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quinta-feira, julho 2, 2026
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Empresa alemã pioneira na vacina contra Covid-19 foi fundada por cientistas de origem turca

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Primeira vacina a ser anunciada no mundo como combativa ao coronavírus foi lançada pela Pfizer e pela empresa Biontech, fundada por dois cientistas filhos de imigrantes turcos. (Crédito: Pixabay)

A primeira vacina a ser anunciada contra o novo coronavírus (Covid-19) foi elaborada pelo laboratório americano Pfizer, em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech. E esta, por sua vez, tem como fundadores Ugur Sahin e Özlem Türeci , um casal de cientistas, ambos de ascendência turca.

No dia 9 de novembro, os cientistas anunciavam a eficácia da vacina pioneira contra o vírus Sars-Cov-2. Assim, a empresa com mais 1.300 funcionários de 60 países, sendo mais da metade mulheres e com alto nível de escolaridade – segundo informa a empresa em seu site – saltou aos olhos da comunidade internacional quando, após o anúncio da vacina, a empresa se viu listada na bolsa de tecnologia americana Nasdaq, chegando a um valor na casa dos milhões de euros.

Canal alemão destaca origens de casal fundador de empresa por trás da 1a vacina contra o coronavírus (Crédito: Captura de tela/V. Brotto)

Em uma aba dedicada à Covid-19, Ugur Sahin, presidente da BioNTech, afirma que a empresa tem “como dever usar toda a sua expertise em imunoterapia e a sua tecnologia para ajudar a solucionar a pandemia de Covid-19.”

“O nosso objetivo é claro: fabricar uma potencial vacina disponível para o público o mais rápido possível e à nível mundial”, prossegue Sahin.

A renomada revista francesa “Courrier International”, destacava a origem dos cientistas em sua matéria sobre o lançamento da nova vacina.

“Como a história é deliciosamente irônica: a vacina aprovada no Ocidente vem de uma pequena empresa de filhos de imigrantes turcos na Alemanha”, destacou o jornalista brasileiro Jamil Chade, via Twitter, baseado em Genebra (Suíça).

Imigração turca na Alemanha

A imigração turca na alemã é datada do período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha, assim como todos os outros países europeus, incentivaram a vinda de trabalhadores imigrantes para reconstruir o país. Foi a época dos “Trinta anos gloriosos”.

Porém, com a precarização das condições de vida em trabalhos básicos e fisicamente extenuantes, os turcos viraram alvo de discriminações quotidianas na sociedade alemã.

Essa situação foi sentida na pele, literalmente, pelo jornalista alemão Günter Wallraff. Em seu livro-reportagem “Cabeça de turco”, Wallraff conta como viveu nove meses ano disfarçado de turco, aceitando trabalhos “sujos e mal pagos reservados” a imigrantes vistos como sendo de “segunda categoria”, entre eles os turcos.  

De acordo com a base de dados internacional sobre migrações Migration Policy.org, existem mais de 3 milhões de imigrantes ou filhos de imigrantes turcos vivendo na Alemanha hoje, sendo que 1 milhão chegaram durante os “Trinta Anos Gloriosos”.

Filha de médico e filho de operário turco

Médica pioneira em imunoterapia contra o câncer, Özlem Türeci é filha de um médico turco chegado à Alemanha de Istambul. Além de fundadora da BioNTech, Türeci também é professora da Universidade de Mainz.

Ao portal do Ministério para a Educação e Pesquisa da Alemanha, a cientista contou que ela foi influenciada principalmente por sua família na escolha pela profissão. “Meu pai era um médico muito dedicado aos pacientes, e desde criança já era impressionada por suas atitudes, em que o cuidado do paciente era o foco principal.”

“O consultório do meu pai ficava na casa da família, quando crianças nós brincávamos entre os pacientes. Já naquela época, na casa dos meus pais não havia uma separação rígida entre trabalho e vida privada”, lembrou Türeci, que afirmou à revista alemã Impulse que o seu intuito desde pequena era ajudar os outros. A primeira ideia foi de fazê-lo de batina, como freira, depois é que veio a ideia de virar médica.

Já o marido, Sahin, nasceu na Turquia e, aos quatros anos, chegou na cidade de Colônia, na Alemanha, com a mãe para morar com o pai que trabalhava em uma fábrica da montadora Ford. Nessa mesma cidade estudou medicina e se especializou em imunologia, em um doutorado concluído com a nota máxima na Universidade de Colônia.

Presidente afirma que é “dever da empresa ajudar a lutar contra a pendemia”; ele e esposa, ambos filhos de imigrantes turcos, são pioneiros em imunologia ( Crédito: Captura de tela/VB)

Aos 20 anos, o filho de imigrantes turcos começou a trabalhar em laboratórios, como contou ao canal DW:  “Tínhamos aulas até as 16h e, enquanto meus colegas iam para casa, eu subia para o laboratório e trabalhava lá. Geralmente até 21h, 22h, às vezes até as 4h”, lembra Sahin.

Os dois cientistas se conheceram no trabalho, na clínica da Universidade de Mainz. O casamento veio logo depois, em 1992.  Ao canal DW, Sahin afirmou que mesmo no dia do casamento, eles chegaram a trabalhar no laboratório : “antes da cerimônia no cartório e novamente depois.”

Criação da BioNTech

Nove anos depois do casamento, uma nova união surge na vida do casal. Desta vez por meio da empresa biofarmacêutica Ganymed Pharmaceuticals, que desenvolve drogas imunoterápicas contra o câncer. Ela foi vendida em 2016 por uma quantia de 422 milhões de euros, informa o canal DW.

Sete anos depois, o casal funda a BioNTech, a fim de desenvolver remédios e tecnologia para o tratamento individualizado do câncer. Türeci é a responsável pelo trabalho de pesquisa e pelo desenvolvimento da empresa, e seu marido, Sahin, é o presidente.


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Cantora venezuelana passou a pé por três países antes de chegar ao Brasil

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A venezuelana Abril, que sonha em voltar a ser cantora no Brasil
A venezuelana Abril, que sonha em voltar a ser cantora no Brasil. (Foto: Alethea Rodrigues)

Parte dos cerca de 5 milhões de venezuelanos que já deixaram o país fugindo da crise generalizada recorre às próprias pernas —literalmente— para chegar a um novo destino. Uma jornada que compreende distâncias contabilizadas na casa dos milhares de quilômetros, muitas vezes sob condições climáticas desfavoráveis.

Uma das pessoas a empreender esse tipo de jornada foi a venezuelana Abril Curvelo, 29, que caminhou sozinha até o Brasil em busca de oportunidades. Todo o trajeto desde Caracas, capital da Venezuela, até São Paulo durou nada menos que um ano e meio.

Para uma mulher que cresceu na Venezuela com seus pais e irmãos e desfrutava de uma vida tranquila e confortável antes da crise, sair de casa com uma mochila e a roupa do corpo à procura de novas oportunidades foi o primeiro grande desafio da sua vida.

“Eu era cantora, meus pais me davam tudo, mas não tinha mais expectativas de ser feliz. A crise econômica no meu país está cada dia mais grave e minha orientação sexual nunca foi aceita pela minha família. Por isso, parti em busca de dias melhores”, contou Abril, que é lésbica.

Abril Curvelo com amigos na Venezuela, antes de sua longa caminhada
Abril Curvelo com amigos na Venezuela, antes de sua longa caminhada. (Foto: arquivo pessoal)

Colômbia, Equador e Peru

Mesmo sem lembrar ao certo a data de saída da Venezuela, Abril lembra que partiu ainda sem ter em mente qual seria o seu destino final. Caminhou de Caracas até Bogotá (capital colombiana), onde permaneceu por algumas semanas.

No caminho, encontrou milhares de venezuelanos na mesmas situação, todos em busca de refúgio.

“Pela primeira vez na minha vida senti o que é passar fome. Dormi muitos dias na rua e presenciei uma cena que nunca esquecerei: dezenas de venezuelanos mortos por conta do frio entre a cidade de Cúcuta e Bucaramanga. Nunca vou esquecer disso”, ressaltou a venezuelana, bastante emocionada ao recordar a passagem.

Apesar das dificuldades, ela encontrou forças no apoio de colegas que encontrava pelo caminho, seguindo assim a pé até o Equador, onde viveu por seis meses trabalhando como cantora.

“O pouco que ganhava consegui alugar um quarto e comprava comida. Mas, não me sentia parte desse lugar, não estava feliz e não conseguia oportunidades melhores. Resolvi deixar o Equador e continuar a minha caminhada”, concluiu Abril.

Da cidade equatoriana Huaquillas (onde viveu) até Lima, capital peruana, foram mais de mil quilômetros e três meses de caminhada. Já cansada e cada dia um pouco mais debilitada, Abril enfrentou dias de dúvidas sobre seu futuro e solidão, mas nunca desistiu do sonho de encontrar um local para viver onde se sentisse acolhida e pudesse recomeçar a vida.

Poucos dias após ser assaltada três vezes, conheceu um senhor brasileiro que vivia em Lima e a ajudou financeiramente. Durante longas conversas, esse homem a aconselhou a seguir rumo ao Brasil.

“Eu o chamo de anjo. Encontrei esse senhor por acaso e foi ele que me convenceu de que o Brasil era o meu lugar, que deveria vir porque brasileiros eram acolhedores e seria o país ideal construir minha vida e ser feliz. Foi nesse dia que decidi seguir rumo ao Brasil. E ele estava totalmente certo”, lembrou a venezuelana.

A chegada ao Brasil

Abril chegou na cidade de Assis (localizada no estado do Acre), na fronteira do Brasil com o Peru, mas devido a Pandemia causada pelo Novo Coronavírus as fronteiras já estavam fechadas. Para conseguir autorização para entrar no Brasil foram três meses dormindo em abrigos e enfrentando longos dias de espera sem saber se conseguiria atingir seu destino final.

Antes de chegar ao Brasil, Abril chegou a ficar acampada em barracas sobre a ponte que liga o Peru ao estado do Acre
Antes de chegar ao Brasil, Abril chegou a ficar acampada em barracas sobre a ponte que liga o Peru ao estado do Acre. (Foto: arquivo pessoal)

Foi em junho deste ano, que finalmente a venezuelana conseguiu entrar no país. Partiu para São Paulo e foi acolhida pela Casa do Migrante, abrigo temporário da Missão Paz (instituição filantrópica que acolhe migrantes e refugiados), onde vive desde agosto. No local, Abril está estudando português, tem acompanhamento médico e psicológico regularmente e está a procura de trabalho.

“Desde o primeiro dia tive uma experiência linda aqui no Brasil. As pessoas são acolhedoras, legais e foi o único país que me senti totalmente acolhida. Quero ficar, arrumar um bom trabalho, alugar uma casa e poder continuar cantando. Não me arrependo de nada. Não sabia que era tão forte assim. Amadureci, passei a valorizar o simples e vou seguir lutando para concretizar todos os meus sonhos”, concluiu a venezuelana.

Na última semana, Abril teve a oportunidade de mostrar um pouco da própria voz em uma participação na Web Rádio Migrantes, cujo estúdio fica na Missão Paz.

Segundo dados do governo federal, o Brasil abriga atualmente 260 mil nacionais do país vizinho, sendo 46 mil deles reconhecidos como refugiados.


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Sejamos parte, não fiquemos à parte: obrigado, Oriana Jara

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Oriana Jara durante a edição 2015 da Marcha dos Imigrantes
Oriana Jara durante a edição 2015 da Marcha dos Imigrantes, em São Paulo. (Foto: Arquivo pessoal)

Era 9 de março de 2012. Estava em um evento no Instituto Cervantes, em São Paulo, que marcava o lançamento de um informe sobre as políticas migratórias na América do Sul, elaborado pelo CDHIC (Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante). Mal sabia eu do que aconteceria dali em diante.

Interessado em saber mais sobre a temática das migrações contemporâneas, levantei a mão e perguntei onde eu poderia buscar mais informações. Três pessoas me atenderam prontamente: uma delas foi a professora Deisy Ventura, da USP, que estava na mesa como debatedora; a outra foi Natália Lima Araújo, representando o coletivo Educar para o Mundo; e a terceira foi uma senhora chilena, que me entregou seu cartão de visitas e fez questão de se colocar à disposição para ajudar.

Foi assim que conheci Oriana Jara. Mal podia imaginar que aquela pessoa que se apresentava com tanto empenho em ajudar um jornalista novato era simplesmente uma das grandes lideranças e referências na luta pelos direitos dos migrantes no Brasil.

Uma atuação, inclusive, que começou ainda no Chile, nas mobilizações contra a ditadura militar na terra natal. E que deixou também suas marcas no Brasil. Fundadora da ONG Presença da América Latina e liderança da Rede Sem Fronteiras, atuou em diversos espaços de participação social — como no Conselho da Cidade de São Paulo, no Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População Imigrante, no Conselho Municipal de Imigrantes, entre outros.

Entre outras realizações, Oriana Jara foi fundadora da ONG Presença de América Latina
Entre outras realizações, Oriana Jara foi fundadora da ONG Presença de América Latina. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mal sabia eu também que aquela atividade de março de 2012 seria a primeira da qual participaria em relação às migrações (e que ela lançou as sementes que germinariam mais tarde, com a criação do MigraMundo em outubro daquele mesmo ano).

Também mal poderia imaginar naquele março de 2012 que encontraria Oriana tantas outras vezes — seja nas edições da Festa do Imigrante, na Comigrar, nas Conferências Municipais de Políticas para Imigrantes, na instalação do Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo, na Marcha dos Imigrantes… Isso só para citar alguns! E mal sabia eu que teria naquela mulher cheia de garra uma apoiadora e conselheira de primeira hora.

Em março de 2014, atendendo a um convite feito por mim, Oriana escreveu um texto dizendo o que, para ela, significava ser mulher e imigrante. “Ser mujer siempre fue una tarea heroica,  ser mujer e inmigrante más aún”.

Oriana também lançou uma série de livros com narrativas migratórias de mulheres de diferentes países da América do Sul. Também reuniu mulheres migrantes em um projeto de arpilleras, técnica de bordado que se tornou um ícone da resistência à ditadura chilena.

A chilena Oriana Jara, militantes histórica dos direitos dos imigrantes no Brasil
A chilena Oriana Jara, militantes histórica dos direitos dos imigrantes no Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

Essa longa e frutífera jornada de Oriana Jara chegou ao fim nesta última quarta-feira, 2 de dezembro. No último dia 20 de novembro ela havia completado 75 anos.

Meu último contato com Oriana foi online, como tem sido a maior parte das interações em tempos de pandemia. Ela acompanhou e interagiu em uma das lives do MigraMundo, com o Roque Patussi, do CAMI, em setembro passado. Passou por lá para deixar seu recado e apoio, como de praxe.

Oriana não estará mais fisicamente nos eventos, nem dará mais seus pitacos nas reportagens do MigraMundo. Seu legado, no entanto, permanece vivo e como fonte de inspiração. E não há melhor forma de honrar sua memória do que preservar e expandir esse legado.

Como ela própria não cansou de dizer, “Sejamos parte, não fiquemos à parte”.

Oriana, presente!


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Boneca gigante percorrerá 8 mil km entre Síria e Europa em prol de crianças refugiadas

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A pequena-gigante Amal, boneca representando uma refugiada de 9 anos, foi criada para conscientizar as pessoas sobre a situacao de crianças refugiadas no mundo. (Foto: Bevan Roos/PA)

Uma boneca gigante de cerca de três metros de altura, representando uma menina refugiada de nove anos, vai percorrer cerca de 8 mil quilômetros da Síria, passando por alguns países europeus até seu destino final, o Reino Unido.

“Não nos esqueçam”, é a mensagem central transmitida pela “Litte Amal” (Pequena Amal, em tradução livre). O projeto também tem por objetivo ajuda a reescrever as narrativas sobre os refugiados.

A escolha pelo perfil de Amal não é ao acaso. De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), metade dos refugiados no mundo são crianças. Muitas delas vão passar a infância longe de casa – e algumas vezes longe de seus pais – além de terem testemunhado violência, exploração, tráfico e recrutamento militar.

TV Al Jazeera mostra em imagens como será a viagem da pequena-grande Amal.

“A pequena Amal, jovem refugiada, se lança em uma grande viagem, uma expressão artística que atravessa a Turquia e a Europa para reencontrar a sua mãe e para também recomeçar a escola. Para, enfim, poder começar uma nova vida. Para provar que a solidariedade pode conquistar grandes coisas”, afirma a nota publicada no site do projeto intitulado “Walk with Amal”, criado por Amir Nizar Zuabi.

MigraMundo acessou mapa indicando a rota da boneca da África até o Europa (Print Screen/VB)

Mensagem de esperança

Amal partirá da fronteira entre Síria e Turquia no dia 30 de março de 2021. De lá, passará por Grécia, Itália, Suíça, Alemanha, França e Bélgica, antes de chegar ao Reino Unido. Seu destino final é o Festival Internacional de Manchester, previsto para o dia 4 de julho. Ao todo, serão mais de 70 cidades pelas quais Amal vai passar.

A jornada da pequena Amal faz parte do projeto artístico intitulado The Walk, que tem por objetivo “trazer esperança focalizando nas histórias de crianças refugiadas ao redor do mundo”.

Site montado pelo projeto The Walk, idealizador da boneca, atualiza leitores sobre a rota e os eventos para recepcionar Amal (Print Screen/ VB )

Para quem quiser acompanhar a rota de Amal, uma atualização da viagem da boneca refugiada será feita no site do projeto. Clique aqui para acessá-la. Se você quiser saber em qual cidade Amal vai parar, você pode acessar aqui – em cada local de parada terá um evento especial para recebê-la!


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Sem trabalho na pandemia, venezuelana viveu ‘pesadelo’ em oficina de costura e celebra recomeço em SP

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Yhonaiglis em um shopping em São Paulo. Jovem venezuelana busca recomeço no Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

Quem conhece a Yhonaiglis, imagina que a carinha meiga e o sorriso no rosto que está sempre presente, são fruto de uma vida tranquila. Os apenas dezenove anos de idade, no entanto, escondem uma vida intensa, de muita batalha que começou em Bolívar, na Venezuela, onde nasceu e cresceu.

Para Yhonaiglis a vida nunca foi fácil. Abandonada pelo pai, começou a trabalhar aos onze anos para ajudar no sustento da família, Foi mãe ainda adolescente, aos quinze anos. Seu sonho era poder entrar em uma boa universidade, mas as condições financeiras nunca permitiram.

Desde meados de 2013, a Venezuela arrasta-se em uma crise que piora a cada dia – o que contribuiu para que os sonhos de Yhonaiglis se tornassem ainda mais distantes. Atualmente, o país encontra-se em uma encruzilhada, enfrentando uma crise generalizada (de caráter político, social e econômica).

Foi em junho de 2019 que a venezuelana tomou a decisão de ir embora de casa e saiu, sozinha, em direção ao Brasil. Com apenas uma mala e o pouco dinheiro que conseguiu guardar, partiu para a rodoviária em busca de uma vida melhor para a família e seu filho – que na época tinha apenas dois anos.

Viagem até o Brasil

Para chegar na fronteira do Brasil, Yhonaiglis se arriscou e pediu carona para motoristas de ônibus, que se sensibilizaram e permitiram que ela viajasse sem comprar as passagens. Foram dois dias de longas viagens.

“Foram dois dias para chegar na fronteira e mais quatro para conseguir entrar no Brasil. Seis dias passando frio, fome, tomando chuva, enfrentando o medo de ser assaltada, presenciando mães desesperadas com crianças pequenas na mesma situação. Foi horrível”, contou a venezuelana.

Depois de enfrentar uma grande burocracia, Yhonaiglis conseguiu entrar em Pacaraima, cidade brasileira que pertence ao Estado de Roraima e, com a ajuda de um primo, que vivia em São Paulo, conseguiu uma passagem que a levou ao seu destino final, a capital paulista. Mas, a batalha estava só começando.

Yhonaiglis nasceu no Estado de Bolívar, na Venezuela, que vive grave crise generalizada. É desse contexto que ela foge, em busca de melhores condições de vida. (Foto: Arquivo pessoal)

“Achei que em São Paulo estaria mais segura e protegida ao lado de um membro da minha família, mas essa pessoa acabou me dando as costas porque a esposa dele não aceitava que ele me ajudasse. Fiquei sozinha mais uma vez em um lugar que não conhecia, sem emprego e sem ter onde morar. Durante muito tempo pedi comida na rua, dinheiro, sofri preconceito e senti muito medo”, concluiu.

Pandemia

O destino fez com que a venezuelana encontrasse em São Paulo um amigo que conheceu na Venezuela, o Marco, que se tornou seu melhor amigo e namorado. Passaram a apoiar um ao outro, encontraram trabalho, foram morar juntos e tudo parecia finalmente dar certo. Até que a pandemia causada pelo novo coronavírus apareceu no Brasil.

Os dois perderam o emprego ao mesmo tempo, não conseguiram mais arcar com as despesas do aluguel e tiveram que deixar a casa onde viviam. A única saída foi aceitar o trabalho oferecido por um colega boliviano. Yhonaiglis e Marco foram viver e trabalhar em uma oficina de costura.

Foram dois meses que podem ser comparados a um grande pesadelo. Dois meses trabalhando mais de quatorze horas por dia, sem folga e sem receber salário. “Cumpríamos o horário certinho, trabalhávamos como loucos e o pagamento nunca chegava. Era como um trabalho escravo”, lembrou a venezuelana.

O casal reuniu forças e saiu do local sem qualquer pagamento e, com ajuda de uma organização que atende refugiados em São Paulo, foram encaminhados para a Missão Paz e acolhidos pela Casa do Migrante, abrigo da instituição, que acolhe temporariamente migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio.

Yhonaiglis ao lado do namorado, Marco, já no Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

Recomeço

Por quase três meses Yhonaiglis e Marco viveram na Casa do Migrante. No local são oferecidos serviços como refeições diárias, apoio médico e psicológico e aulas de português. “A Missão Paz foi uma bênção em nossas vidas porque aqui conseguimos tudo que estava faltando, inclusive recarregamos as energias para continuar lutando”.

Nesta terça-feira (01/12), o casal deixa a Missão Paz, ambos já empregados. O destino é Cabreúva, interior de São Paulo. Com o apoio da equipe do projeto de inserção laboral da instituição, foram contratados por uma das empresas parceiras.

“Finalmente conseguimos um bom trabalho e estamos muito felizes. Daqui pra frente queremos trabalhar muito para ajudar nossas famílias, trazer meu filho e minha mãe para o Brasil e construir nosso futuro juntos.”

O casal é um exemplo das mais de 50 mil pessoas de 55 países diferentes que vivem atualmente como refugiados no Brasil.  Segundo o Conare (Comitê Nacional do Refugiado), os venezuelanos representam 90% desse total. As autoridades brasileiras estimam aproximadamente um total de 260 mil venezuelanos vivendo atualmente no país.


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O que imigrantes e associações esperam de Bruno Covas após reeleição para prefeito em São Paulo

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Vista da Praça da Bandeira e da Prefeitura de São Paulo a partir do vão da Câmara Municipal. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Atualizado às 13h07 de 30.nov.2020

O segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, no último domingo (29), deu a Bruno Covas (PSDB) mais quatro anos à frente do município. E com a reeleição confirmada já começam as expectativas sobre como a gestão atual vai se portar até o fim do novo mandato (que termina em 31 de dezembro de 2023), incluindo a temática dos imigrantes.

Durante a gestão tucana, foi mantida a Política Municipal para a População Imigrante, criada no governo de Fernando Haddad (2013-2016). O então candidato à reeleição também foi um dos seis postulantes à Prefeitura que assinou compromisso, elaborado pela sociedade civil, de continuidade dessa política e de seu aprofundamento.

O projeto de governo de Bruno Covas cita os imigrantes no eixo SP Para Todos. Ele prevê, entre outras metas, ações de acolhida a essa população. Os imigrantes também são citados para exaltar o caráter global da cidade.

Dados da própria Prefeitura de São Paulo indicam que ao menos 360 mil imigrantes residam no município, contemplando um total de 197 nacionalidades. A maior comunidade é a boliviana (estimada em pelo menos 70 mil pessoas), seguida por portugueses, chineses, japoneses, italianos, haitianos, espanhóis, sul-coreanos, argentinos e peruanos.

Expectativas

O coordenador do CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante e Refugiado), Roque Patussi, deixa como sugestão que o prefeito reeleito aproveite as melhores propostas feitas para a temática por outros postulantes e analise sua aplicação, em conjunto com as instituições e coletivos que atuam no setor. E também que o município destine mais recursos para o combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas, inclusive por meio de uma campanha de conscientização junto à sociedade paulistana.

“Que São Paulo seja não somente uma cidade acolhedora, mas que também valorize cultural e socialmente aqueles que aqui estão. Estamos aqui também para apoiar esse trabalho”.

Já Thais La Rosa, coordenadora do CDHIC (Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante), ressaltou que a comunidade imigrante vive uma situação difícil, que foi amplificada pela pandemia de Covid-19. E que a gestão municipal, tanto o Executivo quanto o Legislativo, precisa dar respostas.

“Estamos em um momento desolador para a comunidade migrante, que já tinham dificuldades diversas e que se exacerbaram com achegada da pandemia. E as instituições da sociedade civil estão respondendo a demandas que seriam do setor público. Vamos continuar dialogando, assim como fizemos com os candidatos, atuando pela instalação da subcomissão no Legislativo, e o trabalho de advocacy ganha ainda mais importância nesse momento”, ressalta.

Para o congolês Jean Katumba, presidente da ONG Pelo Direito de Migrar (nome atual da antiga ONG África do Coração), o prefeito reeleito esteve próximo da questão migratória e vê com bons olhos a condução para um novo mandato. Ele espera ainda que a nova gestão aprofunde processos como o Plano Municipal e o Conselho Municipal de Imigrantes.

“Pedimos que esse novo mandato seja um pouco mais do que ele já mostrou. Queremos que esse plano municipal promova o protagonismo real dos imigrantes e levante os desafios que a cidade tem, tanto para imigrantes quanto para os brasileiros”.

“Espero que ele [Bruno Covas] continue dando atenção à causa migratória e faça diferença em relação a outras causas humanitárias, como a dos refugiados. Acredito na diversidade e nas mudanças que podem vir pela política”, reforça o sírio Abdulbaset Jarour, ativista pela temática migratória e que recentemente obteve a cidadania brasileira, o que deu a ele o direito de pela primeira vez votar em uma eleição brasileira.

Já o advogado peruano Victor Bautista Rubio, presidente do Patronato da Comunidade Peruana en São Paulo e Assessor Principal da Asociación da Comunidade Peruana en São Paulo, já torcia anteriormente por uma vitória de Covas no pleito municipal. A própria associação já havia expressado anteriormente apoio ao prefeito eleito, assim como ao também reeleito vereador Eduardo Tuma (PSDB) e vê a renovação desses mandatos como a possibilidade de manutenção de um diálogo com o Executivo e o Legislativo do município.

“Neste momento não podemos ter algo oportunista, já que situações como essa prejudicam a todos. Nesta nova gestão estamos tendo a possibilidade de ver os problemas dos imigrantes cheguem a um bom entendimento. São Paulo é nossa segunda casa”, afirmou.

Avanços e desafios em políticas públicas

Os 360 mil imigrantes estimados pelo poder público municipal podem parecer pouco diante dos cerca de 12 milhões de pessoas que habitam a capital paulista, mas é um número equivalente ao de uma cidade de médio porte no Brasil.

Embora os imigrantes ainda não tenham direito a voto (salvo aqueles que já possuem a cidadania brasileira), sua presença na capital paulista é suficiente para provocar os agentes públicos a atuar em relação à essa parcela da população.

Nos últimos anos, essa comunidade obteve conquistas como a Política Municipal para a População Imigrante, em vigor desde 2016. E a chegada de uma nova eleição motiva mobilizações diversas em favor desses avanços recentes.

Desde o final de 2016 a cidade de São Paulo conta com uma Política Municipal voltada à população imigrante. Ela consolidou uma série medidas implementadas no município desde 2013 em relação a imigrantes, como o CRAI (Centro de Referência e Atendimento a Imigrantes) e a criação do CMI (Conselho Municipal de Imigrantes).

Em agosto passado foi anunciado ainda o 1º Plano Municipal de Políticas para Imigrantes, que contempla um total de 80 metas a serem cumpridas até 2024 — ou seja, justamente pela gestão reeleita de Covas. Tais metas partiram das demandas apresentadas na 2ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, ocorrida em novembro de 2019.

A manutenção desses elementos obtidos ao longo dos últimos anos é uma das principais preocupações das instituições e coletivos ligados à temática migratória.


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Boulos e Covas se comprometem com subcomissão na Câmara Municipal em São Paulo sobre imigrantes

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Guilherme Boulos (PSOL) e Bruno Covas (PSDB), candidatos à Prefeitura de São Paulo. (Foto: Nadja Kouchi/Fotos Públicas)

Os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), firmaram o compromisso com a instalação de uma subcomissão na Câmara Municipal dedicada a debater questões relacionadas a imigrantes no município.

A existência desse colegiado é uma demanda de instituições da sociedade civil ligadas à temática migratória e de coletivos de imigrantes que residem no município. A reivindicação rendeu uma carta-compromisso, firmada pelos dois candidatos ao longo da semana, subscrita por 13 entidades.

Dados da própria Prefeitura de São Paulo indicam que ao menos 360 mil imigrantes residam no município, contemplando um total de 197 nacionalidades. A maior comunidade é a boliviana (estimada em pelo menos 70 mil pessoas), seguida por portugueses, chineses, japoneses, italianos, haitianos, espanhóis, sul-coreanos, argentinos e peruanos.

Em agosto passado, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal realizou uma atividade online sobre a situação dos imigrantes na capital paulista. A reivindicação pela instalação de uma subcomissão dedicada ao tema apareceu já neste evento.

Veja abaixo as instituições que subscrevem o documento:

1 . Centro de Estudos de Migrações Internacionais – CEMI (IFHC/Unicamp)

2.    Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante – CDHIC.    Coletivo Conviva 

3.  Comissão dos Direitos dos Imigrantes e Refugiados OAB/SP

4. Comitê Migrações e Deslocamentos da ABA

5.  Comunidade Congolês no Brasil (CCB)

6.  Fórum Internacional Fontié ki Kwaze 

7.  Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC

8.  Missão Paz

9.  PDMIG – África do Coração

10.  Presença América Latina – PAL

11.  Rede Sem Fronteiras – RSF

12.  Serviço Franciscano de Solidariedade – Sefras

13. Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do município de São Paulo

Mobilização da sociedade civil

Além desse compromisso com a instalação da subcomissão na Câmara Municipal, Boulos e Covas já haviam aderido a um outro compromisso, também fruto de demandas da sociedade civil. Um conjunto de 39 entidades entregou uma carta às candidaturas a prefeito e vereador que pede, entre outras questões, o cumprimento do 1º Plano Municipal de Políticas para Imigrantes, anunciado em agosto passado, e o rechaço a manifestações de ódio de qualquer natureza.

Além de Covas e Boulos, também firmaram compromissos pró-imigrantes as candidaturas de Jilmar Tatto (PT), Márcio Franca (PSB), Marina Helou (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

Atendendo a essas demandas da sociedade civil, um conjunto de 72 candidaturas a vereador se comprometeu com a defesa de ações em prol da comunidade imigrante na capital paulista. Destas, oito se elegeram, o que representa 14% do total de cadeiras na Câmara Municipal.

O que dizem os candidatos sobre migrações

O projeto de governo de Bruno Covas – que é candidato à reeleição – cita os imigrantes no eixo SP Para Todos. Ele prevê, entre outras metas, ações de acolhida a essa população. Os imigrantes também são citados para exaltar o caráter global da cidade.

Durante sua gestão foi dada continuidade à política municipal para imigrantes que passou a vigorar no final da gestão de Fernando Haddad (PT), em 2016.

Já o programa de governo de Boulos possui um capítulo inteiro dedicado à temática. No documento são detalhadas propostas como a criação de um cartão de identificação dos imigrantes residentes na cidade.

A proposta do candidato prevê ainda o fortalecimento da Política Municipal para a População Imigrante, garantia de autonomia do Conselho Municipal de Imigrantes e a formação de servidores públicos para estarem aptos a atender essa parcela da população.

Avanços e desafios em políticas públicas

Embora os imigrantes não tenham direito a voto (salvo aqueles que já possuem a cidadania brasileira), sua presença na capital paulista é suficiente para provocar os agentes públicos a atuar em relação à essa parcela da população.

Os 360 mil imigrantes estimados pelo poder público municipal podem parecer pouco diante dos cerca de 12 milhões de pessoas que habitam a capital paulista, mas é um número equivalente ao de uma cidade de médio porte no Brasil.

Nos últimos anos, essa comunidade obteve conquistas como a Política Municipal para a População Imigrante, em vigor desde 2016. E a chegada de uma nova eleição motiva mobilizações diversas em favor desses avanços recentes.

Desde o final de 2016 a cidade de São Paulo conta com uma Política Municipal voltada à população imigrante. Ela consolidou uma série medidas implementadas no município desde 2013 em relação a imigrantes, como o CRAI (Centro de Referência e Atendimento a Imigrantes) e a criação do CMI (Conselho Municipal de Imigrantes).

Em agosto passado foi anunciado ainda o 1º Plano Municipal de Políticas para Imigrantes, que contempla um total de 80 metas a serem cumpridas até 2024 — ou seja, justamente pela próxima gestão municipal. Tais metas partiram das demandas apresentadas na 2ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, ocorrida em novembro de 2019.

A manutenção desses elementos obtidos ao longo dos últimos anos é uma das principais preocupações das instituições e coletivos ligados à temática migratória.


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Como começou a Global Mobility no Brasil — e para onde ela pode ir

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(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Por Danyel Andre Margarido

É verdade que saímos de “a pessoa do RH que fala inglês” para especialistas com experiência na gestão de pessoas e talentos globais, interculturalistas, gestores de projetos globais, especialistas em impostos e tributos em diferentes países. E o centro das atenções, quando respondemos a célebre pergunta “Com o que você trabalha?”.

Por isso, pode ser interessante ter um overview de Mobilidade Global no Brasil. Afinal, olhar para o passado pode responder questões atuais, ou mesmo, futuras, além de pode ser valioso para muitos temas. E, pode nos ajudar a chegar onde almejamos ir.

O ovo ou a Galinha?

É um pouco difícil dizer com certeza qual foi o estopim para o mercado brasileiro de um profissional expatriado. Ou qual foi a empresa que enviou o primeiro um brasileiro para o exterior ou recebido o primeiro estrangeiro no Brasil.

Mas, segundo a pesquisa de Gallon, Fraga e Antunes, é possível dizer que a expatriação “torna-se foco de pesquisa no final da década de 1970, ao analisar a adaptação e a eficácia dos expatriados, as quais anteriormente eram analisadas na perspectiva dos voluntários do Corpo da Paz e dos estudantes de intercâmbio, havendo poucos trabalhos sobre gestores expatriados“.

Refugiados e voluntários mostram o gingado no Colégio Santa Cruz. Crédito: Adus

A expatriação começa, assim, emprestando o movimento que acontecia (e ainda acontece) com intercambistas e voluntários internacionais. Para que, após essa inspiração inicial, tendo em vista as diferentes e complexas nuances que um profissional expatriado possui, em relação a um voluntário e a um intercambista, melhores conceitos e políticas possam ser desenhadas – suprindo assim as necessidades da empresa e respondendo ao mercado.

Por muito tempo, Global Mobility foi uma ferramenta que englobava duas vertentes

  • Necessidade Técnica;
  • Premiação por tempo de cargo.

Ou seja, as razões pelas quais colaboradores eram movimentados pelo mundo, nos limites corporativos de Global Mobility, podiam ser de várias qualidades, mas normalmente resumiam-se a essas questões.

Atualmente

Até hoje a Necessidade Técnica continua (e continuará) sendo a principal força que impulsiona o departamento de Mobilidade Global dentro das empresas. Suprir a necessidade técnica em uma filial em outro país, consertar uma máquina, gerir uma equipe, administrar uma filial estrangeira, todas essas são razões que movimentam pessoas nas empresas.

Mas até certo tempo atrás, a expatriação era usada como Premiação por Tempo de Cargo, onde o funcionário com muito tempo de empresa, e sem muito espaço para crescimento, era enviado para “passar um tempo no exterior”.

Esse segundo ponto tornou, por muito tempo, Global Mobility em uma área glamurizada e, consequentemente, muito cara (o que, recentemente, tem sido mudado.). Os processos de mobilidade global eram muito compreensivos, e tendo em vista a confortabilidade do profissional expatriado e sua família.

Com o tempo, essa prática foi mudando, passando por uma maturação — principalmente do ponto de vista de custos. O que era visto antes como “cover of local costs” passou a ser “coverage of reasonable costs linked to the Mobility process“, o que foi feito por muitas empresas, tendo em vista uma melhor gestão de custos de mobilidade.

Essa maturação da área de GM ajuda, e muito, a melhor definição do que é um expatriado. Saindo de alguém que somente supre uma necessidade técnica ou ganha um benefício, para um profissional que consegue navegar em diferentes culturas e cenários que podem ser desconhecidos.

Desenvolvimento

Mesmo com as recentes situações e cenários pouco favoráveis, uma das grandes mudanças, ou melhor, evoluções, passa pelas diferentes gerações que agora estão sendo expatriadas, em Mobilidade Global, as quais alteram um pouco a gestão dos processos da área, abrindo novas mobilidades de expatriação. As gerações Y e Z não esperam por suas empresas, para que uma expatriação ocorra, muitos se auto-expatriam em busca de novas oportunidades e desafios.

Além do público atualizado, as restrições globais e de locomoção causadas pela pandemia do Covid-19, fizeram com que o trabalho remoto e a tele-expatriação (ou Virtual Assignment) saíssem do cenário de testes e ajudassem aos envolvidos a contornar as restrições acima.

… e depois?

Pode parecer um pouco difícil dizer o que vai acontecer mais para frente, vendo o que estamos passando nessa metamorfose. Mas temos a certeza de que pessoas continuarão mudando de um país para outro, para trabalho, para estudo ou mesmo pela necessidade de novos ares.

Sendo assim, para todas essas possibilidades, a Mobilidade Global continuará sendo necessária — assim como sua constante evolução.

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Já realizou a movimentação de mais de 2000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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25ª Festa do Imigrante vai permitir imersão e trocas culturais sem sair de casa

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Apresentação cultural durante a Festa do Imigrante. Após um 2020 totalmente no formato online, as atividades retornam ao presencial na edição 2021. (Foto: Divulgação)

Completando 25 anos, a tradicional Festa do Imigrante, promovida pelo Museu da Imigração em São Paulo, terá sua edição de 2020 em formato virtual e gratuita – assim como tantos outros, em razão da pandemia de Covid-19.

O evento homenageará 28 nacionalidades que, através de seus saberes e de sua cultura, contribuíram e ainda contribuem para a formação do estado de São Paulo.

De 30 de novembro a 06 de dezembro, oficinas de dança, gastronomia e artesanato poderão ser assistidas como maneira de celebrar esse consolidado evento do calendário cultural de São Paulo. Por meio de 17 lives e 19 oficinas, o evento busca levar a cultura de diversos cantos do mundo para os paulistas, proporcionando uma experiência de troca e aprendizado sem sair de casa.

Fechado em março por conta da pandemia, o Museu reabriu as portas parcialmente em outubro, seguindo orientações estaduais e municipais. Para marcar a retomada das atividades, o jardim ganhou uma instalação temporária que visa relacionar o isolamento social da pandemia com os sentimentos de um migrante.

O evento

A Festa do Imigrante, promovida anualmente no complexo da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, tem como objetivo enaltecer as heranças e tradições de diversas nações, além de também valorizar as contribuições das comunidades migrantes contemporâneas.

Ao todo, mais de 80 comunidades, representadas por 50 nacionalidades diferentes, participam do evento com música, dança, artesanato e gastronomia. Em 2019 a Festa atraiu mais de 20 mil pessoas ao complexo no qual funcionam o Museu e o Arsenal da Esperança.

Tendo em vista as impossibilidades de sua realização presencial em decorrência da Covid-19, o Museu da Imigração adiou e, em seguida, adaptou seu esperado evento através de oficinas de dança, artesanato e gastronomia anteriormente gravadas.

Com o apoio da Associação Paulista Amigos da Arte, o Museu que também teve que se reinventar em 2020 organizou um extenso cronograma para o período de 30 de novembro a 6 de dezembro. As atividades serão disponibilizadas na plataforma #CulturaEmCasa nos horários indicados na programação e permanecerão disponíveis ao público.

Os materiais poderão ser acessados posteriormente, também, em uma playlist especial no canal do Museu da Imigração no YouTube.

Apresentações e oficinas

O jardim do complexo da antiga Hospedaria do Brás servirá de palco para as apresentações artísticas que serão transmitidas ao vivo. Serão 16 países que terão suas heranças enaltecidas – entre eles Venezuela, Marrocos, Croácia, Togo, Guiné Conacri, Japão, Paraguai, Grécia e Líbano.

As oficinas em vídeo proporcionarão ao público a possibilidade de pausar e reassistir cada passo de dança, gastronomia e artesanato. Os espetáculos dos movimentos das danças tradicionais serão expostos e ensinados por migrantes e descendestes da Lituânia, Hungria, Rússia e Irlanda.

O evento também proporcionará o aprendizado de artesanato característicos. Representantes das comunidades ensinarão a produção de miniterço com contas e pingente, de Portugal; preparação de perfumes, da Síria; Margučiai, a pintura de ovos da Lituânia; origami em formato de gueixa, do Japão; bordado, da Bulgária; e pintura em pano, do Congo.

Para todos aqueles apaixonados em experimentar e reproduzir receitas típicas, os vídeos destacarão o modo de preparo do patacon (com guacamole e arepa paisa, da Colômbia), da fogazza (Itália), do escondidinho de bacalhau e natas (Portugal), do pogácsa (espécie de bolinho amanteigado, da Hungria), dos tequeños (tiras de queijo enroladas em massa artesanal, da Venezuela) e do badjia (feito com feijão fradinho, de Moçambique).

Além disso, para quem quiser se sentir ainda mais perto do evento e prestigiar os expositores, a plataforma #CulturaEmCasa disponibilizará contatos e indicações das comunidades participantes, permitindo que o público adquira artesanatos ou realize pedidos de pratos típicos por delivery.

Em parceria com o Abraço Cultural – que há 5 anos promove troca de experiências, geração de renda e valorização dos refugiados – , aulas com professores migrantes ou refugiados abordarão, introdutoriamente, os idiomas árabe, espanhol e francês.

Vale ressaltar que para essa atividade haverá a necessidade de inscrição prévia pelo site do Museu da Imigração, a partir do dia 26 de novembro (quinta-feira). Os interessados devem acompanhar a agenda.

Assim como nas últimas edições presenciais, os recursos de acessibilidade também estarão presentes na Festa digital.  Alguns vídeos das oficinas contarão com legenda, audiodescrição e interpretação de Libras.

Os detalhes da programação, com dias e horários de cada atividade, estão disponíveis no site da instituição.

Relembre temas anteriores da Festa do Imigrante (a partir da 17ª edição)

17ª edição (2012): A diversidade construindo São Paulo
18ª edição (2013): São Paulo é como o mundo todo
19ª edição (2014): Celebrando as culturas de SP
20ª edição (2015): O mundo cabe aqui
21ª edição (2016): Descobrindo tradições em São Paulo
22ª edição (2017): Compartilhando heranças e histórias
23ª edição (2018) : Experimente novas origens
24ª edição (2019): Reencontre suas raízes


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Em formato online, Fórum Fronteiras Cruzadas estende programação até março e une pesquisa e ativismo

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Começa nesta terça-feira (24) a terceira edição do Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze – Fronteiras Cruzadas. O evento visa ser um ponto de encontro entre qualquer pessoa interessada em pensar e atuar sobre os novos desafios para a garantia de direitos de migrantes, independente da origem.

Para este ano o tema do evento é “Migração Transnacional e Transformações Sociais”, que ganha ainda mais relevância em um contexto de pandemia como a da Covid-19.  Os debates oficinas e demais atividades visam criar espaços para promover a troca de saberes, ampliando redes e resistências locais e globais num contexto de migrações.

Até o mês de março devem passar pelo Fórum participantes e convidados de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, México, Haiti, Trinidad e Tobago, Estados Unidos, Canadá, Angola, África do Sul, Guiné-Bissau, República Democrática do Congo, Senegal, Marrocos, Espanha, Rússia, Palestina e Síria.

A programação até dezembro pode ser vista na página oficial do Fórum. Em breve devem ser anunciadas as datas e atividades que ocorrerão até março.

Cruzando fronteiras em meio à pandemia

O Fórum foi mais uma iniciativa obrigada a rever sua programação e dinâmicas em razão da pandemia de Covid-19. Por esse motivo, todas as atividades ocorrerão em ambiente online, o que gera um desafio a mais para a organização.

“No Brasil, é uma batalha botar de pé um evento acadêmico internacional, ainda mais no formato virtual e em condições adversas. São ataques à ciência, desmonte de direitos trabalhistas e sociais, políticas de Estado racistas, criminalizadoras e desumanas. Por isso, nessa edição do Fórum, estamos apostando no trabalho em rede, buscando fortalecer a pesquisa interdisciplinar e atuação engajada com a transformação social”, comenta a advogada e pesquisadora-curadora do Fórum, Karina Quintanilha.

“Desta vez o evento vai ser maior ainda, vem crescendo. É importante a participação de todos os imigrantes”, complementa o ator boliviano Juan Cuscianki, também integrante da comissão organizadora.

Se por um lado a realização 100% pela internet limita a possibilidade de interação entre os autores, por outro também é um elemento que ajuda a cruzar certas fronteiras e permite a participação no evento independente do local onde estejam.

Sobre o evento

Fontié Ki Kwaze significa “Fronteiras Cruzadas” em créole haitiano e faz referência ao Haiti. Primeiro país a organizar uma revolução de escravos negros iniciada, em 1791, derrotou a exploração colonialista francesa e se tornou a primeira república independente da América Latina, em 1804.

O Fórum tem a coordenação geral do Prof. Dr. Artur Matuck (ECA/ PGEHA / Diversitas-USP), junto com a Profa. Dra. Vera Telles (FFLCH-USP), o Prof. Dr. Paulo Daniel Farah (FFLCH-USP / Diversitas / NAP-Brasil-África) e a Profa. Dra. Patrícia Villen (Núcleo de Pesquisa Abdelmalek Sayad), com curadoria da pesquisadora e advogada Karina Quintanilha (IFCH-UNICAMP / CDHIC). Também é constituído por uma ampla rede de pesquisadores das mais diversas áreas de atuação (Comissão de Organização e Científica), estudantes, assistentes sociais, advogados, coletivos de migrantes, espaços culturais, em estreita cooperação com grupos de pesquisa do Brasil e exterior, em especial na América Latina, Canadá e Europa.

A primeira edição ocorreu em 2017, nas dependências da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo). e contou com a cobertura do MigraMundo.

Programação

24/11, Terça, 15h-17h  WebConversation (Inglês): 
Studies in Migration – Études sur la migration Interdisciplinary / Research Group – Groupe de recherche interdisciplinaire

Convidados: Profa. Dra. Yana Meerzon (University of Ottawa)
Prof. Dr. Henry Daniel (Simon Fraser University, Vancouver).
Mediação: Prof. Dr. Artur Matuck (ECA-USP) e Daniel Perseguim (MOVITE-UFU). 

24/11, Terça, 20h-21h30 Conferência de Abertura (Português e Espanhol): Migração transnacional e transformações sociais

Convidado: Prof. Dr. Raul Delgado Wise (UAZ-México).
Mediação: Karina Quintanilha (Unicamp).
Debatedor: Dr. Luís Felipe Aires (PUC-SP).
Convidada especial: Hortense Mbuyi (Conselho dos Imigrantes – SP).

?Transmissão e participação: https://bit.ly/3lv3hWt (YouTube @FronteirasCruzadas)

Programação gratuita até março de 2021, com emissão de certificados. Inscrições pelo site oficial:
http://www.fontieforum.org/forum2020-21/

Evento no Facebook: https://fb.me/e/1jcg5kiel

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