foi um aumento de mais de 20% pelo terceiro ano consecutivo.

Entre os países de origem mais importantes estão a Índia (12%), a China (9%), a Bósnia-Herzegovina (8%) e os EUA (7%). Essas pessoas – incluindo muitos trabalhadores qualificados – tinham em média 35 anos de idade e a maioria era do sexo masculino (68%).

Esses números refletem como a Alemanha se tornou um dos destinos mais atrativos para trabalhar na Europa, com um aumento significativo em imigrantes econômicos ao invés de refugiados de guerra.

Bandeira da Alemanha no Bundestag, em Berlim.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo – jun.2014

Imigração econômica e Bálcãs

O crescimento do grupo dos Bálcãs Ocidentais foi especialmente forte. No final de 2018, a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Sérvia, o Montenegro, o Kosovo e a Macedônia representavam, em conjunto, quase um quarto dos migrantes da força de trabalho. Em 2015, essa participação ainda estava em torno de nove por cento. Ao mesmo tempo, desde 2016, as pessoas desses países têm acesso mais fácil ao mercado de trabalho alemão.

O Escritório Federal não dá detalhes quão alto o número de refugiados entre os estrangeiros detectados no ano passado. Nos primeiros três meses deste ano, o Departamento Federal de Migração e Refugiados (Bamf) aceitou por todo o país cerca de 46.500 pedidos de asilo – cerca de tantas como no mesmo período de 2017. A maioria dos candidatos veio da Síria, Iraque e Nigéria, de acordo com o Ministério Federal do Interior.

A preocupação migratória

Muitos alemães veem esse aumento de estrangeiros com preocupação, principalmente nos grandes centros urbanos como Munique, Berlim e Hamburgo, além da província da Renânia Vestefália, onde a grande maioria dos imigrantes, principalmente de origem turca, residem. Entretanto, considerando que o país continua a envelhecer e a taxa de natalidade permanece baixa, o mercado de trabalho consegue crescer apenas porque muitos estrangeiros aceleram o crescimento econômico alemão.

Os números fazem com que até as alas mais conservadoras entendam que a Alemanha se tornou um país de imigrantes – desde que começou a “importar” trabalhadores turcos no pós-guerra. Com a entrada de milhões de refugiados a partir de 2015, o debate sobre imigração se tornou uma das maiores controvérsias políticas, com o ministro do interior Horst Seehofer, do partido conservador bávaro CSU, definindo a imigração como “a mãe de todos os problemas”.

Manchetes de jornais foram dominadas por histórias sobre a crise migratória e suas ramificações para a sociedade alemã desde 2015, mas a questão de como atrair imigrantes qualificados aparentemente caiu no esquecimento. No entanto, apesar da chegada de mais de um milhão de refugiados na Alemanha, a questão de como atrair trabalhadores qualificados continua pertinente.

Até agosto de 2018, mais de 300 mil desses refugiados haviam encontrado emprego. No entanto, a maioria desses migrantes exige treinamento intensivo e cursos de idiomas antes de se qualificar para cargos de nível de entrada no mercado de trabalho alemão. Enquanto isso, quase 1,2 milhão de vagas de emprego permanecem vazias. Conceder asilo aos perseguidos é um imperativo humanitário, mas não é uma solução mágica para os problemas demográficos da economia alemã.

Apesar da histeria do debate sobre a imigração, aos poucos vemos avanços nas alas mais conservadoras (exceto pelo partido de extrema-direita AfD – Alternativa para a Alemanha). Finalmente a maioria política reconhece que precisa-se atualizar a lei de imigração, principalmente para beneficiar imigrantes econômicos e, portanto, continuar a acelerar o crescimento alemão.

Além dos números

Já se a Alemanha se considera um país de imigração, é um debate que vai além dos números e estatísticas. Não só muitos alemães se tornaram inseguros com relação à diversidade cultural, como a falácia da islamização do país – mas principalmente em função da cultura que, muitos acham – se esfacela com tantos imigrantes buscando um novo lar no coração da Europa. E esse é um debate mais complexo, que toca em aspectos mais subjetivos e que, infelizmente, pode dar lugar ao medo generalizado que pôs o partido de extrema-direita AfD no parlamento.

Debate sobre a questão migratória na Alemanha vai além dos números – e também dos muros que são erguidos em relação ao tema .
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo – jun.2014

Diferentemente dos países de imigração que dão nacionalidade a quem nasce no território (o princípio do “Jus Solis”), os germânicos têm uma outra imagem do que é ser alemão, que sempre fora definido através do sangue, e não através do nascimento na Alemanha (princípio do “Jus Sanguinis”, em que a cidadania é transmitida através da cidadania dos pais ou por etnia). Por isso, esse é um debate que tem consequências não só para a economia e a lei, mas para a questão: o que é ser alemão?

Fato é, a Alemanha está cada dia mais diversa, com pessoas de todas as nacionalidades buscando uma nova casa nesse país de tantas possibilidades. E isso terá consequências culturais – assim como para qualquer país de imigração.

Fontes:

Manuela Marques Tchoe é uma escritora baiana que atualmente reside em Munique, Alemanha. É autora de “Ventos Nômades”, uma coletânea de contos que cruzam continentes e exploram o desejo de viajar e a vida de imigrante, e do romance “Encontro de Marés”. Manuela também escreve para o seu blog pessoal Baiana da Baviera e está presente no Facebook, Instagram e Twitter com reflexões sobre a vida de imigrante, viagens e literatura.

ESMPU aposta em formação para qualificar atendimento a migrantes e criar redes

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Roda de conversa com migrantes durante encontro de capacitação para acolhimento de migrantes, em Curitiba (PR). Crédito: Amanda Souza/Ascom ESMPU

Capacitações promovidas em todo o país também visam fortalecer atores locais na defesa de direitos sociais já conquistados pelos migrantes

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Para lidar com desafios locais e nacionais relacionados às migrações e superar visões xenofóbicas sobre o tema, um grupo de instituições da sociedade civil e outras ligadas à temática migratória resolveu unir forças. O resultado foi o surgimento, em junho de 2018, da Rede de Capacitação a Refugiados e Migrantes – e com ela, o projeto “Atuação em rede: capacitação dos atores envolvidos no acolhimento, integração e interiorização de refugiados e migrantes no Brasil”.

Mantido com recursos das próprias instituições integrantes, o projeto vem rodando o Brasil com atividades gratuitas de formação para integrantes de instituições locais de acolhida e orientação a migrantes, jornalistas, migrantes, agentes públicos, entre outros interessados.

Desde o começo das atividades, em julho de 2018, cerca de 2.000 pessoas foram capacitadas. Até o final do ano a expectativa é que esse número chegue a 5.000.

As atividades incluem, de modo geral, oficinas temáticas, simpósios, rodas de conversa e media training – para auxiliar as instituições no trato com veículos de comunicação.

“A educação é o caminho para tentar superar essa dificuldade que temos hoje. Precisamos todos nos libertar de uma visão xenofóbica”, afirma o procurador João Akira Omoto, atual diretor-geral da ESMPU (Escola Superior do Ministério Público da União), uma das instituições que integram a rede e que dá apoio logístico para a realização dos encontros.

Além da ESMPU, a Rede de Capacitação a Refugiados e Migrantes é composta pelas seguintes entidades: Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC), Ministério Público do Trabalho (MPT), Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Conectas Direitos Humanos, Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), Defensoria Pública da União (DPU), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Missão Paz.

João Akira Omoto, diretor-geral da ESMPU.
Crédito: Amanda Souza/Ascom ESMPU

Giro pelo Brasil

A série de encontros começou em julho de 2018, em Belém (PA). De lá, passou por Manaus (AM), São Paulo (SP), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Curitiba – parada mais recente, de 8 a 10 de maio.

A próxima cidade da lista a receber as atividades de formação é Florianópolis, nos dias 5, 6 e 7 de junho. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 29 de maio, por meio deste link.

Estão previstas também oficinas mensais de formação neste ano em Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF).

As atividades realizadas em cada cidade são definidas pelo comitê realizador nacional, em conjunto com os atores locais. Dessa forma os encontros podem mesclar temas de alcance nacional com as necessidades de cada região.

Em Curitiba, por exemplo, foram incluídas na programação uma roda de conversa com migrantes e uma atividade sobre crianças migrantes. Para a etapa de Florianópolis uma discussão que deve ocorrer é sobre a criação de um protocolo a ser seguido pelas forças de segurança no trato com migrantes. Em abril passado, senegaleses protestaram na capital catarinense contra o tratamento que recebem em abordagens policiais – muitos deles atuam como vendedores ambulantes.

Oficina sobre crianças migrantes durante a etapa de Curitiba do projeto de capacitação de acolhimento a migrantes.
Crédito:Amanda Souza/Ascom ESMPU

“Há questões regionais. Os Estados do Norte, por exemplo, receberam muitos venezuelanos. Em outros há maior engajamento, há locais em que a migração virou oportunidade. É necessário que se compreenda essas diferenças”, ressalta Akira.

Também está prevista para Florianópolis a realização de um oficina voltada para articulação de rede entre as instituições locais.

Mobilização e fortalecimento

Uma das participantes da série de atividades em Curitiba foi Márcia Ponce, atual coordenadora de projetos de migração na Cáritas Brasileira Regional Paraná. Ela destacou a qualidade das formações oferecidas e seu formato, além da realização da roda de conversa com migrantes que vivem na capital paranaense.

“A formação alcançou o objetivo do diálogo, das informações e construção de propostas. Entendo que é extremamente importante, principalmente nesses tempos em que precisamos dialogar com a sociedade sobre essa presença [migrante], e o quanto a migração pode ser positiva e construtiva”, diz ela, que também preside o Cerma (Conselho Estadual dos Direitos de Refugiados, Migrantes e Apátridas) do Paraná, ligado à Secretaria Estadual da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos.

Márcia também acredita que as formações devem ajudar a dar continuidade no trabalho iniciado pelo Cerma, de tentar levar as propostas do conselho para os municípios paranaenses.

“Tivemos a participação também de representações de alguns municípios do estado e agora precisamos avançar nas proposição de criação de conselhos municipais para que desse forma também as organizações dá sociedade civil possam dialogar com os municípios na construção de políticas públicas locais.”

Akira vê essa articulação em rede como uma forma de pressionar os governos – independente da sua orientação política ou ideológica – a partir da base pela adoção e garantia de continuidade de políticas públicas voltadas à população migrante.

“Há um discurso de retrocesso [no atual governo federal], mas ações anteriores tiveram continuidade. No tema migração ainda tenho dificuldades para entender quais os sinais, que são contraditórios. Ta difícil vislumbrar para onde se vai, por isso precisa haver mobilização para cobrar clareza dos organismos públicos.”

Onda internacional de supremacismo

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Mesquita Masjid Al Noor, em Christchurch (Nova Zelândia), que foi alvo de ataque terrorista cometido por supremacista branco. Crédito: AAP/Martin Hunter, CC BY-SA

Ser supremacista consiste em nutrir uma onda de ódio – aberto, consciente e declarado – a todo e qualquer pensamento dissonante e alternativo

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

No dia 15 de março de 2019, na cidade de Christchurch, Nova Zelândia, um australiano – num dos piores massacres daquele país – abriu fogo com armas semiautomáticas sobre os fiéis de duas mesquitas. Os atentados deixaram um rastro trágico de 50 mortos e dezenas de feridos, tendo sido transmitidos ao vivo pelas redes sociais do Facebook, através de uma câmera anexada à cabeça do terrorista. As vítimas eram imigrantes refugiados do Paquistão, Índia, Malásia, Indonésia, Turquia, Afeganistão, Bangladesh e Síria. Ao que tudo indica, o autor inspirou-se no ataque do norueguês Anders B. Breivilk, que em 2011 assassinou 77 pessoas na ilha de Utoya, Noruega.

Quando se fala de supremacismo, não se trata apenas do rejeição discriminatória para com o “outro, estranho, diferente”. Também não é somente intolerância fundamentalista de caráter cultural ou religioso. Tampouco se trata de aversão xenofóbica e preconceituosa de natureza étnica. O tema não se restringe, ainda, a um simples rechaço à entrada do imigrante que vem de fora. Ser supremacista consiste em nutrir uma onda de ódio – aberto, consciente e declarado – a todo e qualquer pensamento
dissonante e alternativo; ou ainda, em manifestar forte rechaço às ideias e forças de esquerda, tidas genericamente como “ameaça comunista” ao status quo. Daí seu teor reacionário e extremista.

O conceito supremacismo combina tudo isso, mas vai muito além. Tem a ver com o sentimento da superioridade da raça branca frente a todas as demais raças que habitam a face da terra. Na guerra da secessão, Estados Unidos, encarnou-se nas falanges e no fogo da Ku Klux Klan, para o combate aos negros africanos e descendentes. No decorrer da 2ª Guerra Mundial, encarnou-se no movimento nazifascista, para o combate aos judeus, comunistas, eslavos, “inválidos”, etc., através das câmeras de
gás. Na Noruega e Nova Zelândia, como vimos acima, encarnou-se em dois franco atiradores, supremacistas convictos que, através de massacres em massa e de forma espetacular, procuravam combater todo tipo de estrangeiro que tivesse a ousadia de miscigenar-se ao povo autóctone.
Tentavam proteger-se contra a degradação, rebaixamento ou degeneração da raça superior.

Em todos os casos citados, trata-se, pura e simplesmente, de suprimir, eliminar, liquidar, aniquilar o outro. Uma limpeza generalizada, ao mesmo tempo racial, étnica, social, política, ideológica, cultural, religiosa… enfim, regenerativa. As raças inferiores, quem quer que sejam e venham de onde vierem, devem ter seus direitos anulados diante da necessidade do Lebensraum ou Wohnraum (“espaço vital”, em alemão) à sobrevivência da raça superior. A raça branca, pura, ariana, tem a supremacia sobre as
raças não-brancas, de outras origens. Disso resulta a ideologia de que ela, e somente ela, tem a capacidade natural de dominar os demais povos, tanto do ponto de vista social e econômico quanto do ponto de vista político-cultural.

No fundo, deparamo-nos aqui com a noção darwiniana da seleção natural, em sua teoria da origem das espécies, segundo a qual o “espaço vital” deve ser subtraído às espécies inferiores para garantir o futuro da raça pura.

Não estamos longe das ideias retrógradas do “ideólogo sem ideologia” Olavo Luiz Pimentel de Carvalho, representante do conservadorismo brasileiro e mundial. Vem sendo chamado por distintos órgãos da mídia como o “mago da Virgínia”, Estados Unidos, onde vive e leciona pelas redes sociais
da Internet. Seu nome emergiu juntamente com a campanha eleitoral e a vitória de Jair Messias Bolsonaro à presidência da República. Com efeito, bom número dos que compõem o atual governo se diz aluna e/ou seguidor de Olavo de Carvalho. Além do clã Bolsonaro, destacam-se entre eles a
Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Regina Alves, e o ex-Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Semelhantes ligações explicam a obsessão do atual governo no
sentido de “limpar” a administração, e particularmente alguns ministérios, de uma suposta cultura de esquerda, marcadamente comunista. Aqui, como disse alguém, “não só o futuro é incerto, mas também o passado”. Basta conferir a tentativa de reescrever a história, convertendo o golpe de 1964 e
a ditadura militar em “ação necessária para impedir o comunismo”; ou o horror do Holocausto como tendo sido perpetrado pelo movimento de esquerda.

Cinco anos depois, Comigrar ainda pode contribuir com as migrações no Brasil?

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Evento em São Paulo resgatou o histórico da conferência e como seu legado ainda pode ser utilizado

Por Amanda Louise
Em São Paulo (SP)

Encerrado o último dia de evento da primeira Comigrar (Conferência Nacional de Migrações e Refúgio), em 1º de junho de 2014, havia uma certeza entre os representantes da sociedade civil, autoridades governamentais e demais participantes: o debate e a mobilização sobre as políticas públicas para os imigrantes e refugiados precisavam – e precisam – continuar. Entre expectativas, surpresas e algumas realizações, a conferência reuniu 788 pessoas entre 30 de maio e 1º de junho em São Paulo para discutir sobre um assunto que, mesmo com alterações significativas nos últimos anos, ainda carece de atenção: a legislação migratória e as políticas nas quais ela deve incidir.

O legado dessa conferência foi debatido na última terça-feira (7), em São Paulo, durante a segunda etapa da série de palestras Jornadas Caritas, promovida pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo – referência no atendimento e orientação a refugiados e solicitantes de refúgio, a entidade foi uma das participantes da Comigrar.

“A Caritas entende o momento de resgate [da Comigrar] como algo positivo, para aqueles participaram e para quem não participou, pois foi uma iniciativa política que ainda pode suscitar o resgate nacional dessas propostas”, pontua Maria Cristina Morelli, coordenadora da Caritas, sobre a escolha do tema para a série de debates.

Organizada pelo Ministério da Justiça, a Comigrar gerou grande expectativa em seus participantes quanto aos resultados que poderia apresentar. Ela foi precedida por cerca de 200 conferências prévias no Brasil e no exterior, que reuniram em torno de 5.000 pessoas direta ou indiretamente, de acordo com a própria organização. Todas elas elaboraram centenas de propostas que foram debatidas e sintetizadas durante a conferência – e mais tarde, reunidas em um caderno de propostas direcionado ao governo federal (baixe aqui o documento).

Para recordar os cinco anos da conferência, a Caritas convidou dois participantes: o malinês Adama Konate e e assistente social e mestre em Migração e Relações Interculturais Cyntia Sampaio. Abordando os eixos temáticos que foram discutidos na conferência, ambos trouxeram reflexões sobre o legado da Comigrar, cinco anos depois.

Cyntia Sampaio, Adama Konate e Maria Cristina Morelli (da esq. para a dir.) durante debate das Jornadas Caritas sobre a Comigrar.
Crédito: Divulgação/Caritas SP

Porta de acesso para visibilidade migrante

O malinês Adama Konate contou que, até então, não conhecia os latinos. Para ele, a Comigrar foi a oportunidade para conhecer os líderes das outras comunidades, africanos de outros estados, aproximar as ONGs (Organizações Não Governamentais) e os imigrantes com as autoridades, abrindo espaço para se defenderem.

“O mais importante: a Comigrar conseguiu reunir os estrangeiros, dar a proximidade e integração entre os próprios estrangeiros para se conhecerem.”

Foi a partir da orientação de uma professora que Adama passou a se mobilizar entre os imigrantes, chamando atenção para o que iria acontecer, um momento em que seriam ouvidos, discutir e levantar os problemas vividos. “A gente organizou o primeiro encontro; na pastoral, falávamos com os imigrantes também, mobilizar os imigrantes. Começou a organização, a mobilização foi muito grande”, recorda.

Adama citou ainda que uma das dificuldades enfrentadas veio de dentro da comunidade migrante, por questionarem-no sobre pagamento pela participação na conferência, onde ele retrucava.

“A nossa presença vale mais que dinheiro, isso vai mudar totalmente nossa vivência aqui no Brasil, todos nós precisamos estar presentes e compartilhar, mostrar nosso sofrimento e o que precisamos resolver’”.

Mas Konate lembra que os “bons frutos” também vieram, como a abertura do CRAI (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) em São Paulo – concluída em novembro de 2014; a “facilitação” de abertura de conta em banco; e os encontros com deputados para discutir sobre a temática. “Abriu uma porta para as autoridades ouvirem os imigrantes”, resume.

Adama Konate, o terceiro da esquerda para a direita, durante a Comigrar.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo – 1º.jun.2014

Após a realização da Comigrar, Adama manteve seu engajamento. Entre outras ações, foi membro da primeira formação do CMI (Conselho Municipal de Imigrantes) de São Paulo, entre outubro de 2017 e março de 2018. “A partir de lá me interessou fazer parte da comissão da organização, acompanhar e mostrar o ponto dos imigrantes, principalmente os pontos dos africanos”, enfatiza.

Resgate e reflexões

Já Cyntia Sampaio é crítica ao apontar os problemas enfrentados na realização da Comigrar – de diárias que não foram pagas a alguns delegados migrantes à ausência de representantes do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Trabalho e do Emprego. “São os dois Ministérios que, juntos com o Ministério da Justiça, coordenaram e implementam, de alguma forma, essa Lei da Migração”.

Vale lembrar que o Ministério do Trabalho foi extinto no começo do ano pelo governo federal e incorporado pelo Ministério da Economia.

Para Cyntia, não bastava apenas vontade política, lembrando das disputas e prioridades e temas sensíveis na agenda do governo. “É uma confluência de fatores que levam o tema a entrar na agenda política”.

Contribuindo para a tratativa das questões migratórias, à época, Cyntia lista alguns fatores que fortaleceram a entrada do tema na pauta do governo: a defasagem do estatuto [Estatuto do Estrangeiro], uma das poucas leis que não tinham sido renovadas desde a época da ditadura e estava “levando porrada” de todos os fóruns internacionais; mobilização social, tanto de emigrantes brasileiros quanto de imigrantes, fluxos migratórios relevantes na época; e a composição da SNJ (Secretaria Nacional de Justiça), dentro do Ministério da Justiça, em meados de 2011 e 2012.

“Não tem como desenvolver política pública se não tiver essa demanda, essa provocação”, resume Cyntia.

Entre os temas tratados na conferência, Cyntia rememora em sua apresentação conteúdos que seriam postos à mesa, como a revisão da legislação atual, criar um órgão nacional especializado e a regulamentação do cumprimento das convenções internacionais, além de “ habilitar equipamentos públicos para atendimento a imigrantes e refugiados, sensibilizar e capacitar os gestores e profissionais das instituições públicas e organizações sociais”.

Mesmo com “as sementes plantadas” na Comigrar, Cyntia faz uma provocação aos presentes quanto a assuntos que ainda estão emperrados na pauta migratória: a validação do diploma para migrantes e refugiados, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto do migrante e, agora, o processo de interiorização dos venezuelanos.

Perguntada sobre uma 2ª Comigrar, a mestra diz pleitear por uma tomada de conhecimento sobre o que foi produzido, argumentando que é melhor concluir a regulamentação da Lei de Migração – em vigor desde novembro de 2017 – com o conteúdo conhecido e proposto por aqueles que conhecem a temática, trabalham com isso e que se beneficiam das leis, que são os migrantes.

“A nova Lei já incorporou vários elementos que foram colocados, debatidos e propostos na Comigrar”, complementa. “Se vai ter que fazer, se vai ter mobilização social, pressionando para que seja feita regulamentação do artº 120 da Lei de Migração [que prevê a criação de uma Política Nacional Migratória]. Então é melhor resgatar e ir atrás do que já está sugerido do que começar do zero”.

Em 2015, o MigraMundo publicou uma reportagem que mostrou frustração de participantes da Comigrar com os resultados práticos da conferência.

Sobre as Jornadas Caritas

Em sua 2ª edição, a série de palestras promovida pela Caritas fomenta a discussão acerca das políticas públicas para imigrantes, solicitantes de refúgio e refugiados na cidade de São Paulo.

“Caritas entende que refletir a respeito de políticas públicas com imigrantes, refugiados, sociedade e organizações possibilita espaço de conhecimento sobre o que é feito pelo poder público, bem como o déficit que ainda existe”, explica a coordenadora do Centro de Referência para Refugiados, Maria Cristina Morelli.

Em cada um dos seis encontros, será proporcionado o contato entre formuladores de políticas públicas e imigrantes e refugiados para dialogarem sobre o acesso a direitos, assistência social, integração local e saúde.

A atividade acontece no âmbito da campanha “Compartilhe a Viagem”, lançada em 2017 pela Caritas em âmbito mundial e que tenta estimular as pessoas a olharem e pensarem mais no outro. A 1ª edição das Jornadas Caritas foi realizada em 2018, com o tema Histórias em Refúgio.

Padre Paolo Parise, da Missão Paz, e o padre Marcelo Maróstica, da Cáritas, abriram o início dos eventos desta edição no dia 17 de abril, abordando a visão geral das políticas públicas para imigrantes e refugiados.

Após quase três meses, Venezuela reabre fronteira com o Brasil

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Carros na fronteira entre Brasil e Venezuela
Trânsito de veículos liberado na fronteira entre Brasil e Venezuela, após reabertura da fronteira pelo governo venezuelano. Crédito: Operação Acolhida/Mai.2019

Fechamento da fronteira não reduziu fluxo de venezuelanos em direção a Roraima; entidades que atuam na região monitoram a situação

Por MigraMundo Equipe
Em São Paulo

O governo da Venezuela reabriu nesta sexta-feira (10) a fronteira com o Brasil, fechada desde 21 de fevereiro. O anúncio foi feito pelo vice-presidente econômico, Tareck El Aissami.

Também foi reaberta, segundo o governo venezuelano, a fronteira com as ilha caribenha de Aruba. Os limites com a Colômbia e as ilhas de Curaçao e Bonaire continuam fechados.

O fluxo de veículos na BR 174, que liga os dois países, foi liberado já durante a tarde, de acordo com informações da Operação Acolhida – criada pelo governo brasileiro em março de 2018 para administrar o fluxo migratório em Roraima.

A fronteira havia sido fechada pelo governo de Nicolás Maduro em resposta a ações da oposição venezuelana, que planejava receber ajuda humanitária enviada do exterior – inclusive do Brasil -, em mais uma medida de pressão contra o regime chavista.

Pelo lado brasileiro, há algumas semanas já estavam em curso conversas entre autoridades dos dois países para a reabertura da fronteira. O senador Telmário Motta (Pros-RR) fez duas viagens à Venezuela em menos de um mês para encontros com o governo venezuelano com esse objetivo.

A principal justificativa é que, com o bloqueio na BR-174, Roraima estava deixando de exportar R$ 5 milhões por dia, segundo estimativa de um auditor da Receita Federal ouvido pelo portal G1. Pelo isolamento em relação ao restante do Brasil, Roraima tem relações comerciais bastante próximas com a Venezuela.

Fechamento não freou migração

O fechamento da fronteira não reduziu o fluxo de venezuelanos em direção ao Brasil nesse período.

Em média, cerca de 450 pessoas cruzavam da Venezuela para o território brasileiro diariamente, segundo a Operação Acolhida. O movimento chegou a cair nos primeiros dias após o fechamento da fronteira, em fevereiro, mas pouco a pouco retomou a patamar semelhante ao que era verificado quando a passagem estava aberta.

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados), que tem atuado no esforço humanitário em Roraima para lidar com o fluxo migratório, o fluxo médio diário na fronteira foi de 372 pessoas no período.

Venezuelanos usaram caminhos alternativos para chegar ao Brasil durante o período em que a fronteira esteve fechada. Crédito: Luiz Fernando Godinho/ACNUR

Parte dessa movimentação é de venezuelanos que fazem compras em Pacaraima e retornam pouco depois ao país vizinho, ou mesmo que vivem em um lado da fronteira e trabalham e/ou estudam no outro – uma movimentação chamada de fluxo migratório pendular.

Só uma parte dos venezuelanos opta por permanecer no país de fato e tentar residência provisória ou fazer solicitação de refúgio – partindo em seguida para a capital, Boa Vista – distante cerca de 200 km ao sul.

Com a fronteira fechada, os fluxos migratórios continuaram por rotas clandestinas. E nelas, os migrantes ficam mais sujeitos a explorações e abusos de todo o tipo – de extorsão de agentes a situações de violência. Uma situação que, ao menos potencialmente, deve permanecer nas demais fronteiras ainda bloqueadas.

Por meio de nota, o ACNUR informou que a agência encontra-se no terreno fazendo o monitoramento da situação e apoiando as autoridades brasileiras.

“A equipe do ACNUR está realizando o monitoramento da fronteira, registro das pessoas, apoiando a documentação e identificação de casos mais vulneráveis encaminhamento aos serviços competentes, trabalhando de forma articulada com os governos, forças armadas brasileira, parceiros da sociedade civil organizada e demais agências da ONU.”

O ACNUR diz ainda que “segue preparado para responder a um possível aumento do fluxo de pessoas nos próximos dias, atuando conjuntamente com os demais parceiros que lidam diretamente com o contexto.”

A Operação Acolhida também diz monitorar a movimentação nos próximos dias para avaliar possíveis ações emergenciais.

Desde 2015, cerca de 3,7 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela em direção a outros países, segundo cálculos das Nações Unidas. A projeção é que esse número chegue a 5,3 milhões até o final do ano.

A vizinha Colômbia – cuja fronteira com a Venezuela permanece fechada – é o principal destino, com pouco mais de 1,1 milhão de venezuelanos. Em seguida aparecem Peru, Equador, Chile, Argentina e Brasil.

Organizações internacionais temem que os embates recentes entre oposição e governo na Venezuela elevem esse fluxo.

Estimativa da diáspora venezuelana por outros países.
Crédito: Council of Foreign Relations

24ª Festa do Imigrante convida a “reencontrar suas raízes”; veja programação

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Apresentação cultural durante a 23ª Festa do Imigrante (2018). Crédito: Antonio Siqueira/Museu da Imigração

Representações culturais de 48 nacionalidades marcarão presença no evento, já tradicional no calendário paulista, nos dias 2, 8 e 9 de junho

Por MigraMundo Equipe
Em São Paulo

Fazer viagens entre países e continentes em poucos passos e ter contato com gastronomia, artesanato e outras expressões culturais. Esse conjunto de experiências é uma das atrações da Festa do Imigrante, que chega à sua 24ª edição em São Paulo e vai acontecer nos dias 2, 8 e 9 de junho.

A festa, que terá cobertura do MigraMundo, é organizada pelo Museu da Imigração e acontece no espaço da antiga Hospedaria do Brás, que funcionou entre 1887 e 1978. O Museu e o Arsenal da Esperança são as instituições que utilizam e dão continuidade ao legado da hospedaria.

Clique aqui para acessar a programação (sujeita a alterações)

Com o tema “Reencontre suas Raízes” (relembre alguns dos anteriores abaixo), a 24ª Festa do Imigrante vai abrir espaço para manifestações culturais de 48 nacionalidades – entre comunidades migrantes históricas e contemporâneas.

Barracas de comida durante a Festa do Imigrante 2018.
Crédito: Rodrigo Lopes/Museu da Imigração

Além da gastronomia, artesanato e das apresentações de música e dança, o público que quiser mergulhar um pouco mais em determinada cultura poderá aproveitar os workshops

Novidade da edição de 2018, o espaço denominado Empório será uma das atrações deste ano. Ele foi idealizado para oferecer produtos artesanais como pães, vinhos, queijos, cervejas e sucos preparados por imigrantes e descendentes.

Segundo a organização, cerca de 20 mil pessoas prestigiaram o evento em 2018. A festa é ainda uma oportunidade para visitar as instalações do Museu da Imigração – tanto a exposição permanente como as mostras temporárias – e do Arsenal da Esperança – casa de acolhida que recebe 1.200 homens por noite.

24ª Festa do Imigrante – Reencontre suas Raízes
Data: 2, 8 e 9 de junho de 2019
Hora: 10h às 17h30 (bilheteria)
Entrada: R$10 (Meia entrada: R$5)
Local: Museu da Imigração – Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca, São Paulo (SP)

Relembre temas anteriores da Festa do Imigrante (a partir da 17ª edição)

17ª edição (2012): A diversidade construindo São Paulo
18ª edição (2013): São Paulo é como o mundo todo
19ª edição (2014): Celebrando as culturas de SP
20ª edição (2015): O mundo cabe aqui
21ª edição (2016): Descobrindo tradições em São Paulo
22ª edição (2017): Compartilhando heranças e histórias
23ª edição (2018) : Experimente novas origens

Movimento pró-Europa em país báltico tem brasileiro como coordenador

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O brasileiro Tales Rosa (à esq.) e o leto Edgars Lazdiņš (à dir.) divulgam o Volt no centro de Riga, Letônia. Crédito: arquivo pessoal

Tales Rosa vive na Letônia há seis anos e hoje milita no Volt Letônia, versão local do movimento pró-Europa criado após o Brexit

Por Victória Brotto
De Estrasburgo (França)

Às portas das eleições para o Parlamento europeu, a Europa vê crescer novas forças políticas, como o Volt Europa (ou Volt ), um movimento progressista pró-Europa iniciado em 2017 pela francesa Colombe Cahen-Salvador, pelo italiano Andrea Venzon e pelo alemão Damian Boeselager em resposta ao Brexit.

Com um plano de governo progressista e com um jargão ”It’s your Europe, let’s fix it (É a sua Europa, vamos consertá-la) ”, o movimento quer revitalizar a democracia europeia através da participação coletiva e do engajamento voluntário de quem quiser fazer política ”de outra maneira”.

Valores como igualdade social, crescimento econômico sustentável e solidariedade foram expostos no programa de governo do movimento, em Amsterdã, cidade que batizou o documento de quase 300 páginas; acesse aqui a Declaração de Amsterdã.

A revista The Economist chamou atenção para o Volt. A conhecida publicação britânica estampou uma mulher por volta dos seus cinquenta anos, sentada sobre uma pilastra com olheiras enormes e cansada. O seu nome: democracia europeia. Ao lado, um alguém jovem, com alguns fios elétricos na mão, pronto para energizá-la. Esse alguém, de acordo com a revista, era o Volt.

”Uma start-up criada por jovens de 20 e poucos anos já possuí dezenas de milhares de membros, mas vai precisar de muito mais”, afirma a revista, focando nos enormes desafios a nível de Europa ao movimento.

Hoje, o movimento tem 15 mil adesões nos 28 Estados-membros da União Europeia (UE), além de Suíça e Albânia. E na gélida Letônia, país báltico que foi república soviética e integra a UE desde 2004, o Volt encontrou o apoio de dois letos e um brasileiro.

O paulista Tales Rosa, 33, divide com os fundadores locais do movimento, Edgars Lazdiņš e Rūdolfs Albertiņš, o trabalho de arrecadação de fundos, divulgação, contato com a imprensa e outras ações para erguer o movimento num país marcado por profundas questões étnicas, partidos pró-Kremlin, corrupção e falta de governabilidade.

Engajamento

”Eu soube do Volt pela primeira vez lendo um artigo da Politico.eu – revista sobre política europeia falando das cinco principais forças que estavam se erguendo na Europa hoje, e uma delas era o Volt”, contou Tales ao MigraMundo.

”Nesse artigo uma frase me deu um clique: ”Volt quer fazer uma política além da tradicional esquerda e direita. Eu vinha com isso na cabeça, que esse conceito de direita e esquerda não se aplica mais no fazer política”, acrescenta Tales.

Formado em Relações Internacionais, o paulista saiu há seis anos do Brasil rumo ao país báltico para viver com a esposa, que é letã. Hoje ele trabalha como consultor na capital, Riga.

A decisão de fazer parte do Volt veio quando ele começou a sentir falta de algo ”mais solidário e engajado” em seu cotidiano. ”Eu sempre me interessei muito por política (…) E nos últimos tempos eu sentia estar trabalhando só para mim, sentia falta de algo mais solidário, mais engajado.”

Sobre a reação da esposa ao seu engajamento no país dela, o brasileiro fala: ”Ela sabe que eu tenho uma lealdade à Letônia, sabe que sou engajado politicamente na minha vida particular. Eu sei os nomes dos políticos, dos ministros. Mesmo sendo estrangeiro, eu não estou desconectado do país, muito pelo contrário. É uma coisa natural para mim e eu acho que ela vê como sendo também uma coisa natural”, afirmou ele, dizendo ainda que no Brasil tal engajamento não seria possível por causa de suas visões políticas”.

”Eu adoria lutar por essas forças progressistas no meu país, mas eu não gostaria de morrer. Eu não conseguiria me engajar politicamente enquanto a questão da violência não melhorasse, eu teria medo de fazer politica com a visão politica que eu tenho.”

Desafios do movimento

Hoje, com pouco mais de um ano de existência, o Volt Letônia tem pouca adesão e uma voz política bem rouca. Para o brasileiro, isso decorre por conta da baixa presença nas redes. ”Não estamos com uma presença muito forte nas redes. Vamos nos reunir e traçar as próximas estratégias.”

Uma das forças do Volt em países como a Inglaterra, Alemanha e Bélgica é justamente a massiva presença nas redes sociais. Diferente de um partido tradicional (os próprios fundadores afirmam que Volt não é é um partido, mas um movimento), ele centraliza suas atividades online, marcando encontros, postando videos e entrando ao vivo em diferentes redes sociais, como o Facebook.

O anúncio, por exemplo, da candidatura do presidente e um dos fundadores, Andrea Venzon, italiano de 26 anos, para deputado europeu foi anunciada no Facebook, através de um vídeo divulgado por ele, andando na beira do rio Tâmisa, com a catedral St. Paul ao fundo. ”Se o Volt der certo, a Europa vai mudar”, anunciou Andrea, em entrevista à revista Euvision no final do ano passado.

De acordo com o brasileiro, o Volt Letônia tem apoio pontual do Volt central inglês. Aulas sobre política, cursos onlines sobre economia e doações estão entre o que é oferecido. ”Inclusive tivemos aulas da Kennedy Business School da Universidade de Harvard sobre fundraising”, conta. ”O próximo passo é nos tornarmos uma ONG para aceitar doações”.

Valéria Sternberg, presidente do Volt na Alemanha, afirmou à imprensa alemã que a expansão do Volt fora do eixo Inglaterra-Alemanha-França é importante pois ”é preciso alcançar todas as camadas da Europa, sem se afiliar a nenhum tipo de corrupção e colaborando com os afiliados locais com os desafios nacionais de cada um”.

Letônia: positivamente europeia, historicamente russa

Entre uma das suas maiores questões sociais e políticas está a étnica entre letões e a minoria russa. Embora nascidos no país, os russos não falam a língua local nem possuem o direito de naturalização.

Mapa da Letônia, país que pertenceu à União Soviética e desde 2004 integra a União Europeia. Crédito: Reprodução/Google

A chegada dos imigrantes russos no país data do fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Letônia perdeu quase 10% da sua população, vendo-a ganhando mais pessoas com a intervenção da Rússia – na época, ambas pertenciam à URSS, a famosa União Soviética.

Um dos principais partidos no país, o Harmony Party, é pró-Rússia e ganhou 33 cadeiras (o maior número) nas últimas eleições parlamentares de outubro de 2018. Mesmo em uma época em que a política tradicional perde fôlego também entre a juventude letã e russa, a questão étnica continua forte dentro da política. E ela é usada como arma por políticos profissionais para ganharem votos.

De acordo com Una Bergmane, professora da London School of Economics e pesquisadora do Foreign Policy Research Institute para a região báltica, ”ao contrário dos outros países europeus, a Letônia não vê crescer a sua extrema-direita, porém, o que desestabilizará o país a longo prazo é o uso político da questão étnica, provocando uma grave situação de não-governabilidade.”

Para o deputado europeu leto Krišjānis Kariņš ainda há um tremendo fosso a ser reparado na política letã para alinhá-la às dimensões da sócio-democracia europeia.

”Infelizmente para o país, os partidos políticos ainda estão separados em etnias e em grupos que controlam os negócios, o que significa que ainda há um tremendo fosso na questão do desenvolvimento de políticas alinhadas à tradicional dimensão sócio-econômica da União Europeia”, afirmou Karins em artigo divulgado em sua página na internet. ”É o alto preço que a história do país nos faz pagar”.

Para Tales Rosa, o Volt traria a resposta para tal embate étnico e para o avanço político da Letônia, fora do eixo ”insuficiente e arcaico” do esquerda-direita, ”pró e contra Rússia”.

”As novas gerações crescem agora falando letão, russo e inglês, especialmente a minoria russa. Culturalmente eles estão conectados tanto com o Oeste quanto com o Leste e quando se tornarem adultos e passarem a votar eles vão exigir uma política mais sofisticada. Essa questão pró-Rússia, anti-Rússia está ficando velha”, afirmou.

”O Volt se encaixa muito bem nesse contexto. Ao mesmo tempo que a gente afirma a soberania e a segurança da Letônia a gente não excluí minorias por questões políticas ou para fazer jogo politico”, acrescentou o brasileiro,

Questionado pelo MigraMundo se ele cogitaria se candidatar pelo Volt na Letônia, o brasileiro afirmou que sim – mas só daqui a cinco anos, quando tiver direito à cidadania letã.